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ÀS ORDENS DOS ADVOGADOS

Fernando Madrinha - Fernando Madrinha
Palavra de ministro?
8:00 | Segunda-feira, 10 de Nov de 2008
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Depois de tantos anos a pedirmos a Deus que os bancos não nos levem em juros e comissões tudo aquilo que produzimos - para pagarem lucros chorudos aos accionistas e vencimentos milionários aos administradores - temos agora de rezar com mais força ainda para que não nos levem, em falências e avales, tudo o que pagamos em impostos. É neste ponto de incerteza que nos encontramos: o de saber ao certo qual a força e a amplitude do 'buraco negro', que ameaça sorver toda a riqueza à sua volta. Ora parece que está tudo bem e até nos sentimos gratos aos nossos banqueiros por não estarmos a viver o pesadelo dos islandeses ora o Governo reúne de emergência para tomar conta de um banco falido.

O Banco Português de Negócios era um caso especial, cujos "problemas", segundo ministros e deputados - curiosa esta reverência quando as vigarices são praticadas por gente de colarinho branco e pose de Estado - eram anteriores à crise e conhecidos há muito. Pode-se mesmo dizer que, com excepção do governador do Banco de Portugal, toda a gente sabia e tinha ideias claras sobre o que fazer, se repararmos bem no que se disse nas televisões e na rádio, ou no que se escreveu nos jornais por estes dias. Pena que, a par das notícias esparsas e logo esquecidas que foram publicadas nos últimos anos, este clamor de denúncia não se tenha feito ouvir a tempo de produzir efeito e de evitar que o Estado tivesse de enterrar tantos milhões no BPN.

Agora é tarde. Os importantes do banco nos seus tempos de 'glória' remetem-se a um prudente silêncio e, se falam, não sabem de nada, obviamente, nem lhes passa pela cabeça que tenha sido cometida alguma irregularidade. Muito provavelmente, até já puseram as suas contas a recato noutro banco mais confiável. Ou nem se deram a esse trabalho, tal a segurança de que o Governo, sem alternativa melhor, acabaria por cobrir os seus interesses com o nosso dinheiro.

Na verdade, o que a situação actual tem de mais perverso é isso mesmo: o Estado tornou-se refém dos banqueiros e, em particular, dos banqueiros sem vergonha. O próprio ministro das Finanças o admite, ao dizer agora que conhecia perfeitamente os "problemas" do BPN quando, há poucas semanas, deu a sua palavra de que nenhum banco português tinha... "problemas". Quer dizer, Teixeira dos Santos reconhece que mentiu para evitar que se gerasse o caos no sistema, acabando-se com o que resta de confiança nele. E voltou a empenhar agora a sua palavra, assegurando que não há mais nenhum banco com "problemas". Isto quer dizer que, se outro BPN vier a declarar-se, será o próprio ministro a ter "problemas". Até porque a sua palavra deixará de ter valor como garante de confiança para clientes e depositantes. É que não são só os falsos banqueiros que estão em xeque no caso BPN. Se estes não forem exemplarmente punidos, os políticos aparecerão sempre como seus cúmplices. Pelo que não fizeram para evitar o desastre e pelo que estão a fazer para lhe reduzir os danos.

Reinventar a América

Desde Bill Clinton que a Europa sofria com as presidenciais norte-americanas, esperando ansiosamente pela vitória do 'seu' candidato. Gore falhou, Kerry também. Desta vez, Obama venceu e o 'velho continente' pôde associar-se à festa.

"Para muitos europeus, a reinvenção da América é a última esperança da Europa", escreveu Dominique Moisi, do Instituto Francês de Relações Internacionais, num artigo que o 'Público' reproduziu esta semana. E para reinventar a América ninguém melhor do que um Presidente que chega à Casa Branca em estado de virgindade absoluta, depois de ter ganho a simpatia do mundo inteiro e de ter derrubado dois mitos que pareciam inultrapassáveis: o mito da barreira racial e o da decrepitude sem remédio da democracia norte-americana. Dificilmente alguma das democracias europeias seria capaz de fazer prova da pujança e do poder de mobilização evidenciados pela democracia americana nesta eleição. E o mérito dessa demonstração pertence essencialmente ao Presidente eleito, até pela sua condição de candidato muito especial à luz da tradição e da História.

Esta semana, milhões de europeus reconciliaram-se com a América e muitos outros milhões, em todo o planeta, passaram a olhá-la de modo diferente. Este é um capital precioso que importa valorizar, mesmo sabendo-se que o novo Presidente dos EUA é apenas um homem e que o seu maior adversário é a enorme expectativa gerada pela sua eleição.

Barack Hussein Obama, nome improvável para um Presidente dos EUA, carrega sobre os ombros a esperança do mundo. Para não decepcionar tem de reinventar a América a partir de uma caricatura dela, que é a sua herança de George W. Bush.

Madeira e Felgueiras

Do parlamento da Madeira e do tribunal de Felgueiras vêm imagens e sinais diferentes, mas que coincidem no essencial: são o triunfo da sordidez na política e contribuem para o apodrecimento do regime. Um deputado sem tacto e uma maioria parlamentar composta por tiranetes iguais ou piores do que o seu chefe dão, na Madeira, um espectáculo degradante para o qual o país tem até vergonha de olhar. Uma autarca descarada e sem escrúpulos, que achincalhou a Justiça e se serviu do voto dos eleitores para 'lavar' a sua imagem, sai do tribunal de Felgueiras a rir-se como no dia em que chegou ao aeroporto da Portela, qual vedeta de telenovelas brasileiras. Como podem o regime e as instituições ser respeitados se não se dão ao respeito?

