O reitor nega, mas uma auditoria do Tribunal de Contas à Universidade do Minho (UM), relativa a 2007, aponta deficiências de gestão ligadas a trabalhos a mais na Escola de Direito, e participação financeira, infundamentada, em 17 entidades de direito privado.
Na verdade há muitos anos que as universidades públicas deviam ter outro sistema de gestão, a propalada autonomia universitária, é uma forma de regionalização, o que não é possível num Portugal sem regras, sem ética profissional, sem um forte sentido do colectivo. Cada reitor ou presidente da câmara, considera os poderes que lhe foram confiados democraticamente, podem ser transformados num poder régio, com se fosse uma monarquia absolutista, e passam a encarar a universidade como sua, ou a região ou a cidade, como um couto de caça, e ultrapassando os poderes que lhe foram confiados, tomam as mais diversas decisões de um modo pouco profissional, muito emotivo nuns casos, noutros até, no interesse próprio.
Devemos alterar modelo de gestão das universidades, de modo a ter uma comissão de gestão, ou de avaliação, ou uma estrutura de gestão centralizada no ministério da economia, ou no das finanças, passando o reitor e a administração das universidades a serem fiscalizados pelo ministério da educação e pelo tribunal de contas. As escolas e universidades públicas e privadas, todas deveriam geridas do mesmo modo. O estado definiria os conteúdos pedagógicos, os programas de ensino, e que teriam que ser iguais para todas as escolas e universidades, iguais para cada grau de ensino e para cada curso. Deveria ser estipulado uma verba de apoio para cada aluno. Essa contribuição teria que ser igual para todos, apesar no caso do ensino público nem toda a verba poder ser entregue, porque o estado tem que suportar todos os custos fixos e encargos gerais de manutenção das escolas. Nunca mais os reitores diriam que faltava dinheiro para pagar aos professores, nem os alunos poderiam dizer que o ensino superior era caro, e até começaria a sobrar dinheiro ao estado. Um modelo de gestão parecido, já é praticado nos programas comunitários do ensino denominado Novas Oportunidades, o POPH. Tudo faria parte de um só sistema, e seria então permitido que os privados investissem no ensino em parceria com o estado, assumindo que teriam que ficar tutelados pelo vários ministérios caso pretendessem usufruir de uma acreditação e dos reembolsos pecuniários. Caso contrário, os alunos nunca teriam o reconhecimento formal dessas habilitações. Isso simplificaria o processo de gestão financeira e pedagógica, porque deixariam de existir as universidades fáceis e as difíceis, passariam apenas a existir as universidades que tinham bom aproveitamento e bons rácios de gestão, as que tinham mais aprovações ou as que tinham mais desistências. Obviaríamos o problema das equivalências das disciplinas no caso das transferências, já não apareceriam alunos que conseguiriam a equivalência de duas ou três disciplinas só com uma feita num estabelecimento de ensino duvidoso, ou outros casos semelhantes, e os professores teriam muito mais dinheiro para as suas investigações e actualizações de conhecimentos, que passariam a ser obrigatórios. Na prática, o estado deveria gastar aproximadamente o mesmo dinheiro por aluno quer fosse numa universidade pública quer fosse numa privada, no entanto, não teria tanto investimento e o controlo das perdas seria muito mais eficaz.
Perdas!? Sim, perdas! O estado perde imenso dinheiro nas várias universidades públicas, por exemplo, na Universidade do Minho quase todos os professores que conseguem a exclusividade e seguem a carreira académica, utilizam essa sua posição para ter um negócio em paralelo; fica registado em nome de um familiar, e roubando material e horas de trabalho ao estado, fazem concorrência desleal a outros consultores que estão no mercado. Mas muito poderia ser dito sobre a Universidade do Minho, muitos factos poderiam ser relatados, mas para quê? Num país de brandos costumes e com o mais elevado grau de irresponsabilidade!? Seriam contos e ditos, querelas pessoais!? … por exemplo, algo que vai para além de erros contabilísticos, ou omissões nos projectos de engenharia, será o caso de um antigo reitor, que vive numa sumptuosa vivenda, construída nos antigos terrenos da universidade, assim como a vida de ostentação de alguns dos seus familiares directos, que foram e ainda são funcionários da mesma universidade, ou como alguns técnicos superiores das câmaras municipais. Escândalos! Afrontas ao cidadão escrupuloso, trabalhador cumpridor.
Isso facilmente se compreenderia, fazendo uma investigação a todos esses indivíduos, porque sem fortuna pessoal, conseguem viver ostentando um nível de riqueza impossível de conseguir apenas com os seus honorários. É tão simples quanto isso!
Devia fazer prova em tribunal, o facto do próprio arguido, ou suspeito, não declarar a proveniência do dinheiro que matematicamente, ou contabilisticamente, teve que auferir para adquirir os bens em causa. Mas tudo isto é Portugal, portanto não se queixem os cidadãos nem os governantes quando se sentem defraudados ou injustiçados, isso calha a todos de vez em quando…