Talvez o título não seja o mais correcto mas expressa a mais óbvia verdade. Sim, de novo os Judeus. Obviamente falo do longo conflito entre Israel e a Palestina. Um quebra-cabeças político e religioso numa região tão crítica e sensível como é o Médio Oriente. Tento, em vão, ficar imparcial nesta disputa, mas não consigo. Todos os esforços em compreender Israel resultam numa única conclusão: foi uma perda de tempo. A verdade é que desde 1948, e desculpem-me as almas ofendidas, Israel ocupa um terreno que não é seu. Ora, muito por culpa da Igreja Católica o mundo criou um estigma enorme à volta dos judeus, ou por serem aqueles que meteram Cristo na Cruz (se a minha memória dos remotos tempos de Catequese não me falha) ou por outras contendas e intrigas. Mas que direito especial haverá aquele povo de ter para assumir o direito a expulsar de suas casas, a impor a uma vasta região, uma nova identidade, uma nova bandeira e, acima de tudo, uma nova religião? Que direito terão as superpotências mundiais tido em expulsar milhares de muçulmanos de suas casas? Ter-se-ão aproveitado do sentimento mundial de pena edor com as vítimas do Holocausto? Ou simplesmente terão os grandes judeus do sistema financeiro e político feito uns telefonemas, atropelando umas pessoas e esquecendo uns direitos?
Mas nem tudo se resume ao nascimento do estado de Israel. Vê-se, aliás, nas ruas daquele país, que não corresponde exactamente a uma nação, a agitação de bandeiras nazis como que apelidando as suas atitudes ou melhor, como que assimilando as suas atitudes às do Terceiro Reich, dos quais foram vítimas. Ter-se-ão eles esquecido da História? Do seu passado? Ou simplesmente tanto como os alemães os viram como povo inferior, assim vêm eles os muçulmanos?
Depois de muito pensar, de tentar compreender o conflito, só tenho uma certeza. Hoje apoio incondicionalmente a Palestina democrática, o estado que foi abortado, murado e escorraçado da sua pátria. Uma nação sem país e um país sem nação. Para quando a convivência? Para quando o fim das hostilidades judaicas? Para quando o fim do Reich que eles construíram sobre a estrela de David? Não terão bastado as tentativas (felizmente frustradas) de conquista de terras do Egipto, da Jordânia, da Palestina, da Síria e do Líbano? Mal estaria o mundo se a cada estado fosse dado o pedaço de terra onde se fez História. O mundo é, no fundo, um série de inconstâncias, os países nascem e morrem, as vidas passam e só a História fica, e só a História resiste a todas as mudanças. Seja em Portugal ou em Angola, Israel ou Palestina, Alemanha ou Polónia. O hoje é o importante e basta Israel deixar os tiques imperialistas, a ira anti-muçulmana e a vontade expansionista que todo o Mundo apoiará Israel.
Viva Israel! Viva a Palestina!
Valentino Salgado Cunha
Se é português e está a ler isto, peço desde já desculpas. Desculpas pelo que penso e acho deste povo que sendo meu, não me é reconhecível. O povo português é um povo invejoso. Pena, sinto eu, ao dizer isto. Mas digo-o, e reafirmo tantas vezes quantas necessárias para clarificar a minha mensagem: O POVO PORTUGUÊS É INVEJOSO.
Mas criticar sem argumentar não é criticar, é falar. Proponho-me, desculpas aceites penso, a explicar o meu julgamento.
Hoje andava eu a passear-me nos jornais online e quando cheguei ao Sol deparei-me com um dos muitos artigos sobre o conhecido processo “Face Oculta”. Este processo tem, aliás, dominado os telejornais e os jornais do nosso país. Li o artigo para ver que ramo do nosso Estado os senhores jornalistas tinham acabado de condenar: EDP. E lanço aqui o primeiro aviso: se é socialista e empresário e obteve recentemente licença para construir a sua moradia, é bem provável que dentro de umas semanas seja referido pelo jornal Sol. E permitam-me que faça aqui já uma declaração de interesses muito clara: sou socialista! Sou-o, e sempre serei, por acreditar nos ideias socialistas, na combinação harmoniosa da iniciativa económica privada e pública, na igualdade e na liberdade, na democracia e na dignidade humana. Mas acredito que acabei de condenar a minha pessoa, e estou condenado por ser socialista, e aqui está uma inveja portuguesa. Se o governo faz algo bem, ninguém reconhece, mas, se pelo contrário, erra, cai o Carmo e a Trindade.
