SOL

Louise Bourgeois & Hilda Hilst (ou «as obscenas senhoras D»)

   

Louise Bourgeois

Hilda Hilst

Louise Bourgeois
(Paris, 1911 - Nova Iorque, 2010)
Mapplethorpe Gallery Photo

Hilda Hilst
(São Paulo, 1930 - 2004)

    

   

  

  

   

eu quero ficar

que se deite aqui e sinta comigo os murmúrios, palavras que deslizam numa teia

   

  

Hilda Hilst, A obscena senhora D

São Paulo, Massao Ohno/Roswitha Kempf/Editores, 1982

    

   

    

Louise Bourgeois, ARANHA, 1997 

Louise Bourgeois, Spider, 1997

   

  

  

  

  

Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba.

Que me exclua do estar sendo perseguida

E do tormento

De só por ele me saber estar sendo.

Que o olhar não se perca nas tulipas

Pois formas tão perfeitas de beleza

Vêm do fulgor das trevas.

E o meu Senhor habita o rutilante escuro

De um suposto de heras em alto muro.

   

Que este amor só me faça descontente

E farta de fadigas. E de fragilidades tantas

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra

Como só soem ser aranhas e formigas.

   

Que este amor só me veja de partida.

   

  

Hilda Hilst, Cantares do sem nome e de partidas
São Paulo, Massao Ohno, 1995

   

   

   

   

 

Louise Bourgeois, A FAMÍLIA, 2008   

Louise Bourgeois, The Family, 2008

   

   

   

Para poder morrer

Guardo insultos e agulhas

Entre as sedas do luto.

   

Para poder morrer

Desarmo as armadilhas

Me estendo entre as paredes

Derruídas.

   

Para poder morrer

Visto as cambraias

E apascento os olhos

Para novas vidas.

    

Para poder morrer apetecida

Me cubro de promessas

Da memória.

    

Porque assim é preciso

Para que tu vivas.

   

Hilda Hilst, Poesia (1959/1967), Livraria SAL

   

    

    

Publicação: 01 Junho 10 03:15 por josecarreiro

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About josecarreiro

José Maria de Aguiar Carreiro (1970) . Página pessoal: http://folhadepoesia.com.sapo.pt ; http://lusofonia.com.sapo.pt