Alcochete, vila pobre,
De artimanha sempre armada
Apareça já quem dobre
Safadeza emporcalhada.
Minha terra Alcochete,
Liberdade sofrida,
De mim real sinete
Sem falha toda a vida.
Meu Portugal a afundar,
A arrepiar o caminho,
A ficar aquém do mar,
Na terra a fazer o ninho!
Terra já passou o que era,
A era que bem cumpriu.
Seguiu-se o mar. Oh, quem dera
Gaivota que ninguém viu!
A tocha ninguém a leva
Para a gente ir atrás.
Somos livres, não caterva
Que a tirano tanto apraz.
Se quereis saber o que se passa em Alcochete, visitem http://praiadosmoinhos.blogspot.com e http://alcochetanidades.blogspot.com
Num ou noutro blog podereis ver do que é capaz uma câmara comunista de homens desclassificados para a perpetuação no poder.
Professor a brincar
Azeda vil comuna
Que receia falhar
O votinho na urna.
Mera urna fingida
P'ra tempo dar ao tempo,
Na volta prometida,
Todo o fruto e provento.
Não há-de ser assim
Que a mentira coxeia.
Eu tenho cá p'ra mim
Como certa esta ideia.
Comuna traz a crista
À cabeça mal feita.
Não o percas de vista,
Contra ele te endireita.
Versos de João Marafuga
Borda fora, comunagem,
Ilusão do povinho
A viver a miragem
De livrar o caminho!
Comunagem nada livra,
Antes prende para sempre.
Este aviso que te sirva
De sinal que te lembre.
Sobe acima do penedo,
Mira a tua liberdade,
Em capacho vira o medo,
Tu abraça a verdade.
E livre de toda a peia,
Corre afoito pelo vale,
Deste e de outro rompe a teia,
Todos juntos contra o mal.
Versos de João Marafuga
A pertença natural a uma cultura local parece-me vital, mas trair-me-ia intelectualmente se não aceitasse o contributo livre e consciente de quem chega e colabora nas respostas a dar ao meu chão natal.
No caso concreto de Alcochete, a política local viveu e vive muito de um caciquismo abjecto que muito prejudicou e prejudica a minha terra.
Os cargos autárquicos em Alcochete têm sido e são ocupados por pessoas desqualificadas que os partidos políticos catapultam para o poder para a execução de políticas alheias às mais lídimas aspirações das populações.
As notas que dou aos Boieiros, Inocêncios, Francos, etc., são negativas, razão por que acolho de bom grado quem apareça no meio de nós e meta ombros à mudança urgente.
Estão neste caso Borges da Silva e Luís Proença, candidatos pelo PSD a Presidente de Câmara e Presidente da Assembleia Municipal respectivamente.
Cesário Verde (1855-1886) nasceu em Lisboa, filho de uma família burguesa.
Há quem considere Cesário Verde o primeiro grande poeta na Literatura Portuguesa depois de Camões. Este, o maior épico da Era Moderna, cantou o mar. No episódio do Adamastor (Lus., V, 50-59), não se consuma o amor do gigante (elemento terra) por Thetis (elemento água), isto é, a Idade Média acabava e abria-se a passagem do mar, saída para a ascensão de uma nova classe, a burguesia.
De alguma maneira, Cesário Verde é o poeta da burguesia laboriosa oitocentista. Nos versos de Cesário é o trabalho que se vê exaltado: «Povo! No pano cru rasgado das camisas/Uma bandeira penso que transluz!/Com ela sofres, bebes, agonizas:/Listrões de vinho lançam-lhe divisas,/E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!» ("Cristalizações").
A cidade, a sua Lisboa natal, é o espaço que Cesário Verde privilegia e transpõe para os seus versos, o que se pode ver, por exemplo, em poemas como "Num Bairro Moderno" e "O Sentimento dum Ocidental".
Mesmo quando Cesário Verde se detém sobre o campo, este fica longe do idílio romântico: «A exportação de frutas era um jogo:/Dependiam da sorte de mercado/O boal, que é de pérolas formado/E o ferral, que é ardente e cor de fogo!» ("Nós").
Mas Carlos da Maia, o grande protagonista de Os Maias de Eça de Queirós, personagem tão falhada quanto trágica, representa o desvirtuamento das camadas burguesas mais altas e a ideia, já sentida por muitos espíritos do séc. XIX, de que o positivismo (divinização da ciência) não trazia a desejada solução para os problemas dos homens.
O avô educou o Carlinhos como se este fosse um menino das melhores famílias inglesas. Diz Afonso da Maia no capítulo III que visa a problemática da educação: «A instrução para uma criança [...] é saber factos, noções, coisas úteis, coisas práticas...». Da parte do velho aristocrata não há uma palavra para a moral, o que poderá ser visto como causa remota para o facto de Carlos da Maia acabar por saber que mantinha relações incestuosas com a irmã Maria Eduarda e continuar na prática dessa incestuosidade.
