De novo os Judeus
Talvez o título não seja o mais correcto mas expressa a mais óbvia verdade. Sim, de novo os Judeus. Obviamente falo do longo conflito entre Israel e a Palestina. Um quebra-cabeças político e religioso numa região tão crítica e sensível como é o Médio Oriente. Tento, em vão, ficar imparcial nesta disputa, mas não consigo. Todos os esforços em compreender Israel resultam numa única conclusão: foi uma perda de tempo. A verdade é que desde 1948, e desculpem-me as almas ofendidas, Israel ocupa um terreno que não é seu. Ora, muito por culpa da Igreja Católica o mundo criou um estigma enorme à volta dos judeus, ou por serem aqueles que meteram Cristo na Cruz (se a minha memória dos remotos tempos de Catequese não me falha) ou por outras contendas e intrigas. Mas que direito especial haverá aquele povo de ter para assumir o direito a expulsar de suas casas, a impor a uma vasta região, uma nova identidade, uma nova bandeira e, acima de tudo, uma nova religião? Que direito terão as superpotências mundiais tido em expulsar milhares de muçulmanos de suas casas? Ter-se-ão aproveitado do sentimento mundial de pena edor com as vítimas do Holocausto? Ou simplesmente terão os grandes judeus do sistema financeiro e político feito uns telefonemas, atropelando umas pessoas e esquecendo uns direitos?
Mas nem tudo se resume ao nascimento do estado de Israel. Vê-se, aliás, nas ruas daquele país, que não corresponde exactamente a uma nação, a agitação de bandeiras nazis como que apelidando as suas atitudes ou melhor, como que assimilando as suas atitudes às do Terceiro Reich, dos quais foram vítimas. Ter-se-ão eles esquecido da História? Do seu passado? Ou simplesmente tanto como os alemães os viram como povo inferior, assim vêm eles os muçulmanos?
Depois de muito pensar, de tentar compreender o conflito, só tenho uma certeza. Hoje apoio incondicionalmente a Palestina democrática, o estado que foi abortado, murado e escorraçado da sua pátria. Uma nação sem país e um país sem nação. Para quando a convivência? Para quando o fim das hostilidades judaicas? Para quando o fim do Reich que eles construíram sobre a estrela de David? Não terão bastado as tentativas (felizmente frustradas) de conquista de terras do Egipto, da Jordânia, da Palestina, da Síria e do Líbano? Mal estaria o mundo se a cada estado fosse dado o pedaço de terra onde se fez História. O mundo é, no fundo, um série de inconstâncias, os países nascem e morrem, as vidas passam e só a História fica, e só a História resiste a todas as mudanças. Seja em Portugal ou em Angola, Israel ou Palestina, Alemanha ou Polónia. O hoje é o importante e basta Israel deixar os tiques imperialistas, a ira anti-muçulmana e a vontade expansionista que todo o Mundo apoiará Israel.
Viva Israel! Viva a Palestina!
Valentino Salgado Cunha