- um fim anunciado
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“… tudo nasce… tudo morre… eterno ciclo da vida do que quer que seja… até as estrelas morrem e dão lugar a super novas e talvez a novas galáxias… tudo parte dum princípio e tudo termina num fim… é assim a vida e tudo o mais que nos rodeia… acredito que o meu amor pelas palavras terminará apenas quando eu também terminar o meu percurso nesta vida… uma vida rica em tudo o que de mau vivi e em tudo o que de bom me foi proporcionado… levarei, um dia, um gosto amargo por findar mas levarei também um sorriso porque o meu caminho percorrido foi sempre o de amar… mas espero que esse momento natural para cada ser humano ainda venha longe e que a vida ainda me dê muita coisa para experimentar, vivenciar, saborear, e ficar a saber um pouco mais para além de tudo o que aprendi até aqui… um dia, a vida findará e levarei comigo tudo o que me deu sorriso e lágrima, tudo o que me deu prazer e dor… levarei certamente o Amor… mas não estou a falar de mim mas sim deste meu blogue… o Lobices nasceu, um dia, no Sapo, mais precisamente no dia 19 de Novembro de 2003... Tímido e titubeante lá foi crescendo e tomando forma… teve filhos e irmãos e manteve um rumo a que lhe dei o lema de que -Amar é o caminho - e assim ele foi vivendo… porém, depois de passar pelo Blogger e de ter atingido uma certa notoriedade, a verdade é que entendo, como seu criador e mentor, que o Lobices chegou ao fim do seu percurso como tal, como blogue… no próximo dia 19 de Novembro ele fará a bonita idade de 5 anos, cinco anos de paixão pela palavra, pela imagem, por tudo o que me deu prazer em vos transmitir e principalmente por todo o amor que lhe dei e nele deixei… as palavras ficarão lá para todo o sempre e ele apenas morrerá fisicamente… a mente, essa, estará sempre viva… o Lobices sou eu e eu ainda não morri nem penso morrer… todavia, vou preparar a vereda para o seu fim… deixarei aqui, como sempre deixei, uma parte de mim… o livro que do blogue nasceu está vivo e guardado no meio de outros livros que o rodeiam… o Lobices cumpriu a sua missão… breve será fechado num adeus presente, nunca ausente, mas vivo e latente no meu coração… espero que ele, o Lobices, vos tenha feito alguma companhia enquanto aqui viveu… em breve vos dirá, Adeus!…”
Joaquim Nogueira
- movimento
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“... terminaram as palavras... as letras deixaram de existir... as frases já não podem ser formuladas e a comunicação escrita ou falada findou... o Homem deixou de poder dizer um simples vocábulo e nem um só ditongo se consegue escrever ou articular... mas a sua necessidade de gritar leva-o a inventar novas formas de comunicar... passa a usar o seu corpo para insinuar as sílabas e começar a juntar os elementos que formam a ideia, a imagem ou apenas o sentido... o seu corpo passa a ser a caneta ou a corda vocal... e as mãos tocam ali, acolá ou aqui... movem-se no espaço e sentem que do outro lado existem outras mãos que fazem o mesmo... e todos começam a gesticular... e do gesto, passam ao encontro, ao toque mútuo, ao abraço, ao enlace, à carícia, ao beijo, à ternura, a todo o género de acto que defina um desejo de comunicar, de dizer: estou aqui, estás aí, podemos falar?... então trocam-se os toques e todos se movem no mesmo sentido... no Mundo existe o silêncio mas passou a existir o abraço... algo que o Homem já havia esquecido há muito... e apesar de o riso não ser articulado, existe o sorriso... e apesar do grito se ter silenciado a lágrima pode escorrer pela face e dessa forma se diz o que se passa, o que se sente, o que se deseja, o que se vê e o que se quer que seja entendido... o Homem calou a voz mas não consegue deixar de comunicar... e o seu corpo passa a ser o elemento base dessa acção... e, dessa forma, mesmo não podendo dizer que se ama, pode-se dizer o mesmo num sorriso, num beijo, num toque, num abraço, num desejo... e o Amor, por mais que o Homem possa perder as suas faculdades, jamais morrerá... e Amar, continuará a ser o único caminho!...”
