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Rentrée europeia

Publicação: 10 Setembro 10 10:00

Desiludam-se os que gostariam de assistir a um enredo de faca e alguidar no próximo Orçamento. Bruxelas já tratou de garantir que isso não sucederá.

A partir de 2011, passa a existir um ‘semestre europeu’ destinado a assegurar a coerência entre a política económica europeia e os orçamentos nacionais. A ideia é tão boa como péssima a sua concretização.

Vamos por partes:

A União, e em particular a zona euro, carecem de coordenação económica. Em consequência, aceito a fixação de metas em matéria de défice, por exemplo. Não têm que ser iguais para todos os países, nem a convergência temporal deve ser independente da situação de partida de cada país. Mas é normal que se partilhem compromissos. Pessoalmente, incluiria, até, novas metas imperativas. Começaria pelas obrigações em matéria de criação de emprego...

 

O que é já inadmissível é que os parlamentos nacionais sejam expropriados do poder de dizer como querem chegar aos equilíbrios e metas fixadas. Se a meta do défice se cumpre aumentando os impostos (e que tipo de impostos), se reduzindo despesas (e quais) ou através de um mix de ambas. E como se articula o Orçamento com o crescimento. É por aqui que passa a _democracia.

Sucede que a decisão é muito mais do que um putativo visto prévio sobre as propostas de Orçamento que os governos apresentam aos deputados. Na verdade, a ‘coordenação’ define as ‘orientações’ de cada Orçamento para que este respeite, simultaneamente, as metas, o programa de estabilidade (PEC) e os futuros ‘programas nacionais de reformas’.

Bem pode a presidência da União garantir que os 27 não tratam dos ‘detalhes’, das rubricas em concreto. Nem precisam. Ficam com o bife de lombo e deixam aos deputados nacionais as emendas de pormenor. Sócrates e Passos Coelho passam a estar condenados a discordar furiosamente... sobre o dinheiro para um fontanário em Vila Pouca de Aguiar e se São João da Madeira tem direito à sua centésima oitava rotunda.

Entretanto... desaparece a hipótese de chumbo do Orçamento bem como a decisão sobre orientações e caminhos alternativos para se cumprirem os compromissos assumidos. Se isto não é uma expropriação da democracia, não sei o que tal será.

 

Em defesa do novo método dir-se-á que cada governo passa a poder comentar as propostas orçamentais dos restantes. Não é verdade. Na União, há alguns mais iguais do que outros. Os alemães dirão sempre aos gregos o que eles devem fazer, mas a inversa já não é verdadeira.

O mesmo vale para o sistema de sanções associado ao incumprimento. Não está excluído que as penas cortem na atribuição de fundos europeus. Aí se aliariam a estupidez humana à golpada antidemocrática. Bem capazes disso são eles.

Comentários

# Liberdade said on Setembro 10, 2010 10:29:

MP deve estar fora de si!

Passa-lhe pela cabeça que os gregos tenham algo a dizer sobre o orçamento do estado alemão? Só se fosse para aumentar a despesa e levar os alemães à bancarrota.

E ainda fala em estupidez humana!

Quando os meninos se portam mal e gastam mais do que podem, acha que os pais devem aumentar a mesada ou exigir ter uma palavra a dizer sobre como o dinheiro é gasto?

Aparentemente, há muita gente que desconhece a fábula da cigarra e da formiga?

Relativamente a Portugal, é uma pena que a Comissão não tenha apreciado previamente os orçamentos de estado aprovados nos últimos anos. Teríamos evitado a situação trágica em que os seus camaradas Xuxas nos meteram?

# JorgeDuque said on Setembro 11, 2010 19:44:

Pessoalmente penso que a fiscalização pelo parlamento europeu é positiva. E não só porque o dito parlamento é eleito democraticamente.

Se essa medida já existisse hoje os Gregos, por exemplo, não estariam a viver desgraças como a de cair 3,4% apenas num semestre. Foram governados por loucos durante anos e agora o povo é que paga todas as contas.

Não esqueço que os jogos olímpicos de Atenas custaram mais mil milhões que os outros sem razão aparente

Sinto-me envergonhado por o meu país pertencer aos PIIGS, designação que se tornou credível após se verificar que foram estes países os mais atingidos pela governação desregrada de políticos irresponsáveis.

De notar que se fossemos governados pelo Bloco de esquerda o caminho do abismo era pior que o de Atenas.  Só se o Louça e Cia conseguissem criar uma fabrica de notas?    

# MorgadinhadosCanaviais said on Setembro 22, 2010 20:15:

...passa a existir um ?semestre europeu? destinado a assegurar a coerência entre a política económica e o resto..(!?) -- nao é necessario assistir matança do porco(s), senhor Doutor Portas?! Ja os mestres da economia [EU]  tiveram o seu sarrabulho - sentido estricto, paráfrase -  a festa suina.

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