SABORES E SENTIRES.

depois recusou a cidade que não lhe dizia nada. detestava as ruas cinzentas e as pessoas
atrofiadas e baças que destoavam dos seus passos. queria a liberdade de ver a sua sombra
límpida, sem subterfúgios de um qualquer paradigma ou cataclismo de retórica.
no campo sentia-se livre e podia pensar. deixar que as águas do rio lhe banhassem o corpo,
encorporar os cabelos molhados de líquido doce, enquanto os ramos das oliveiras lhe
agarravam as mãos. acariciar as pedras frias, e deitar-se nas giestas e contemplar o rasto
das aves no céu. não tinha saudades da cidade, onde as montras se assemelhavam
a tempestades de bocas ressequidas. no campo sentia-se livre e podia pensar:
dos filósofos tinha aprendido todos os saberes, dos poetas tinha guardado só algumas frases.
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Eduarda