Joaquim Nogueira
- prova
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“... não existe forma de se provar ao ser que amamos que o amamos... não há sinais, nem falas, nem gestos, nem toques, nem palavras... não existe nada que possa significar ou ter o sentido de dizer e provar ao ser que amamos que o amamos... se não existe então forma de o fazermos, como podemos provar ao ser objecto do nosso amor que o amamos?... não podemos provar!... e não podemos provar porque não existe forma de o fazer, logo só o conseguimos amar se na verdade o amarmos... e é amando-o nas mais pequeninas coisas que, sem provar, lhe vamos dizendo que o estamos a amar... é preciso que o ser que é amado sinta que é amado e essa é a única forma desse ser ter a certeza que é amado... quem ama não pode provar que ama mas quem é amado sabe sentir que o é... logo, a forma de provarmos que amamos o ser que amamos é este ser sentir que é amado... e só este ser que é amado saberá entender a verdade do nosso amor... e então, aí sim, ele saberá que é amado nas mais pequeninas coisas que fizermos, que dissermos, quando tocamos, quando gesticulamos, quando lhe enviamos um sinal, um olhar, uma forma do nosso próprio estar que nos é peculiar e único quando estamos a amar esse ser... o ser amado saberá que o é mesmo que quem o ama não o consiga provar, nem metafórica nem fisicamente... amamos com o nosso sentir, com o nosso coração, com o nosso corpo e com a nossa Alma, mas todos estes elementos são refutáveis, logo só o outro, quem é amado, saberá distinguir do nosso sentir, do nosso coração, do nosso corpo, da nossa Alma, os elementos comprovativos do amor que por ele nutrimos... como sempre disse, amar é dar, logo só quem recebe é que sentirá essa dádiva... é pois, dando-me-te por completo, que te amo... é pois, recebendo-me por completo que sentirás o meu amor...”
Joaquim Nogueira
- correntes
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“... a vida tem correntes que nos prendem e não nos deixam vaguear... são as correntes de ferro forjadas nas condições dos agravos que ela, a vida, nos abala... a vida tem correntes que nos levam em várias direcções como as vagas de um mar encapelado ou de um rio em tormenta... são as correntes invisiveis que nos empurram para a frente... a vida tem correntes sem correntes que nos fazem estagnar... são como os lagos mansos em que nem uma folha se move e assim, presa, depressa esmorece e morre... a vida tem tudo o que podemos desejar e tudo o que não queremos e temos de aceitar... a vida é bela e doutras vezes, do outro lado dela, a vida é como o fel em que o sabor doce do mel não existe e não se deixa provar por sedentas línguas de tanta e tanta gente neste longo mar a esbracejar... porém, a vida é uma realidade que nos faz aqui estar... ela nos empurra, ela nos prende, ela nos sujeita às mais diversas e caprichosas vontades de um poder mais forte que a nossa própria força... a chamada Lei da Atracção faz com que se consiga moldar a vida à nossa maneira, só que essa mesma Lei funciona para todos e se eu atraio para aqui haverá o meu oposto que atrairá para ali... vencerá algum ou perderemos os dois?... só a vida o saberá quando dermos pelo lado em que nos encontrarmos em determinado momento... porém, nada nos impede de continuar a perseguir sempre o mesmo caminho e, como tenho dito sempre e por, talvez, demasiadas vezes, vezes a mais, amar é o caminho e não interessa qual o caminho, interessa isso sim, caminhar... mesmo que as correntes nos prendam ou nos empurrem, forcemos os elementos que nos cercam e caminhemos em frente com a firme certeza que o amor está lá, lá bem ao fundo, em algum lugar à nossa espera... não desesperemos... avancemos com redobrada força... tenhamos confiança... acreditemos que amamos, que somos fiéis e que somos verdadeiros, no mínimo com nós mesmos... viva-se o momento, momento a momento apenas com um único intento: chegar lá, chegar aos braços do ser que amamos, do ser que desejamos alcançar, mantê-lo ao nosso lado, abraçar, beijar, sentir, viver, enfim, numa palavra, amar...”
