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Podemos ser ou não ser, passar a vida nessa luta.

Fecha os olhos, descansa um pouco o olhar, e vê para dentro. Observa bem as tuas pálpebras por dentro… desse ponto de vista, só tu as podes ver. Pára então, e

observa-te.

É suave, um olhar sobre as próprias pálpebras.

Se olhares para as tuas pernas, por exemplo, é diferente, começas logo a analisar do ponto de vista do exterior… estão magras, gordas, musculadas, estriadas ou flácidas. Mas as tuas pálpebras não. É um olhar íntimo que podes ter contigo mesmo … um olhar para dentro dos teus olhos. Fica. É perto. É real.

Agora experimenta abri-los, aos olhos.

Vês o mundo? Os outros? O outro? Vês-te no mundo? Sim? És real.

O amor é real. A distância é real.

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(Edward Hopper)

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Senta-te aqui neste pequeno banquinho junto ao rio. Tem muita água hoje, porque choveu, mas corre ligeiramente, sem grandes atropelos.

Vês ali aqueles peixinhos? Há quanto tempo não olhas para os peixinhos dentro do rio? (Ah, ontem! … ainda bem)

Vou pôr uma música, ok? Se puser baixinho, os peixes gostam, e vão ficar por aqui à nossa volta, antes de partir. Vais ver.

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[YouTube:R66UVTHv1o4]

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Vou contar-te uma história de uma conversa entre 2 bonecos num quarto de criança – um Coelho e um Cavalo.

Hoje não trago chá. Trago vinho…. Vinho tinto.

Vieram os Madre Deus, o Thomas Moore e o Da Vinci… veio rabugento e contrariado (detesta viajar no tempo), mas veio. Não quis dar autógrafos. Pedi-lhe para desenhar um olhar… deixou um desenho do “olhar mais bonito que conheci”, disse … (estive para lhe dizer que este já está batido, mas não o quis aborrecer):

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Perguntei-lhe se queria passar o fim-de-semana, mas disse que não, que tinha que voltar para o sossego da eternidade. E lá foi.

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“Leonardo Da Vinci coloca uma questão interessante num dos seus cadernos de notas:” “Porque motivo o olhar vê uma coisa com maior clareza nos sonhos do que a imaginação quando estamos acordados?

“ – Uma resposta possível é que os olhos da alma percebem as realidades eternas essenciais ao coração. Quando acordados, a maioria de nós vê apenas com os olhos do corpo, ainda que, com algum esforço da imaginação, fossemos capazes de vislumbrar fragmentos de eternidade nos acontecimentos passageiros mais banais. O sonho ensina-nos a ver através desses outros olhos, os olhos que durante a vigília pertencem ao artista, a cada um de nós enquanto artista”

Thomas Moore – “O Sentido da Alma”

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“O que é ser Real?” – perguntou um dia o Coelho, quando se encontravam deitados lado a lado, perto do resguardo da lareira do quarto das crianças (…) será ter coisas dentro de nós e, do lado de fora, o manípulo do mecanismo que o faz funcionar?”

“Ser Real não tem a ver com a forma como és feito – disse o Cavalo – é uma coisa que te acontece. Quando uma criança gosta de ti durante muito, muito tempo, não apenas para brincar, mas porque realmente gosta de ti, então tornas-te Real”

“Isso magoa? – perguntou o Coelho.

“Às vezes – respondeu o Cavalo, porque dizia sempre a verdade – mas quando se é Real, não nos importamos que nos magoem”

“ Acontece assim de repente, como quando se dá corda, ou a pouco a pouco? – interrogou o Coelho.

“Não acontece tudo de uma vez” – disse o Cavalo – vai acontecendo. Demora muito tempo. Por isso não sucede com muita frequência às pessoas que são frágeis, muito nervosas ou que têm que ser tratadas com muito cuidado. Em geral, quando finalmente conseguimos ser reais o nosso pelo já caiu quase todo, de tantos carinhos e afagos que nos fizeram. E os nossos olhos descaem, ficamos muito puídos e com as articulações moles. Mas nada disso é importante, porque a partir da altura em que se é Real não se pode ser feio, excepto aos olhos de quem não compreende”.

- “Suponho que sejas Real” – prosseguiu o Coelho, logo se arrependendo do que disse, por pensar que o Cavalo podia ficar sentido. Mas ele apenas sorriu.

“ O tio do rapaz tornou-me Real” – disse – Isso foi há muitos, muitos anos, mas uma vez que se é Real, nunca mais se deixa de o ser. Dura para sempre”

Margery Williams – “Velveteen Rabbit” (O Coelho de Bélbute)

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A Meryl Streep conta a história muito bem, aqui

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Obrigada

Beijos