terça-feira, 4 de Novembro de 2008 22:01
MXM
M&M's [VII]
Castanhas de Pedro Mendes
Se falasse contigo hoje, dir-te-ia de que cor pintei o meu cabelo.
O teu de cor saberia eu, ainda que não pudesse vê-lo.
Há no entanto um senão. As cores que nos ficam no fim do verão...
Por que temos tanto afecto pelo deslize da cor? Por que é uma folha castanha caída a teus pés, enfim, amor?
Falemos então do Outono: já está maduro o medronho. Irá converter-se em licor.
Por falar nisso: acompanhas? - Enche. Dá-me dessa transformação de Outono.
Encho, claro, pois então! Dois medi.ocres copos. E ergo o meu que entretanto, balança em dúvida doce enquanto aguarda retorno.
Já te sentiste assim, como se caminhasses em falso sobre algodão doce? Como se fosses tu uma daquelas folhas castanhas com um fim precoce?
Já… Levitas. Pequena. Numa ilusão atroz que cabe na palma da mão... E quando a abres p'ra te agarrar ao tronco velho do castanheiro, já não vais a tempo. Cais no chão.
Como se fosses em contramão. Não bates, não choras, não matas, e quando a.corda parte, nunca nos sentimos acrobatas. Tudo se acastanha assa fere arranha - Porra, que já fiz ferida!
A ferida da alma dói mais que esta, mas esqueço-me disso e decido debalde dar cabo da festa. Vassoura é forte e varre memórias. Quer sejam de sonhos quer sejam de glórias. Xô réstia triste do meu coração, vai-te com o pó e este resto de pão.
[vá, anda p’rá mesa! As castanhas já estão prontas e a lareira acesa].
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