Joaquim Nogueira
- presença
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“... as presenças são o tudo que se deseja vivenciar... entregamo-nos ao olhar, ao toque, ao sabor, à doce noção de que estamos exactamente onde e como o havíamos desejado... as presenças são o terminar da ânsia e o início da suave cedência à ternura e ao começo da tão almejada aventura... as presenças são o tudo por que lutámos na véspera e na antevéspera e nos dias que as antecederam... não sabemos, à vezes, quantas vésperas esperamos até ao dia chegar... umas vezes, o tempo passa mais depressa, outras vezes, ainda que demore o mesmo, tendem a passar mais depressa porque a ânsia o empurra e o dia de amanhã torna-se o hoje futuro do dia de ontem que se houvera esperado... mas, passe o tempo que passar, as presenças que se tornam presença, esquecem a ausência e se transforma na entrega que se aguardou... e a presença vive das presenças que as ausências não deixam viver... e a entrega flui e o mel barra o pão doce do corpo que o forma ora em suaves sabores, ora em orgias de paladares que se confundem por tão diversos e contínuos em que se tornam... e as presenças amornam então em carícias que só mesmo as presenças permitem... mas o tempo voa e desaparece porque enquanto presentes não damos por ele passar... e, de repente, sem darmos por isso, a ausência se torna de novo presente na presença das presenças e deixa que estas esvaziem os corações numa dor surda e desmedida porque sabedores da partida... e as partidas aparecem de repente e as mãos tentam segurar o tempo que resta mas a força da partida depressa faz deslizar os dedos pelos dedos até ficarem no toque das pontas uns dos outros... fica também o beijo doce da despedida e o doce olhar, ainda que triste, da partida... mas breve, o sorriso de novo surgirá porque rápido uma nova presença surgirá e o ciclo se fecha num círculo de desejo até que uma nova presença se transforme ela só no mais terno e sedento beijo...
Joaquim Nogueira
- amor
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“... nunca te falei de amor... tenho falado imenso sobre como amar ou sobre o que é amar ou sobre a diferença entre o amar e o gostar... tenho falado muito sobre como é que sabemos quando estamos a amar, quando sabemos o que é amar... como é amar, porque amar é o único caminho... mas nunca te falei de amor... nunca te falei desse sentimento lindo que me envolve numa capa protectora e me faz sentir feliz e bem disposto... nunca te falei desse sentimento tão nobre e tão belo que nos faz sentir o principe dos contos de fadas... nunca te falei de amor apesar de já ter falado tanto de como amar-te... é fácil amar-te... é bom amar-te... é tão doce saber que te amo, que te estou amar como é doce saber que me amas, que me estás a amar... é tão simples e tão perene o saber que amamos, que nos amamos, que somos um só apesar de formados por dois seres distintos... é tão bom amar-te... tão simples amar-te... tão doce saber-me amado... pois, mas nunca te falei de amor... do que é o amor, de que é que ele é feito e do que é que ele nos faz... como tenho dito, quando falo de amar, amar é sofrer, por isso e em primeiro de tudo, o amor é dor... é uma dor que nos preenche o peito e se alastra pela alma adentro como se de uma doença se tratasse... depois, não tem cura e a febre sobe e o amor recrudesce e enobrece quem ama... o amor é o fruto do acto de estarmos a amar... por isso, o amor dói... é como se fosse um parto com dor, quando se ama... do acto de amar nasce o amor e desse nascer, dessa alvorada de luz, a dor povoa-nos e cerca-nos para o resto das nossas vidas... amar é tão simples, tão fácil, tão bom, tão doce... é apenas doarmo-nos ao outro numa entrega total e sem esperar nada no retorno... daí que seja fácil pois dar é apenas uma acção... o amor é o que nasce, o que vem, o que surge dessa acção, dessa atitude de dádiva... e, por isso, dessa dacção, dessa entrega, algo sai de nós, algo se desprende de nós e é esse algo que transforma o acto de amar numa dor profunda, numa dor quente, numa dor sem dor mas que dói... e é nessa dor que sentimos que se ama, é no sentir dessa dor que sabemos que estamos a amar e a sermos amados... é nessa dor que se nos revelamos um ao outro com a fusão de dois seres num só... e nessa fusão, o amor é... e ele só o é, ele só existe, ele só é real se nos fizer doer... e quão purificadora é essa dor, quão sereno é esse sofrer, esse acto de querer, esse acto de receber já que amar é dar, o amor é o que se recebe e nesse saber que temos algo que nos é dado pelo outro, sabemos porque a dor, a partir daí, se instala, vibra, arrepanha, angustia, inebria também, anestesia-nos e a dor se transforma, por aceitação, na mais doce forma de amarmos... se não sentires que te dói então é porque não amas... bendita, pois, a dor que me invade, que me transcende e me faz saber o quanto te amo!...”
