SOL

Um exemplo: Lawrence Oates


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Capitão Lawrence Oates

A expedição de Scott ao Polo Sul saldou-se por um duplo desaire, não só por ter sido batida pela equipa norueguesa de Amundsen, mas, sobretudo por todos os participantes na fase final terem perdido a vida.

No entanto, alguns episódios da aventura de Scott e dos seus companheiros de infortunio são hoje recordados como exemplos de coragem e lembrados mais vezes do que aqueles que chegaram em primeiro lugar ao polo.

De entre os vários episódios, há um que merece uma especial menção, pela coragem e pelo espírito de sacrifício que o seu protagonista revela e que bem pode servir de exemplo para todos.

Durante a penosa viagem de regresso, com os alimentos a escassear e os ferimentos provocados pelo frio e o cansaço de muitos dias de marcha em condições extremamente penosas, o capitão Lawrence Oates foi um dos mais afectados, atingido pela gangrena, atrasando-se cada vez mais e obrigando a um esforço suplementar os seus companheiros de aventura.

Oates rapidamente se apercebeu de que, para além de atrasar a marcha do grupo e de necessitar de auxílio permanente, também estava a consumir alimentos preciosos, que poderiam ser decisivos para que os seus companheiros pudessem alcançar o posto de abastecimento seguinte, onde poderiam descansar e reabastecer-se, única hipótese de sobrevivência no inóspito deserto de neve e gelo da região polar onde qualquer auxílio era impossível.

Uma noite, sem dizer nada mas perante todo o grupo que nada fez para o deter, Oates abriu a porta do abrigo onde o grupo descansava e saiu sózinho, sem equipamentos que permitissem qualquer esperança de sobrevivência, nunca mais sendo visto.

Ao sair do abrigo durante a noite no meio de uma tempetade de neve, o capitão Oates, foi conscientemente ao encontro da morte, acreditando que o seu sacrifício poderia dar aos seus companheiros uma última hipótese de sobrevivência, libertando-os de um peso que podia condenar todo o grupo.

Infelizmente, o seu sacrifício foi em vão e todos os participantes na etapa final da expedição de Scott perderam a vida, mas o exemplo de coragem e de espírito de sacrifício de Oates será sempre recordado.

Este episódio merece reflexão e cada um extrairá as suas próprias conclusões, mas não queremos deixar de meditar acerca de dois factos fundamentais, o do sacrifício de Oates, sobre o qual nos devemos interrogar se seriamos capazes de fazer o mesmo, e a atitude dos seus companheiros, que não o detiveram, mesmo sabendo que ia dar a vida por eles, o que nos faz colocar a questão se, no lugar deles, o teriamos permitido.

Vale a pena meditar sobre estas questões, e sobre tantas outras que vão surgindo à medida que se analiza este episódio, porque ao fazê-lo estaremos a questionar toda a nossa hierarquia de valores, a nossa consciência e o que há de mais profundo dentro de cada um de nós.
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Um país fechado por quatro meses


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Logo do Euro 2008

Aproxima-se a combinação explosiva de férias e futebol internacional, com a pseudo-patriótica necessidade, imposta pelos media, de apoiar a seleccção nacional e uma pressão publicitária, muitas vezes ilegal, no sentido de vender produtos supostamente relacionados com o Euro que se avizinha.

Esta também é a época em que, num País em profunda crise, económica, os televisores de alta defenição, os sistemas de gravação e reprodução mais sofisticados e toda uma panóplia de acessórios são adquiridos a prestações mesmo por quem já não consegue equilibrar as contas do dia a dia ou sequer viver com um mínimo de dignidade sem recorrer aos mais imaginativos artifícios.

Obviamente, tal não estimula a economia, mesmo que nas estatísticas aparente um aumento do consumo e da confiança dos consumidores, acarretando consequências para todos os que, passados uns meses, se apercebem de que, sem o saber, trocaram o carro ou a casa por uma televisão que poderão apreciar, sem imagem nem som, debaixo de uma qualquer ponte.

Mas tudo o que não esteja directamente relacionado com o fenómeno do futebol é esquecido, e assim pode-se fazer aprovar quase sem oposição um absurdo Acordo Ortográfico, recorrer a uma mera portaria para por em vigor legislação relevante, mesmo que esta afecte direitos, liberdades e garantias constitucionais ou continuar a aumentar os preços dos vários combustíveis, sem grande contestação popular.


