SOL

Meninos do Coro

OUSA PENSAR (SAPERE AUDE) Immanuel Kant
Inveja q.b.

Se é português e está a ler isto, peço desde já desculpas. Desculpas pelo que penso e acho deste povo que sendo meu, não me é reconhecível. O povo português é um povo invejoso. Pena, sinto eu, ao dizer isto. Mas digo-o, e reafirmo tantas vezes quantas necessárias para clarificar a minha mensagem: O POVO PORTUGUÊS É INVEJOSO.

Mas criticar sem argumentar não é criticar, é falar. Proponho-me, desculpas aceites penso, a explicar o meu julgamento.

Hoje andava eu a passear-me nos jornais online e quando cheguei ao Sol deparei-me com um dos muitos artigos sobre o conhecido processo “Face Oculta”. Este processo tem, aliás, dominado os telejornais e os jornais do nosso país. Li o artigo para ver que ramo do nosso Estado os senhores jornalistas tinham acabado de condenar: EDP. E lanço aqui o primeiro aviso: se é socialista e empresário e obteve recentemente licença para construir a sua moradia, é bem provável que dentro de umas semanas seja referido pelo jornal Sol. E permitam-me que faça aqui já uma declaração de interesses muito clara: sou socialista! Sou-o, e sempre serei, por acreditar nos ideias socialistas, na combinação harmoniosa da iniciativa económica privada e pública, na igualdade e na liberdade, na democracia e na dignidade humana. Mas acredito que acabei de condenar a minha pessoa, e estou condenado por ser socialista, e aqui está uma inveja portuguesa. Se o governo faz algo bem, ninguém reconhece, mas, se pelo contrário, erra, cai o Carmo e a Trindade.

Falava há dias, com alguém, que em Portugal as pessoas competentes que queiram trabalhar mais do que o normal são imediatamente rotuladas de “lambe-botas”, “graxista” e de outros adjectivos desagradáveis. A resignação portuguesa envergonha-me enquanto cidadão e insulta-me. Insulta-me porque recebo o rótulo de outros tantos, porque sou inserido num povo, que tendo imensas virtudes, só faz sobressair os defeitos.

Voltando um pouco atrás, no referido artigo do Sol, li um comentário de uma senhora que falava acerca da contratação de um psicólogo para a sua escola, onde ela fazia serviço voluntário. Em acréscimo, disse que o referido psicólogo era filho da ministra da Saúde, Dr.ª Ana Jorge. Inveja. Dói-me, seriamente, a alma sempre que oiço alguém insinuar que a contratação de algum filho de um qualquer governante nunca é honesta. Suponhamos que eu sou filho de um ministro e que passei dezasseis anos a estudar para Economia. É-me vedado, permanentemente, o acesso a instituições públicas de forma honesta? Deixo de ser merecedor que um qualquer cargo? Perco o mérito? Triste povo este que não tendo, inveja quem tem.

O meu pai é electricista e a minha mãe sopeira, tenho mais mérito por isto? 

Mais abaixo, nos comentários, uma senhora, no seu português trapalhão, criticava o jeito português de tratar os doutores por “Doutor” e os engenheiros por “Engenheiro”. Inveja. Pergunto, a mim, a todos e em especial àquela senhora, se não é o dito engenheiro merecedor do título que ostenta? Não deve, o referido Senhor Doutor, ser assim tratado? Tratar-se-á o Senhor Doutor da mesma forma que se trata uma secretária de escritório (sem ofensa)? Serão iguais aqueles que se distinguem pelo mérito? Voltamos à velha mania portuguesa de invejar o mérito alheio. E, parafraseando Felizmente há Luar, um país onde não se trate um presidente igual a um cantoneiro, não é um país onde em queira viver. Acima de tudo, fala-se em respeito. Critica-se o mau estado da educação mas olhemos para como o título de “Professor” tem perdido importância. Ainda acreditam que a culpa é só dos alunos? Quer a sociedade continuar a culpabilizar as mais novas gerações? Aquelas que aprendem com os maus vícios da sociedade dita “adulta”?

