SOL

Negociar

Publicação: 03 Setembro 10 10:00

Iniciam-se hoje novas negociações entre israelitas e palestinianos. É uma boa notícia? Depende de para quem.

Para Obama, é uma prenda. Com eleições à porta nos EUA e resultados medíocres no plano interno e nos teatros de guerra, os democratas precisam de mostrar, se não resultados, pelo menos promessas. Insistentemente, pressionaram Abu Mazen, Presidente da Autoridade Palestiniana, para negociar sem condições e este acabou por ceder. Durante meses, a Autoridade Palestiniana condicionara a sua presença à suspensão das acções de colonização. A pretensão não era excessiva. Com efeito, à luz do Direito Internacional, os territórios que Israel conquistou em 1967 são palestinianos. O seu povoamento com colonatos – ou seja, com cidades que exploram os meios rurais envolventes e os seus recursos, como a água e respectivas infra-estruturas viárias de ligação – é ilegal. A suspensão seria o sinal de que Telavive aceitava discutir não apenas a sua segurança, mas também a viabilização de um Estado palestiniano.

 

A boa vontade de Abu Mazen não foi premiada por Netanyahu. Bem pelo contrário, o primeiro-_-ministro israelita anunciou, horas antes do início das negociações, o prosseguimento da colonização...

E agora? Agora, nada.

 

Conversas envenenadas estão condenadas. A desigualdade das forças em presença também não ajuda. Um lado fala de cima da burra, das armas e da conivência dos EUA, enquanto o outro se encontra diminuído até na sua legitimidade interna. A decisão de abdicar das condições negociais levou os partidos palestinianos laicos, com excepção da corrente do Presidente, a Fatah, a assinarem uma declaração conjunta com o Hamas. Para agravar a situação, o partido islâmico regressou esta semana à luta armada, o que levará a novo endurecimento nas políticas de retaliação israelitas.

As boas notícias não abundam, portanto. O pano de fundo destas negociações sem destino são, de um lado, a ascensão da extrema-direita e dos religiosos em Israel – exigindo restrições à liberdade de manifestação – e, do outro lado, o endurecimento islamita – como a recente proibição de fumar nos cafés imposta às mulheres em Gaza o prova sem margem para dúvidas.

 

E, no entanto, o mundo move-se. Paradoxalmente, o fim do bloqueio a Gaza nunca esteve tão próximo. Ele será uma realidade no dia em que a União Europeia suspender os seus acordos com Israel e passar a boicotar a importação de produtos oriundos dos colonatos. A firmeza, mais do que negociações para os holofotes, daria o sinal correcto a quem resiste com meios pacíficos na Cisjordânia e se manifesta pela paz em Israel.

É da força desta convergência e das suas raízes nas respectivas sociedades que depende a vontade para um acordo justo e duradouro.

Comentários

# Liberdade said on Setembro 3, 2010 16:04:

Os territórios conquistados por Israel em 1967 foram-no como resultado de uma guerra lançada pelos seus vizinhos árabes unidos e militarmente mais fortes (embora notavelmente incompetentes).

Se Israel não tivesse vencido essa guerra de sobrevivência (em que não teve armamento americano mas francês), hoje não existiriam sequer vestígios desse país. E duvido que MP aqui estivesse hoje a lamentá-lo.

É por isso insuportável o cinismo, a hipocrisia e a desfaçatez com que, um pouco por todo o Mundo, se falam dos territórios ocupados, lamentando a ?sorte? dos palestinianos e esquecendo quem foram, em primeiro lugar, os responsáveis por essa mesma ocupação.

Enquanto os patetas que em Lisboa se passeiam com toalhas de mesa de xadrez ao pescoço pelo Chiado a criticar Israel falam de barriga cheia e seguros pelo poderio militar americano, os israelitas têm de lidar diariamente com terroristas que a qualquer momento se podem fazer explodir nas ruas das suas cidades e com estados párias que permanentemente os ameaçam com um novo holocausto.

E entre apoiar uns e outros, não há hesitação possível!

# Michio said on Setembro 7, 2010 17:49:

ó miguel, você mente com quantos dentes tem e até os postiços.

então o Netanyahu horas antes do inicio das negociações anunciou o prosseguimento  da colonização?

estranho porque embora você afirme isso no dia 3 de setembro, no dia 6 o Lieberman afirma que se opoêm a uma extenção do congelamento da construção de colonatos.

congelamento que esta em vigor até ao dia 26.

Mas o Miguel pensa que pode mentir a vontade que não é desmascarado facilmente?

Eu percebo que o que interessa ao miguel é convencer os parvos dos deus ideais, mas felizmente a maioria não é parva e sabe bem que facilmente se prova as falsidades que o miguel vomita .

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