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Um desporto ainda muito praticado

Durante um par de meses, a que se seguem outros tantos de férias de Verão, é um País adormecido, anestesiado, que vive à sombra de vitórias e derrotas, como se de um sonho se tratasse, sem ver o que se passa em redor, nem perspectivar que, muito brevemente, um triste e doloroso acordar vai expor uma miséria crescente.

Lamentavelmente, com a cumplicidade de governantes, da comunicação social e de todos a quantos um par de meses de tréguas, que antecedem outros tantos de férias, benefeciam, muito são os que contribuem para que o País esteja fechado durante quase quatro meses, reabrindo com surpresa e susto lá para meados de Setembro.

Entretanto, durante o Verão terão ardido mais uns milhares de hectares do pouco que resta das nossas florestas, uns milhares de trabalhadores verão as suas fábricas fechar de forma quase clandestina no regresso das férias, legislação gravosa e iníqua terá sido aprovada, a criminalidade continuará a aumentar e, perante tudo isto, ouviremos gritos de alegria ao ver uma bola a entrar na baliza de um adversário originário de um país de que nunca se ouviu falar.

Apresentadas recomendações para combater o "car jacking"

 


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Reconstituição de uma situação de "car jacking"

O grupo de trabalho criado há um mês por iniciativa do ministro da Administração Interna (MAI) para combater o "carjacking" apresentou um conjunto de recomendações, incluindo uma vertente preventiva e medidas a implementar pelas forças de segurança.

Na primeira vertente, conselhos que incluem o de circular com as portas trancadas e janelas fechadas, o uso da chave do carro separada das restantes, de modo a que os ladrões não a obtenham caso sejam eles a retirá-la do bolso do proprietário, a atenção a ter em zonas de paragem ou pouco frequentadas, constarão de "sites" e de folhetos a distribuir.

Também o recurso a sistemas de localização e seguimento, que incluem GPS e um módulo de SMS para envio de comandos que, podem incluir a imobilização do veículo, cujo valor poderá ser reduzido através da negociação de protocolos com seguradoras no sentido de reduzirem os prémios dos seguros, ou através de incentivos fiscais, nomeadamente numa redução do valor do IVA, tal como sugerimos com insistência, foi recomendado por este grupo de trabalho.

Também foi proposto a aquisição de equipamento informático que permitira às forças de segurança verificar em tempo real se a matrícula de uma viatura se encontra numa base de dados onde constam os veículos roubados ou furtados.

Este sistema recorre a uma câmara instalada nas viaturas policiais, com "software" que lê automaticamente as matrículas e envia os dados para um sistema central, onde estão registadas as matrículas das viaturas a apreender, sendo que o processo "on-line" é determinante no caso de crimes em curso, como os de "car jacking".

Apesar de haver a concordância do MAI, ainda não está defenido qual o número de equipamentos a adquirir, sendo que a sua eficácia, após a tradicional substituição da matrícula, que será obviamente apressada, é, no mínimo, duvidosa.


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Portagem numa auto-estrada com Via Verde

Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, o "car jacking" foi o tipo de crime que aumentou mais, com uma diferença de 33% em relação ao ano anterior e afecta sobretudo os modelos de topo de gama que são, muitas vezes, utilizados noutras actividades criminosas, como assaltos.

O problema do recurso a tecnologias para combater este tipo de crime já foi abordado por diversas vezes, tecendo diversas considerações que foram enviadas ao MAI antes de este dar início a este processo que replica as ideias enviadas.

Relativamente ao sistema de câmaras, consideramos mais adequada a implementação de "transponders" nos veículos e a colocação de sistemas de leitura em locais estratégicos, eventualmente associadas a uma das várias câmaras de detecção de velocidade, de passagem quase obrigatória, que alertarão as autoridades para uma dada viatura.

Para explicar melhor a ideia de "transponder", podemos usar como exemplo o conhecido equipamento da "Via Verde", onde um equipamento electrónico, durante uma passagem próxima, responde a outro com um sinal codificado, identificando-se perante uma base de dados.

