terça-feira, 4 de Novembro de 2008 23:27
MXM
Com.passo
Esboço de Degas, gentilmente cedido por Google
Hoje paira um cinza morno quase frio sobre nós e lembro-me dos dias gelados de baunilha degustados apressadamente para não pingarem a t-shirt e a alma.
Não é por acaso que finas gotas percorrem a janela principal. Nem é por acaso que chove, num ritmo lento mas preciso, tal como preciso paira um cinza morno quase frio.
Aconchego-me e imagino-me quente numa manta de palavras que, sem sentido, vão escorrendo num compasso absurdo, fora d’horas, enquanto lá fora se abrem em leque todas as cores. O interior crepita, as cores infiltram. Corre, em lume brando, o sangue, até que, num ápice, tudo é Luz. A tinta clara preenche os espaços negros na folha, quimérica anotação. Desenha-se, semi-circular, o tempo, que tranquiliza o dilúvio sem pomba, enquanto esta manta de palavras se dilui num acordar leve cinza morno quase frio.
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