SOL

O soneto é uma casa poética.

      

      

       

«Falemos de casas

[…]

pensamentos nas pedras de alguma coisa

celeste como fogo exemplar.»

      

       

Herberto Hélder, A Colher na Boca

     

    

    

     

«O soneto é uma casa poética. Em nenhuma outra forma fixa o lirismo sabe conter-se tão amoldado, tão justo na medida que o veste e tão livre nos movimentos de respiração e de gesto que lhe apontam o exterior de que é abrigo e olhar. Medidas e casas são gosto e desejo de cada um, mas sempre se pode determinar o maior ou menor espaço que delimita o canto habitável e a maior ou menor folga que define a propriedade ou o empréstimo. Formas de rigor no estar livre, em suma. Com as adaptações subjectivas que sempre condicionam a liberdade dos outros (a do género) pela nossa e lhe conferem o rigor do exacto momento que vivemos. Assim o soneto, depois da grande fortuna clássica e simbolista que soube conquistar, se vê preterido pelas formas anárquicas da des-“ocupação do espaço” contemporâneo, num sistema de substituições[…]».

Mª Alzira Seixo, Discursos do Texto,

Amadora, Livraria Bertrand, 1977, pp. 283-284.

     

    

     

*

    

     

«[…] o soneto é uma estrutura e é uma unidade de tratamento da linguagem poética, constituindo uma descida vertical na pesquisa e na construção do poema considerado como um objecto.»

               

E. Melo e Castro, depoimento a O Tempo e o Modo, 59, p. 383.

     

    

    

    

Publicação: 04 Maio 09 09:00 por josecarreiro

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About josecarreiro

José Maria de Aguiar Carreiro (1970) . Página pessoal: http://folhadepoesia.com.sapo.pt ; http://lusofonia.com.sapo.pt