De igual forma, um sistema semelhante instalado num veículo, que poderia ser duplicado ou triplicado caso se pretenda uma maior segurança resultante da dificuldade de detecção e remoção, permitiria uma identificação através de equipamentos instalados em locais estratégicos, como pontes, túneis, acessos a cidades ou portagens de auto-estradas, para mencionar apenas alguns.

Equipamentos com funções semelhantes poderiam também equipar viaturas policiais, de modo a efectuar verificações móveis, sobretudo em zonas mais periféricas ou consideradas como mais problemáticas, complementando assim a já existente infraestrutura fixa da "Via Verde" que poderia também ser utilizada para este fim.

A privacidade seria mantida dado que a associação entre o código do "transponder" e a matrícula apenas seria efectuada através de um registo temporário aberto na altura da ocorrência de um incidente e apagado após a sua conclusão, de forma a evitar que houvesse um seguimento sem causa adequada de uma dada viatura.


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Um "car jacking" que terminou num homicídio

Existe uma outra linha de defesa, a nível legislativo, que deverá ser adoptada no sentido de sancionar mais fortemente este crime, dissuadindo quem o pretende perpretrar e colocando a moldura penal numa fasquia em que medidas de coação a nível de prisão preventiva sejam mais fáceis de decretar.

Haverá também que rever algumas questões a nível legislativo na forma como são abordadas questões complexas a nível de comunicações, da responsabilização pela utilização de equipamentos imobilizadores e das consequências que daí possam resultar ou de violações de privacidade decorrentes do uso de sistemas de seguimento, para mencionar apenas algumas das mais evidentes.

Há, no entanto, um conjunto de legislação que, pela sua sensibilidade, não deve ser discutida publicamente pois estariamos a fornecer informações que poderiam ser utilizadas pelos próprios criminosos a estabelecer um conjunto de ligações que podem ser prejudiciais para a segurança de todos.

Lembramos, finalmente, que o "carjacking" é um crime violento, habitualmente cometido com o recurso a armas de fogo, pelo que repetimos o conselho das autoridades policiais que desaconselham qualquer tipo de resistência, enquanto se recolhe visualmente o máximo de informações que permita identificar os criminosos.

Não há soluções milagrosas para este tipo de crime, mas existe um conjunto de medidas que, sendo adoptadas por todos, podem contribuir em muito para prevenir, dissuadir, perseguir e punir quem opte por perpretar um crime que está a aumentar entre nós.

Varrer para debaixo do tapete


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Desmantelamento do "O Avião" (foto "O Sol")

Começou a ser desmantelado o bar "O Avião", nas imediações do qual ocorreu em Dezembro de 2007 um atentado à bomba que vitimou o seu proprietário.

Se até há pouco este iconográfico estabelecimento de diversão noturna era sobretudo um incómodo para alguns habitantes dos prédios vizinhos, após este atentado passou a sê-lo para as entidades policiais, como símbolo de um crime que continua por resolver.

O desmantelamento desta aeronave, que há décadas aterrou na Portela e, após anos estacionado no Aeroporto de Lisboa, foi instalado nas suas imediações, mais do que uma opção estética, traduz-se no "varrer para debaixo do tapete", colocando longe da vista algo que recorda as dificuldades e defeciências da investigação criminal em Portugal.

Num País de aparências, onde as evidências se escondem debaixo das meias verdades das frases inacabadas ou da manipulação das estatísticas, o esquecimento continua a ser a forma mais prática e eficaz de ocultar o que não se pode solucionar.
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Car jacking: as coincidências do MAI


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Uma situação de "car jacking"

O Ministério da Administração Interna (MAI), conforme uma notícia do Jornal de Notícias, cujo conteúdo pode ser aqui lido, decidiu incentivar as seguradoras a colaborar na luta contra o "car jacking", com recurso a uma eventual redução nos prémios dos seguros.

Recentemente contactamos o MAI, tal como mencionamos na semana passada, expondo um conjunto de ideias no sentido de combater este tipo de crime que tem vindo a provocar alarme social, enviando o mail que transcrevemos:

Exmos Srs.

Durante os últimos anos tenho abordado diversas questões relacionadas com a geo-localização de pessoas e veículos no sentido de melhorar a coordenação e aumentar a segurança de quem pratica actividades de todo o terreno e auxilia na prevenção de incêndios florestais.

