SOL

o estado das coisas

"nos dias tristes não se fala de aves. Liga-se aos amigos e eles não estão e depois pede-se lume na rua como quem pede um coração novinho em folha. Nos dias tristes é Inverno e anda-se ao frio de cigarro na mão a queimar o vento e diz-se - bom dia! às pessoas que passam depois de já terem passado e de não termos reparado nisso. Nos dias tristes fala-se sozinho e há sempre uma ave que pousa no cimo das coisas em vez de nos pousar no coração e não fala connosco. " Filipa Leal

admirável mundo novo
Analisando os acontecimentos destes últimos meses sinto que aterrei num mundo novo. O que outrora era um direito adquirido é agora objecto de luta, a segurança de um futuro tranquilo foi trocada pela incerteza de uma vida errante. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", contudo não se trata de vontades mas sim de recuos e ameaças de uma regressão não linear. Nunca, como agora, as notícias nos bombardeiam a sensibilidade e atentam contra a nossa integridade física e psíquica. O pânico instala-se e os que foram eleitos para nos proteger, orientar e defender, são agora os que nos ameaçam. Talvez seja este o fim do mundo velho, transição para um mundo novo onde o capital comanda a vida esquecendo o sonho, paralisando o avanço. Será este o fim do mundo anunciado para 2012? Ou tudo isto não passa de um complot para nos levar à loucura? "A Paz, o Pão, Educação"...

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urgências

O mundo está em crise, arrasta-se, abatendo-se sobre os mais desfavorecidos, a classe média e até a classe média alta. No entanto continuam-se a pagar ordenados principescos a gestores que deitam abaixo o sistema e que contribuem com o seu mau desempenho para o agravamento da crise. É cíclico, diria até, um círculo, a instalação desta instabilidade económica. Revolta saber que a má gestão é recompensada com indemnizações vergonhosamente elevadas. Paga-se caro o mau desempenho e a falência dos sistemas. Os valores da convivência social adulteraram-se,  à corrupção fecham-se os olhos e a mentira está em cima da mesa, estamos a caminhar para um estado sitiado. Urge tomar medidas!

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a natureza

O inverno vai longo, o frio desarticula-nos a estrutura que nos mantém de pé e a chuva arrasa-nos o estado de alma. A culpa é sempre dos outros; erros urbanísticos, aquecimento global, mão humana. Mas a verdade é que a natureza tem muita força e perante os seus desígnios, somos simples partículas sem vontade própria. As imagens chocam-nos, não foi no Haiti, no México ou em Nova Orleães, foi praticamente no nosso quintal, onde as flores desabrocham dando-nos a sensação de que a terra é um Paraíso. Talvez tudo isto nos sirva de lição e possamos compreender que somos perecíveis e que as coisas que tão ardentemente desejamos são apenas isso: coisas. Pela posse das "coisas" se mata, se engana, se humilha, se rouba e, afinal, basta um simples desígnio da natureza para que tudo seja arrasado. Lutar, sim!   Mas pela vida, pela defesa do bem-estar global.

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genéricos

Ainda não me tinha apercebido do efeito causado pela polémico e controverso uso de genéricos.Mais química menos química são basicamente iguais.

 

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em redor do mundo

As letras e os números com a cor azul surgem no quadro branco alinhadas e aparentemente com sentido. Cálculos, concentrações, pHs, tampões e água, muita água. Só quando a água lhe inundou o pensamento é que percebeu que nada daquilo fazia sentido, escrevia como um autómato. Olhou a assembleia e estarrecido interrogou-se: que faço agora?

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a crise

A crise consome resmas de papel, seca-nos a garganta e entranha-se nos mais ínfimos poros do nosso viver.

Cansa-me, a crise.

Há uns anos atrás abateram-se árvores de fruto, liquidou-se a agricultura. Um País que não se basta a si próprio no mais básico e elementar bem que é a sua subsistência, é um País em crise, um País à deriva, dependente do que os outros possam ou não produzir.

Há uns anos começaram a ver-se pequenas hortas à beira das estradas, com produtos hortículas carregados de chumbo e outros metais e poluentes deixados escapar por veículos apressados carregados de gente com a ânsia de ter, desconhecendo que o mais importante é ser.

Todos têm computadores, telemóveis, plasmas, sofás, cortinas e cortinados. Ensaios sobre o bem viver.

Tenho saudades das cearas de "pão".

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Balanço

Após quase três anos da adesão ao Tratado de Bolonha é difícil acreditar que mudámos para melhor, que esta foi a opção certa. Há a tendência para a globalização, para a uniformização, perdendo-se assim as características de cada Escola, de cada País, de cada Pessoa.

 

 

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a física e a química
 
O ser humano é uma mistura algo complexa, diria mais, uma mistura atípica impossível de ser quantificada ou qualificada.
Ao longo da nossa existência enquanto seres vivos, muitas teorias se têm desenvolvido acerca não só do corpo como da mente.
A nossa parte Física prende-se com o facto de sermos uma máquina na verdadeira acepção da palavra, ou seja: um dispositivo mecânico que executa ou ajuda no desempenho das tarefas precisando para isso de uma fonte de energia.
Compreendendo esta definição, retirada algures de um livro de mecânica, ficaríamos satisfeitos se conseguíssemos executar mecanicamente todas as tarefas que nos são propostas.
Acontece que para além desta componente, existe uma outra: a Química. Ciência que nos leva a interagir com o meio que nos rodeia, não só a nível do ambiente como também ao nível dos nossos semelhantes, e é aqui que a nossa essência se baralha e se confunde com a nossa existência.
Pessoalmente gostaria de imaginar que da nossa mente se libertam compostos voláteis, facilmente identificáveis e quantificáveis por uma simples Cromatografia de Alta Eficiência. Ora, acontece que na maioria dos casos isso não ocorre, toda essa (i)matéria que nos caracteriza fica profundamente armazenada em gavetas mais ou menos inacessíveis. O que faz com que a Química não consiga estudar e compreender esta essência que caracteriza cada um de nós. Estamos então numa encruzilhada, onde os diversos caminhos propostos, na sua maioria, não têm saída.
A nossa essência não pode nem poderá nunca ser estudada como fazendo parte de um conjunto, pois se cada um de nós tem coisas comuns aos nossos pares, a verdade é que há sempre a componente pessoal, ou seja, não se conseguiu ainda uma linha de processo de fabrico que seja rentável e forneça seres humanos com as características desejáveis.
Remato com uma frase que é quase tão comum como as palavras que escrevo: todos iguais, todos diferentes.

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