Menino, fui industrado no catolicismo romano. Na sua doutrina e praxis.
Jovem estudante, sete anos aluno interno num prestigioso colégio, pertença da diocese do Porto, era confrontado, naturalmente, e obrigado a viver, a religião católica. Uma continuidade do que aprendera e vivera no ambiente familiar aldeão. No entanto, à medida em que avançava nos estudos liceais e tendo optado por seguir a alínea F, no terceiro ciclo, fui sendo confrontado com o rigor de algumas Ciências Exactas ou Experimentais, nomeadamente a Física-Química e a Matemática. A Biologia, a Geologia e Mineralogia mostaram-me e deram-me a conhecer a história do planeta Terra, a sua formação e evolução, quer dos seres vivos quer das rochas e continentes.
Foi já na Universidade, cursando Engenharia Química, que tive a oportunidade de, na Faculdade de Ciências do Porto e na de Coimbra, aprofundar estes conhecimentos. Na Faculdade de Engenharia, sendo já uma especialização, terminaram. Porém, uma cadeira de opção, Bioquímica, leccionada Faculdade de Farmácia, deu-me a visão de como a vida era um conjunto de reacções químicas, electromagnéticas, em substrato biológico.
Foi esta formação, que nada teria a ver com uma outra formação académica que, entretanto, resolvera encetar e concluir, que tem permitido ao longo da minha vida questionar-me e questionar sobre aquilo que, para mim, é a questão essencial que todo o ser humano deverá formular: de onde venho, o que sou e para onde vou, ou numa síntese mais abranjente, já que somos uma sua emanação, o que é o Universo?
Diria, pois, que confrontado, por um lado, com um comportamento pouco ético e pouco consentâneo com a religião que difundia parte da elite clerical do colégio e por outro lado, com o rigor da formação científica que encetara, na entrada para a universidade já pusera de lado o formalismo religioso e questionava profundamente a autenticidade da sua doutrina. Se o da História abrira-me a porta para o estudo das religiões, com todas as consequências daí resultantes, a credibilidade das fontes e as épocas em que nasceram, as suas procura, histórica, de sobrevivência por adaptação e renovação das doutrinas, o estudo das diferentes correntes filosóficas permtiam crer num deus, negá-lo ou dele duvidar!
Concluindo, o único caminho para responder à questionação da Existência, depois de despido de todas as influências sociais e da falta de rigor das Ciências Humanísticas, era a sua busca através das Ciências Exactas, no que elas poderiam aportar, apesar de todas as suas limitações. Quando estou fisicamente doente não vou ao bruxo mas sim ao médico, ou quando me pretendo deslocar tomo o avião e não o vento. Assim, ao longo da vida, foi sempre com muito interesse que procurei conhecer e compreender as descobertas que se foram fazendo relacionadas com a Vida e o Universo. A Astronomia, a Astrofísica, a Física das Partículas, a Evolução e a Química da Vida,..., todas as Ciências que no seu conjunto me pudessem dar, cada vez com mais rigor, uma panorâmica sobre as interrogações últimas que, como ser humano, me coloco. Diria que o caminho que, desde a adolescência, tenho trilhado foi fruto desta atitude que bem cedo tomara, a de agnóstico. Não acredito nos deuses pintados pelas religiões, pela sua falta de credibilidade científica, mas poderia existir Deus, o criador do Universo de que somos neste momento da sua existência e evolução, parte? Ou não? E como as ditas ciências não davam qualquer resposta definitiva, a posição de agnosticismo foi-se mantendo até ao presente. No meu blogue, tenho procurado relatar e dar a conhecer avanços e descobertas científicas relacionadas com essa busca de conhecimento, a procura da resposta à Interrogação.
Stephen Hawking
Que me desculpem os crentes, perante a dureza da afirmação, diz Stephen Hawking, mas cheguei à conclusão de que deus não existe. Baseio-me nas leis da Física que governam o Universo.