Com o aumento do número de crimes de "car jacking", várias das soluções propostas podem adequar-se a combater este flagêlo, sobretudo quando integradas num plano mais global, que inclua as companhias seguradoras e as forças de segurança.

Um caminho a explorar será a possibilidade de o MAI contactar as seguradoras no sentido de estas reduzirem os prémios referentes a furto ou roubo a quem instalar um sistema de localização por GPS capaz de enviar a posição através de GSM, de modo a dissuadir o "car jacking", facilitar a captura de criminosos e evitar a tentação de resistir por parte dos proprietários.

Entre os textos encontra-se um referente à esperada
colaboração das seguradoras, a dois modelos recentes de localizadores para veículos e para pessoas e a um modelo mais antigo que foi o primeiro a ser estudado, dividido em dois textos (1ª parte e 2ª parte).

A resposta contra a criminalidade violenta tem que ter um especial enfase na prevenção e as novas tecnologias, para as quais o Sr. Secretário de Estado, Dr. José Magalhães, está particularmente sensibilizado podem ter uma importancia decisiva, sobretudo se contarem com a colaboração das seguradoras, através de uma redução de prémios no seguro de furto ou roubo, e da do sociedade civil, que pode adoptar medidas que tornem este tipo de crime pouco compensador e demasiado arriscado.

Esperando que estas sugestões possam dar um contributo no sentido da busca por uma solução para o problema do "car jacking", apresento os meus melhores cumprimentos

Uma semana após o envio desta mensagem, para a qual não obtivemos resposta, verifica-se a curiosa coincidência de o MAI ter agido de acordo com as sugestões propostas, o que demonstra que, na verdade, não é necessário uma equipa de peritos, mas tão somente escutar quem há muito analizou esta questão.

Se por um lado nos congratulamos pelo facto de o MAI ter adoptado a mesma perspectiva que temos, uma simples resposta teria sido não apenas o mínimo expectável, como teria permitido uma troca de ideias que, provavelmente, valorizaria o projecto, com óbvias vantagens para os cidadãos deste País ameaçados por este tipo de crime.

Versão Beta 1 do Internet Explorer já está disponível


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Écran do novo Internet Explorer 8.0

A versão Beta 1 do Internet Explorer 8.0 já está disponível para descarga através do "site" da Microsoft, destinando-se, essencialmente a programadores que assim podem preparar as suas aplicações para o futuro "browser".

O novo "browser" inclui um conjunto de características inovadoras, que pretendem facilitar o desenho de "sites" e aplicações, facilitar a interligação com outros programas e plataformas e contextualizar a navegação através da disponibilização de um conjunto de novos dados.

A nova versão do Explorer inclui um modo de compatibilidade com versões anteriores, ferramentas de desenvolvimento e novos métodos de apresentação, que incluem a cascata de janelas, bem como tecnologias actualizadas contra os perigos que ameaçam quem navega na Internet.

Tal como com outras versões Beta esta tem alguns erros ou deficiências que já detectamos, nomeadamente na apresentação de algumas páginas, pelo que aconselhamos a que uma eventual experiência seja efectuada num equipamento secundário, sem aplicações críticas instaladas, onde os testes possam ser efectuados e um eventual "feedback" enviado para a Microsoft.

Para quem tenha actividade profissional na área da informática ou pretenda conhecer o que o futuro reserva, a possibilidade de experimentar este novo Explorer não deve deixar de ser aproveitada, antecipando assim um producto que será o padrão do mercado.
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Perseverança: a história das duas formigas


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Uma formiga persistente e corajosa

Duas formigas, à procura de alimento, cairam numa chávena cujo fundo estava coberto de natas e imediatamente sentem que se estão a afogar.

Ambas tentaram nadar, mas, apesar do esforço, continuavam a ser arrastadas para o fundo, até que uma delas diz para a outra:

É impossível nadar aqui. Nem vale a pena tentar porque continuamos a afundar-nos.

Logo após, deixa de se debater e começa a afundar-se lentamente nas natas, mas a outra formiga decide continuar a lutar e esforça-se por agitar as patas de modo a voltar à superficie e poder continuar a respirar.