Joaquim Nogueira
- pedir
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“... pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira... pedi para ouvir o inaudível e obtive o silêncio... pedi para tactear o nada e consegui o caos do tudo... pedi sempre o que quer que fosse que me viesse à ideia e o retorno era sempre o oposto... a conclusão óbvia era não pedir ou então pedir apenas o real, o vivo, o palpável, o som, a luz, a beleza... nunca tive a certeza se terá sido a melhor opção... mas a verdade é que a partir do momento em que pedi apenas o viável, as coisas se tornavam passíveis de obtenção... pedi amor e tive-te... pedi um beijo e saboreei-te os lábios... pedi um abraço e amornei meu corpo na tua sedosa pele... pedi um toque e tive-te completa... pedi um olhar e consegui a imagem real... pedi um som e ouvi tua voz num doce dizer que me amas... pedi-te presente e tenho-te em mim por completo... pedi uma ternura e senti amor... pedi apenas o que podia obter e nada me foi por ti negado... senti-me preenchido pelas mais pequeninas coisas que de tão pequeninas se tornam no todo tão desejado... pedi para te amar e senti-me amado... que mais te posso eu pedir que já não me tenhas dado?...”
Joaquim Nogueira
- doar
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“... abre-me os teus olhos e deixa-me mergulhar no teu olhar... abre-me os teus braços e deixa-me enlaçar no calor de um abraço... abre-me os teus lábios e deixa-me sentir o mel do teu beijo... abre-me o teu corpo e deixa-me ser possuído pelo desejo... abre-me a tua alma e deixa-me penetrar o teu ser... sentir tudo o que sei teres para me dar... amor de tanto amar... abre-me os teus ouvidos e deixa-me sussurrar as meigas palavras que tanto gostas de ouvir... e pele com pele sabermos que somos e sentirmos o doce aroma do mar que nos embala no cheiro da maresia que de nós mesmos exala... olharmos o interior do sermos apenas um acto de amor... mergulhar na seiva que a pele produz no sabor pleno em que tudo se transforma em luz... e o sol nos sorri, numa conspiração mútua do que ele sabe sobre mim e sobre ti... e o calor que nos abrasa arrefece-o porque mais forte que ele... e o amor preenche o momento em que nada mais somos do que pétalas suaves vogando nos ares como as asas das aves... e o seu planar, em pleno voo, de tanto sentirmos, tu te me entregas e eu a ti me doo...”
Joaquim Nogueira
- singelo
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“... não, não te movas... deixa-te estar tal como estás... aí, serena, em paz... deixa-me olhar-te mais uma vez para além das muitas vezes que te olho, que te toco ou que te sinto... deixa-me ver a tua face, os teus olhos, o teu brilho ou até mesmo a tua alma... deixa-te estar assim, serena, calma... deixa-me olhar-te sempre, tal como te olhei ontem, deixa que te olhe hoje e amanhã... quero tudo já, mesmo que demore a eternidade nada me faz mais feliz do que esta tão suave felicidade... o prazer de te ver, de te ouvir, de te sentir, de te saborear... o prazer de te amar... o prazer de te saber aí ou aqui mas dentro de mim, sempre, perene, nunca ausente... é um estádio puro de loucura sã a que vivi ontem a que vivo hoje a que viverei amanhã... é um saber com sabor num saborear a mar... o mar do verbo amar num deixar fluir o teu ser e o meu estar... e o beijo flutua no ar e pousa de mansinho no teu regaço, singelo gesto do mais desejado abraço...”
