Nem eu sei bem porquê, dei comigo esta tarde a pensar com alguma persistência no que será - ou poderá ser - a nossa vida, a partir do momento em que deixarmos de ser membro deste "grupo dos vivos" de que hoje somos uma pequena molécula.
Só que, por mais voltas que tenhamos dado aos nossos bem vivos pensares, não chegamos a conclusão alguma sobre o assunto e, desta forma, resta-nos continuar a alinhar ideias que a nada nos conduzem de positivo.
Importa referir que esta sequência de pensamentos chegou até mim e trouxe-me toda esta preocupação, após longa troca de palavras que mantive ao serão de ontem, com dois amigos que igualmente habitam nesta aldeia que é a minha terra Natal, que se lembraram de trazer à "baila", conversas que em tempos tiveram com os meus Pais sobre tal assunto.
E com os meus Pais porquê? Apenas porque bem se recordam das confidências que o meu Pai lhes fizera nos últimos tempos da sua vida de 80 anos, sobre os maus e bem estranhos momentos que em minha casa se viveram há uns bons 75 anos e dos quais, para mal dos meus pecados, também fui uma pequena testemunha.
Lembro-me perfeitamente de que nesse tempo, sentavam-se à nossa mesa diàriamente, à hora de cada refeição, dez pessoas - os meus Pais e os seus oito filhos! E ao jantar, a partir de certo momento e durante cerca de dois meses, o aviso que vinha até nós, da parte de um Senhor de fartos bigodes, não admitia réplicas:
- " Vamos lá meninos, acabar com a papinha e a caminho da cama, porque o espectáculo vai começar!
E nós, os mais pequenos, ao grupo dos quais eu pertencia, lá íamos a caminho dos quartos, seguindo um pouco mais tarde o mesmo caminho, os dois mais velhos.
Perante tudo isto nós, os mais novinhos, mas que também já pensavamos, tentavamos manter-nos acordados, para não perdermos... o combóio!
Tal procedimento, permitiu-nos o encontro com alguns ruidos estranhos, como o bater de palmas, frequentes gargalhadas, simulacro de loiças a partirem, portas que batiam, etc.etc..
Em coversas de ocasião, já tenho falado no assunto a pessoas amigas, que ficam a olhar para mim com um misto de dúvidas e surpresa...
Mas para nós, neste caso para mim, não existem nem nunca existiram dúvidas nenhumas, por duas razões principais: - Uma, porque os meus Pais nos davam posterior conhecimento de quanto se passava: - Outra, porque nós próprios tiravamos partido da escuta e apanhavamos boa parte do tal espectáculo a que o meu Pai se referia.
Espectáculo esse que teve seu fim, quando a conselho de pessoa amiga, o meu Pai foi um dia a Santarém e trouxe com Ele uma Senhora, que passou uns dias em nossa casa e só regressou a Santarém após percorrer e beneficiar com as suas "rezas", para além da casa, todas as parcelas de terreno que à mesma pertenciam...
Recordo ainda o facto do meu Pai passar boa parte das noites a vaguear pela casa, a nossa "casinha" que, entre rés-do-chão, primeiro andar e sótãos, se compunha de 27 divisões!
E Ele ralhava, referindo que se havia alguma razão para tanto, o incomodassem apenas a Ele, mas que deixassem em descanso as oito crianças que ali viviam e que de culpa nenhuma poderiam ser acusadas e penalisadas.
Desnecessário será referir o descanso que foi, não só para Eles, os nossos Pais, mas também para todos nós, os filhos, que passamos a dormir melhor, a partir do momento em que o pano desceu sobre a última cena de tão trágico espectáculo!
Deixem que declare aqui, a terminar este Post, que não é muito agradável para mim pronunciar-me sobre tais factos, tanto pela profundo sentido de que se revestem, como pelo mau efeito que causaram, ao longo de meses, a todos os dez "martirizados" seres que a tanto foram submetidos.
Acredite-se ou não "dizem-me", as Almas penadas ou Alminhas do outro mundo continuam por aí, entrando em tudo o que é casa por uma frincha qualquer, ou mesmo pelo buraco da fe- chadura, não para ofender ou magoar quem quer que seja, mas apenas para fazerem a cobrança de certas diatribes sociais ou dislates humanos que tantos seres vivos vão cometendo ao longo da vida. E cumprida essa missão, voltam ao seu reino, sempre com a sensação de que irão ser nomeadas para novas, mas idênticas tarefas, que desempenham sempre com o mesmo alor. Por tudo o que refiro, guardo um grande respeito pessoal sempre que, por qualquer razão se fala de "Almas penadas", ou de "Alminhas do outro mundo"...
Vivências de 1935 Escrito por: J.Matos Silva Em: 05-09-2010
Estamos a contas com o segundo apontamento sobre Angola, onde iríamos passar uns quatro anos, em cumprimento da primeira Comissão de Serviço que nos coube como militar da FAP.
E como então referi no Post anterior sobre este assunto, a surpresa maior que por mim passou não foi o facto de ser nomeado para uma Comissão Militar neste território, mas sim o pormenor de ter ido encotrar em Henrique de Carvalho, um sobrinho que não via há vinte e dois anos, desde que ele, ao serviço do então Ministério das Colónias, seguiu para Angola após ter-se formado em Regente Agrícola, na Escola de Évora, onde eu também estudei durante cinco anos.
Mas falemos de Angola, que é para isso que aqui estamos.
E vou dizer-lhes algo sobre esta Cidade de Henrique de Carvalho, localidade ampla, alegre e cheia de luz, com as ruas traçadas em esquadria, cruzadas entre si e às quais melhor será chamar-lhes de Avenidas, dada a largura de cada uma delas, "ornamentadas" de um e outro lado por vivendas ditas de estilo colonial... Quanto a essas largas Avenidas, um reparo para um único senão: tinham todas elas o piso em terra. De referir ainda que esta cidade, situada no Distrito da Lunda, foi elevada à capital do Distrito, de um distrito que,com duas vezes a superfície de Portugal teria, nessa altura, "quinhentos e trinta e seis habitantes", entre brancos, mulatos e assimilados, aqueles pretos que, como habilitações literárias, apenas sabiam escrever o seu nome!
Como também referi antes, o alojamento do pessoal (Sargentos e Praças), era constituído por barracas de lona com capacidade para quatro "inquilinos" cada uma delas.
Para os Oficiais, havia na Cidade um conjunto de habitações em pequeno Bairro, logo às portas da Cidade. Mas logo ali ao lado, já estava em construção uma mais longa fila de pequenos apartamentos destinados aos Sargentos do Aeródromo, paralelamente ao edifício que se construía no terrenos da Unidade e destinado ao pessoal solteiro.
Por fim, todas as instalações restantes se encontravam em construção,
Cozinhas e Refeitórios, Esquadra de Material, Esquadrilha de Abastecimento, Oficinas, Hangares e Aquartelamento para Praças.
