terça-feira, 4 de Novembro de 2008 21:50
MXM
M&M's [I]

Primeiro quero pedir-te desculpa pelo estado em que recebes esta nota.
Ontem lembrei-me de combinar contigo uma coisa. Uma daquelas Coisas, com letra maiúscula, que nunca podem ficar para depois, esquecimento certo, e que em vão procuram o sítio ideal onde serem ditas.
Enfim, tão importante era que o meio deixou de ser mensagem e reservei a primeira coisa que me veio à mão: um guardanapo.
Depois passei a noite a tentar dar forma ao guardanapo. Nada. Por mais que o moldasse, cozinhasse, lhe desse cor de fruta da época, nada me tira da ideia que o que te escrevia era ultrapassado e já não dava recado. Por mais que encaixasse palavras, não soava a mais que desatino recortado. Tudo porque era tão simples, tão mais simples que a complexidade de um guardanapo. No fundo o que tinha para te dizer é tão insignificante que cabe mesmo numa casca de noz [hoje sabe-me a castanhas; e a ti?]: não torno a ir lá ter. Assim só, sem verniz para proteger.
Conta-me o segredo dentro da caixa. Numa daquelas de conteúdo frágil, transparente, como as unhas que teimo usar, e envia-mo por express mail mesmo que seja à cobrança, enquanto eu vou ali à esquina sentir o aroma do amendoim torrado, que quase cheira a queimado. Talvez assim consiga dar uso ao papel. Limpar-lhe o gosto a esta escrita de cordel e finalmente dobrá-lo, domá-lo e enjaulá-lo em copo de água da fonte. Sabes que mais? Na volta, ainda passo pela senhora dos jornais para saber das últimas. Umas e outras. Aquelas de que não fazes parte.
? M&M's productions