Sim, fala um reles estudante, um comum português, mas perdoe-me a outra senhora, um dia serei “Doutor” e merecerei esse título porque me esforcei para obter. Não serei mais nem menos digno que outros portugueses, não terei mais nem menos direitos, mas não farão do meu título, ou do título de qualquer um, uma razão de chacota. Triste povo este…

Os meus objectivos são claros, e expresso-os perante todos: um dia quero ser primeiro-ministro. Que se lixe o dinheiro (ganharia decerto mais numa empresa privada), que se lixe o prestígio (muitos PM não saem com boa imagem) e que se lixe a reforma vitalícia (mais importante que o futuro é o presente). Um dia serei primeiro-ministro, não por isto que eu quero que se lixe, mas por tudo aquilo que está mal e quero mudar. Uma frase que me marcou muito li-a eu no blog do contracorrente e era mais ou menos o seguinte: “Quem manda dá ordens; quem comanda dá o exemplo”. Eu quero comandar!

Acabo, este pequeno desabafo. Talvez leia e lhe passe. Talvez possa pensar na sua atitude. Será que é também um dos muitos invejosos que destrói, dia após dia, este povo corajoso e bravo? Ou é a esperança de que o amanhã seja nada mais que uma vitória sobre as trevas passadas enfim, uma vitória do que é realmente o ser português?

Peço desculpa por algumas incoerências mas, quando se escreve o que realmente se sente, é difícil fazer emendas.

 

Valentino Salgado Cunha, 12.ºB 

Posted: sexta-feira, 12 de Março de 2010 18:26 por meninosdocoro
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Comentários

desabafosdaminda said:

ola valentino...

fico a espera de poder votar em ti!

beijinhos

minda

# Março 14, 2010 19:58

meninosdocoro said:

olá minda,

ninguém ganha eleições sozinho e cada voto é por isso importante, mas acima de todo o mais importante é que as pessoas comecem a olhar para a política de outra forma. Não apenas gente que quer ganhar algum dinheiro mas gente que quer servir o seu país e o seu povo.

obrigado.

Valentino

# Março 14, 2010 22:16

justos said:

Compreendo alguns dos teus desabafos, mas não compreendo como queres ser primeiro-ministro com palavras como estas "Triste povo este?". O país não precisa de analistas e comentadores políticos, o país precisa de estadistas e de patriotas, que sejam humildes e que queiram servir o país da melhor forma. E se é esse caminho que tu queres seguir, tens que ser isento e saber reconhecer que o actual governo e os anteriores têm falhado e muito. Se gostas do socialismo, então deverás estar desiludido com este governo que se desvia do socialismo, como o diabo foge da cruz! Hoje em dia já não existem doutrinas, existem interesses pessoais e de várias identidades que controlam a nossa sociedade. É preciso romper, é preciso humildade. E é preciso realçar aquilo que de melhor existe no nosso país! É por aí que penso que deves começar! E não te esqueças, não podes condenar os outros pelos seus comentários e ficares tão indignado, se tu não fores minimamente isento, pois "puxar a brasa à nossa sardinha" é sempre o mais fácil. O díficil, é reconhecer a verdade e respeitá-la!!

Justos.

# Março 31, 2010 14:28

meninosdocoro said:

olá justos,

Estadistas humildes? Não estou a ser humilde ao dizer "triste povo este"? Cabe a um patriota não só assinalar os erros mas também procurar as soluções. E se calhar todos os problemas nacionais são já crónicos, eis que urge mudar a génese deste povo e deste país. Primeiro reconhecemos que algo está mal e depois partimos para a árdua tarefa de liderar o país até à bonança. Talvez haja pontos em que o actual governo se desvie da matriz socialista, mas sejamos claros. Decerto tudo seria diferente se o contexto não fosse este. Como é sabido em tempos de crise os governos tendem em desviar-se para a direita, o pior é que estamos em crise há imenso tempo. E ser isento não é não ter opinião. Todos temos o direito de nos expressarmos e eu aceito os comentários das outras pessoas, simplesmente posso não concordar. O que foi o caso.

Talvez possa dizer que daqui a uns anos, falaremos.

Valentino

# Abril 1, 2010 18:12
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