Falava há dias, com alguém, que em Portugal as pessoas competentes que queiram trabalhar mais do que o normal são imediatamente rotuladas de “lambe-botas”, “graxista” e de outros adjectivos desagradáveis. A resignação portuguesa envergonha-me enquanto cidadão e insulta-me. Insulta-me porque recebo o rótulo de outros tantos, porque sou inserido num povo, que tendo imensas virtudes, só faz sobressair os defeitos.
Voltando um pouco atrás, no referido artigo do Sol, li um comentário de uma senhora que falava acerca da contratação de um psicólogo para a sua escola, onde ela fazia serviço voluntário. Em acréscimo, disse que o referido psicólogo era filho da ministra da Saúde, Dr.ª Ana Jorge. Inveja. Dói-me, seriamente, a alma sempre que oiço alguém insinuar que a contratação de algum filho de um qualquer governante nunca é honesta. Suponhamos que eu sou filho de um ministro e que passei dezasseis anos a estudar para Economia. É-me vedado, permanentemente, o acesso a instituições públicas de forma honesta? Deixo de ser merecedor que um qualquer cargo? Perco o mérito? Triste povo este que não tendo, inveja quem tem.
O meu pai é electricista e a minha mãe sopeira, tenho mais mérito por isto?
Mais abaixo, nos comentários, uma senhora, no seu português trapalhão, criticava o jeito português de tratar os doutores por “Doutor” e os engenheiros por “Engenheiro”. Inveja. Pergunto, a mim, a todos e em especial àquela senhora, se não é o dito engenheiro merecedor do título que ostenta? Não deve, o referido Senhor Doutor, ser assim tratado? Tratar-se-á o Senhor Doutor da mesma forma que se trata uma secretária de escritório (sem ofensa)? Serão iguais aqueles que se distinguem pelo mérito? Voltamos à velha mania portuguesa de invejar o mérito alheio. E, parafraseando Felizmente há Luar, um país onde não se trate um presidente igual a um cantoneiro, não é um país onde em queira viver. Acima de tudo, fala-se em respeito. Critica-se o mau estado da educação mas olhemos para como o título de “Professor” tem perdido importância. Ainda acreditam que a culpa é só dos alunos? Quer a sociedade continuar a culpabilizar as mais novas gerações? Aquelas que aprendem com os maus vícios da sociedade dita “adulta”?
Sim, fala um reles estudante, um comum português, mas perdoe-me a outra senhora, um dia serei “Doutor” e merecerei esse título porque me esforcei para obter. Não serei mais nem menos digno que outros portugueses, não terei mais nem menos direitos, mas não farão do meu título, ou do título de qualquer um, uma razão de chacota. Triste povo este…
Os meus objectivos são claros, e expresso-os perante todos: um dia quero ser primeiro-ministro. Que se lixe o dinheiro (ganharia decerto mais numa empresa privada), que se lixe o prestígio (muitos PM não saem com boa imagem) e que se lixe a reforma vitalícia (mais importante que o futuro é o presente). Um dia serei primeiro-ministro, não por isto que eu quero que se lixe, mas por tudo aquilo que está mal e quero mudar. Uma frase que me marcou muito li-a eu no blog do contracorrente e era mais ou menos o seguinte: “Quem manda dá ordens; quem comanda dá o exemplo”. Eu quero comandar!
Acabo, este pequeno desabafo. Talvez leia e lhe passe. Talvez possa pensar na sua atitude. Será que é também um dos muitos invejosos que destrói, dia após dia, este povo corajoso e bravo? Ou é a esperança de que o amanhã seja nada mais que uma vitória sobre as trevas passadas enfim, uma vitória do que é realmente o ser português?
Peço desculpa por algumas incoerências mas, quando se escreve o que realmente se sente, é difícil fazer emendas.
Valentino Salgado Cunha, 12.ºB
Esqueceram-se a estribeiras
Correm agora selvagens...