Joaquim Nogueira
- graal
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“... avanço na direcção certa ainda que não saiba o caminho, mas avanço... não me deixo ficar a olhar para a vereda que já percorri... avanço em frente, passo a passo, com cuidado mas com força e determinação... não são os meus pés que caminham mas a minha alma, o meu sabor de caminhar e o meu saber de que o estou a fazer... avanço porque quero... porque espero... porque sei que vou encontrar... o que quer que seja ou qualquer que seja o meu destino, a minha meta, a minha linha de chegada (a linha de partida já se esvaíu da minha memória), eu sei que a recompensa está lá... seja ela minúscula ou enorme... mas não é o seu tamanho que me move... mas sim o ter de ser... o querer, o amor, o desejo de amar... o caminho mais nobre, mais salutar do ser humano: amar!... vou sem olhar para trás... afasto os escombros dos prédios destruídos da guerra que se travou dentro e fora de mim ao longo dos anos e que foram ficando ali à minha frente porque nada pode ficar para trás... não devemos olhar para trás, não, mas tudo o que passou vai connosco na nossa caminhada... é preciso, pois, afastar o entulho, o pó, as pedras aguçadas que nos cortam o ser e continuar a correr... a percorrer... a olhar em frente, erectos, de cabeça erguida, de olhar brilhante e não turvado por uma ou outra lágrima que teime em cair... apenas tenho de ir... e vou... avanço sem medos, sem receio do que vou encontrar... o que lá estiver será o que calhar, o que tiver de ser... o que lá estiver, no final da caminhada será apenas o meu tudo ou o meu nada... mas o que quer que seja, seja tudo ou seja o nada, o que quer que seja, será meu... meu para abraçar, para abarcar, para enlaçar, para gritar ao mundo que por mais desconhecido que seja o fim do caminho, devemos avançar, com ternura, com amor, com garra, com dor se preciso for, com todo o afinco, com todas as nossas forças na procura do nosso “graal”, na busca do sentido da nossa vida, para que no acto final, qualquer que ele seja, eu saiba que fiz tudo o que me foi possível para saber que valeu a pena, que nada perdi, que fui quem fui, que sou quem sou, que serei quem tiver de ser, no aceitar único de que o percurso certo e correcto é apenas saber e querer amar...”
Joaquim Nogueira
- poema da vida
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“... Vida!... Beleza infinita!... Ela é para mim um lago estranho num grande jardim com flores que não apanho... Vida!... Beleza esquisita!... Ela é para mim uma velha flor, talvez um velho jasmim mas com pétalas com cor!... Vida!... Essência de um pecado... ponte para uma eternidade... beleza de um ser alado... mágoa e saudade... brinquedo de um entretido... desespero de um enganado, de um falhado... Vida!... Beleza infinita que vemos findar... beleza esquisita que queremos admirar... essência de um pecado que não podemos retrair... beleza de uma ponte que não queremos atravessar... beleza de um alado que não podemos comparar... beleza de uma mágoa que não queremos possuir... beleza de uma saudade da qual queremos fugir... Vida!... Beleza de um brinquedo nas mãos belas de um pequeno ser... beleza de um desesperado que só vive a sofrer... beleza de uma ave que voa no ar plácido... beleza de um mar muito azul que marulha lentamente... Vida!... Vida!... Beleza de uma flor branca, de uma cor viva... beleza que não sabemos ver e a qual é tão bela para se viver... Vida!... Suspiro lento de uma hora que passa... dor atroz de um mal que dói... Vida!... Conflito estranho, sem sentido, mas uma vida que quero viver!...”
