SOL

REVOLTA DOS INDIGNADOS

               

                     

             

      

"Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;

Nem posso tolerar os livros mais bizarros.

Incrível! Já fumei três maços de cigarros

Consecutivamente.

       

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:

Tanta depravação nos usos, nos costumes!

Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes

E os ângulos agudos.”

             

                                                                           (de “Contrariedades”, Cesário Verde)

       

“E, enorme, nesta massa irregular

De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,

A Dor humana busca os amplos horizontes,

E tem marés, de fel, como um sinistro mar!"

           

                                                          (de “O Sentimento dum Ocidental”, Cesário Verde)

            

“Mas cuidado, mylady, não se afoite,

Que hão-de acabar os bárbaros reais,

E os povos humilhados, pela noite,

Para a vingança aguçam os punhais.

            

E um dia, ó flor de Luxo, nas estradas,

Sob o cetim do Azul e as andorinhas,

Eu hei-de ver errar, alucinadas,

E arrastando farrapos – as rainhas!”

           

                                                                    (de “Deslumbramentos”, Cesário Verde)

                 

                     

          

                        

               

              

Sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho

           

Nicolau Santos, www.expresso, 2011-10-17

               

             

              

 

       

     

                

    

QUE FORÇA É ESSA

            

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
[bis]

que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
[bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
[bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa
[bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
[bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
[bis 10]                    

     

Letra e música: Sérgio Godinho
in Sobreviventes, 1971
 

        

http://www.youtube.com/watch?v=-42ZiDIZ7KM

                

      

           http://indignadoslisboa.net/

Publicação: 17 Novembro 11 09:00 por josecarreiro
Arquivado em:

Comentários

# folha de poesia said on Abril 13, 2012 16:20:

Os músicos e cantores de intervenção sofreram a perseguição do regime do Estado Novo. Nomes como os de Vitorino, Fausto, Adriano de Oliveira e Zeca Afonso, entre outros, foram sinónimo de contestação, oposição, luta pela liberdade. As suas músicas

# folha de poesia said on Abril 17, 2012 10:38:

Nunca, até “Ser Solidário”, um cantor se expusera desta maneira. Quem assiste mais do que uma vez ao espetáculo, vê a cena repetir-se, como um ritual, noite após noite. Num crescendo, a música vai conquistando espaço por entre a plateia, rendida

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About josecarreiro

José Maria de Aguiar Carreiro (1970) . Página pessoal: http://folhadepoesia.com.sapo.pt ; http://lusofonia.com.sapo.pt