
… e mil cores abraçam a vida
de ambas as margens …
se falassem pelos meus lábios
nas esquinas de cada palavra
que derreto em pó
as ilusões vádias
deste xadrez sem ângulo
no breu de cada canto
por instinto
como a água que vai
em rendilhado
de luas a negro
parava no meu jardim
e colhia rubro um beijo teu
das rosas na seiva
em que me alimento
que prazer … sentir-te pairar! …
constelada …
sinto pressionares-me suavemente …
… enquanto me ocupas o pensamento
impulsionas-me para ti …
… minha querida 



no ápice de Aroga
a vida destila-se
despenhada de barrotes
caídos por terra
onde a insensatez paira
como odor primordial
inexistente …
por todos os lados
movem-se aos bocados
centenas de aves raras
mortas há já longos espaços
na imensidade …
são comidas depois de podres
há pedaços de feridas em abundância
com larvas amarelas
onde as moscas verdes
são o ponto máximo
na hierarquia pré estabelecida
sem argumentos
colados às paredes
jazem os gritos pios dos sobreviventes
amotinados na fogueira
do átrio central gigante
devastados pela ironia da situação
a viatura de averiguações
deambula pelas vias do além
onde a seguir se verá
a impossibilidade de manter acordados
os espíritos já desgraçados
pela convicção da incerteza
a paisagem é debilmente rígida
de névoa e pedra
e caroços sementais à deriva
na miragem caleidoscópica
do colorido esfuziante
subjaz a inquinação latente
do brocardo mole
que jogo porco sujo!
são inumeráveis as delícias
dos destroços inqualificáveis
a voz da imagem do sangue
clama por mais sangue
a rebentar pelos olhos
a vadiagem do cão
lambe e consola
as chagas dos pedaços de morte
ao longo do campo
esfumeante …
exige-se uma cabeça
arreganhada pelo sofrimento
de lhe faltar o resto do corpo
se não houver guerra
não há satisfação
porque não há amor
é necessário não compreender o que se passa
para poder andar à vontade
enquanto não virem todos os vivos mortos
ninguém chorará de alegria
depois de já não o poder fazer
Mais um poste
Comedido, como o impõe a crise do pescado
Não fiques boquiaberta
Postei-o agora, é fresco!
E zás!... acabou-se o tempo para a elaboração do poste