A MUDEZ DOS SARGAÇOS

houve um tempo em que acordava de manhã. tinha nos olhos o xaile de joelhos caídos,
num açude intemporal, onde pernoitava as mãos. despida de argumentos sentia as folhas
inertes, levadas pelas brisas dum nevoeiro, silente, doloroso. aguçava os dedos no frio
questionado defronte às brumas da noite. acossava-lhe no prumo das horas, um tempo
demente, alucinado, que apesar de tudo me doía. incolor sem saber onde ficar, dobrava-me
em sobressaltos sem dizer adeus,ao último porto onde estilhaçava as memórias. no fundo
estilizado dos sargaços, ouve-se ainda a fonte resignada onde abracei a mudez.
Eduarda