Joaquim Nogueira
- sentimos
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“... és sinónimo de paz, na palavra que me dás... és sinónimo de beleza nesse olhar profundo sem mácula de tristeza... és sinónimo de alegria no toque suave que em mim um teu sorriso cria... és sinónimo de paixão quando disfruto o bater mais forte do meu coração... és sinónimo de harmonia quando me beijas enlaçados em sintonia... és sinónimo de luz quando no escuro da noite teu amor me seduz... és sinónimo de serenidade quando no abraço matamos a saudade... és sinónimo de ternura quando na partida o teu olhar em meus olhos perdura... és sinónimo de puro amor quando nos afagamos com a alma e os corpos sem pudor... és saudável loucura quando sinto a nossa mútua procura e nos afogamos no delirar de um sentir que tudo é tão simples quando sabemos porque é que nos estamos a amar... és tudo o que um simples mortal busca na imortalidade que a qualquer um ofusca no silêncio do grito que amaina a febre do ruído que quebra tudo mesmo que fosse granito... és tudo o que o amor busca no olhar, no toque, no beijo que de momento em momento se reduz ao desejo, trazendo como prenda, tecido em flocos de doce renda, o caminho percorrido como sempre desejado, obtido e que a luz em nossos corações se acenda para num florir matinal ou num anoitecer normal, o doce sabor nos acorde ou nos adormeça em profunda certeza que o dia seguinte mais não será do que um novo fruir do amor que nos envolve e a cada momento nos devolve na mais plena pureza do aceno tão natural que há pouco sobre nós desceu... porque se te sinto minha, sei que também me sentes teu...”
Joaquim Nogueira
- serenidade
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“... a calma tinha-se aproximado de mim como não me conhecesse... eu já a conhecia há muito pese embora os grandes momentos em que não a via ou não me encontrava com ela... porém, naquela vez, ela fez de conta que não sabia quem eu era... aproximou-se mansamente e como quem não quer a coisa, saudou-me ao de leve com um leve acenar pela passagem, pelo encontro... não lhe liguei demasiada importãncia mas educadamente correspondi ao seu aceno e sorri-lhe... foi nesse momento que ela olhou para mim e, de chofre, me perguntou: - Porque sorris?... Naquele instante não encontrei resposta mas uns segundos após, saiu-me uma frase lenta e suave: - Porque não haveria de sorrir?... Acho estrano, disse ela: Estás sempre preocupado, cheio de problemas, a tua cabeça é um vulcão, a tua alma desespera, o teu coração bate e os teus olhos não choram... Pois, respondi eu, eu sei mas por vezes caio em mim e entendo que de nada me vale o lamento; por certo que estou errado quando desfaleço e sentado ou deitado me concentro nas agruras da vida; depois penso que a vida é apenas aquilo que dela fazemos, aquilo que dela queremos, aquilo que dela podemos tirar... a vida nada nos dá excepto ela mesma, ou seja, ela se nos entrega numa única vez e após instalada em nós, somos nós mesmos que a gerimos... temos esse poder, o poder de moldar os dias, as horas, os minutos e até mesmo os segundos dos nossos momentos aqui e agora, ontem e, quem sabe senão ela, também amanhã... somos nós que decidimos enfrentar ou não o momento que se nos depara, seja ele bom ou mau... é apenas uma questão de escolha... mas tu não eras asssim, disse-me ela, a calma... sim, eu sei... na verdade, a vida foi tão diversa e tão cheia de coisas e coisas que houve vezes em que não te consegui enfrentar ou mesmo aceitar e desesperei... porém, houve também momentos em que soube que me podias ajudar... por isso te sorri agora... sei que me podes inundar e tornar-me pleno de mim mesmo e conceder-me ainda mais a capacidade de me dar ainda mais do que já tentei... sei que me ajudarás... porque me trazes a sabedoria, a sensatez, a alegria, a ternura de me saber feliz ao sentir que amo, que o caminho que percorro é o único que me pode serenar, o único que me pode pacificar, a caminhada plena para amar... e, com amor, se ama e com amor se perpectua a nossa vida, mesmo para além da morte... por isso, hoje, te sorrio por saber o quanto amo quem amo, quem me dá a plenitude da serenidade, num amar terno e seguro, forte e puro, real que de tão real, a ti o juro...”
