Poetas Que Não São
Os poetas escondem-se
na penumbra do desespero fervoroso
que brota palavras em jeito de sons
de uma sinfonia desamparada, descompassada;
fazem-se da espera, da noite,
das luzes apagadas do
desconhecimento. Fervem-se
nos olhares, nos gestos descontrolados
de uma orbe disfarçada de vulgaridade;
crescem-se na carência,
temem o ar, a água
e o fogo da própria essência,
desesperam-se na impaciência
da busca dos significados;
resguardam-se nos Poetas que não são,
aspiram palavras censuradas
ou sem criação.
Desenredam subindo falésias perdidas
ambicionando a concepções sumidas
de mil tons de treva.
Presos no calabouço da repetição,
crêem-se em algo superior
ao que sentem,
escrevem maior
do que eles são.
Helena Couto- Poesia, 5º Escalão, 2º lugar
Clube de Poesia e Reflexão Filosófica, Jogos Florais 2009