Fazem do medo e perigo: cabaré
Guerra sem cor nem amor
Do coração da multidão em fúria
Resta-me o ocaso, conheço-o como é
Luta de uma vida
Que percuta
Que luta, luta...
E reluta
De cabeça erguida
Pelo próximo
Pela paz
Pelo Deus
Deus....que deixou o deserto
De sangue
De ódio
De angustia,
Coberto?
O manto de pouca esperança
Envolve-lhes a alma
Cegando a tristeza, que numa dança
Gira e rodopia
Até não restar ninguém mais
Que não dance
A dança que nascia
Com tempo para durar
Que ninguém queria bailar
A dança da pouca esperança
Procuram luz nas pequenas coisas
Que se perdem no escuro da noite
Uma palavra
Um gesto
Um olhar
Que faça parar a musica
Cantada agora em Dó
Encontram...
Quebram-se as cordas
Do violino que disparava
Cada nota ardida
Decoram a melodia do silencio
Tão merecida
É o ritmo depois da balada:
baila quem perdeuo par
Mas não vai durar
O violino será violoncelo
E a melodia enaltecerá
Até não restar
Ninguém para dançar
A dança da pouca esperança
Vanda Paixão
NAS TERRAS DO GRANDE LAGO
Toda a gente em Portugal, e além fronteiras decerto, conhece a vitoriosa e intransponível vila de Monsaraz. Menos conhecida é, porventura, a sede do seu concelho, Reguengos de Monsaraz. A recente Cidade de Reguengos de Monsaraz cresce a olhos vistos na zona do Alqueva. A sua proximidade com Évora – 33 km. – e os desenvolvimentos prometidos para o grande lago, pressagiam o crescimento sustentável da cidade, do concelho e, acima de tudo, do seu turismo. Reguengos, terra de bom vinho,contraria a tendencial de despovoamento do Interior de Portugal.
A vila de Monsaraz, bem perto da albufeira, vive enclausurada mas velhas muralhas que do alto daquela colina asseguraram, durante anos e anos, a independência e a paz de Portugal. Antigo é, também, o magnifico fresco do “Bom e Mau Juiz” que retrata a tão antiga corrupção. Valoroso povo que ali viveu, que morreu para que mais não perecessem. As muralhas, o castelo, os baluartes e as ruas. Tudo conta uma história distinta e cada pedra que pisamos, pedra pisada por outros milhares, dá-nos a sensação do passado Português. Sejam mouros ou castelhanos, franceses ou leoneses, o que é certo é que Monsaraz nunca desiludiu e, naquela vila, sempre se soube e sempre se saberá que “antes morrer livre que em paz sujeito”.
Prova de antiguidade na região da vila de Monsaraz – que até 1838 sediava o concelho– é os complexos arqueológicos: menires, cromeleques, antas e outros vestígios dos povos da antiguidade.
Dirigindo-nos em direcção à cidade passamos na localidade de S. Pedro de Corval. Conhecido como o maior centro de olaria de Portugal – que conta com 26 olarias –, esta terra mostra o que de melhor se faz nestas terras de Reguengos. As mãos moldam magnificas peças barrentas que vislumbram e embelezam.
De volto à cidade olhamos os vestígios, na zona oeste, do caminho de ferro. No centro o deslumbre é completo com a Igreja Matriz. De estilo arrojado, inovador e esbelto, esta igreja domina a praça principal da cidade. Do outro lado a Câmara Municipal, também diferente no seu estilo, sede do poder local neste concelho que desde as primeiras eleições livres permanece governada por gente socialista. Durante anos foi o único concelho do Distrito de Évora não-comunista. Todo o desenvolvimento de Reguengos deve-se a um homem, aquele que durante 33 anos liderou a vila, e desde 2004 cidade, para o desenvolvimento e crescimento. Esse homem, Vítor Martelo, conhecedor de realidade, guarda o respeito de todos os reguenguenses e de todos os que, não vivendo lá, lhe dão valor. Mesmo tendo deixado a presidência nas eleições do ano passado, Vítor Martelo continua a ser um exemplo para muitos autarcas.
Estas terras, férteis, são local de passagem, de paragem e de desfrute. Reguengos promete surpreender. Não perca Reguengos de Monsaraz!