Fernando Madrinha

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COMENTÁRIOS
 
PALAVRAS DE HONRA? 
(joaomiguelfs1 ponto , 20:26 | Terça-feira, 11 de Nov de 2008)
Caro Fernando Madrinha, a vitória de Obama é tão-só a vitória da Empresa - tida enquanto missão e virtude - sobre a impresa - tida enquanto referência, já nem valor sequer, em crise inevitável. Também votei Obama. Também ganhei. Também sei que vou ganhar. Também sei como e quanto podemos. Sim, podemos. Tal como os injustiçados da América pré-Obama, fui vítima das circunstâncias. As circunstâncias são um inimigo temível.... 
Fui, como bem sabe, compulsivamente, abusivamente, Bushmente afastado, ao cabo de um esforçado decénio em que tudo dei em prol de uma revista que tenho ainda como baluarte de qualidade gráfica e editorial. Arrisquei, como ora se constata o próprio percurso profissional - na defesa acérrima, reiterada e veemente da integridade editorial, formal, conceptual e até comercial de um título, Arquitectura & Construção, que, assim entendia e assim entendo, comporta potencial bastante para se constituir enquanto título charneira da Edimpresa. Para tanto e por tanto não hesitei em enfrentar até quem, de todo alheado do título e das preocupações que lhe seriam inerentes, se aplicou apenas, firmado num movediço deserto de ideias, em extemporâneos e descabidos acenos de puro acinte e desnecessária afirmação do almofadado topo da pirâmide hierárquica. Se a pirâmides, a leituras hieroglíficas, à contemplação de anos idos assim se apela, respeite-se então o presente relato enquanto pedra de Roseta e antes que a lapidação se consume contraponha-se já o que desde já se impõe contrapor. Depois de colaborar nos números iniciais de Arquitectura & Construção e de passar a integrar, há uma década, o quadro da Edimpresa, fui ensaiando a aproximação ao único produto editorial com que me identificava e que me assomava como coerente face à prática jornalística que já carreara até então (crítico de cinema no vespertino Capital, colunista/cronista nos semanários Blitz, Sete e O Independente, Editor-chefe da revista Heróis). Assumindo-me enquanto "jornalista cultural", termo em voga na década de 80 para classificar quem exercia em suportes como o JL, a revista do Expresso ou o Caderno III do Independente (onde colaborei desde o número 1 e assegurei coluna fixa ao longo de vários anos à semelhança de Manuel Graça Dias, João Bénard da Costa, Miguel Esteves Cardoso ou Vasco Pulido Valente), depois do cinema, da música ou da banda desenhada tidos enquanto objectos de análise e convites formais aos exercícios de escrita que me importava ensaiar, a Arquitectura, Bela Arte, configurava assim um corolário natural para o percurso jornalístico que desde 1986 vinha trilhando. Assim sucedeu. Com a saída da editora Dóris Graça Dias, a partir do nº12 de Arquitectura & Construção assumo naturalmente, com a anuência da Directora responsável, a responsabilidade pela orientação e coordenação editorial do título. Consumada, anos volvidos, a saída da Directora, fico responsável único por uma revista, informalmente autónoma, sem outra Direcção que não a que na prática me cabia, função profissionalmente gratificante que, saliente-se, exerci com dedicação absoluta e sacrifício pessoal, função que não raro me obrigou a interpelar directamente os putativos responsáveis pela publicação quando não o próprio Director-Geral arriscando, como ora se verifica, possíveis gestos de incompreensão, função que se saldou, ainda assim, por resultados relevantes nos diversos registos passíveis de aferição - audiências, vendas em banca, publicidade contratada e angariação de assinaturas - e permitiu impor em banca aquela que constituiu, a meu ver, uma dos mais conseguidas publicações no segmento específico e exigente das revistas de Arquitectura. Nunca, escusado seria dizê-lo, em dez anos de exercício profissional, foi minha intenção desrespeitar hierarquias ou desobedecer a chefias directas porquanto, muito simplesmente, nunca fui confrontado, orientado, dirigido ou de alguma forma comandado, nas funções que desempenhei, por hierarquias e chefias directas. Afigura-se-me impossível ser obediente ao inexistente. E sim, é. Sim, assiste-me toda a razão. Yes We Will. 
Ao que atrás referi acresce ainda que todos os meus BENS permanecem na posse da Edimpresa, gravoso acréscimo a que mais acresce - e, não sendo jurista, neste ponto só incertezas me cabem - algo que tenho por verdade universal: a prossecução do projecto Arquitectura & Construção na minha ausência só foi possível mediante devassa de correspondência física e electrónica que me foi PESSOALMENTE endereçada. Não ao título. Não à revista. Não ao grupo Impresa. Os materiais fornecidos pelos diversos ateliers eram-ME endereçados. Assim sendo - e para além dos bens próprios retidos na sede - coloca-se-me essa outra questão: é juridicamente possível aceder e usufruir de bens alheios, com intuitos de divulgação pública/Comercial? Sinceramente, não sei. Deixo a dúvida. Afigura-se-me pertinente. 
Muito obrigado pelo seu interesse, palavra de honra 
(EU TENHO) 
João Miguel Figueiredo Silva
Publicação: terça-feira, 11 de Novembro de 2008 20:31 por JOAOMIGUELFIGUEIREDOSILVA

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