
Aproveitem o tempo que lhes resta deste velho ano, lembrem-se das coisas boas que ele lhes proporcionou, não descurando porém as menos boas, outras ainda de grandes erros, grandes lições. Lições que nos põem a reflectir; que questionamos o motivo de nos terem acontecido. Factos impensáveis, mas eles aconteceram; estava destinado...acredito no destino...grandes testes que por vezes determinam a nossa vida; o nosso tempo. “O teu e o meu” 
Por vezes ouvimos dizer isto: “no meu tempo” Mas que tempo é esse? O tempo de bebé, o tempo de criança, o tempo de adolescente, o tempo de adulto e mais tarde ainda vem o tempo da geriatria e, nessa altura, continuamos a falar no meu tempo.
Todos nós temos um tempo e / ou vários tempos. - Tive um tempo em que as estrelas me acompanhavam, depois cansaram-se por algum tempo. - Tive um tempo em que os dedos se sentiam inertes e o pensamento em estado letárgico. Tive um tempo em que escrevia e os dedos eram ágeis à frente do pensamento; dedos sem tempo. - Tive um outro tempo em que, as brumas eram tão intensas que não deixavam os olhos vislumbrar o tempo. - Tive o tempo dos sobressaltos em que o tempo era de "guerra". - Tive o tempo dos sonhos em que alguns se concretizaram outros nem tanto, porque não era esse o seu tempo, não estavam no tempo certo.
- Tive o tempo do adeus, da chegada, da partida e o tempo da despedida. O tempo da alegria, das saudades e da dor e o tempo do amor. O tempo da ilusão do pulsar do coração. Há aquele tempo que nos desarma quando nos sentimos seguros. Há ainda o tempo em que, não temos tempo para argumentar que não tivemos ou que não temos tempo. Temos o tempo nos nossos tempos em que o nosso interior é um turbilhão de fortes tempestades, quando o tempo está de Sol intenso e não vimos esse tempo, porque o tempo nos tolda as ideias e não conseguimos dar a volta ao tempo.

Tempos de papel que esvoaçam no tempo e se desfazem no tempo. O tempo em que queremos abraçar o arco-íris e enrolarmo-nos nas cores do tempo. Tempo de beleza, tempo de amargura, tempo de certeza tempo de ternura. Tempo de afecto, tempo de carinho, tempo do abraço ou o tempo do simples beijinho. Tempo de discórdia e de desacato, tempo de vitória e tempo pacato. Sonhamos com o tempo do porvir aquele que talvez nos faz sorrir. Há tantos tempos que me deixam a meditar no tempo. E, há tanto tempo que eu não escrevia ao tempo! 
Agora que dediquei algum do meu tempo ao tempo, sei que não perdi o meu tempo, porque as palavras fluíram no tempo não me roubando o meu tempo; porque quando utilizo o meu tempo para escrever no tempo, não dou por desperdiçado o meu tempo. Há tantos tempos, que tenho absoluta certeza que ainda me esqueço de algum tempo.
Se alguém me estiver a ler/ou a ouvir agora neste tempo, desejo o melhor tempo do tempo.
Não sei se este é o meu tempo exacto para deixar de aqui escrever, se é o reiniciar de outro tempo; sem ter o tempo contado.

A todas as pessoas que aqui me acompanharam neste espaço, cada uma com o seu tempo, por vezes tão precioso para outros “afazeres”; que o 2012 lhes ofereça coisas magníficas no tempo certo. E, agora precisamente neste tempo que nos resta deste ano, despeço-me com um pouco de nostalgia, diria mesmo, de coração dolente. Sentimos tristeza ao ver partir de uma ou de outra forma as pessoas que amamos, até aquelas que a nossa relação é um pouco menos amistosa pelas circunstâncias da vida, até essas nos tocam cá bem no fundo do nosso ser, afinal somos humanos. E, até doamos o nosso tempo àquelas pessoas que sabemos que lhes resta tão pouco tempo;a essas não perdemos o nosso tempo, porque para elas é um tempo doce que nos contagia no tempo; o nosso tempo!...
(Laranjeira)