A electricidade vertiginosa do pensamento escorre-lhe pela ponta dos dedos enquanto folheia. Um personagem às portas da morte e a pressa cega-lhe a obrigação de ler ininterruptamente. A leitura enfeitiçada despreza o cheiro do mar, as cores da paisagem e os infinitos horizontes enumerados. Adiante, adiante…Os sons de um quase fim-do-mundo quebram o silêncio da mente, agitada; camuflam o virar frenético das páginas. O encanto em estilo de torpor de um quase lá, quase lá. Saltar mais algumas. Mais mar. Outro dos infinitos horizontes. O chato. Os dois chatos. Andando, andando. Saltando mais. A revolta da urgência arranca-lhe a percepção de ordem e quebra a quietude do livro. O poder arrogante do enredo não o deixa continuar. Uma página folheada, quase quase, outra pagina, oh!, outra ainda e a descoberta por fazer, já feita, entreabriu nova urgência. Saltem-se várias de uma só vez. Porque o herói prestes a morrer, o reencontro prestes afazer-se, a intriga quase divulgada imploram pelo fim, um quase fim. As queficaram para trás serão decifradas mais tarde [talvez nunca], quando aelectricidade tiver sugado irreversivelmente o desassossego, quando acuriosidade se tiver afogado no gosto prazenteiro mas calmo da leitura, maisuma vez, e restem apenas sobras do desejo sereno de continuar a ler, sem saltá-las. Até que tudo recomeça. E o quase-quase do só-mais-esta volta a ser tão legítimo como antes. E saltam-se mais páginas.
Helena Couto
LISBOA, MENINA E MOÇA
Em Lisboa tudo me encanta. Encantam-me os mármores, encantam-me as pessoas, encantam-me as ruas, os eléctricos, as bandeiras e o castelo. Lisboa é tudo, é fulgor e é vida. Surge-nos, tantas e tantas vezes, a ideia de uma Lisboa barulhenta, embrenhada numa caótica força de viver, na pressa e no cansaço. De facto, durante o dia a população de Lisboa chega a triplicar. Cidade de coração desértico, sempre foi – e provavelmente será – a principal porta de entrada de Portugal. E que entrada!
No Castelo deslumbro a cidade, as colinas envolventes, a multidão que desce a Rua Augusta, avisto além de Monsanto, a margem Sul, uma cidade que tem, em cada esquina, uma história. De lendas e factos, Lisboa traçou irremediavelmente o nosso destino comum. A sua história é indissociável da História de Portugal. Se há justificação para a capitalidade de Lisboa, essa justificação está na grandiosidade do passado, na certidão do presente e nas perspectivas do futuro.
Em Alfama tudo se compõem num vistoso quadro característico. O Bairro Alto vive sobre as populares ruelas apinhadas de gente no calor da noite lisboeta. Encalhada no meio destas duas colinas vive a Baixa. Ortogonal, a Baixa mostra a Lisboa grandiosa, magnânima dos tempos áureos do passado. O arco da Rua Augusta impõe-se na moldura da Praça do Comércio e olha, juntamente com D. José, o Tejo. Tejo esse que é o sangue de Lisboa. Toda a sua história se deve àquele rio. Subimos as ruas da Baixa e entramos no Rossio. A estação, o Teatro Nacional, toda aquela beleza passa indiferente aos olhos dos lisboetas. Apressados no entra e sai do autocarro, mal têm tempo de olhar para os Restauradores, ou para as belezas da Avenida da Liberdade. Visto do alto do Parque Eduardo VIII, Lisboa é um mosaico arquitectónico. Olha-se o Rio, por entre o Marquês e o Rossio. Vê-se a modernidade das Amoreiras e espreita-se o Rato.
No Vale de Alcântara somos engolidos pelo Aqueduto das Águas Livres e dirigimo-nos, sob o olhar altivo da Ponte 25 de Abril, para o local onde a História se fez: Belém. O calcário esbranquiça o horizonte. Num silêncio, respeitosamente guardado pela multidão, vela-se Camões e Vasco da Gama. Aquele que cantou e o que foi cantado descansam, eternamente, no Mosteiro dos Jerónimos. A Pátria lhes presta homenagem, assim como cada português. Na Torre de Belém, construção manuelina e antiga, ou no Padrão dos Descobrimentos, resto da Exposição do Império nos anos 40, debruçamo-nos, mais uma vez, sobre o rio. O Império Português não morreu nem nunca morrerá porque enquanto por esse mundo fora se falar Português, o Império viverá. Afinal que fomos nós senão meros exportadores da nossa cultura? E sobre o olhar da bandeira, e bem perto do chefe do Estado Português, abandonamos Belém rumo a Norte.
