SOL

A resiliência dos portugueses está à prova mas acabará por dar a volta por cima.

Os ataques vêm de todos os lados, de dentro e de fora. Até parece que tudo está concertado para afundar o país e repartir os despojos que ainda sobrarem. Antes era oferecer o céu para que as dívidas aumentassem agora é obrigar a endividar-se para emprestar mais dinheiro a um juro proibitivo para provocar o incumprimento e virem depois buscar as contrapartidas e as hipotecas ao desbarato. Muitos economistas e jornais bem colocados na cena internacional estão à espreita e a pôr obstáculos para que o descalabro aconteça, de facto. O pior é que cá dentro há muita gente que vai nessa conversa e até parece que deseja que o País se afunde para depois virem dizer: nós é que tínhamos razão. Porque é que não votaram massivamente em nós? É triste mas a realidade de todos os dias é pródiga em factos que não deixam muitas dúvidas. Diante destes cenários, julgo que a atitude de todos nós deverá ser uma persistência resiliente e resistente a tudo como a dos portugueses de outras eras para dizer ao mundo que Portugal está firme e irá, de novo, dobrar, com êxito, mais este cabo das tormentas e transformá-lo em cabo de boa esperança. Para isso será preciso não abrir a facilidades, equilibrar as finanças públicas e privadas com mais justiça, equidade e rigor, sem cair em fantasias de liberdades, fraternidades e igualdades que estão simplesmente gastas e desacreditadas por aqueles que fazem o contrário daquilo dizem. Precisa-se, sim, de mais justiça social e distributiva, mais equidade em que uma sã proporcionalidade tenha lugar mas a partir de níveis razoáveis e justos. Não basta falar de equidade se o ponto de partida em termos de justiça for injusto e iníquo para não dizer obsceno. Estou-me a referir àqueles que recebem centenas de milhares de euros ano, em salários e reformas, em que o mérito é, pelo menos, muito discutível para não dizer duvidoso, em comparação com os que recebem dois ou três mil ano. Nestes casos, que são muitos, não há qualquer proporcionalidade equitativa que valha e o que fica é uma escandalosa iniquidade. Não vale a pena vir com justificações esfarrapadas, o que é preciso é mudar rápida e urgentemente este estado de coisas que poderá, a breve prazo, tornar-se verdadeiramente explosivo. A criminalização do enriquecimento ilícito poderá dar uma ajuda mas é preciso que seja efectiva e funcione, de contrário, mais uma vez, será pior a emenda que o soneto.

Publicação: sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012 10:20 por JCtavares

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