Aviso da Alta Autoridade: O deslocamento de uma massa de ar frio levou a que o post PAR fosse publicado, excepcionalmente, neste blogue. O post que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.

 Imagem provisória: Pedro Rego.

 

- O relógio teima em dar a hora que não esqueço.
Esfrego as mãos e aqueço, molho os lábios e repico, em jeito de dar horas, que por seu turno ignoras por não estar no calendário. E lá meço o cenário, feito a lápis de pastel, enquanto esfrego o calcário deposto no meu anel [ah p u t a da rima cruzada sem religião a servir].
Com os dedos a rir, ainda húmidos do chocolate quente, percorro todo o abecedário num fervor adolescente. Um pingo cai, depois outro, depois outro, parecendo escolher a dedo o alvo do seu entreposto.
- Comercial?
Ai agora já me ouves. [querem ver o traço entornado e a burra na couves!?]. Estava a dizer que é quase A.gosto!
- Sim, e depois?
E depois virá Setembro e um Outubro sem horas. Des.Maio e volto a correr ao calendário. Sabem-me a pouco os dias de Abril e é aí que me deparo que Fevereiro já passou. Às páginas tantas já não sei onde estou... Cadeira - certo. Mesa - certo. Chão - madeira. Lado esquerdo - torneira. Cozinha - chocolate. Está terminada a segunda parte.
- Falaste em Natal?
Não. Deixa-me ler o jornal!
Crimes. Ódio. Morte. Estrada.
E no meio do nada a Vida. Maiúscula, de Babel.

Sentimento gravado a cinzel.

 

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