No pulmão de Lisboa respiramos bem fundo. Passado Monsanto chegamos a Benfica, um característico e afamado bairro lisboeta. Seja o Estádio da Luz seja o Colombo, a verdade é que em Benfica muito se passa. Lisboa não se resume à Baixa ou, no máximo, à cidade interior à Segunda Circular, Lisboa é tudo, não tem centro. Passado o Campo Grande e o Estádio José Alvalade, ficamos no Aeroporto – com os dias contados é certo mas que durante anos permitiu o desenvolvimento da capital – e chegamos à nova Lisboa. A cidade renasceu ali, no Parque das Nações.
Por tudo o que Lisboa é e por tudo o que os lisboetas são, este texto é uma insignificante descrição da cidade.
Em Lisboa tudo me encanta!
Valentino Cunha
O significado de alfabetização é mais que, utilizando-a, uma palavra formada, que espelha a própria prática. Do puzzle alfabético que construímos e aperfeiçoamos desde (e para) sempre, nascem valores e direitos que todo o ser pensador deve ter direito a proclamar. Nos espaços e entre linhas de cada composição escrita ou lida vagueiam a liberdade a segurança, tão discretas, moldando a existência de quem as sente.
Dessa liberdade e segurança nascem, impressas em volumes de páginas, ideias alfabetizadas, num ciclo de conhecimento que começa no fim de cada ideia e termina no inicio de cada página.
Convertidas em frames per second, tais obras são projectadas nas grandes telas.
Vemos todo este enredo, numa perspectiva contrária, onde a vergonha e o segredo são protagonistas, no “O Leitor”. Com o pós-guerra como pano de fundo, numa introspectiva ao próprio conceito, a alfabetização é o grande ponto de toda a história. Uma vida esculpida de oportunidades perdidas e mentiras contadas. Numa paixão, à partida por interesse, são encontrados os valores quese perdem ao não saber representar por letras o pensamento, nem ler os de outrem.
A omissão de tal facto foi levada ao limite, num acumular de consequências que despoletam, no final, a condenação perpétua, não ao mundo odiento atrás das barras proibitivas da prisão, que nada são, comparadas à privação que a analfabetismo carrega, mas à secreta e eterna mágoa e vergonha, que com a força da paixão que, se antes por interesse, agora por saudade, se desvanecem nas primeiras e ultimas linhas escritas por uma mulher que acabou livre.
Vanda Paixão
Apresentamos hoje, em forma de presente de dia de Reis, uma nova rubrica. Para os que se deixam envolver pela atmosfera da 7º arte, e para os que, de hoje em diante, serão por ela cativados, desenvolvemos uma rubrica que aborda vários aspectos da arte cinematográfica, perspectivados de diversos ângulos, relacionando-os com o dia-a-dia. Esta produção consta da relação de filmes e datas comemorativas que a esses se podem associar, tendo como objectivo mostrar, além da faceta utópica que o cinema comporta, o espelhar e sensibilizar da realidade de que é capaz.
INDO EU, INDO EU A CAMINHO DE VISEU
Quando ouvimos falar em Viseu recorrentemente pensamos na cidade perdida entre os montes e montanhas da Beira Alta. Recorrentemente lembramo-nos de uma cidade histórica mas sem grande importância no contexto nacional. A verdade é que Viseu lidera um distrito com 24 concelhos – o maior do país – e não, não é uma velha cidade assolada pelo despovoamento.
