(A cena que se segue, é da total responsabilidade dos intervenientes, e relativamente aos feitiços, qualquer semelhança com qualquer realidade, é pura coincidência. A dona do blogue arroga-se do direito ao silêncio.)

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- Pssst…. Pouco barulho…. Não está ninguém nesta sala … Creio que a podemos usar para fazer o trabalho – disse o velho, abrindo a porta….

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- Sim, sim, parece-me bem, é arejado e espaçosa, ali há várias mesas para o material, e não podemos perder tempo que é quase lua cheia…

O velho encolheu os ombros ao comentário sobre a lua, sentou-se numa cadeira de palha e madeira africana, tirou um frasquinho e um livro grande de um saco. Esperou.

A mulher de cabelo cor de fogo, com uma coruja no ombro parecia animada…

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Olhou à volta, e em cima de uma das mesas, assentou um saco grande, de onde tirou por ordem:

- 1 Vela negra feita com cera de Rainha e tingida com noite de eclipse;

- 1 Envelope branco comum;

- 1 Garrafinha de plástico comum (no final do feitiço dividir para o contentor amarelo);

- 1 Folha de papiro, deixada em branco por Cleópatra, quando escrevia poemas e não estava inspirada;

- Tinta preta de choco do Lago Ness;

- 325 Ml de água fresca, da Fonte da Ilha das Mandrágoras.

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Era uma feiticeira muito experiente, prima em 46º grau de Morgana e Merlin, e os seus feitiços infalíveis, mas ainda assim o velho permanecia à distância… Perita na arte de encantar, ia dando explicações de todos os procedimentos, e ele, embora disfarçasse, prestava-lhe atenção.

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- É um feitiço muito bom, nunca falha, é com ele que afasto pessoas indesejáveis – e continuava – primeiro vou acender a vela, depois pego nesta folha de papiro e escrevo com a tinta negra o nome ou nomes de quem nos queremos livrar.

A seguir o papiro vai para dentro do envelope, e este para dentro da garrafa.

Por fim, encho-a com a água de fonte, e digo o encantamento. É tiro e queda.

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Fechou os olhos e viam-se faíscas por todo o lado, o fumo da vela negra deitava uma espécie de fogo de artifício, e o cheiro a enxofre e a cânfora, que saía dos vários frasquinhos e tubos, era muito intenso. As tonalidades do fumo eram iguais ao arco-íris, e o padre pensou que embora um pouco malucas, as feiticeiras são muito criativas na sua maneira de estar na vida.

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Aos poucos o ambiente foi encerrando todos os artifícios, e a coruja voltou ao ombro. A feiticeira sentou-se em cima da arca do pão e desafiou:

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- Então? É a tua vez! Já acabei a minha parte…

O ancião levantou-se então, foi devagar até à parte mais luminosa da sala perto das janelas grandes por onde entrava a luz da noite e do luar, olhou para cima para iniciar a oração…

- Por favor, diz-me o que vais fazer – disse ela.

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Ele não gostava nada de explicações, mas também não queria ser antipático e começou:

- Há cerca de 200 anos, O Papa Leão XII publicou esta poderosa oração de exorcismo, para Satanás e os Anjos Rebeldes… Recomenda-se quando há suspeitas de acções demoníacas causadas pela malícia entre os homens, tentações violentas e até tormentas ou outras calamidades. Muito indicada para este caso para o qual fomos chamados.

- E do que precisas?

- Água benta.

Foi então a vez da feiticeira encolher os ombros. Nunca tinha compreendido esta forma minimalista dele tratar os assuntos, mas cada um é que sabe, a liberdade é um bem demasiado precioso, e ela gosta dele como ele é.

- Começa, então.

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Quando acabaram, foram chamados ao seu chefe que perguntou:

- Deixaram a mensagem bem à vista?

- Sim…

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Liberdade de expressão é o direito de manifestar opiniões livremente. É um conceito basilar nas democracias modernas. (…) O discurso livre é também apoiado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, especificamente no seu artigo 19, e pelo artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (…) os governos podem (…) limitar formas particulares de expressão, tais como aquelas que promovam o incitamento ao ódio racial, nacional ou religioso ou ainda o apelo à violência contra um indivíduo ou uma comunidade (o que coloca em contradição de legitimidade o próprio conceito desta, visto que não existe liberdade sem a plenitude das livres ideias; o direito mais básico de um ser humano é o de gostar ou não de algo em específico, e algo tão instintivo não pode ser sequer oprimido pelo estado anti-natural de coisas (…) Segundo a legislação internacional, as limitações ao discurso livre devem atender a três condições: ser baseadas na Lei, perseguir um objectivo reconhecido como legítimo, e ser necessárias à realização desse objectivo. Dentre os objectivos considerados legítimos está a protecção dos direitos e da integridade moral de outros (protecção contra a difamação, calúnia ou injúria); a protecção da ordem pública, da segurança nacional, da saúde e do bem comum.”

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"Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes " - Sade

E podia ter vindo Freud...