O trabalho decorria normalmente da parte da manhã e após o almôço e era suspenso pelas 17H00, aproveitando o pessoal para tomar um bom banho e encaminhar-se para os Barracos onde eram servidas as refeições.
Após o jantar as mesas eram limpas e ficávamos por ali entretidos nuns jogos de Xadrez, Damas ou cartas, até que o "João Pestana" nos acompanhava até à cama.
Dia a dia, o programa repetia-se, variando apenas quando havia motivo ou razão para alguma missão no exterior.
Na minha Esquadrilha, continuávamos a abrir caixotes e a localizar nas diversas prateleiras o material desembalado.
Como 2º. Comandante, ali fui encontrar o Ten.Coronel Carita, um velho conhecimento e como Comandante da Esqª de Material o Capitão Lopes Marques. Na Esquadrilha de Abastecimento estava o Tenente Maia...
Tudo pessoal do melhor, conhecido das Unidades (Bases) da Metrópole, como então se dizia. Uma verdadeira Família, que apenas se encontrava em terrenos diversos do habitual.
O meu sobrinho, lá aparecia uma ou outra vez para me levar a jantar com eles e depois, para um certo convívio em Família de que andavamos tão arredados e seqiosos... Esses momentos eram aproveitados pelos miúdos para me colocarem mil questões sobre a vida que aqui fazíamos e sobretudo, essa coisa tão falada da Televisão... como era isso?
Contava-lhes que houve acontecimentos desportivos passados no Oriente (Japão e China) que nõs víamos aqui no mesmo instante... e ainda da primeira viagem que levou um homem até à Lua e a graça é que tanto os catraios, como o próprio Pai, retorquiam:
-Mas óh Tio, como é que isso é possível? É tão difícil acreditar nessa coisa!...
Eu tentava ser simpático e não criticar o facto, mas cá muito para mim dizia: - Como é que esta gentinha está tão atrazada com os pretos?... Pois eu apenas lhe referia o que se passava e a verdade é que não estava ali para os enganar!
Logo que encontrei uma casinha em condições, que foi habitada por um Camarada meu que regressou a Lisboa, pedi uma viagem para a minha esposa, que foi ter comigo e fomos nós os dois, que teimando com a verdade, deixamos aquela Família ansiosa de vir a Lisboa para, de uma maneira concrecta, saberem como, através da TV, se podia ver o Mundo em cada dia!
Para variar um pouco o ritmo da nossa permanência naquele canto perto do fim do mundo, lá se arranjavam umas voltinhas em DO-27, uns teco-tecos que lá tinhamos e que normalmente andavam nas mãos do Furriel Piloto Santa Maria e com ele fazíamos umas passagens pelo Rio e algumas vezes também, à sombra do programa de horas que tinham para fazer,por Portugália, Camaxilo, Cazombo, Chiloage e Teixeira de Sousa.
Este Piloto, o Santa Maria, depois do seu regresso a Lisboa, conseguiu um lugar na T.A.P. para onde pediu a transferência, aliás facilitada pelo sua condição de Miliciano e ali, na TAP, tornou-se Piloto Comercial e, mais tarde, viria a desempenhar o cargo de Comandante de Bordo dos Boeing 707.
Lembro-me muitas vezes de todos esses instantes e mesmo dias, passados em boa camaradagem, que ao mesmo tempo nos ajudaram a transpôr alguns momentos mais duros!
Fico-me por aqui, com essa grande Saudade, impossível de repetir tais factos no seu todo.
Precisamente por isso nos servimos da Saudade, recordando, já que "recordar... é viver!"
Mas voltaremos em próxima oportunidade, que de Angola há muito para contar.
Esqrito em Agosto de 2010 Por: J.Matos Silva
Vinha um destes dias a caminho de casa, de mais uma das minhas frequentes deslocações ao Crato:
Trazia o rádio ligado na Antena 1, onde acabara de ouvir um serviço noticioso.
Duas jornalistas entram de serviço num "Campo de Férias" para miúdos, interrogando um após outro, vários desses miúdos, a cujos inquéritos todos vão respondendo com prontidão.
E as perguntas, sucedem-se à volta dos dias de férias já gozados e o que cada um tem por hábito fazer nos seus dias e horas de laser...
Ouves rádio? Contam-te histórias? Vês Televisão? Desenhos animados, Telenovelas, notícias, concertos musicais?
Entra na fila um rapazinho de 9 anos a quem a jornalistas começa por perguntar se ele vê muitos filmes de desenhos animados, ou qual é outro dos seus temas preferidos...
E o rapaz, com um àvontade de gente adulta, lá vai respondendo:
Que há tempos não vê desenhos animados, nem gosta de assistir a concertos musicais, daqueles que trazem à pantalha cantores como Tony Carreira ou o seu filho Mickael, pois com esses, não se aprende nada! Mas então de que programas gostas tu? Perguntam-lhe.
E o rapaz de 9 anos, com uma grande certeza na voz responde: - Hoje, os programas que eu mais vejo e muito aprecio, são os filmes da "Vida Selvagem", que principalmente nos mostra a BBC, com toda aquela acção dos animais ditos "feras". que eu vejo muitas vezes, porque gosto daquilo.
Mas daquilo o quê? Perguntam-lhe:
Aquelas corridas que uma leoa, uma chita ou um tigre fazem atrás das presas, as vítimas da luta que depois travam... E tu gostas de ver?
Gosto, principalmente daquele momento em que o animal perseguigo é apanhado pelo seu predador e começa a ser desfeito pelos dentes de uma boca com fome...
Mas porque razão tu gostas dessas cenas?
- Pois eu gosto de ver esse combate que é, nem mais nem menos, a luta pela sobrevivência, já que os predadores matam as suas presas para se alimentarem. E ao fim e ao cabo, são predadores como nós, os humanos, que também vamos matando a vaca, o porco, o cabrito, o coelho, a galinha, os próprios frangos e até todo o peixe que comemos sofre da mesma sorte, já que é morto em grandes caçadas pelos pescadores.
Ora se não nos condenamos a nós por todas essas mortes que cometemos, porque pensar mal daqueles animais selvagem, que apenas matam para comer?
Por isso gosto e vou ver sempre que me fôr possível!
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Digam-me cá, se este pequeno entrevistado não traz consigo uma boa dose de razões?
Cá por mim, estou inteiramente com o rapazinho que, diga-se, se pronunciou à Grande!
E daí, o título que aí fica de: GENTE PEQUENA, COM GRANDES RESPOSTAS! Em: 03-Agosto-2010 Por: J.Matos Silva
E depoiis de mais um Soneto que se junta às dezenas de outros que o precederam, iniciamos hoje, "para gáudio de Alguém",uma série de Posts que vão trazer à luz do dia, algo que se passou por Angola, ao longo dos oito anos que ali passei em serviço da FAP.