As ideias que geralmente temos de Viseu são, provavelmente, erradas. Enganamo-nos pela falta de menção, pelas poucas coisas que giram em torno desta cidade. É certo que não é uma cidade universitária como Coimbra, ou a terra dos Arcebispos como Braga. Não tem nenhum projecto de ampliação aeroportuário como Beja nem é de longe paragem da alta velocidade, como Évora. A sua romanidade perdura na Cava de Viriato, este nobre Lusitano que destas terras fez pátria. A idade média chegou e viu crescer a Sé, as Muralhas e as velhas casas que hoje se debruçam sobre as tortuosas ruas do Centro Histórico. De facto tudo parece História em Viseu. Mas a modernidade também aqui vive. A aposta na modernização da cidade, sem, porém, descurar a nobreza histórica, é notável. Foi, aliás, recentemente inaugurado um funicular a ligar o largo da famosa Feira de São Mateus – com anos sem fim de edições – à velha Sé. Este é, no entanto, o único transporte ferroviário da cidade. A extinção das linhas do Dão e do Vouga encerram por definitivo a ligação da cidade ao resto do país ferroviário. Estes encerramentos foram, como muitos levados a cabo pelo último governo de Cavaco Silva, limitadores para o desenvolvimento da região. No seu total concelhio Viseu apresenta cerca de100.000 habitantes dos quais metade vive na cidade em si. Este centésimo de portugueses que aqui vive augura pelo comboio cuja discussão promete intensificar-se. Politicas à parte, o coração do Cavaquistão tem muito que agradecer ao actual edil, Dr. Fernando Ruas, cuja cara reconhecemos não só como Presidente da Câmara mas também por liderar a Associação Nacional de Municípios – ANMP.
Viseu apresenta-se como a grande capital do centro por onde tudo passa mas nada é decidido. A relevância de Coimbra impede Viseu de crescer administrativamente. Falta-lhe uma PJ e uma Universidade Pública. A história conta, ainda, que por muitos anos este distrito teve sede em Lamego – cidade de história ímpar e de religiosidade assinalável – e cuja mudança para Viseu se deveu à centralidade. Centralidade que é relevada pela passagem das auto-estradas A24 – ainda em fase de estudo a extensão a Coimbra – e A25 – o antigo e mortal IP5.
Economicamente a influência de Viseu ultrapassa a cintura mais próxima de concelhos e mesmo o distrito. O novo Palácio do Gelo – segundo maior centro comercial nacional: 3000 empregos, 8 pisos, 164 lojas e um investimento de 120 milhões de Euros –, o Fórum Viseu e toda a nova imagem oferecida pelo Programa Polis Viseu acalentam a vontade de desenvolvimento da cidade. Acresce ainda o facto de aqui estar sediada a Visabeira, empresa de crescimento evidente. A sustentabilidade é notória nesta cidade, o equilíbrio entre o património edificado e os espaços verdes elevam a cidade e conferem-lhe um novo estatuto na região e no país. Viseu tem futuro e será cada vez mais a nova grande cidade portuguesa. Viseu promete!
Valentino Cunha
Esta nova rubrica denominada "Pelos Caminhos de Portugal..."objectiva-se a dar a conhecer aos leitores um pouco deste nosso bonito país.Cantos escondidos, cidades perdidas no esquecimento colectivo, monumentos eimpressões despercebidas. Este Portugal, cujos caminhos trilharemos, não é utópiconem ilusionista, é o nosso verdadeiro e belo Portugal. Deixemo-nos deslumbrar.
É neste novo ano lectivo, que acaba de completar o primeiro de trêsperíodos, que retomamos a actividade deste blog. Igual na singularcriatividade, e vontade em revelá-la aos tão estimados ouvintes do nosso Coro, esteano o Meninos é dirigido por três novos maestros. Por questões relacionadas coma leccionação das aulas, a professora, até então responsável pelo blog,Georgina Pinto - a quem aproveitamos para agradecer o fantástico trabalhorealizado com os seus coristas - nãopode continuar a ministra-los. Sendo o significado e recordação de vários anosde imaginação convertidos em bonitas palavras, não podemos deixar que o Meninosdo Coro perca a sua voz. É, portanto, com júbilo que tomamos totalresponsabilidade por este blog, e nos comprometemos a continuar a cantar asmais belas melodias para os nossos ouvintes. Agradecemos a todos pela visita eesperamos que continuem a gostar e a comentar o Meninos do Coro.
