Era uma vez uma princesa muito formosa, que vivia encerrada na torre mais alta do seu castelo. Todos os dias acenava ao povo que passava e sorria. Toda a gente admirava a sua formosura e simpatia, e a achava feliz, porque não a sabiam prisioneira.

Aprendeu na sua solidão a olhar o céu, a admirar a beleza dos dias luminosos, e a deslumbrar-se com os dias sombrios. Teve tempo no seu cativeiro, para dar valor ao sofrimento e lutas dos outros, e a valorizá-los. Aprendeu a não julgar o que não sabe.

Desenvolveu a capacidade de sonhar. Viajava muito na esperança e no crer, mas os dias, os meses, os anos, passavam todos iguais, pois a torre do seu castelo era demasiado alta, e fortemente guardada para alguem a libertar.

Era uma vez uma princesa que voava eternamente nas asas do sonho, que se munia da palavra para correr louca pelo  mundo, empunhando-a e fazendo dela uma arma, e a sua libertação.

Era uma vez uma princesa...