- Papel
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Papel. O caminho. O sentido. A corrida. O saber de uma luta perdida. A pedra. A dor. A canção. A alma, a vapor. O coração. Papel. Onda rasgada. Ponte no nada. Memória atrevida. A vida.
- V.azia
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A engolir em seco. Áspero. Duro. Crú. Um coração vazio, nú. E o devir, que não desce nem avança. Alto! Que ainda há esperança...
- Imbecil
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Imbecil. Hoje a palavra a que recorro não me acolhe. Talvez do tempo do momento ou do receio que a chuva de Junho me molhe. Ataco o medo com a gabardine castanha. O lamento, esse, ato-o ao guarda chuva. Pode ser assim que o medo se dilua em nada e a imbecilidade me mova na calçada.
Maresia
- As que voltarem, são minhas.
-
Pouco me importa o tom, desde que seja lá
A cor pouco me importa, desde que seja neutra
O lugar já não me importa, desde que seja cá
Que o tacto seja imediato e de sentido farto
O aroma, embebido a feltro de caneta.
Depois... deixo cair as palavras
Caem libertas, talhadas por dentro
Do tom, da cor, do lamento
Do toque, do cheiro a feltro
Das marés de mim... pretérito imperfeito
De todos os sonhos a que estou atenta.
Maresia
- Esqueço-me
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Ainda há tempo, diz ele. E eu esqueço-me do momento fugaz. Qual areia seca a trespassar-me os dedos da mão direita. Entre-aberta. Aquela que nunca sentiu a dificuldade de se fechar. Pernaneço à espreita. Entre-aberta. Como a porta, os dedos, a areia seca e o chão que piso a custo, soletrando, a cada passo lento, o tempo que ele garante existir.
Maresia
- (...)
-
Pausa vírgula travessão
Reticências aspas ponto e vírgula
Ponto de interrogação
Já não está nada mal
Dois pontos a mais
Princípio de descrição
No fim é pouco mais
Que o mistério da pontuação
Ponto final*
Maresia
*(isto já para não falar dos asteriscos)
- Ou imitas bem, ou disfarças mal...
-

- Bom dia. Fala da LarfoZ; posso falar com o Sr. Jorge, p.f.?
- LarfoR? Só um bocadinho p.f...
- Não! LarfoZ.
- Lar-foR...?
- Lar-foZ... LarfoZ com Z. Z de zebra.
- Ahh... certo, LarfoR! Só um momento, p.f.
Maresia
- (...) que mal acompanhada.
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É tempo de fazer limpezas. Arrumam-se os restos colados à humidade que escorre frenética pela janela - aquela onde já não espreito nao espero não quero não nada – e a.guarda-se o sol, que virá livre de surpresa e de preço, vangloriar-se da falta provocada.
Maresia
- Meu amor,
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Neste Natal, o meu presente vai embrulhado em razão de alta qualidade.
Vincos precisos, autónomos, fixos com fita-cola indolor.
A fita dourada, leva gravada a verdade em silêncio.
Desembrulha-o com cuidado, não vá a verdade manifestar-se e a razão dar de si.
Usufrui dele até à exaustão.
Depois... depois guarda-o.
Em local seco – no teu coração.
Maresia
p.s. Espero que gostes.
- Resígnios
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Tenho uma certa tendência para fazer associações de palavras que nada têm a ver. Ou têm. Eu explico. Resignado, por exemplo, lembra-me resina. A resina cola. Colamos algo que queremos que fique num determinado espaço, de preferência por muito tempo. Um resignado, é portanto um colado ao tempo e ao espaço em todas as suas vertentes. Por outras palavras, um resignado é alguém cheio de resina. Pois... tá certo. Por sua vez a resina não se resigna. As coisas não se resignam. Deixam-se resignar. São as nossas vontades que as resignam, e não elas próprias. De todas as coisas que conheço, as menos resignadas são as palavras. Por mais que as tentemos encher de resina, elas não se colam. Nem se corrompem. Por falar em corromper... corromper lembra-me comer. Sim, comer! Comer não é mais do que o acto de corromper o corpo. E há lá algo mais corruptível do que a própria comida? Por falar nisso, já me corrompia com qualquer coisita...
Maresia
- Se não gostarmos de Nós[es], quem gostará...
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Pensei sentir-me mais ridícula, qual casca de cebola em salada mista, de rabo de cavalo - ainda que - de franja (devaneios juvenis de mudança à flor da pele/idade). Principalmente de franja. Mas tudo me as.senta (Tibi, senta!) bem quando me as.salto (sem rede) de branco superior, e cor terra-mãe-quente-castanho, inferior. Feitas as contas, lançadas as cartas, o balanço - mas não caio - é positivo... Certo certo é que ainda só são 2 da tarde e ainda me faltam 3 selos correio azul.
Maresia
- Mo.mentos
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Tempo.
Espaços banais.
Físicos.
Desenhados na mente.
Coloridos a frio.
Reais.
Apetecidos.
Sem precisão aparente.
Pode ser uma caixa!
Maresia
- A.menos (que)
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In.quieta. Sem querer.
Apoquentam-me os dias a.menos de Outono e a simplicidade do fruto que teimo não me provar.
Talvez seja por isso que o amadurar da castanha me pareça sempre dúbio e sempre muito me pareça o amar.
Maresia
- Amanhã, logo se vê.
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Não.
Hoje não me apetece conciliar o olhar com o pensamento.
Quero que ele me surja livre e incorruptível.
Virgem, imprevisível.
Sem âncora nem fio de prumo;
Sem vontade, sem lei, sem rumo.
Maresia
- Gosto
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Gosto, quando a chuva cai como se fosse eterna... quando se julga pensante e insubstituível.
Fria. Distante. Calculista.
E do Sol que vem a medo, morno e desmaiado, de cor incerta... pacato.
Gosto.
Mas não gosto muito.
Maresia