Helena, Valentino e Vanda
Os poetas escondem-se
na penumbra do desespero fervoroso
que brota palavras em jeito de sons
de uma sinfonia desamparada, descompassada;
fazem-se da espera, da noite,
das luzes apagadas do
desconhecimento. Fervem-se
nos olhares, nos gestos descontrolados
de uma orbe disfarçada de vulgaridade;
crescem-se na carência,
temem o ar, a água
e o fogo da própria essência,
desesperam-se na impaciência
da busca dos significados;
resguardam-se nos Poetas que não são,
aspiram palavras censuradas
ou sem criação.
Desenredam subindo falésias perdidas
ambicionando a concepções sumidas
de mil tons de treva.
Presos no calabouço da repetição,
crêem-se em algo superior
ao que sentem,
escrevem maior
do que eles são.
Helena Couto- Poesia, 5º Escalão, 2º lugar
Clube de Poesia e Reflexão Filosófica, Jogos Florais 2009
Quarenta e um anos de Estado Novo, em Portugal, foram como que uma câmara de gás para a liberdade. Tal como os Judeus, que morreram e viram extinguir as suas ideias ou qualquer tipo de manifestações, a liberdade também sofreu um verdadeiro asfixiamento e repressão. 
Foram quarenta e um anos sem se poder fazer nada que se opusesse às ideias do regime. Compor músicas, escrever e editar livros, artigos ou textos ou até mesmo pronunciar as palavras “não concordo”, foram actos completamente aniquilados por aqueles que não concordavam com a extensão da palavra liberdade.
Mas quem pensa que o pior foi isto, está enganado! O pior é que o povo português evoluiu sem perceber o verdadeiro sentido do termo LIBERDADE, e tal como quando soltam um animal que está preso há muito tempo, o nosso povo também correu muito, correu esbaforido à procura de nada; e quando se apercebeu, já tinha ultrapassado uma série de limites fundamentais ao uso da Liberdade.
Ensinam-nos na escola, que a liberdade é a capacidade de fazermos aquilo que achamos certo e que verdadeiramente queremos, mas para isso, é preciso que não afectemos negativamente os outros, pois a nossa liberdade acaba, quando a do próximo começa. Aprendemos também que não vivemos sem os outros.
E foi aqui que as coisas começaram a correr mal. Após o 25 de Abril a vontade de dizer tudo, de fazer tudo e de querer tudo, tornou-se obsessiva e em vez de cultivarmos a liberdade como um bem essencial, denegrimos o verdadeiro significado desta dádiva.
Passámos a pensaar que podíamos fazer tudo o que nos apetece, mentir, manipular e vigarizar os outros, enganar o Estado… e esquecemo-nos do respeito pelos limites, olvidámos a velha máxima, “ a tua liberdade acaba, quando a do outro começa”.
Então, a liberdade começou a ser usada como pretexto para fazer tudo o que as pessoas ambicionavam. Tal como diz o poema “Cantiga de Maio” de Jorge de Sena, “Muitos correndo apressados/querem ter-te só p´ra si;/ e gritam tão de esganados/ só por tachos cobiçados/ e não por amos de ti”. Estes versos espelham o uso que é feito da capacidade de agirmos livremente, pois a maioria das pessoas age numa ganância de querer chegar a tudo, a todo o custo e usando qualquer método. E nem os fins nem os meios de tais comportamentos dizem a liberdade que podemos ser. Não se ama a liberdade no nosso país. E é triste. Para muitos a liberdade é a expressão do “deixa andar”, típico de tanta gente. Mas será que não há forma de travar esta atitude e estes abusos a que assistimos? 
Obviamente que há, chama-se Justiça e em pleno funcionamento assegura o viver em plenitude da Liberdade. Ou tenta assegurá-la.
Porém, tal como Clara Ferreira Alves refere num dos seus artigos, “ A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.” E é verdade. A justiça portuguesa permite que haja uma vergonhosa descredibilização do valor da liberdade, pois quem no nosso país infringe os limites normais impostos pela educação, pelas leis e por qualquer outro tipo de norma, consegue passar muitas vezes impune, ou então, assistimos a um escândalo ainda maior, que é o facto de essas pessoas nem irem a julgamento e os crimes prescreverem.