Decorria o ano de 1963 e, ao mesmo tempo, intensificavam-se as acções dos movimentos de libertação criados em todas as então chamadas, Províncias Ultramarinas.
E Angola, dados os vários factores das suas riquezas naturais, não podia de modo algum esquivar-se a tal situação, continuando a viver-se por ali, muitos maus momentos.
Militares das diversas Armas, engrossavam dia a dia o contingente que ali se acantonava, já que a construção das instalações mínimas que permitiriam encarar a emergência, estava em curso em todas as Unidades criadas à pressa... mas ainda longe das exigências.
E a minha nomeação para uma primeira missão militar em Angola, aconteceu em Julho de 1963, com destino ao Aeródromo Base nº. 4, em Henrique de Carvalho, onde se iniciava a construção de todas as estruturas exigidas à vida do dia a dia daquela Unidade da Força Aérea. Depois de uma viagem de dez dias a bordo do Vera Cruz, no qual seguiam pouco mais de um milhar de Oficiais, Sargentos e Praças, chegamos a Luanda, onde ao transporte marítimo, sucedeu o aéreo e foi de avião que chegamos ao nosso destino - Henrique de Carvalho.
Vimos então como ali, todos os serviços funcionavam já em barracas de madeira e o alojamento do pessoal, era um aglomerado de barracas de lona, cada uma delas com capacidade para quatro ocupantes.
Quanto às restantes instalações (messes de todo o pessoal, cozinhas, armazéns, garagens para recolha de algumas viaturas, oficinas, etc, eram todas elas feitas no mesmo jeito; umas tábuas, com a sustentação de uns barrotes e assim se vivia e... trabalhava!...
As tempestades de areia, enchiam-nos todos os equipamentos, camas, secretárias e papéis de uma camada de pó fino, que em cada dia tinha de ser sacudido, para dar lugar à nova dose que a seu tempo inundava todos os cantinhos que não conseguíamos manter limpos de todo.
Mas deixem-me referir que no momento da minha chegada a Henrique de Carvalho, vivi uma das mais agradáveis surpresas da minha vida...
Isto porque levei comigo desde este meu Monte da Pedra, a informação de que naquele local se encontrava em serviço um sobrinho meu, que como Regente Agrícola, desempenhava há mais de vinte anos as funções de Chefe dos Serviços de Agricultura e Florestas do Distrito da Lunda.
No meu segundo dia de Henrique de Carvalho, fiz uma visita às instalações dos Serviços onde era "rei" o Regente Pestana.
E porque ele não me reconheceu de imediata, chegaram algumas dúvidas, seguidas da surpresa que nos levou a um abraçôrro que só terminou, depois de algumas lágrimas, das tais que surgem de mistura com umas tantas alegrias que vamos vivendo.
Chamou a esposa, a Tóia, que era sua Secretária nos mesmos Serviços e todos os Funcionários da Delegação,para a todos informar que a partir daquele momento se encontrava a prestar serviço militar na Cidade, um seu tio que não via há cerca de 22 anos. E quando, refeito das surpresas do encontro, me preparava para ir até ao autocarro que me levaria à Base, diz ele: - não vá , fique para jantar connosco, que eu depois levo-o à Base. E eu fiquei, aproveitando o facto para conhecer os "segundos" sobrinhos: o João, a Fátima e a Filomena, a mais nova.
E a verdade é que acabei por conhecer também os dois "indispensáveis" funcionários que lhe asseguravam os serviços caseiros: o cozinheiro Sakapa e o auxilar que servia à mesa, o Cambuta, aos quais me vi forçado a dar os parabéns pelos bons serviços que desempenham com vontade e empenho inexedíveis, face ao desejo dos "exigentes" patrões!
Assim cheguei ao terceiro dia de África,de Angola e de Henrique de Carvalho,onde voltarei em próximo texto, para continuar um conjunto de informações... que se sucedem a outras que foram tema de vários Posts que publiquei neste mesmo espaço, sobre os anos que passei em Macau e mais tarde, dois anos em Paris, na recepção dos aviões NORD ATLAS, destinados em concrecto a Angola e a Moçambique.
E desta vez ficarei por aqui, esperando voltar amanhã, ou mais tarde, para novas notícias.
Em contacto com locais até aí desconhecidos em constante encontro com gente diferente, haverá por certo, muitas coisas novas para referir.
Ficaremos então na "mira" do episódio que se segue...
Até lá!...
Escrito em: 21-Julho-2010 Por: J.Matos Silva
Este título, é o de um Soneto que acaba de cair-me aqui numa folha de papel meio amarrotada!
Só que tal pormenor não me impede de o olhar à minha maneira, ao mesmo tempo que deixo a quantos o lerem, a total liberdade para o mais adequado julgamento...
Foi assim que nasceu "UM SOFRIMENTO QUE AJUDA A CRESCER!" ======================================
Escrevo... leio e fico meditando, Nas palavras vãs que deixo lá atrás... Traduzindo os meus dias de rapaz, Que com saudades, foram por mim passando.
Pacientemente, fui contando dias, Após os dias, os meses e os anos, Que me foram trazendo desenganos... Dos quais sem pressas nasceram alegrias.
Minhas dúvidas as deixo no vazio, Baloiçando na corrente deste rio... Rio destas nossas vidas que a correr...
Leva em suas ondas meu pensamento E de triste, se tornou em sofrimento, Que aos poucos, me ajudou a crescer!...
Em: 19-Julho-2010 Por: J.Matos Silva
............. " O QUE FOMOS " ............. Nem eu sei bem porquê, hoje deu-me para isto...
Recordar quanto puder esta vida que vai tão longa, como eu (a sério) nunca a imaginei... e depois, sentir o melhor que me seja possível o momento presente que será, sem dúvida, o mais importante.
Recuando portanto no tempo, encaro com mil saudades o meu tempo de menino em idade primária e logo logo, quanto lhe sucedeu.
Foi aos sete anos que, pela primeira vez, carreguei com uma malota onde transportava um livro, uma bem célebre e querida Cartilha de João de Deus, um caderno de duas linhas e a pedra, ou ardósia,onde ao longo do dia fazíamos os nossos trabalhos, com primazia para todos aqueles que nos levavam aos números = números de 1 a 100, numeração romana e depois, a teimosa novidade das contas de somar, diminuir, multiplicar e dividir!...
A maior fatia de cada um dos dias que passavamos sentado nas carteiras da Sala onde funcionavam as aulas, era vivida às voltas com todas essas coisas tão novas como estranhas para nós, até que che- gados ao topo de tão rápido período de aprendizagem e com ele, o fim da Instrução Primária, sentímo-nos preparados para novos vôos e de aacordo com a "vontade paterna, voamos mesmo desta nossa Aldeia do Concelho do Crato, para outra semelhante, mas situada no Distrito de Castelo Branco, com seu nome de Alcaíns.