Joaquim Nogueira
- poetas
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"...quis ser um poeta que tivesse asas... e poesia em cada voo... quis ser um poeta cujas palavras vos enchesse a casa... e que vos reencontrasse em cada dor... quis ser um poeta que fosse fogo e água e sol e terra... e que com todos esses elementos criasse um novo ser... mas há poetas que são simplesmente poetas... há poetas que ainda nem sabem que o são... há poetas... imensos... tentei um dia ser um desses poetas... e sei hoje que um poeta nunca morre... faz-se em vida mesmo na morte, soltam as asas e levam-vos o vento... protegem-vos e fazem-se ao caminho convosco... peregrinam em vós... que com ele caminhais... bebeis o sorriso dos poetas... vedes pelos seus olhos, e por detrás desses olhos, uma alma que brilha e ilumina cada recanto escuro da vossa própria alma... e é em dias de negro e frio que mais precisais dos poetas... porque eles são fonte, força e semente... um poeta nunca mente... ele, o poeta, é a vossa armadura, a vossa madrugada e o fim de tarde... a vossa lua nova ou lua cheia... são perenes todos os poetas... nascem e renascem... mesmo sem nunca morrerem... nada destrói um poeta, nem a voz nem o sentir... quis ser um desses poetas que tivesse asas e poesia em cada voo... podemos ser usados, abusados, até como lixo abandonados, enegrecidos e deturpados... simplesmente somos quem somos ... podemos ser retalhados, citados e aviltados... podemos ser usados como arma de arremesso... podemos ser teorizados e complicados... podemos ser mistificados e cristalizados... podemos até servir de pasto em chamas inquisitoriais... não somos orações, nem homilias nem credos... e não nos deixamos cair... não somos ameaça do fim do mundo... não somos propriedade de ninguém... não somos espada nem guilhotina... não cabemos na pena nem no ódio de quem de nós se apropria... somos apenas poetas... somos simplesmente imensos... não cabemos em nenhuma semana nem em qualquer dia... somos de todos os tempos... não nos deixamos aprisionar por nenhuma alma negra... somos apenas asas... não somos anjos... somos apenas amor e amamos... e se agora sei, como tão bem sei, que as palavras vos podem fazem voar, que às vezes vos levam para lá do mar, em asas de vento, de dor e de amor... sei também, como sabem todos, que não há palavras nem versos, nem poesias que cheguem para transformar um poeta num anjo..."
Joaquim Nogueira
- pronunciar
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“... estendo as mãos ao futuro na ânsia de o alcançar... revejo-me nele como se fosse hoje o que estou a viver... mas depressa caio em mim e sei que estou a sonhar... nada mais que um breve sorriso e um beijo nuns lábios sedosos, como mel que ainda escorre na minha pele... um doce desejo de voltar a sentir esse doce desejo de abraçar-te num voltear de dança parada na imagem do momento ali focada... num sentir que nada se sente para além do amor que existe mesmo e não nos mente... lateja nas nossas faces de rosadas que se tornam da loucura que nos invade e das mãos que se movem na procura... cabeças que se tocam e se enlaçam em cabelos revoltos misturados com os dedos que os afagam... e os braços remetidos à sua função de prender ali, naquele momento, a eternidade do abraço... e os olhos se olham, se miram e sorriem enquanto os lábios se molham no mel de um beijo prolongado, húmido, molhado, doce doçura de tanta candura e desejo... e a boca de vez em quando entreaberta para pronunciar a palavra certa, a palavra aguardada, descoberta, límpida de tudo e do nada pela simplicidade da verdade que existe quando se pronuncia o quanto se ama, o quanto nos preenche e nos invade a Alma...”
Joaquim Nogueira