SOL
Papel

Papel. O caminho. O sentido. A corrida. O saber de uma luta perdida. A pedra. A dor. A canção. A alma, a vapor. O coração. Papel. Onda rasgada. Ponte no nada. Memória atrevida. A vida.

V.azia
A engolir em seco. Áspero. Duro. Crú. Um coração vazio, nú. E o devir, que não desce nem avança. Alto! Que ainda há esperança...
Imbecil

Imbecil. Hoje a palavra a que recorro não me acolhe. Talvez do tempo do momento ou do receio que a chuva de Junho me molhe. Ataco o medo com a gabardine castanha. O lamento, esse, ato-o ao guarda chuva. Pode ser assim que o medo se dilua em nada e a imbecilidade me mova na calçada.

Maresia

As que voltarem, são minhas.
 

Pouco me importa o tom, desde que seja lá

A cor pouco me importa, desde que seja neutra

O lugar já não me importa, desde que seja cá

Que o tacto seja imediato e de sentido farto

O aroma, embebido a feltro de caneta.

Depois... deixo cair as palavras

Caem libertas, talhadas por dentro

Do tom, da cor, do lamento

Do toque, do cheiro a feltro

Das marés de mim... pretérito imperfeito

De todos os sonhos a que estou atenta.



Maresia


Esqueço-me

 

Ainda há tempo, diz ele. E eu esqueço-me do momento fugaz. Qual areia seca a trespassar-me os dedos da mão direita. Entre-aberta. Aquela que nunca sentiu a dificuldade de se fechar. Pernaneço à espreita. Entre-aberta. Como a porta, os dedos, a areia seca e o chão que piso a custo, soletrando, a cada passo lento, o tempo que ele garante existir.



Maresia

Publicado 30 Março 10 03:55 por maresia | 0 Comentário(s)   
Arquivado em ,
(...)
 

Pausa vírgula travessão

Reticências aspas ponto e vírgula

Ponto de interrogação

Já não está nada mal

Dois pontos a mais

Princípio de descrição

No fim é pouco mais

Que o mistério da pontuação

Ponto final*



Maresia


*(isto já para não falar dos asteriscos)

Publicado 30 Março 10 03:06 por maresia | 0 Comentário(s)   
Arquivado em , , ,
Ou imitas bem, ou disfarças mal...

 

 

- Bom dia. Fala da LarfoZ; posso falar com o Sr. Jorge, p.f.?

- LarfoR? Só um bocadinho p.f...

- Não! LarfoZ.

- Lar-foR...?

- Lar-foZ... LarfoZ com Z. Z de zebra.

- Ahh... certo, LarfoR! Só um momento, p.f.



Maresia

(...) que mal acompanhada.
 

É tempo de fazer limpezas. Arrumam-se os restos colados à humidade que escorre frenética pela janela - aquela onde já não espreito nao espero não quero não nada – e a.guarda-se o sol, que virá livre de surpresa e de preço, vangloriar-se da falta provocada.



Maresia

Publicado 14 Janeiro 10 11:25 por maresia | 8 Comentário(s)   
Arquivado em
Meu amor,

 

Neste Natal, o meu presente vai embrulhado em razão de alta qualidade.

Vincos precisos, autónomos, fixos com fita-cola indolor.

A fita dourada, leva gravada a verdade em silêncio.

Desembrulha-o com cuidado, não vá a verdade manifestar-se e a razão dar de si.

Usufrui dele até à exaustão.

Depois... depois guarda-o.

Em local seco – no teu coração.




Maresia


p.s. Espero que gostes.

 

Publicado 16 Dezembro 09 02:34 por maresia | 8 Comentário(s)   
Arquivado em ,
Resígnios

Tenho uma certa tendência para fazer associações de palavras que nada têm a ver. Ou têm. Eu explico. Resignado, por exemplo, lembra-me resina. A resina cola. Colamos algo que queremos que fique num determinado espaço, de preferência por muito tempo. Um resignado, é portanto um colado ao tempo e ao espaço em todas as suas vertentes. Por outras palavras, um resignado é alguém cheio de resina. Pois... tá certo. Por sua vez a resina não se resigna. As coisas não se resignam. Deixam-se resignar. São as nossas vontades que as resignam, e não elas próprias. De todas as coisas que conheço, as menos resignadas são as palavras. Por mais que as tentemos encher de resina, elas não se colam. Nem se corrompem. Por falar em corromper... corromper lembra-me comer. Sim, comer! Comer não é mais do que o acto de corromper o corpo. E há lá algo mais corruptível do que a própria comida? Por falar nisso, já me corrompia com qualquer coisita...

 

 

Maresia

Se não gostarmos de Nós[es], quem gostará...

42---Alfajor-de-Nozes-0003.jpg image by acessonews

 

Pensei sentir-me mais ridícula, qual casca de cebola em salada mista, de rabo de cavalo - ainda que - de franja (devaneios juvenis de mudança à flor da pele/idade). Principalmente de franja. Mas tudo me as.senta (Tibi, senta!) bem quando me as.salto (sem rede) de branco superior, e cor terra-mãe-quente-castanho, inferior. Feitas as contas, lançadas as cartas, o balanço - mas não caio - é positivo... Certo certo é que ainda só são 2 da tarde e ainda me faltam 3 selos correio azul.

 

 

Maresia

Mo.mentos

 

Tempo.

Espaços banais.

Físicos.

Desenhados na mente.

Coloridos a frio.

Reais.

Apetecidos.

Sem precisão aparente.




Pode ser uma caixa!



Maresia


A.menos (que)

In.quieta. Sem querer.
Apoquentam-me os dias a.menos de Outono e a simplicidade do fruto que teimo não me provar.
Talvez seja por isso que o amadurar da castanha me pareça sempre dúbio e sempre muito me pareça o amar.


Maresia

Amanhã, logo se vê.

Não.

Hoje não me apetece conciliar o olhar com o pensamento.

Quero que ele me surja livre e incorruptível.

Virgem, imprevisível.

Sem âncora nem fio de prumo;

Sem vontade, sem lei, sem rumo.


Maresia

Publicado 13 Outubro 09 03:50 por maresia | 16 Comentário(s)   
Arquivado em
Gosto

Gosto, quando a chuva cai como se fosse eterna... quando se julga pensante e insubstituível.

Fria. Distante. Calculista.

E do Sol que vem a medo, morno e desmaiado, de cor incerta... pacato.

Gosto.

Mas não gosto muito.

 

 

Maresia

More Posts Next page »

Pesquisar

ok

Este Blog

Tags

Arquivo

Syndication