Eis o assunto que Eça de Queirós escolheu para estampar perante os nossos olhos uma classe acabada de chegar ao poder, mas incapaz de assumir a própria vocação histórica, desejosa de puxar a si os pergaminhos da aristocracia destronada.
Indigente toda a vida
Indigente até morrer
Armadura preferida
Ao combate pelo ser.
Ao combate pelo ser
E derrota da aparência
Venha homem a valer
Contra toda a cedência.
Contra toda a cedência
De traição à liberdade
A bandeira da urgência
Pela volta da verdade.
Pela volta da verdade
Que visão ao homem dê
Boa nova de vontade
Dada ao mundo por mercê.
Futebol miséria,
Sem nenhum sentido,
Aliena essa gente
Em grande alarido.
Deixa tanto dó
Ouvir um papalvo
Defender o team
E julgar-se salvo!
E se alguém lhe nega,
P'ra vê-lo zangado,
A pertença ao clube,
Vozeia passado,
Ostenta o cartão,
Dá-se ar importante,
Sem dentes na boca,
Olhar triunfante.
De ignorância crassa,
De vida vazia
Foge, povo escravo,
Rumo à luz do dia.
Autor: JMarafuga
Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984, é uma obra iconoclasta do princípio ao fim porque ali também se visa a destruição da Fé Cristã e da Igreja desde os alicerces.
Far-me-ão a pergunta: mas por que razão? Porque não podem coexistir cristianismo e marxismo. Este só poderá crescer à míngua daquele.
Veja-se esta passagem: «...imaginemos, por exemplo, que corpo terá o S. Jorge que aí vem se lhe tirarmos a armadura de prata e o gorro de plumas, um boneco de engonços, sem fio de pêlo nos lugares onde os homens os têm, pode um homem ser santo e ter o que têm os outros homens, nem sequer devia ser concebível uma santidade que não conhecesse a força dos homens e a fraqueza que às vezes nessa força há...» (Ob. cit., pág. 128).
O Cristianismo, por força da própria Encarnação, o Sentido que desce sobre tudo, venera as imagens, ao contrário do Islão que as recusa de forma absolutamente radical. Aqui, até parece que Deus fica longe do mundo que criou, olímpico destinatário do clamor dos crentes. Mas no Evangelho, a cada passo, lê-se que o reino de Deus está próximo, isto é, chegado a cada um de nós.
Por outro lado, a inflexão do sério de séculos para um registo de natureza sexual visa destruir o universo civilizacional cristão para impor uma nova ordem a partir do caos.
Esta escrita orgiástica muito comum em todo o Memorial do Convento já se pressentia a partir do próprio incipit deste romance de intervenção político-ideológica: «D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou» (Ob. cit., pág. 9).
O literário iliba o abjectivismo de Memorial do Convento e de outros romances de Saramago?
Atentemos nesta passagem de Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984: «Domingo é dia do Senhor, verdade trivial, porque dele são todos os dias, e a nós nos vêm gastando os dias se em nome do mesmo Senhor não nos gastaram mais depressa as labaredas, por duplicada violência, que é a de me queimarem quando por minha razão e vontade recusei ao dito Senhor ossos e carne, e o espírito que me sustenta o corpo, filho de mim e de mim, cópula directa de mim comigo mesmo, infuso do mundo sobre o rosto escondido, igual ao mostrado e por isso ignorado. No entanto, é preciso morrer».
Eu recuso encarar a Inquisição apenas como um simples problema político, quero dizer, como mais um instrumento ao serviço do fisco.
No fundo, a Inquisição parece esquecer o significado profundo da Cruz de Cristo, união da Eternidade e do tempo, para se ater apenas à dimensão temporal na pugna pelo reino. Este, o fim, justificou todos os meios.
Isto já não nos confronta com o lídimo cristianismo que decorre do Evangelho, mas com o recurso à violência para defesa da verdade.
Por esta via de raciocínio, a Inquisição tem muito de comum com as ideologias políticas surgidas depois da Revolução Francesa (1789), embora, ainda assim, seja duvidoso para mim que possamos colocar aquela e estas sobre o mesmo plano.
De facto, só os totalitarismos do séc. XX (nazismo e comunismo) mataram entre 150 a 200 milhões de pessoas contra apenas milhares ao longo de toda a existência da Inquisição no velho e novo mundo.
Mas na passagem saramaguiana acima transcrita há outro problema. Ali, o homem arvora-se em criador de si próprio, da sua própria essência. Como esta é a de Deus, logicamente Deus também é negado, tudo estando em conformidade com o marxismo mais estrito.
Finalmente, the nonsense: «No entanto, é preciso morrer». Como morre o que já está morto?
Mortos são os Saramagos deste mundo. Mesmo que os efeitos das obras deles virem todos os homens em cadáveres que dão à pata, a Vida continua per omnia saecula saeculorum.
