INDO EU, INDO EU A CAMINHO DE VISEU
Quando ouvimos falar em Viseu recorrentemente pensamos na cidade perdida entre os montes e montanhas da Beira Alta. Recorrentemente lembramo-nos de uma cidade histórica mas sem grande importância no contexto nacional. A verdade é que Viseu lidera um distrito com 24 concelhos – o maior do país – e não, não é uma velha cidade assolada pelo despovoamento.
As ideias que geralmente temos de Viseu são, provavelmente, erradas. Enganamo-nos pela falta de menção, pelas poucas coisas que giram em torno desta cidade. É certo que não é uma cidade universitária como Coimbra, ou a terra dos Arcebispos como Braga. Não tem nenhum projecto de ampliação aeroportuário como Beja nem é de longe paragem da alta velocidade, como Évora. A sua romanidade perdura na Cava de Viriato, este nobre Lusitano que destas terras fez pátria. A idade média chegou e viu crescer a Sé, as Muralhas e as velhas casas que hoje se debruçam sobre as tortuosas ruas do Centro Histórico. De facto tudo parece História em Viseu. Mas a modernidade também aqui vive. A aposta na modernização da cidade, sem, porém, descurar a nobreza histórica, é notável. Foi, aliás, recentemente inaugurado um funicular a ligar o largo da famosa Feira de São Mateus – com anos sem fim de edições – à velha Sé. Este é, no entanto, o único transporte ferroviário da cidade. A extinção das linhas do Dão e do Vouga encerram por definitivo a ligação da cidade ao resto do país ferroviário. Estes encerramentos foram, como muitos levados a cabo pelo último governo de Cavaco Silva, limitadores para o desenvolvimento da região. No seu total concelhio Viseu apresenta cerca de100.000 habitantes dos quais metade vive na cidade em si. Este centésimo de portugueses que aqui vive augura pelo comboio cuja discussão promete intensificar-se. Politicas à parte, o coração do Cavaquistão tem muito que agradecer ao actual edil, Dr. Fernando Ruas, cuja cara reconhecemos não só como Presidente da Câmara mas também por liderar a Associação Nacional de Municípios – ANMP.
Viseu apresenta-se como a grande capital do centro por onde tudo passa mas nada é decidido. A relevância de Coimbra impede Viseu de crescer administrativamente. Falta-lhe uma PJ e uma Universidade Pública. A história conta, ainda, que por muitos anos este distrito teve sede em Lamego – cidade de história ímpar e de religiosidade assinalável – e cuja mudança para Viseu se deveu à centralidade. Centralidade que é relevada pela passagem das auto-estradas A24 – ainda em fase de estudo a extensão a Coimbra – e A25 – o antigo e mortal IP5.
Economicamente a influência de Viseu ultrapassa a cintura mais próxima de concelhos e mesmo o distrito. O novo Palácio do Gelo – segundo maior centro comercial nacional: 3000 empregos, 8 pisos, 164 lojas e um investimento de 120 milhões de Euros –, o Fórum Viseu e toda a nova imagem oferecida pelo Programa Polis Viseu acalentam a vontade de desenvolvimento da cidade. Acresce ainda o facto de aqui estar sediada a Visabeira, empresa de crescimento evidente. A sustentabilidade é notória nesta cidade, o equilíbrio entre o património edificado e os espaços verdes elevam a cidade e conferem-lhe um novo estatuto na região e no país. Viseu tem futuro e será cada vez mais a nova grande cidade portuguesa. Viseu promete!
Valentino Cunha