Stephen Hawking, quiçá o maior cientista vivo, e o maior a seguir a Einstein, explica como chegou a essa conclusão. Seria fastidioso da minha parte descrever aqui toda a argumentação científica mas deixarei uma pequena resenha acessível a um qualquer leitor.
Uma das leis da Física chama-se o princípio da causa-efeito, ou acção-reacção. Imagine-se que pretendo construir um montículo de terra. Pego numa pá, cavo a terra e faço o monte. A criação do monte não sugiu de per si, houve uma contraparte que foi o buraco que ficou. Ou seja a criação do montículo, efeito, teve como causa o surgir do buraco. No entanto, se se adicionar o montículo ao buraco a sua soma é nula, é o Nada, não havia montículo nem buraco. Imaginemos agora a corrente de um rio. De onde veio essa água? Das nuvens. E como se formaram as nuvens? Da evaporação da água do mar por efeito da radiação solar. E de onde provém essa radiação? Das reacções de fusão nuclear do hidrogénio que se dão no núcleo da estrela. E de onde provém o hidrogénio? Do Big-Bang, isto é, do nascimento do Universo.
Chegamos, pois, ao começo da nossa aventura, o Big-Bang. Mas...segundo o princípio causa-efeito, algo o deveria ter despoletado! Pois é! Lembram-se do tal montículo-buraco? No Big-Bang da Singularidade, um volume menor que um protão, infinitamente quente e denso, libertou-se toda a energia que hoje forma o Universo (é bom não esquecer que massa é energia, portanto, as galáxias de hoje foram energia ontem e energia hoje poderá ser massa amanhã), o tal montículo. E o buraco? É o espaço, a energia negativa, que foi criado com o Big-Bang. Continua em expansão, acelerada, e hoje tem o diâmetro de 19,5 mil milhões de anos-luz. A soma da Energia ao Espaço dá Nada!
Mas...ainda há uma outra questão por responder, o que causou o Big-Bang? O tal princípio causa-efeito? A Teoria da Relatividade de Einstein explica-o. Todos nós temos, ou sabemos da existência dos GPS que utilizamos como localizadores de rotas. Baseiam-se na triangulação de sinais emitidos a partir de três satélites espaciais. A terra e os satélites estão em movimento. Para a fiabilidade da localização, o seu rigor, aos sinais emitidos, ondas electomagnéticas, são efectuadas correcções por causa da relatividade do tempo. Cá entra a Teoria da Relatividade Geral, na medida em que a velocidade de um móvel se se aproxima da da luz o tempo decorrerá cada vez mais devagar. Por isso, se um de nós se metesse numa nave a estas velocidades e se aduração da sua viajem fosse de um ano, na Terra teriam decorrido cem. Quando chegasse veria os netos com o seu aspecto físico!
Imaginemos um supermassivo buraco negro do centro de uma galáxia ou um simples buraco negro estelar. Nestes corpos celestes, mercê da sua massividade, a atracção gravitacional é tão intensa que nem a radiação consegue sair. Agarram tudo, massa e radiação, pela deformação do espaço que provocam, que se encontre para o interior do seu horizonte de eventos. Imaginemos agora um móvel, a tal nave, a aproximar-se do horizonte de eventos de um buraco negro. À medida em que se vai aproximando a sua velocidade aproxima-se cada vez mais da da luz e, portanto, o tempo vai decrescendo gradualmente até se tornar nulo, quando é sugada pelo buraco negro. Se transportasse um relógio ouviríamos o tic-tac cada vez a ser mais lento, até que parava. Acabou o tempo, não há tempo! Podemos pensar o Big-Bang como algo idêntico. O andar com o filme para trás, quando se chega à Singularidade não há tempo. Ele nasceu com o Big-Bang, O espaço-tempo einsteiniano.
Em conclusão, se não há tempo antes do Big-Bang, não há um momento em que um criador, o tal deus, o tenha feito, o tenha despoletado. A causa não existe! O espaço-tempo e a energia (matéria e radiação) nasceram com o Big-Bang.
A resposta à busca de uma vida estará aqui. O único caminho em que acredito.