“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” Lavoisier

 

“- Zézinho, qual é o balão que queres?

 – O maior!”

 

“Oh Patego! Olha o balão!” (esta frase era gritada pelos carteiristas, nas feiras, para o pessoal se distrair, facilitando a recolha das carteiras…)

 

“Quando a esmola é grande…”

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 BALÃO

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Muito se tem escrito sobre a CRISE, e, tanto à esquerda como à direita, parece haver unanimidade em atribuir a total responsabilidade aos “homens da massa”, banqueiros, financeiros e quejandos.

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Ora eu parece-me que talvez não seja assim tão simples.

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O cambalacho até nem estava mal pensado e era conveniente para TODOS os participantes, e, porque o problema parece ter tido origem no imobiliário, vamos olhar só para esta parte.

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Os Bancos aceitaram financiar a compra de casas a valores muito superiores aos reais. É claro que emprestando mais dinheiro, ganhavam mais nos juros que aplicavam, mas sobretudo aumentavam o seu volume de negócios, o que pinta sempre bem junto dos accionistas. Esta sobrevalorização era vantajosa para os construtores pois conseguiam ganhar muito mais dinheiro, o que lhes permitia também irem aos Bancos financiar-se a juros mais altos (e os Bancos ganham outra vez…). Também os proprietários dos terrenos começaram a “mungir a vaca” subindo o preço do m2. A seguir embarcam no carrossel todas as actividades periféricas: cimentos; transportes; madeiras; etc. E, finalmente, o comprador sentia-se ORGULHOSO por comprar uma casa que CUSTAVA um dinheirão (e todos os seus amigos sabiam…), e parecia VALER um dinheirão, pois enquanto o carrossel rodou ele até conseguia vendê-la por ainda mais dinheiro, desde que quisesse comprar outra MAIS CARA.

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Então, se todos ganhavam, porque é que o balão estoirou? Porque se conjugaram duas atitudes incompatíveis: ganância e ingenuidade. Os “homens da massa” foram gananciosos e ingénuos quando pensaram que o “povão” se auto regularia, e o “povão” foi ganancioso e ingénuo quando pensou que ganhando 10 poderia gastar 100. O “capital” continuou a soprar o balão, e o “trabalho” acreditou que o balão nunca rebentaria.

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Tenho para mim que o “alfinete” foi o crédito ao consumo. Enquanto a bolha andou à volta das casas, ainda havia um suporte físico e duradouro para compensar a divida. Porém as viagens, os plasmas, os Blue-ray, os electrodomésticos, os barcos, as motos, esfumam-se no ar e é preciso continuar a pagá-los.

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Mas a crise do imobiliário só fez rebentar o primeiro balão. Tal como nas bonequinhas russas, verificámos que dentro do balão havia outro balão. E também aqui é fácil de explicar. As financeiras conseguiram “vender” tão bem os seus sucessos que o valor das suas acções em Bolsa foi soprado até “valer” 2, 4, 10 vezes mais, e os detentores dessas acções acreditavam ser brilhantes investidores. Quando estoira o primeiro balão, descobriu-se que os créditos de biliões que sustentavam essas financeiras, de repente transformaram-se em casas que VALIAM uns meros milhões e que ninguém queria comprar. Ora como uma boa parte dos brilhantes investidores também eram “povão”, que mais uma vez se tinha convencido de que podia comer à mesa com os ricos, foram forçados a vender as suas acções a qualquer preço, para tentar recuperar alguma liquidez. Vendendo a qualquer preço, as acções começam a cair, e as cimenteiras, construtoras, imobiliárias, etc, que também tinham decidido “mamar” o doce leite da alta finança, são forçadas a vender também. ESTÁ O BAILE ARMADO.

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E os Governos viraram camionistas.

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Quando rebenta um pneu num camião, o camionista tem que parar a viatura rapidamente, pois se rebentar um segundo, provavelmente não escapa nenhum. Com tanto pneu disponível dá ideia de que mais um, menos um, não faria grande diferença. Porém não é assim, pois os pneus “amparam-se” uns aos outros dividindo a carga entre si. Ora quando rebenta um, o camião baixa um pouco desse lado fazendo com que MAIS peso seja transferido para cima de menos pneus, potenciando mais rebentamentos.  

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Os Governos vão fazer TUDO O QUE FOR PRECISO para salvar o sistema financeiro, pois sabem que se o sistema colapsar a civilização ocidental, tal como a conhecemos, desaparece.

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A parte triste de tudo isto, é que quando a estabilidade voltar verificaremos que os ricos ficaram mais ricos, e uns quantos remediados perderam as ilusões, e regressaram definitivamente ao reino dos pobres.

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Kurioso