Várias vezes se começa sente-se a afundar, mas redobra os esforços e lá volta a recuperar, apesar de as forças começam a faltar e a tentação de se resignar e desistir aumentar a cada momento.

Mas, subitamente, a formiga apercebe-se de que já não se está a afundar e que flutua sobre uma substancia suficientemente consistente para aguentar o seu peso e conseguir caminhar sobre ela.

Com todo o esforço que fizera para se manter à tona, a formiga lutadora engrossara as natas o suficiente para que esta suportasse o seu peso e agora ambas podiam, com algum esforço, caminhar até à beira da chávena e libertar-se desta armadilha.


Este texto é baseado numa antiga história de perseverança e de coragem, cuja origem e autor desconhecemos, mas que, pela sua mensagem, não quisemos deixar de publicar, com uma pequena alteração porque gostamos de finais felizes, esperando que a todos dê um pouco de força e de ânimo para enfrentar as dificuldades da vida.

Mesmo nos momentos mais difíceis, quando tudo já parece perdido, há sempre que fazer mais um esforço, dar mais um passo, nunca virar as costa à luta e, sobretudo, continuar a acreditar que depois da tempestade vem a bonança, a paz e a felicidade.
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Não haverá mais encerramentos de urgências sem alternativas


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Um dos muitos SAP perdidos neste País

Após longos meses de encerramento de unidades de saúde e urgências, na altura em que é substituido o ministro da Saúde, o primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu que não se procederá a novos fechos sem que existam alternativas.

Apesar da intenção de manter a actual política de reformas na área da Saúde, abrangendo a rede hospitalar, e de assegurar que não haverá recuos, surge agora a promessa de que serão criadas alternativas antes de qualquer novo encerramento.

As declarações do primeiro-ministro, que poderão parecer prudentes, confirmam o que todos sabemos, ou seja, que se procedeu a encerramentos sem criar alternativas, colocando conscientemente em risco as populações apenas devido a uma questão de controle de despesas.

A gravidade destas afirmações, que só por sí deviam atingir contornos de autêntico escândalo público, correspondem a uma autêntica confissão, confirmando a irresponsabilidade de um conjunto de decisões políticas das quais resultou, quase certamente, a perda de vidas humanas devido às deficiências do socorro prestado.

Espera-se que o compasso de espera que, inevitavelmente, teremos pela frente, permita repensar muitos dos planos traçados e responder a um conjunto de perguntas que continuam em aberto e brevemente aqui formularemos, e que podem comprometer o socorro em Portugal.

Mortos à chegada


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Ambulância do INEM ou urgência móvel?

Pela segunda vez em menos de 24 horas, um bebé morreu numa ambulância, a caminho de um hospital, tendo este segundo caso ocorrido na Anadia, um dia após outra morte de uma criança quando seguia de Carregal do Sal a caminho de Viseu.

A última foi uma criança de dois meses do sexo feminino a morrer a bordo de uma da ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) durante o trajecto entre o local onde foi efectuada uma tentativa de reanimação e uma urgência hospitalar.

Lembramos que a urgência do Hospital de Anadia foi uma das que foram encerradas, tendo-se a população manifestado por diversas vezes contra esta decisão do ministério da Saúde.

As versões relativamente ao sucedido são contraditórias, sendo que para o representante do movimento "Utentes para a Saúde", o atraso na assistência decorre de um desencontro entre a ambulância do INEM, que não teria pessoal especializado a bordo e a viatura de médica de emergência e reanimação (VMER), que inclui um médico e o equipamento neessário.

Para o INEM, não houve nem desencontros nem atrasos, tendo eventuais atrasos tido origem na opção dos pais da criança em dirigirem-se para o Hospital de Anadia, que já não tem urgência, pelo que não era possível prestar a devida assistência médica nesse local, razão pela qual foi marcado aí um encontro com uma ambulância.

Ainda segundo o INEM, a ambulância que interveio estava de regresso de Coimbra e encontrou-se com os pais da criança três minutos depois de accionada em pleno parque de estacionamento do Hospital da Anadia, sendo que passado cerca de um quarto de hora chegou uma VMER.

Nesta altura, após 40 minutos de esforços, foi possível reanimar o bebé que s encontrava em paragem cardio-respiratória, tendo sido transportado na ambulância do INEM para as urgências do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde chegou já sem vida.

