A CONFISSÃO DA POESIA.

falam da minha existência como refém estetizada,
ignorando o que sinto.
na cerca dos aprumos, vestem-me de regras
e até me omitem na vedação
farpada do pântano feudal.
atolam-me de falsas vénias
e afastam-me do início sem ser desertora.
no concílio dos descrentes,
sou atilho de chão agreste
e pêlo crispado no zelo dócil do arrepio da caneta.
sinto as costas dobradas dos soluços e cansaços.
colocam-me nos ombros, mímicas de aplausos
e até já fui chama de inquisição.
usam-me num qualquer
manifesto ou num qualquer livro de fraquezas.
na catedral do papel amarrotado,
sou vitral de desfile
e criança esfarrapada.
eu, poesia nasci nua! sou filha do mundo
e verbo não conjugado.
sou vento alado na viagem sem retorno.
e não tenho armas na bagagem,
nem passaportes visionários.
serei sempre peito vincado na existência
e pórtico mítico de uma qualquer razão.
porque eu, poesia serei sempre livre!
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Eduarda