Um post recente sobre comportamentos sexuais, e os comentários que se seguiram, levaram-me a pensar, mais uma vez, sobre o que é a NORMA, e como deverá ser classificado o que sai fora dela.

 

Para mim, que não sou estatístico nem sociólogo, a norma é um conjunto de regras, comportamentos e atitudes que são implicitamente aceites pela MAIORIA dos membros de uma determinada comunidade, e que permitem que a convivência se faça sem grandes equívocos.

 

Um exemplo de uma norma vaga, é a do “um beijinho, ou dois beijinhos”. Vejam as cenas ridículas que origina, com caras à espera do segundo, e lábios a atirá-los para o ar… E já agora, reparem na pericia de alguns apresentadores, que parecem saber sempre, se há-de ser 1 ou 2.

 

Porque a norma pode variar de comunidade para comunidade, e porque os comportamentos anormais podem ser extrapolados para fora do contexto, aqui vai uma história para tentar explicar o meu ponto de vista.

 

“ARROZ DE FRANGO”

 

Prefácio: Vou considerar duas senhoras a cozinhar nesta história, porque penso ser ainda a norma. O anormal sou eu que já cozinho há 25 anos.

 

As bloguistas Cidade e Aldeia, resolveram, Domingo à noite, escrever sobre o seu dia:

 

Aldeia: “ Hoje resolvi fazer arroz de frango. Fui à capoeira, escolhi um franguinho jeitoso, matei-o, depenei-o e tacho com ele. Apurou durante uma hora, e quando estava tenrinho juntei-lhe o arroz. Como não sobrou nada, devia estar bom.”

 

Cidade: “Hoje resolvi fazer arroz de frango. Fui ao congelador, retirei um frango, meti-o no micro-ondas para descongelar, e tacho com ele. Dez minutinhos depois junto-lhe o arroz, e daí a pouco estávamos à mesa. Como comemos pouco, o que sobrou vai ao forno e ainda dá outra refeição.

 

Comentários (escritos ou pensados).

 

Aldeia: “ Um frango do congelador? Há quanto tempo lá estaria? Cozinhado em 10 minutos, não admira que sobrasse…”

 

Cidade:” Matar um frango? Credo!!! Pensei que isso já tivesse acabado. Como é que ela consegue? Então e o controlo veterinário?”

 

Passado algum tempo, a Aldeia vem à cidade, e a Cidade vai à aldeia. Como não estão nas suas casas, é preciso comprar um frango indo à mercearia mais próxima.

 

Cidade na aldeia:” Um frango vivo?!! Ai minha senhora, que vou eu fazer com isso? E cheira!!!”

 

Aldeia na cidade:”Um frango embrulhado em plástico?!! Ai homem, que diabo faço eu com isso? Como é que eu sei se ele não tinha moléstia?”

 

Na cidade é anormal matar um frango, na aldeia é (ou era) anormal comprar um frango já morto. Como se vê, o ambiente suporta a norma. Na cidade não se vendem frangos vivos, e na aldeia não se vendem frangos mortos. Sim, eu sei que há excepções, mas a NORMA define o comportamento da maioria (numa distribuição “normal”, cerca de 70% do universo abrangido). 

 

 Temos assim várias normas. Surge então o problema da aceitação da norma alheia. Se aceitarmos, estamos a considerar a nossa errada. Se não aceitarmos, estamos a recusar ao outro um direito que achamos fundamental para nós próprios. Se aceitarmos que TODAS as normas são válidas, como não podemos “cumprir” com todas, deixamos de “pertencer” e ficamos “sozinhos”.

 

Viver em sociedade, e manter a individualidade, não é nada fácil.

 

Voltarei a este tema.