Alcaíns, onde havia um Seminário, sugerido aos meus Pais pelo Padre Saraiva, o prior que rezava a missa dominical na minha aldeia e que tinha sido, algum tempo antes, meu Padrinho da Crisma, o que aconteceu ao tempo da minha 3ª. Classe...
Depois de confirmada a matrícula, lá fui na companhia do meu Pai até Castelo Branco, onde ficamos a pernoitar nessa noite, querendo o meu Querido e bem Saudoso progenitor, levar-me ao Cinema da Cidade, como mais uma estreia para mim, com a graça do filme que vimos, ter o nome de João Ratão!
Mais um momento de graça, que nos deixou com a melhor disposição para dormirmos bem a noite. E pela manhã do dia seguinte,lá seguimos na camioneta que nos deixou mesmo à porta do Seminário.
A partir daqui e como já o esperava, deparei com uma enorme série de surpresas, de entre as quais quero destacar o facto de só podermos conversar nos raros momentos de recreio e, a mais estranha de todas e uma vez na camarata termos de nos despir ao deitar e vestir ao levantar, debaixo da roupa da cama... para lá da missa das sete da manhã e terço da tarde, a que éramos obrigados em cada dia! E não irei mais além já que, por culpa desta e de outras, pouco depois de ter concluido o primeiro ano, estava a deixar ao Sr. Reitor, o pedido de me mandar para casa. E o Sr. aceitou o meu pedido...
A vocação que sentia estava noutro lado e a verdade é que, no ano lectivo que se seguíu, não para o Norte, mas antes para o Sul, a caminho de Évora e da Escola de Regentes Agrícolas.
Mas que diferenças enormes se me depararam desta vez!... Tudo, mas tudo tão diferente que acabei por levar o curso até ao 5º ano, altura em que perdi o meu Pai e, na sequência de tão triste facto, fiquei sem o suporte económico que me permitisse continuar um Curso como aquele, um dos mais onerosos que funcionavam em Portugal!...
Por tal razão mudei, com toda a Família, de residência, passando a viver no Entroncamento, onde se encontravam, para além da CP, várias emprezas de grande porte na área dos vinhos e das madeiras, para referir apenas as mais importantes.
E foi na CP, Caminhos de Ferro Portugueses, que trabalhei durante dez anos, interrompidos pelo Serviço Militar Obrigatório, a começar pelo Curso de Sargentos Milicianos e, na sequência deste e ao abrigo de convite oportunamente recebido, uma Comissão de Serviço em Macau de dois anos e... finda a qual regressaria à CP até que, alguns anos mais tarde, entraria para a Força Aérea, como Escriturário dos seus Quadros de Pessoal Civil , para trabalhar nos antigos Parques de Material...
Dois anos mais tarde, quando da criação do Quadro de Abastecimento e porque possuía condição militar indispensável, seria um dos elementos civis a ingressar naquele Quadro como militar, com os mesmos direitos de todo o restante pessoal já fardado...
Aproximava-se uma nova surpresa, com o eclodir dos acontecimentos em África, pela acção dos movimentos de libertação que se estenderam entre Cabo Verde e Moçambique, por força dos quais a FAP teve necessidade de adquirir alguns aviões de transporte, recebendo a melhor proposta para tal aquisição da UAT - Union Aeromaritime de Transport, com sede no Aeroporto du Bourget em Paris.
Necessário se tornava entretanto, constituir uma Equipa que respondesse a todas as formalidades que o facto envolvia e daí resultou a minha nomeação para esse Grupo de trabalho, como elemento responsável pelo registo de todos os movimentos e controle da documentação respectiva.
Tal acção levou-me a passar cerca de dois anos em Paris, integrado na respectiva Comissão, até que a recepção dos Aviões (8 Aviões NORD) e todos os seus pertences, em sobressalentes e mais acessórios, foi finalmente concluida.
Paris, cidade Luz e de Encanto, quando nós temos a feliz hipótese de saber olhá-la de todos os seus lados, tanto os bons, como os menos bons!
Só que isso, já foi ontem, um "ontem" bem distante... esquecido no tempo, de mistura com os oito anos que o serviço e obrigações militares me levaram a passar em Angola, divididos por duas Comissões de quatro anos cada...
Regressado a Lisboa em Abril de 1973 teria, a meu pedido, passagem à situação de reforma em Maio do mesmo ano.
A partir de então, situei-me na área política, ao serviço do Partido Socialista até 1997, altura em que, aos 72 anos, arrumei as "botinhas" e regressei à minha Aldeia, onde estou vivendo, em casa que entretanto adquiri.
............... " O QUE SOMOS " ............... O que somos? Por vezes, temos dias que nem sabemos dizer bem o quê, ou Quem somos, acreditem...
No entanto, vou resistindo aos "temporais" de inverno e aos "calores" do verão, mas tentando sempre, ser o melhor que posso e sei, para mim próprio,como para quantos me rodeiam e,quantas vezes, têm necessidade de algum apoio, ou de um simples carinho... Mas quero acrescentar, com carradas de razão, que nem sempre sou bem sucedido nessas missões humanas e de Amizades vèlhinhas, ou mesmo de ocasião que elas sejam!... Com os meus actuais 84 anitos e apesar do mau estado clínico em que me encontro, ainda vou por aqui fazendo o melhor que posso a favor de certas causas que considero fundamentais e que cumprirei até ao limite das minhas forças, como aquela que considero a principal, de transportar a minha Mulher, companheira de 45 anos, pelo menos uma vez por mês, ao Hospital de Stº.André, em Leiria, onde Ela iniciou e continúa os seus tratamentos a um aneurisma, "luta" que vem durando desde há uns 4 anos!
Do meu lado, desloquei-me durante o mês em curso por três vezes ao Curry Cabral, para exames, um TAC e uma recente consulta de rotina, por culpa de um problema vesical, contra o qual luto com muita esperança, já que a vida a entendo por este "enorme" BEM de que todos nós usufruimos até que nos pare à porta o nosso dia, o dia da prestação final de algumas contas em atrazo!
E para quantos iniciaram e terminaram a leitura destas linhas, eu só posso e quero desejar, a todos aqueles que se situam a meio da vida, que vivam, no mínimo, tantos anos como os que eu conto, com Saúde da melhor, como eu sempre desejei para mim mesmo...
Em 28/Junho/2010 Por:- J Matos Silva
Acreditem, que nem eu sei porquê, a veia deu-me para um pouco de poesia...
E então, dei por mim de lápis na mão, escrevinhando umas tantas palavras que terminaram nos onze versos que se seguem, a dar-me conta de que um novo soneto estava pronto para a sua viagem de estreia...
Ele aí vai, sem título é certo, mas cheio de verdades e de sentires...