Com esta cultura de desresponsabilização das pessoas, deste típico “banho-maria” em que andam mergulhados os nossos valores, estamos perante a maior crise valorativa de sempre; e a situação tende a piorar.
Para quem andou de cravos postos em armas, fazendo uma Revolução que pretendia viver a Liberdade no sentido melhor da palavra, 35 anos depois, vimos que nos afastámos muito desse objectivo. E recordando novamente dois versos do poema “Cantiga de Maio” de Jorge de Sena, podemos perceber o quão frágil está a nossa LIBERDADE: “ Liberdade, liberdade,/ tem cuidado que te matam.”
Francisco da Fonseca Chambel, 12º B
Paráfrase
“Antes ser na Terra escravo de um escravo
Do que ser no outro mundo rei de todas as sombras”
Odisseia – Homero
Antes ser sob a terra abolição e cinza
Do que ser neste mundo rei de todas as sombras
O Nome das Coisas, Sophia de Mello Breyner Andresen,1973/74
Sábado, 30 de Maio de 2009
Ainda com os olhos semi-cerrados lá nos concentrámos frente ao portão da nossa escola. Não, não tivemos aulas nem foi nenhum encontro conspirativo. À nossa espera, um autocarro. Pequeno, é certo, mas confortável. E assim nos pusemos à estrada, destino certo mas desconhecido. As auto-estradas conduziam-nos alegremente na direcção da capital, discretos entre a multidão de carros. Mudámos de direcção mesmo antes da Ponte 25 de Abril, no sentido do primeiro destino, a Trafaria. Esta vila de pescadores pode não ter nada para ver, mas é certo que não íamos visitar monumentos. Encontrámos, enfim, o nosso professor de Educação Física perto da FCL que nos guiou até ao campo, no meio de uma pequena colina onde parecia não haver nada. Mas havia. E o melhor ainda estava
para acontecer.
O Paintball tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. E lá estávamos nós, o Professor Pedro Matos e a directora de turma que bem atentámos a participar e quisemos arrastar para o campo de Paintball. Mas nada. E nós que tínhamos umas contas a ajustar
. Mas enfim, ajustámo-las com o professor de Educação Física e vice-versa. Felizmente ele era da minha equipaJ. Baleados fortemente, sentiamos a fantástica adrenalina a subir em flecha. Vagueávamos pelo meio de silvados cruéis e campos minados mas conseguimos chegar, sãos e salvos, ao almoço. Um pouco improvisado, é certo, mas tudo foi uma aventura neste dia (era esse o nome da actividade: aventura).
À medida que o Sol se empertigava altivo, a sede pelas águas turbulentas da Caparica aumentava. Mal havíamos chegado à Praia da Cornélia já se tornava claro o principal motivo da nossa excitação: Surf. Mas antes de vestirmos os fatos, um banho de mar em conjunto. Risotas, mergulhos, matar sede de águas vivas.
Depois, foi vestir fatos e fazer o aquecimento. O que, além de necessário e útil, só aumentou o nosso suspense. “Finalmente!” pensávamos, chapinhando os pés na água. Já um pouco instruídos – pelo nosso professor Pedro – atirámo-nos às pranchas e domámos as ondas da Caparica. Foi um dia inesquecível. Cansativo é certo, mas reconfortante. Quebra de rotina necessária, novas experiência, sei lá que mais… E claro, finalizámos com um magnífico lanche, onde as cerejas do Miguel foram UM SUCESSO, e outro banho geral nas águas atlânticas. Nós e os nossos professores. Juntos e em harmonia.
E como, infelizmente para nós, e parece que para bem dele, o professor Pedro vai deixar a escola, desejamos-lhe felicidades e que nunca se esqueça destes alunos, como nós não vamos esquecê-lo. A todos os que nos têm acompanhado no nosso blog eu, como delegado do 11.ºA, agradeço a companhia, amizade e participação. Também nós não vamos esquecer. Um dia, ainda vão ouvir os nossos nomes na televisão J. Ou não…
Pedimos desculpa por qualquer coisinha e pelo atraso do artigo. MAS É QUE ANDÁMOS A ESTUDAR PARA OS EXAMES, que só acabaram ontem.
Boas férias a TODOS
Um abraço da turma do 11º A
E outro meu. Muito especial.
Valentino Cunha