O Visitante
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Hoje quando cheguei a casa, entrei na minha sala, aquela que vocês conhecem….
Estava escuro, mas andava alguém por lá com uma lanterna. Não era ninguém daqui…
O homem parecia estar à procura. Fui rapidamente buscar a máquina fotográfica e:
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Mr Scrooge!
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Digo-lhe:
- O que faz aqui, Mr Scrooge? – Tento fazer a minha voz mais calma, mas não me sai bem, e está trémula, mas ele parece não notar.
Diz que veio para que nos lembremos da sua história. Explico-lhe que não se pode entrar assim na casa das pessoas, mas reparo que ele está cheio de frio… vem de muito longe, de há séculos atrás, e que a minha conversa sobre invasões domiciliárias, é para ele irrelevante.
Bem… digo-lhe que se sente no sofá à frente da lareira, que entretanto acendo, faço-lhe um chá e dou-lhe umas castanhas, das que ficaram do nosso encontro da semana passada.
Estão já um bocado secas, mas ele não parece importar-se e diz:
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- Há muitos anos fui criado por Charles Dickens, que acreditava que o Natal significava um tempo de paz e de bondade das pessoas umas para as outras. O seu livro de Natal, tem um profundo carácter social e mostra a ternura e o realismo próprios de Dickens. Nessa altura, ele quis que o livro fosse acessível, a praticamente toda a gente, e fixou o preço em 5 xelins. Eu era um agiota sovina e fui visitado por 3 espíritos que me mostraram o meu passado, presente e futuro (que iria ser muito doloroso), caso eu não me transformasse.
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Mas transformei-me. Ora oiça só o que escreveu ele a meu respeito no último parágrafo do livro:
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(Então tira um livro do seu “saco do passado”, e lê)
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“Scrooge excedeu as suas promessas. Fez tudo e infinitamente mais para o pequeno Tim (…). Tornou-se um bom amigo, um bom patrão, um bom homem (…). Alguns riam-se da sua modificação, mas ele deixava-os rir e pouca atenção lhes prestava, porque era suficientemente sensato para saber que nada de bem acontecia sem que as pessoas troçassem, a princípio; e sabendo que esses, de qualquer forma, seriam sempre cegos, pensou igualmente que podiam fazer rugas de tanto rir (…). O seu coração ria e isso era quanto lhe bastava. (…) Dele sempre se disse que sabia como conservar o Natal, se é que alguém possuía essa sabedoria. Que isso possa ser dito de nós, de todos nós!”
Percebes???
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- Acho que percebo, mas não sei se poderei escrever isso lá no blogue. Parece-me muito utópico – disse-lhe eu. Utópico!?!? – O fantasma ficou visivelmente irritado. - Como podes dizer que é utópico? Eu sou o verdadeiro espírito de Natal. Não o Pai Natal, não Jesus. Esses inspiram à adoração, porque são perfeitos, e por isso, são fantasia ou religião.
Mas eu sou o verdadeiro espírito que pode inspirar os homens e mulheres do mundo, porque sou um exemplo humano, porque todos ás vezes são bestiais como eu fui, mas todos se podem transformar como eu fiz!!! Natal significa Transformação!
(scrooge gritava)
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– Pronto, pronto – disse eu – escrevo lá isso tudo no meu blogue. Mas aviso-te que não deve servir de grande coisa…
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- Não te preocupes com isso, faz a tua parte que eu faço a minha. Estas castanhas estão rijas, que nem cornos, mulher! Mas o chá está muito bom.
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E dito isto, desapareceu. Olho melhor para a noite e oiço um bater de asas.
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- Ah! Afinal os espíritos voam
como nós, como as nossas almas, quando amamos
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fiquei a pensar no Scrooge, no susto que apanhei – e no que ele disse
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Reflicto:
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Dar prendas a quem amamos é bom! Receber prendas também, mas ás vezes parece que o afecto fica reduzido e empacotado num lindo embrulho de Natal. Nos outros dias do ano, andamos a correr, a produzir, a gerir ganhos e custos, crédito – débito, e nos intervalos desta azáfama, damos uns mimos aos filhos, culpamo-nos por estarmos pouco tempo com eles, com os amigos, com o amor.
E a vida vai passando…. Até aos dias de Natal. Nesses dias “felizes”, fazemos e sentimos um pouco do que seria a nossa felicidade de todos os dias. É como se nos “embebedássemos” de sentimentos bons, à força das cores, brilhos, luzes e músicas de Natal espalhadas pelas aldeias, vilas e cidades, e da simpatia que sentimos nas e pelas pessoas com quem nos cruzamos.
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[YouTube:T2ZlWspxhr8]
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“Dele sempre se disse que sabia como conservar o Natal, se é que alguém possuía essa sabedoria”
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Obrigada
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Excertos do livro “A Christmas Carol and The Chimes” de Charles Dickens (2000) – escrito em 1843/1844 e Imagens do filme “Nightmare Before Christmas” de Tim Burton (em português “O Estranho Mundo de Jack”) - Música Sweet Dreams (Original dos The Eurythmics) - versão de Marilyn Manson