Afinal àúltima hora e por proposta de um visitante, que resolvi considerar, aqui vai ficar o "TÍTULO" que merece "SORRIDENTE " Os sonetos que eu fiz e vou fazendo, Manifestando lamentos e alegrias São trunfos que uso todos os dias, Animando as horas más que vou vivendo.
Uns serão mais claros, outros tão escuros, Mas todos filhos são, do meu sentir... E porque sabe bem de nós sorrir, Meus sorrisos são todos, todos puros...
Porque sorrir de nós é algo raro, Já que sorrir dos outros é mais caro, Uma verdade nos custa muito mais...
E se sorrir de nós é uma vaidade, Sorrir dos outros pode ser maldade, E maldades destas,poucas há iguais!...
Em 22-Junho-2010 Por:- J.Matos Silva
Voltamos hoje à Capital Francesa "para lhe dizer adeus"!?...
Mas quem é que acredita numa gracinha destas?
Claro que ñão entendo possível, nem provável, haver alguém que como eu, tenha vivido um pouco mais de dois anos numa cidade como Paris e depois de falar dela em algns apontamentos que por aqui foram ficando consiga, sem mais nem menos, despedí-la com um simples "adeus"...
Um francês de então, ou mesmo do nosso tempo, por certo diria:- C'est pas possíble!
E a verdade, é que nós próprios repetiremos essa expressão, porque não admitimos que Alguém possa ter visitado, ou melhor, vivido largos meses na Cidade Luz e, de um momento para o outro, atire ao vento, para trás das costas, tudo o que de novo, de bom, de encanto ali conheceu e viveu...
É que Paris, é assim mesmo; são tantas as novidades que encontramos nos mais diversos campos da vida que em si encerra, emitindo variadíssimos motivos de prazeres e emoções que se vivem em cada momento e com enorme agrado nesta maravilhosa cidade, o que nos leva a manter uma ligação íntima permanente com Ela, razão bem forte que jamais nos irá permitir esquecê-la de todo...
As razões, como as pessoas, tendo em atenção toda e qualquer situação que se nos depare dia após dia, tornam-se os elos de força capazes de nos impedirem de qualquer esquecimento, vivendo do mesmo modo e intensidade aquele primeiro dia, o do desembarque no Aeroporto de Orly, até aqueloutro considerado como o último, em que embarcamos num tal NORD ATLAS no Aeroporto du Bourget, para regressar a Lisboa!
Só que, pelo caminho longo de mais de dois anos, foram ficando algumas boas tarefas, dias de muito trabalho mas também, naqueles estreitos momentos de descanso de que dispunhamos nos fins de semana, muitas situações de prazeres os mais diversos, a par das constantes e bem doseadas explorações que levamos a cabo, com o desejo e a esperança, de encontrarmos sempre algo de novo e bem diferente de quanto havíamos descoberto e conhecido na véspera...
Porque para conhecer Paris e refiro especialmente Paris, não basta a ninguém chegar de avião ao Aeroporto de Orly, dar uma volta peloa Campos Elíseos, passar na Ópera, depois nos Invalides dar uma volta breve por Montmarte e Montparnasse, voltar ao Aeroporto e regressar a Lisboa...
Essa, seria uma oferta turística de qualquer Empresa em promoção dos seus serviços.
Ao invés, para podermos fazer uma ideia mais aproximada desse espaço do Mundo que antes não conhecíamos, teremos de ir mais além. E muito sós, ou bem acompanhados, tentarmos os mais diversos e variados encontros com tantos, bons e agradáveis momentos que se "desperdiçam" na Cidade.
Felizmente, pude contar com alguns Amigos franceses, companheiros de trabalho na U.A.T. de entre os quais a Simpática e boa Amiga ISA, uma das minhas companhias de eleição, em muitas das visitas efectuadas a cantinhos da Cidade, que nem eu imaginava pudessem existir!
Os bons Amigos e por isso os considerei desde sempre como tal, também nos servem para nos proporcionarem alguns momentos de diversão, que sem eles nunca viveríamos.
A esta Simpática e Querida Amiga ISA, devo muitos desses momentos bem vividos em festa!...
Porque a ISA, era uma boa Menina, boa companheira e enfim, uma Mulherzinha perfeita com Quem sempre acertei as ideias e os passos que fomos dando juntos.
Para além da ISA, claro que tive entre os cinco elementos da missão, dois companheiros dos bons que algumas vezes me acompanharam nas deambulações que efectuamos pela Cidade, o que a todos agradava e trazia algum divertimento, esse bem indispensável a quem passava semanas de trabalhos intensivos, já que as directivas referiam sempre a mesma intenção:- Vamos correr para despachar!
Por fim e olhando do alto do Sagrado Coração para toda a Cidade, porque não rememoriar alguns dos pontos fundamentais que merecem uma referência constante?
Sendo assim, temos ali pouco abaixo, Pigale e mais além, a Place Blanche com o seu bem vivinho Moulin Rouge; mais um esticão aos olhos e´eles deparam com a Praça de Clichy, a tal Praça onde nós encontramos o maior Cinema da Cidade... Descemos mais um pouco, ao encontro da Gare St.Lazare e à nossa direita, lá estava a imponente Madelleine; para a esquerda, encontramos a Praça da Ópera e ao meio, mas mais abaixo, o enorme Edifício que comporta o Museu do Louvre. Ainda podemos enxergar ali por perto Montmarte e ainda Montparnasse, para, já um pouco fora do nosso raio visual, não nos escaparem os campos Elíseos e o seu Arco do Triunfo, como também não nos passa despercebido o Trocadero onde se encontra o tal emblema parisiense de maior estatura,que se entende pela Torre Eifel.
E a nossa vista já não alcança muito bem o serpentear do magestoso Sena, nem tampouco da sua célebre Rive Gauche,mas ainda nos encanta, a magestosa Notre Dame, ali mesmo paredes meias com S. Michel e S,Germain dès Près...
Muito ainda nos fica por referir, em termos de Parques, tais como o Bois de Bollonghe, os Parques de Seaux e de Chantilly.
E porque não referir ainda e também o Marché au Puces? Paris é, na verdade, uma Cidade Linda,uma enorme Caixinha de Surpresas que a cada passo nos mostra novas belezas e motivos de interesse, porque todos eles têm o seu encanto próprio e a razão da sua existência...
A par de quanto aqui deixo como lembrança viva, verdade se diga que estiveram sempre Aviões, os tais aviões que foram a razão de maior força, da nossa presença em Paris por 22 meses, o que poderei confirmar agora, como sempre referi, que foram 22 meses maravilhosos, talvez mesmo os mais maravilhosos de toda a minha vida, a par dos cerca de 26 que passei em Macau!
Mas a saga não fica por aqui, pois teremos a seguir, tudo aquilo com que pudermos ilustrar os "oito anos" vividos em Angola, ao longo de duas Comissões que me couberam nessa bem estranha guerra nos territórios do então Ultramar.
