SOL

A formiga no carreiro

                

Censura durante o Estado Novo em Portugal 

          

Os músicos e cantores de intervenção sofreram a perseguição do regime do Estado Novo.

          

Nomes como os de Vitorino, Fausto, Adriano de Oliveira e Zeca Afonso, entre outros, foram sinónimo de contestação, oposição, luta pela liberdade.

          

As suas músicas e atuações eram proibidas, de modo que a sua voz fazia-se ouvir sorrateiramente.

          

Muitos deles sofreram a prisão e exílio.

             

                

 

          

          

A canção «A formiga no carreiro» de Zeca Afonso foi editada porque a fábula expressa nessa composição parece não ter sido interpretada pelos serviços de censura.

Proceda à sua decifração, tendo em conta que é uma obra artística em que se verifica um empenhamento sociopolítico.

           

A formiga no carreiro

Vinha em sentido contrário

Caiu ao Tejo

Ao pé dum septuagenário

Larpou trepou às tábuas

Que flutuavam nas águas

E de cima duma delas

Virou-se pró formigueiro

Mudem de rumo

Já lá vem outro carreiro

          

A formiga no carreiro

Vinha em sentido diferente

Caiu à rua

No meio de toda a gente

Buliu abriu as gâmbias

Para trepar às varandas

E de cima duma delas

Virou-se pró formigueiro

Mudem de rumo

Já lá vem outro carreiro

          

A formiga no carreiro

Andava à roda da vida

Caiu em cima

Duma espinhela caída

Furou furou à brava

Numa cova que ali estava

E de cima duma delas

Virou-se pró formigueiro

Mudem de rumo

Já lá vem outro carreiro

          

                

      

Linhas de leitura:

      

·       Por que se diz que esta cantiga é uma fábula?

·       Tendo em conta o regime político fascista que se vivia na época em que foi escrita a letra da canção, em que não se podia dizer abertamente o que se pensava, o que representa o “formigueiro” e o facto de as formigas andarem em “carreiro”?

·       Simbolicamente a “formiga” e o “septuagenário” quem representam?

·       Por que razão a formiga subiu às “tábuas” e trepou às “varandas”?

·       Que apelo faz a formiga ao carreiro de formigas?

·       O que pretendia com esse apelo?

·       Simbolicamente, a que novo “rumo” se refere a formiga?

·       Comente as atitudes da formiga e do formigueiro.

     

               

              

José Afonso, Album: Venham Mais Cinco Orfeu STAT 017 | 1973 | LP-33 rpm | Gravado no Estúdio Aquarium em Paris de 10 a 20 de Outubro de 1973 | Som: Gill Sallé | Produção: José Niza | Edição: Arnaldo Trindade & Cª. Lda, Porto | Capa: José Santa-Bárbara
Músicos: Michel Cron, Alain Noel, André Garradot, Michel Bergés, Janine de Waleyne, Jean Claude Dubois, Jean Claude Naude, Michel Buzon, Michel Grenu, Marcel Perdignon, Michel Delaporte e José Mário Branco
Reeditado em:

1973 | CFE Guimbarda PS 30111 | Espanha
1987 | Movieplay
SO 3040
1996 | Movieplay JA 8006

 

 http://www.youtube.com/watch?v=qL1jNcRH29o

http://www.youtube.com/watch?v=1nH44FGp5lI

                   

                                                                      *

                      

“Poesia útil” e Literatura de resistência

A literatura como arma contra a ditadura e a guerra colonial

  

 A literatura comprometida do século XX. 
 

 Textos e artistas de intervenção da segunda metade do século XX:

                    José Afonso, “A formiga no carreiro

 Sérgio Godinho, “Que força é essa

 Manuel Alegre, “Trova ao vento que passa

 Joaquim Rodrigo, «S.M.»

 Sophia de Mello Breyner Andresen, "25 de Abril" e outros poemas trocados com Jorge de Sena

 José Mário Branco, “Eu vim de longe, eu vou p’ra longe

  

O Fascismo em Portugal

Da ditadura militar ao Estado Novo.
A construção do Estado Novo, um estado antiliberal, conservador, nacionalista, corporativo, autoritário e colonial.
A adoção do modelo fascista italiano.

 A PIDE existiu. E torturou.
 

 Os cortes dos serviços de censura portugueses, durante o Estado Novo. 
 

A Comunicação Social em Portugal no Século XX - Fragmentos para a História de um Servidor de dois Amos

in Panorama da Cultura Portuguesa, Francisco Rui Cádima, Coord: Fernando Pernes, Porto, Afrontamento, 2002.

                   

Publicação: 21 Novembro 11 05:00 por josecarreiro

Comentários

# folha de poesia : A formiga no carreiro said on Abril 13, 2012 16:20:

PingBack from http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2011/11/21/censura.aspx

Para comentar necessita de estar registado

About josecarreiro

José Maria de Aguiar Carreiro (1970) . Página pessoal: http://folhadepoesia.com.sapo.pt ; http://lusofonia.com.sapo.pt