MORRER A UM VERSO SÓ!

Abri o meu velho baú
Onde guardei paixões e dores
Sonhos e pesadelos
Tive a noção do que fui
Do ontem que senti.
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Tive amores de papel
Irreais e sem perfumes
E salpiquei de lágrimas
A terra onde nasci.
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Vivi montes e vales
Enxergas e equações
Despi-me de pensamentos
E de todos os vestígios
Tropecei o vagabundo
E dormi todos os homens
Que me despiram a alma.
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Corri ruas e noites escuras
À procura do meu mundo
Mas encontrei corpos de cera
Onde escreveram minhas dores
Com risos de palhaços.
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Na nudez do desencanto
Em andamento moroso
Enlouqueci de gritos sem voz
O abismo das saudades.
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Arquei a minha alma
Amarga com lágrimas de fel
E chorei este sentir
Sentindo só em mim.
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Num gesto de desalento
Retirei minha mortalha
Mutilada de desejos
E escrevi estas palavras
Para morrer a um verso só!
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Eduarda