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Entrem, entrem! Querem ouvir música ou ficamos em silêncio?

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 [YouTube:qaMcImrNnOQ]

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A sala está mais fria por causa do Inverno que finalmente chegou. Mas acendi a lareira e consegui uns 23ºC. Na enorme mesa de carvalho antigo, está uma toalha de renda de algodão branco, que herdei da minha avó. Temos bolinhos de queijo e há castanhas assadas ou cozidas com erva-doce.

Como não tive nada que fazer esta tarde, descasquei-as e voltei a aquecê-las, enrolei-as num pano de linho grosso, feito dum pano de sacristia. Deus(a) está connosco.

Quem quiser que se aconchegue ao seu próprio Deus seja Ele/a quem for.

Para os ateus, há velas de cheiro e pedras semipreciosas com brilhos lindos e intensos. Flores de verdade, várias. Livros de filosofia:

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"Todas as coisas (…) esforçam-se em persistir em suas próprias naturezas; e o esforço com o qual uma coisa procura persistir em seu próprio ser, nada mais é do que a verdadeira essência daquela coisa." – Espinosa

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Temos, como sempre, chás a gosto, cevadas, cafés, sumos de uva e cidra. Uns graus de álcool na cerveja de malte. Preta!

Pode-se fumar no alpendre. Dentro de casa, não.

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Vamos assistindo à peça:

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“Juliet – Yea, noise? – Then I’ll be brief. – O happy dagger! (Snatching Romeo’s dagger.)

 O quê? Barulho?! Então não há tempo a perder. Oh, punhal abençoado! (Agarrando no punhal de Romeu.)

“This is the sheath (stabs herself); there rest, and let me die. (Falls on Romeo’s body, and dies.)”

Eis a tua bainha … (Apunhala-se.) Cria ferrugem no meu peito e deixa-me morrer! (Cai sobre o cadáver de Romeu e expira.)

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A cena é dramática, excessivamente romântica e dá que falar como sempre.

O Amor vem de novo à baila.

Como sabem, tenho dificuldade em elaborar acerca de um tema com palavras originais, e por isso, levanto-me do sofá e vou buscar o “Sentido da Alma” do Thomas Moore. E leio um trecho que me faz sentido:

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- “O nosso amor pelo amor e as nossas expectativas elevadas de que ele confira plenitude à vida parecem ser uma parte integrante da experiência. O amor parece encerrar a promessa de que as feridas abertas pela vida fecharão e serão saradas. Pouco importa se no passado o amor revelou ser uma fonte de sofrimento e de perturbação, pois ele contém uma componente auto – regeneradora. Tal como as Deusas da Grécia, ele é capaz de recuperar a sua virgindade num banho de esquecimento (…)

Os progressos que fazemos depois de termos sido devastados pelo amor podem resumir-se à disponibilidade para mergulhar de novo nele (…).”

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Apesar de ter lido no meu tom de voz normal, todos estavam distraídos pela tranquilidade da casa. O ambiente é descontraído. Continuamos a saborear as bebidas.

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Está Silêncio.

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Obrigada