Para o porta-voz do INEM, o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro e o ministro da Saúde, apesar do desfecho, tudo decorreu com normalidade e os meios corresponderam de forma correcta, acrescentando que não é possível relacionar esta morte com recente fecho do serviço de urgências do Hospital da Anadia.


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Uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação

Os argumentos das entidades responsáveis são conhecidos e baseiam-se na lamentável permissa de não ser possível provar que estando em funcionamento as urgências agora encerradas, se poderiam ter salvo estas vidas, argumento que consideramos inqualificável dado tirar partido da irreversibilidade da perda de vidas humanas como forma de sustentar uma opção que continua a fazer vítimas.

Já nos insurgimos contra a promiscuidade entre o socorro e o tratamento hospitalar e a ideia de que é possível substituir uns pelos outros sem por em perigo as populações e causar um evidente alarme social, patente nas inúmeras manifestações populares onde o descontentamento e o medo são evidentes.

Também não conseguimos descobrir nos estudos feitos uma análise séria do próprio socorro, com temporizações baseadas em simulações ocorridas em diversos tipo de condições reais, mobilização dos vários tipos de meios de acordo com a caracterização do incidente, sistemas de redundância em caso de falha do meio primário, e tantas outras variáveis sem as quais não se pode considerar que exista um planeamento efectivo.

Devemos colocar várias situações, como a possibilidade de a ambulância do INEM estar mais distante, de a VMER de Coimbra estar a prestar socorro e não poder acorrer a esta urgência, e interrogarmo-nos sobre qual seria a resposta de um sistema que se baseia na disponibilidade de meios móveis para os quais há poucas ou nenhumas alternativas.

Nem mesmo o inquérito poderá determinar com certeza se outros meios de socorro teriam podido salvar esta vida, mas enquanto não houver estudos sérios outras se irão perder sem que, mais uma vez, se saiba se tudo foi planeado, organizado e realizado para as salvar.

A falta de planeamento que se verifica nesta área vem em linha com a inexistência de uma visão de conjunto de de um plano de desenvolvimento para o País, algo que denunciamos repetidamente e que se torna tanto mais evidente quanto o número de vítimas de uma política desastrosa vai aumentando.

Num País onde não há responsabilidade política e as más decisões passam impunes, podia, ao menos, haver um sentimento de vergonha que evitasse que opções que se baseiam em erros flagrantes possam manter-se apenas por teimosia ou incapacidade de aceitar que houve uma efectiva precipitação nas decisões e que estas devem ser reequacionadas antes que se percam mais vidas humanas.


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Ambulância do INEM ao lado de uma VMER

Quando alguém morre e surgem dúvidas quanto à responsabilidade de um dado membro do Governo, que tomou uma decisão possivelmente errada e que teve consequências, é normal que os partidos da Oposição peçam os necessários esclarecimentos através da presença do decisor envolvido.

Com um pedido de esclarecimentos, seja em sede de comissão parlamentar, seja noutro local, não se está a acusar ninguém, mas a pretender uma explicação para um conjunto de decisões que poderão estar ligadas com um dado acontecimento que para alguns levanta dúvidas enquanto para outros há muito que existem certezas.

Nunca será possível provar que a manutenção em funcionamento das urgências do Hospital de Anadia poderia ter evitado a morte de um bebé, que perdeu a vida não obstante os esforços do INEM, tal como não será possível, em boa fé, demonstrar o contrário, pelo que ambas as partes irão continuar a esgrimir argumentos que nunca convencerão os oponentes.

O que será sempre intuitivo é que havendo mais meios, a possibilidade de ter salvo esta vida seria maior e que o fecho de urgências e serviços de saúde, tal como tem vindo a suceder, se não resultou na perda desta vida, certamente será responsável pela morte de outros seres humanos, mesmo que tal seja difícil de provar de forma isolada.

Este é uma evidência que, infelizmente, será facilmente demonstrável quando ocorrer uma situação grave que obrigue a uma intervenção de emergência num local do Interior onde, seja por corte das estradas, seja por dificuldades de orientação, seja por qualquer outro factor conexo, não for possível prestar a devida assistência médica de forma atempada e daí resulte igualmente a perda de uma vida.