Histórias essas que irão chegar, logo que a oportunidade e a saúde mo permitirem...
Por agora, não diremos Adeus a Paris, mas apenas "Até Breve"... na esperança de lá voltarmos, como aliás já aconteceu em 1997. Lembranças de 1960-61 Em, 12 de Junho de 2010 Por: J.Matos Silva
Pois é meus Caros: Amigos e Amigas:
Chegou o momento pelo qual aguardo há vários meses...
A luta tem sido árdua e longa, quer nas mais diversas e repetidas consultas, quer na procura dos mil elementos complementares de diagnóstico, que viessem auxiliar na decisão final, que nem só eu procurava e aguardava com alguma ansiedade.
E tudo isto, vejam só, até tem dado aso a pronúncias menos humoradas, porque bem repletas de maldade, de gentinha que nem sequer me conhece, nem terá nada a ver com todos os momentos complicados que tenho vivido nestes últimos dias, quando eu,porque humano, também terei vivido já momentos de insensibilidade, quando cofrontado com situações menos agradáveis que a outros respeitem, apenas me atrevendo a lamentar os factos.
Mas vamos à verdade: amanhã, terça-feira, dia 25 de Maio, parto para Lisboa, onde me espera o internamento hospitalar que terá por fim uma intervenção cirúrgica a realizar no dia seguinte...
Não vou referir pormenores sobre a actividade cirúrgica a desenvolver, já que isso irá depender da decisão médico-cirúrgica do clínico que me aguarda.
Por quanto acima refiro, apenas desejava deixar aqui a notícia a todos os meus bons Amigos, razão pela qual irei estar ausente da actividade no Sol,por tempo indeterminado.
Oito dias? Quinze dias? Mais ou menos? Serão todos aqueles que se tornem necessários para regressar a casa com melhor saúde.
Toda aquela Saúde que nos é tão necessária para irmos vivendo um dia de cada vez!
Fiquem todos bem, muito bem, porque eu vou confiante, com uma centelha de luz bem viva, sempre a bailar à frente dos meus olhos e fazendo boa parelha com toda a esperança que me anima!
Abraços Fortes aos Amigos; Beijinhos às Amigas...
E esperem um bocadinho, que eu estarei de volta não tarda...
O Amigo que a todos Considera e Estima sem regateios.
J.Matos Silva
Sim, quem entenderá esta "espécie" de crise? Pois bem, mesmo que faça um bom esfôrço, eu não a entendo, como aliás nunca a atendi...
Todos sabemos - creio eu - que um dos mais preocupantes encargos do País, será aquele que se situa no sector energético, devido ao excessivo consumo de energia que se repete a cada hora!
Entretanto, já o referimos aqui por duas vezes,parece-me demasiado simples corrigir tal anomalia, se Quem tem o poder de decisão, quizer tocar a nota certa e determinar o encerramento dos quatro canais de Televisão entre a 01 e as 07H00 da manhã!
Quem imaginará o nível dos encargos absorvidos todas as noites por esse período de emissão?
E qual o interesse da programação que nos fornecem durante a noite, a maior parte da qual é constituida por enlatados que nos chegam bem temperados de episódios de "polícias e ladrões" e tantos outros do mesmo género, que a poucos poderão interessar?...
Mas não; noite a noite, a situação repete-se e as "latinhas" de conteúdo podre, aí estão à vista e à disposição dos telespectadores mais acérrimos, que não deixam passar um minuto que seja de um, como de qualquer dos programas que surgem na pequena pantalha!...
E quem gosta "daquilo", lá se vai servindo da bandeja a olhos ambos...
De qualquer modo, não será desperdício sem par, o enorme encargo que daí resulta em consumo energético, apenas para "matar" as horas e entreter os bons adeptos noctívagos das Televisões?
Parece-nos bem que sim e este é mesmo o nosso parecer de eleição, embora não o seja de Alguém que, bem situado do lado contrário, não "quer", ou não "deseja" pronunciar-se e tomar a decisão mais aconselhável... Só que, o que mais nos surpreende em notícias de última hora, é a comparticipação que respeita a Portugal na ajuda Europeia à Grécia em complicada situação económica, com um "quinhão" de "apenas" - DOIS MIL MILHÕES DE EUROS!!! Tal tomada de posição deixa-nos a ideia - ou mesma a certeza - de que afinal, Portugal é um dos países ricos da Europa!
Será que um apoio deste tamanho, cabe com algum jeito no monte de dificuldades que a todo o momento por aqui se propalam?...
Uma situação, quiçá das mais inesperadas, para pensar e comentar!
Para já, iremos assistir aos episódios que se seguem nesta estranha "novela" que teremos para nos entreter nos próximos dias!...
Em 02-Maio-2010
J.Matos Silva
Pois é verdade... Este Alentejo onde nasci, do qual estive ausente por razões profissionais durante várias dezenas de anos, regressando ao meu cantinho de sempre em 1997, posso dizer que para mim, é o espaço mais lindo do Universo!
E tal afirmação vai da parte de alguém que não conhece apenas os "Alentejos",alto e baixo, mas já pisou boa parte do País desde Monção até Vila Real de Santo António...
Mas para além dessa bonita "cruzada" nacional, também já andou por terras de França, pelo Oriente Médio (Port Said, Aden, Colombo, o actual Sri Lanca), Pelo Extremo Oriente, com referência especial para Macau e Hong Kong e por fim, terras de África, com oito anos passados em Angola!
Muita coisa, na verdade, diga-se sem temores...
Só que, este Alentejo que me viu nascer há 84 anos, continúa a ser quanto a mim, o mais Lindo cantinho do Mundo!
Refira-se que durante o Inverno, sobretudo em tempo de chuvas, como aliás acontece em qualquer outra parte da terra, torna-se triste, mesmo macambúzio e um tanto fechado sobre si mesmo.
Mas neste espaço do ano em que a Primavera nos visita, tanto os lugares, como as próprias estradas, tomam conta de outra vivência, com a policromia das multiplas flores que por todos os cantos encontramos...
E nas estradas, que percorremos em ritmo diário, surgem-nos de ambos os lados, os odores e o colorido dessas muitas companhias silvestres, como as esteves, as giestas, os tojos, as papoilas, as alcachofras e os malmequeres de vários matizes, como o branco e o amarelo.
Com tal presença, os transeuntes, tanto em voltas obrigatórias, como em giros de laser, lá vão vivendo e sentindo tão vivas presenças, quer pelo colorido que espalham a êsmo, como pelos agradáveis odores que a todos oferecem sem regateio...
A primavera é isto mesmo. Só que aqui, neste Alentejo que eu adoro, talvez porque é o meu, o sabor inebriante de tanta beleza, torna as pessoas mais felizes, bem mais felizes na vida!
