Queda livre. De olhos cerrados, sinto a vertigem correr-me nas veias, encher-me os pulmões e querer querer querer implodir pelo nariz. Não!

Queda livre. Olhos cerrados. Pulmões preparados. Vertigem… Alto! Que a amiga rinite está a meter o nariz onde não é chamada: “Implosão, não! Implosão, não!”. Encho-me não-sei-de-quê a contra gosto, SALTO e caio no segundo degrau da escada rolante de mais um dia.

Perante a queda toda eu sou fortaleza. É revelador o impacto que uma queda livre pode ter no passo a passo da tua vida. Acordas de repente a transpirar

- Nem acreditas… estava mesmo agora a sonhar que estava em queda livre. Parecia tão real.

A especulação transtorna, o copo transborda e

- Está aqui a dizer que a bolsa está em queda livre. Já leste a secção de cultura?

O teu filho que ainda ontem estava a pedir-te para lhe dares o lugar ao computador

- Mãe, estás sentada? Óptimo. Amanhã vou fazer um salto de queda livre.

A queda tira-nos o chão do mundo, contacto, e ao mesmo tempo prende-nos a nós. Na queda sou só eu e dou conta, a breves segundos do fim, da minha existência. É aí que voo.

 

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