Uma passagem de Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995, («A Filosofia é um saber que se dirige à inteligência e lhe diz o que são as coisas; a religião dirige-se ao homem e fala-lhe de seu destino, seja para que se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã serão filosofias da liberdade.»), catapultou a minha reflexão para a lídima poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Quando Sophia, no Livro Sexto, diz «musa ensina-me o canto/venerável e antigo/o canto para todos/ por todos entendido», não está apenas a fazer uma quadrinha de heróicos quebrados (seis sílabas métricas) e a rimar o segundo verso com o quarto. A poetisa está, sobretudo, a inserir-se no grande filão de toda a literatura europeia e Ocidental, vale saber, união da tradição e renovação que conserva indefectível o traço contínuo da memória e assegura o reconhecimento dos rostos.
Nesta conformidade, nada há de comum entre Sophia e, por exemplo, Ramos Rosa ou Herberto Helder, cujas poesias iconoclastas parecem querer acabar com o mundo para inaugurar outro que não se vê qual seja.
Se o legado é truncado, que ponte lançarei para o outro que não seja a máscara da minha soberba? Mas aqui não há encontro porque não há diálogo.
Sophia deseja dialogar com esta geração e as vindouras, o que instaura o poema num acto de comunicação. E esta não é a função por excelência do próprio poema?
«...O canto/venerável e antigo...» é o percurso palmilhado pelos homens e mulheres que não recusaram as raízes mais profundas, mas também não se submeteram ao destino, antes o fizeram como reclama o próprio cristianismo, «...pois convém tornar claro o coração do homem/e erguer a negra exactidão da cruz/na luz branca de Creta» (Livro Sexto).
Eis-nos perante a liberdade, matriz de toda a nossa Civilização.
[À VAIDADE DO MUNDO]
É a vaidade, Fábio, desta vida
Rosa que na manhã lisonjeada
Púrpuras mil com ambição coroada
Airosa rompe, arrasta presumida;
É planta que de Abril favorecida
Por mares de soberba desatada,
Florida galera empavezada,
Surca ufana, navega destemida;
É nau, enfim, que em breve ligeireza,
Com presunção de fénix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza.
Mas ser planta, rosa e nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
Fr. António das Chagas
(Pires, Maria Lucília Gonçalves, Poetas do Período Barroco, Editorial Comunicação, Lisboa, 1985)
Este soneto de Fr. António das Chagas vale mais pelos processos de construção nele encerrados e menos pelas dificuldades que oferece à compreensão da sua mensagem de raiz cristã.
O sujeito desta escrita fustiga a vaidade, a "vanitas vanitatum et omnia vanitas" (vaidade das vaidades e tudo é vaidade), palavras que remontam a Salomão e nos colocam na frente de um tema cujo tratamento grave que sofre é comum a poetas barrocos.
O que neste soneto primeiro chama a atenção é o vocativo Fábio, do que se pode concluir que o poema é dirigido a um tu, o destinatário. Ora esta é uma faceta detectável na poesia do séc. XVII. Que justificação se poderia apresentar para este facto?
A poesia seiscentista colabora com a reacção da Igreja Católica contra a Reforma. Tal empresa de índole apostólica só se pode levar a cabo em função do outro. Daí o tu em muitos poemas maneiristas e barrocos.
De salientar a técnica que estrutura os versos desta poesia, enfim, da estética literária deste período barroco, qual seja a praxis de os bimenbrar e trimenbrar: "Surca ufana, navega destemida"; "Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?". Nestes exemplos, cada membro não só prolonga o sentido do imediatamente anterior como também o reforça.
A ordem das palavras rosa, planta e nau, disseminadas pelo texto, não se afigura arbitrária. De princípio, a indefensibilidade da "rosa" que depois progride para uma dimensão mais robusta ("é planta"), atinge o auge ("é nau").
No último terceto dá-se a recolha dos termos espalhados pelas duas quadras e primeiro terceto: "Mas ser planta, rosa e nau vistosa". Que inferir?
Tudo é efémero. A nau destroça-se contra as rochas, o ferro do machado abate a planta, a rosa não dura mais que um dia.
Com esta resolução do problema por antítese, o eu do poema leva-nos a interrogar e concluir que a vaidade nada vale, já que tudo se finda e some tragado pelo tempo.
O projecto do fascismo era combater o comunismo, mas, ao fim e ao cabo, eram pólos de sinais iguais: sobrecarga do Estado sobre os cidadãos, restrição às liberdades individuais, culto do chefe, polícia política, cencura, etc.
Os fascismos europeus, nomeadamente o alemão, (nazismo), foram experiências dolorosas para milhões de pessoas.
Ora o comunismo quer destruir as democracias capitalistas, ou seja, os comunistas odeiam os liberais (sentido europeu) porque estes estorvam a progressão do projecto marxista.
Como o Estado fascista estabelece o elo com os mega capitalistas (grande capital), os comunistas pretendem fazer crer a toda a gente que o capitalismo, em termos gerais, foi cúmplice do fascismo.
Mas eu pergunto: como é que os liberais podem estar com o fascismo se este quer mais Estado e aqueles menos? Se este corta com as liberdades individuais e aqueles defendem-nas? Se este instaura a polícia política e a censura e aqueles detestam-nas?
Acontece que a intoxicação comunista, disseminada por toda a parte, impede a visão justa deste problema a vastas franjas das populações.