E tal sabor, é um presente e uma ajuda bem preciosa para todos aqueles que laboram no campo, nas mais diversas facetas e actividades a que as épocas e os dias os conduzem.
Que mais poderei, ou poderia eu dizer do Alentejo?
Pouco mais de nada; apenas que me sinto feliz, por ter nascido e viver ainda, neste bocado de Portugal onde, para além das belezas naturais que a todos serve como oferenda da sua lavra, dispôe do silêncio, de muita Paz e, principalmente, da harmonia entre as suas laboriosas Gentes!
Que me perdoe o Alentejo, se algo me passou sem a bem oportuna e merecida referência!
Em, 22 de Abril de 2010 J.Matos Silva
EU:- Que poderei eu dizer de mim, para além de tudo aquilo que por aqui venho deixando escrito, numa completa informação da pessoa que sou, com todos os meus predicados e defeitos,mas tentando sempre e de cada vez, deixar a ideia mais próxima possível dos valores que cabem na minha forma de vida e maneiras de estar perante os outros, como perante mim mesmo. Aqui têm ficado também, as possíveis referências a algumas "voltas" que tenho dado pelo mundo que, digo-o de passagem, muito me têm agradado e ensinado em vários aspectos, sobretudo nas descobertas que tenho feito em relação a outros povos, civilizações e culturas. Quanto aos meus dados pessoais, eles constam por inteiro e com verdade, no local próprio deste espaço, do qual fui, sou e continuarei a ser o principal e único responsável.
OS MEUS AMIGOS:- Permitam-me referir agora, que se cada um de nós tem os seus Amigos, é verdade que eu também tenho os meus. Não saberei dizer quantos Eles serão, mas sei que são muitos, mas mesmo muitos mais que os inimigos, felizmente o afirmo e já lá iremos. Estes Amigos que tenho, que não foram escolhidos mas que aos poucos fui entendendo como tal, são pessoas, Homens e Mulheres, que trato com respeito e o melhor que posso e sei e dos quais me chega a contrapartida de igual grandeza, sempre demonstrada e proferida com muita Simpatia e Verdade, donde resultam e se entendem os mais fortes vectores que levam a uma situação de Amizade da qual nunca duvidamos e jamais enjeitaremos! São Amizades que nos levam a múltiplos encontros para uns almoços ou jantares em minha casa, que dias volvidos, merece a troca de local e lá vamos nós a casa deles... Por esta prática se entende um reforço constante desse mútuo sentir e gostar de ter por perto, bem a nosso lado, todos aqueles com quem mais gostamos de viver e conviver, numa partilha constante de sentimentos, bens e valores, sempre que para tanto haja razão. Existe mesmo um casal de Amigos, que desde que a saúde o permita, rara é a semana que não os temos a almoçar em minha casa, ou estamos nós a almoçar em casa deles. E tal estado de coisas, arrasta-se desde 1975, ano em que eles, como veraneantes, passaram um mês em minha casa, na Praia da Vieira, onde vivi 12 anos! Muito mais poderia acrescentar por aqui, sobre Amigos e Amizades mas, nem eu sei bem porquê, fico pelos exemplos que enunciei e vou passar aos "outros"...
OS OUTROS:- Dos outros, se eu me entendesse como "língua de trapos" ou "maldizente" como por aqui encontramos alguns exemplares, QUANTO EU TERIA PARA CONTAR!... Mas como assim não acontece,deixarei apenas algumas, mas poucas palavras, por conta de certas "feras ou pestinhas", que tenho encontrado ao longo dos últimos anos que vivi. Não são muitos aqueles que incluo neste item, mas acreditem que eles são poucos mas Bons! E depois, reparem só, que hoje, todos aqueles que pior me julgam e todo o mal me desejam, são precisamente uns tantos a quem eu dei mais atenção e mais vezes ajudei na vida! É um tanto estranho, não é verdade? Pois é precisamente desse lado que me têm chegado os mais grossos insultos, começando pelos "Tótós", "Xexes" e "Gagas"... para passarmos aos de "Velho nogento" "Trapo sujo", "Porco", etc., etc. e chegarmos por fim aos mil desejos de "AVC's" e votos de "Morte rápida"... E tudo isto será aceitável vindo de Alguém a Quem eu dei em mão, ou deixei na sua continha bancária, algumas centenas de euros? Não pretendo com tudo isto elogiar-me, nem tampouco reunir vários, para não dizer muitos elementos que formalizem e permitam uma acusação formal. Outrosim, é tão só uma resposta a um certo escrito postado há poucos dias no Blog da dita "prenda", que não permitiu que no mesmo espaço, dessem entrada umas oportunas palavras, como as mais justas e merecidas consideraçoes às indecorosas blasfémias que ali escreveu! Poderia referir o nome de quem há muito tempo já perdeu a máscara de "santidade" que usou ao longo dos tempos... Só que,para quantos têm disfrutado da hipótese de acompanhar alguns episódios desta "novela" que tem passado no Sol,desnecessário será falar seja de quem fôr. A verdade é clara como a água... E nada mais adiantarei por hoje, pois a história vai um tanto longa!... Um bom fim de semana para todos os Amigos! E como "maldadezinha"... também para os outros. Em, 17/Abril/2010 Por: J.Matos Silva
Na generalidade dos dias, compro e leio como jornal, o "24 Horas"...
Foi o que voltei a fazer ontem. E qual não foi o meu espanto, quando as notícias que encontro nas primeiras páginas são, sem dúvida nenhuma, "de faca e alguidar"!
E daí, respigamos:
1- Tinha o meu menino no sofá, com a cara esborrachada...
2- Mãe chora bébé (de 5 meses) morto à pancada pelo pai...
3- Homem que matou a mulher e o filho, foi a enterrar no mesmo dia da família...
4- Apanha 20 anos por matar à machadada...
5- Atira à mulher e filhos; só que os cartuchos não detonaram...
6- Mulher agredida pelo marido, em Coimbra...
7- Mata, corta e guarda a mãe numa arca...
Tão elevado número de autênticos "mimos", com os quais deparamos em apenas duas páginas do Jornal a que nos referimos, terão origem em factores diversos, dos quais destaco aquela beleza dos traillers e filmes exibidos pelas nossas "queridas" Televisões, em certos horários, pincipalmente naquele que acontece entre as duas e as sete horas da manhã.
Nem entendo mesmo de que serve a todos os telespectadores, como ao próprio País, essa tal sessão de enlatados que nos impingem a partir da 01H00 da manhã, que apenas e só terá por efeito, o desmedido dispendio de energia e, consequentemente, de valores tão elevados numa época que se diz "de crise". Mas por onde andará essa mesma crise?
Aqui neste pobre e estreito cantinho, já falei do assunto num Post que publiquei em 2009 e, no mesmo sentido, numa "carta aberta" dirigida ao 1º.Ministro de Portugal.
