SOL

Luana- a Gabriela Silva das Flores

Na senda do novo paradigma!

Ainda e sempre, a iha das Flores no ADN mais intimo

 

Chegar à ilha das Flores é sempre uma aventura. A nona de um arquipélago, orgulhoso das suas nove ilhas, a ilha das Flores é também a última das ilhas europeias no atlântico. Aqui acaba a Europa e começa a América, num espaço único de beleza incomparável, onde a paz é possível e a segurança realizável.

Para chegar à ilha é quase inevitável tomar um avião da Transportadora Aérea Regional, a Sata, que realiza voos diários para a ilha. Mas, durante o inverno, os voos que têm sempre origem em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, podem fazer escala técnica na Horta ou nas Lages, na ilha Terceira. Mas não tem tantos anos assim esta quebra numa insularidade que sempre fez parte do quotidiano das ilhas. A adição à Constituição da Republica Portuguesa do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores conferiu a estas ilhas um estatuto especial e privilegiado concedendo-lhes também, e desde logo, o direito à diferença que faz delas um território especial.

A ilha das Flores, sendo de origem vulcânica como todas as outras, fica já na placa americana o que a defendeu dos sismos que são sentidos em quase todas as outras ilhas com mais ou menos intensidade. Desse passado de erupções, restam deliciosas manifestações serenas de lagoas e vales que constituem um regalo para quem visita este paraíso no oceano.

No passado a ilha era escalada, mensalmente, por barcos de carga que transportavam viveres e carregavam, em condições difíceis, o nosso gado vivo para abate em Lisboa. Mas estão longe esses tempos difíceis. Hoje, a existência de um cais acostável no concelho de Lajes das Flores, garante viagens quinzenais de barcos com sistema de refrigeração que transportam alimentos e frutas frescas para abastecimento do mercado local.

No concelho de Santa Cruz das Flores, fica o aeroporto que é o elo de ligação da ilha com o mundo.

Quer se chegue de avião ou de barco será sempre uma aventura conhecer esta ilha que deu pelo nome de flores pela profusão de cubres que a cobriam quando os seus descobridores a encontraram. Hoje, a flor que abra a porta ao turista é a hortênsia que, sendo uma flor imponente é muito frágil depois de colhida. Nascida para se revelar e provocar o olhar, as hortênsias vivem apenas dois meses em luxúria total, fiando-se lentamente com o verão das Flores para renascerem de novo no ano seguinte. Estes ciclos de beleza gratuitos e autênticos, são uma dádiva de que só se tem plena consciência quando se habita a ilha de forma continuada.

O clima da ilha é temperado marítimo, mas a instabilidade é a característica dominante durante todo o ano. Diz-se, e é verdade, que a ilha pode oferecer as quatro estações do ano num só dia. E não será preciso confirmar pessoalmente o facto porque a simples observação de uma paisagem que tem no verde, na profusão imensa de vegetação cerrada para se perceber que a água é a força dominante de toda esta paisagem.

Nalguns locais, as bermas são autênticas esculturas de musgo verde que lacrimejam água pura que nasce aqui e além em milhares de nascentes espontâneas que brotam do interior desta terra de sono. Nalguns locais é mesmo possível matar a sede em regatos que correm permanentemente. E, a água que bebemos, vivifica e cura a alma porque traz a força telúrica do interior da terra.

Os ventos podem ser fortes mas as árvores possuem raízes profundas e resistentes porque são companheiras serenas desse mesmo vento que as espicaçou a crescer em resistência.

O concelho de Lajes das Flores tem hoje, menos de duas mil pessoas, distribuídas por sete freguesias pequenas, outras tantas comunidades com vida e cultura próprias. A emigração abalou o nosso censo no segundo quartel do século XX, de tal modo, que somos hoje uma comunidade singular, nas origens e na forma de estar. Pode considerar-se que, nos Estados Unidos, residem quase todos os florentinos que não estão hoje na ilha. Isso ajudou a levar mais longe o nome dos Açores e de Portugal, aumentou a nossa criatividade e provocou uma miscigenação cultural muito importante. Muitos dos nossos emigrantes, são hoje homens e mulheres de sucesso, reconhecidos nas comunidades onde se inseriram, por uma rara capacidade de trabalho, pela exemplaridade das suas vidas, pela dignidade e honestidade que sempre caracterizaram a personalidade dos homens das ilhas. Nos estados Unidos e Canadá moram hoje famílias completas, oriundas das Flores que praticam uma cultura sadia que se baseia nos valores éticos, culturais e morais das nossas ilhas.

Lomba, Fazenda, Lajes, Lajedo, Mosteiro, Fajãzinha e Fajã Grande são as sete freguesias do concelho que inclui ainda alguns lugares com grande importância geográfica: o lugar da Costa, na freguesia do Lajedo, a Cuada na Freguesia da Fajã Grande e a Ponta da Fajã Grande na freguesia do mesmo nome. Cada freguesia corresponde a um agregado populacional com os seus hábitos, o seu padroeiro, as suas festas, a sua igreja, a sua vida…

A Fajã Grande é a Freguesia mais ocidental da ilha e da Europa gozando do privilégio de estar voltada a oeste e ser rodeada por enseadas e mar, ora calmo, ora voluptuoso propicio à prática dês desportos náuticos, bom para a pesca de certa espécies piscícolas, ter uma rocha fabulosa donde caem cascatas imensas que sangram vida em qualquer estação do ano. A zona balnear da Fajã transformou-se num local de peregrinação de todos os florentinos e forasteiros, ponto de encontro de culturas, cais de desencontros, palco de todas as culturas. Por lá vivem alguns estrangeiros enfeitiçados com o silêncio, muitos florentinos adquiriram casas de veraneio e os terrenos que sobram atingem agora valores proibitivos. Na Fajã Grande tem-se investido muito no sentido de transformar a área, já atractiva, num centro de interesse para todos. Mais adiante neste livro, poderemos ver imagens das obras mais recentes aqui realizadas.

O concelho das Lajes oferece espaços únicos para a marcha e incursão em percursos pedestres. Sem insectos rastejantes ou espécies perigosas para as pessoas, a ilha é um verdadeiro paraíso para andar a pé numa paisagem em que cada pegada pode tocar um sem fim de ecossistemas. Já existem muitas zonas de reserva agrícola, considerados já autênticos monumentos paisagísticos com a característica única da inexistência de poluição ambiental o que melhora significativamente a qualidade de todos os trilhos.

 

Publicação: domingo, 16 de Janeiro de 2011 17:39 por Luana

Comentários

# re: Ainda e sempre, a iha das Flores no ADN mais intimo @ domingo, 16 de Janeiro de 2011 23:42

Olá Luana / Gab

Vim acender-te as cinco estrelinhas, pois o texto e tu bem merecem.

Beijinhos para ti e para esse paraíso que tu tens a sorte de poder fruir e simultâneamente de sentir porque quem não sai do mesmo sítio não o aprecia com a perspectiva da valorização.

Semana magnífica.

AlfredoRamosAnciaes

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