Como resultado de qualquer das peças que refiro, apenas o silêncio. Isto prova tão só que a crise não é coisa que preocupe grandamente quem tem o poder de tomar as mais adequadas medidas e decisões.
Eu recordo-me uma vez mais da situação que rondou os dias de Portugal, com uma mais que provável caída em "banca rota" e o Primeiro Ministro de então, Dr.Mário Soares, deu a volta aos rumores com algumas decisões que tomou, entre as quais, como a mais importante: - a suspensão das emissões televisivas dos 4 canais, entre a 01 e as 07H00 da manhã.
Foi com tal ajuda, que Portugal não caíu no "buraco" nesse momento difícil...
Na verdade, quem visionar bem esse período de emissão das quatro "fontes" televisivas, o que irá encontrar de interessante e útil, nessa actuação das quatro estações nacionais?
Guerras, Gatunagem, Polícias e Ladrões, Tiros, Mortes, Desgraças mil e pouco mais...
Só por isso seria bem posta, nesse período da noite, uma tampa em cada uma das quatro bocas que nada de bom "vomitam".
- Voltando no entanto às sete notícias que abrem este apontamento, elas estarão no sentido e no seu conteúdo, no âmbito dos dizeres e pensares de certas "aventesmas" que se passeiam por esta Comunidade do Sol, que pouco mais fazem do que propôr AVC's a uns tantos e desejarem "mortes muito rápidas" a outros que, na circunstância, até foram dos tais que por tantas vezes ajudaram a matar-lhes a fome...
- Quem diria? Só que este pobre mundo está cheio destas verdades que ferem o bom senso de qualquer mortal dos nossos dias...
Por essa, como por outras razões, todo o cuidado é pouco.
Com todo o cuidado do: J.Matos Silva
Ainda me recordo da "Festinha" que por aqui deixei em 2009, precisamente por esta altura.
Referi como a Pascoa, de mãos dadas com o Natal, são para mim, talvez por culpa de uma certa tradição que desde sempre reinou no seio do meu agregado familiar, os dois dias do ano, que nos mereceram sempre, cuidados distintos no modo como os aguardavamos... e vivíamos! Porque na verdade, os consideravamos dois dias diferentes, talvez pelo significado que em si comportam, como pela necessidade humana de promulgarmos essa necessidade bem humana de vivermos de forma mais festiva e feliz, duas datas que o Calendário nos oferecia ano a ano.
E enquanto pelo Natal há gostos e sabores de todos conhecidos, pela Páscoa, também aparecem de um modo geral em todas as mesas, uns tantos pitéus de agrado colectivo, para além de uma ou outra criação gastronómica, quiçá gulosa, de que tantas famílias fazem gala.
Mas não importa apenas como e de quê, se enfeita cada mesa nesse "lindo"dia... isso não! Estará principalmente em jogo, sem receio de qualquer engano ou leve equívoco que seja, a alegria que, com a melhor saúde e paz, cada Família teima e se esforça, para viver essas vinte e quatro horas que com tamanha pressa passam e nos deixam a pensar já, no ano que se segue...
Acontece que desta vez os meus netinhos, dois dos quais desejam vir passar a Páscoa com os Avós, nos perguntam há perto de duas semanas, se já temos à sua espera, as amêndoas de que tanto gostam!...
Usos, tradição e uma certa guloseira, determinam destes pensares à generalidade dos miúdos, embora em tantas situaçoes eles não sejam de todo alheios a mil graúdos que conhecemos.
Aceitamos e perdoamos-lhe tão ocasional, como atrevido e juvenil dislate, por duas razões maiores: - O muito Carinho e Amor mais que paternal que os "cachopitos" nos merecem; - A espécie de "fatalidade" de um dia como este, passar por nós apenas uma vez por ano.
Desejo por fim, a todos os meus Amigos(as) que muito estimo e esforços faço para manter, que tenham a melhor Páscoa das suas vidas, com muita Alegria, Paz e Felicidades sem limite.
Pela minha parte, se a "saúde" mo permitir, farei quanto puder para, no mínimo, me ficar pelo empate com todos aqueles que mais felizes se sentirem, pois só assim continuarei convicto de que este Domingo de Páscoa, continúa a ser consagrado como diferente no seu conteúdo de todos os outros Domingos e do qual jamais poderemos alhear-nos!
- UMA PÁSCOA MUITO FELIZ PARA TODOS - É o meu voto maior, carregado de amêndoas...
Em: 25-Março-2010 Por: J.Matos Silva
Desde há anos que este é para todos nós, o Dia do Pai!... E porque todos tivemos um PAI, todos vivemos este dia como ele deve e merece ser vivido.
Para todos aqueles, os mais Felizes, que ainda o têm vivo e junto de si, indispensáveis se tornam as alegres, mais humanas e felizes manifestações, onde não falte a melhor Amizade, o natural carinho, e, acima de tudo o respeito que por todas as razões e mais uma, essa "Personagem" de todos merece... sem esquecermos uma possível lembrança, que assinale de verdade a efeméride. Para quantos que como eu já o perderam, temos a recordação sempre viva, mas que neste dia, por ser precisamente o Dia que é, toma uma côr e um sentido bem diverso!
O meu Pai, deixou-nos em Novembro de 1943; portanto, há 67 anos, quando eu contava apenas 17. Foi, na verdade, uma perda de enormes e malévolas consequências, já que ficaram por cá, uma Mãe viúva com seus oito filhos, o mais novo dos quais com apenas cinco anos, que no momento, para além de se lamentarem e chorarem a perda, nada mais puderam fazer...
A casa ruíu, porque a "trave" mestra que garantia a sua sustentação, se "quebrou" numa hora má, que hoje apenas lembramos com carinho e muita Saudade!...
E a verdade é que é tão bom termos um Pai junto de nós, como entendemos quanto mau é vê-lo partir, quando mais necessitavamos d'Ele, porque a partir daí,nos falta aquela capa Amiga que foi a sua mão protectora que nunca nos deixou sós...
Mas chegou aquele dia e tanto aconteceu, como acontecerá quando chegar a nossa vez!
Recordando com muita Saudade, carinho e sempre o mesmo respeito tão Querido Ente, que no dia de hoje comemoramos e recordamos com profundo pesar mas sem cansaço, passamos esta tarde no "nosso" Cemitério onde Ele repousa, para deixar-lhe na sua campa, como bem modesta lembrança que por certo assim será entendida, algumas florzinhas que recolhemos no nosso quintal.
Bem gostaríamos de lhe ofertar outra "prenda" mas essa, de modo algum poderá sair das nossas mãos.
Estejas onde estiveres, Querido PAI, só quero dizer-te que te recordei com muito Amor, ciente de que, um destes dias, voltaremos a encontar-nos todos como a Família que sempre fomos!
Por ora, apenas fica comigo, a enorme recordação que não passa!...
Em 19-Março-2010 J.Matos Silva
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