Não temos tido, pelo menos até agora, um Inverno rigoroso, com estradas intransitáveis, mas quando tal acontecer, as consequências do fecho de tantas unidades de saúde será sentida, e aí não haverá nem desculpa nem perdão para quem optou por esta política que confunde socorro com assistência hospitalar enquanto transforma hospitais em ambulâncias estacionadas em localidades cada vez mais desertas.

"O Avião": localização GSM na investigação criminal


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Explosão controlada junto do bar "O Avião"

Neste texto vamo-nos referir a atentado no exterior do bar "O Avião", ocorrido em Lisboa, como exemplo da localização via GSM.

Uma investigação deste tipo é como um novelo, onde, por vezes há pontas soltas que se podem desenrolar, outras podem estar de tal forma presas que não se conseguem puxar.

O essencial é ter um ponto de partida que permita começar e ir do registo de chamadas até aos telemóveis, que têm um identificador único e daí, se possível, até ao comprador ou ao utilizador, caso ainda esteja em uso.

Apesar de, segundo o artigo publicado no Expresso, o cartão de telemóvel que activou a bomba ter o número rasurado, a sua identificação depende da existência de registos do operador e de uma cronologia que, pela existência de câmaras de segurança que terá gravado a saida da vítima, deverá ser bastante precisa.

Seja o telemóvel que efectuou a chamada, seja o que a recebeu estariam registados na antena de GSM do respectivo operador com melhor sinal no local dos eventos, eventualmente a mais próxima, pelo que, havendo registos será possível tentar obter alguns indícios a partir desses dados.


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Mapeamento de cobertura de uma antena GSM

Será, neste caso, de verificar no local e nas várias redes, qual a antena onde os telemóveis se registam, algo para o que é necessário o apoio dos operadores.

Tendo uma hora relativamente precisa, eventualmente poderá ser averiguado que chamadas foram efectuadas passando pelas antenas do local aquela hora e com destino a um equipamento na mesma zona.

Será também de verificar que telemóvel de destino, que accionou a bomba, deixou na altura de estar registado de forma defenitiva e se, eventualmente, o que originou a chamada voltou a ser usado ou se se foi registando sucessivamente noutras antenas GSM, o que indica movimento e direcionalidade.

 


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Detecção de posição através de triangulação

Caso seja possível seguir o telemóvel e o registo em antenas subsquentes, talvez o veículo em que este segue tenha sido filmado por câmaras de vigilância noutros locais, como portagens, podendo-se então analisar comparativamente horas de passagem e transição de uma antena para outra de modo a isolar uma só ou um grupo restrito de viaturas.

Obviamente, tal pesquisa é condicionada pela existência de registos por parte dos operadores a nível de antena GSM e dá trabalho a pesquisar, mas é uma das possibilidades existentes de vir a conhecer qual o cartão de origem, de destino e, com alguma sorte, os IMEI ou número identificador único dos telemóveis, um dos quais poderá ainda existir com o mesmo ou com outro cartão SIM.

No limite, pode-se, inclusivé, tentar apurar qual o número de cartão e IMEI do telemóvel que foi contactado a partir da zona do atentado e que nunca mais foi usado ou registado numa antena, presumindo-se que tenha sido o que foi destruido na explosão.


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Uma antena da rede de GSM

Em Portugal tende-se a abusar da prova testemunhal, que pode ser pouco fiável e muitas vezes acaba por se alterar durante o processo, ou em escutas telefónicas, que nem sempre obedecem aos requisitos legais e muitas vezes não interceptam nada de relevante ou comprometedor.

Em contrapartida, prova documental ou pericial tende a ser secundarizada ou usada como mero recurso quando tudo o resto falha, mas muitas vezes quando se envereda por esta via grande parte das provas já foram destruidas ou estão de tal forma degradadas que não são conclusivas, tal como aconteceu no caso Maddie com os resultados que todos conhecemos.

Não é nosso propósito alongar-nos nas questões da investigação criminal, mas muitos dos sistemas de localização, seguimento, detecção e outros que temos vindo a descrever ou analisar podem ser excelentes instrumentos de investigação, capazes de ajudar em muito na identificação de quem recorra a dispositivos que usem o espectro radio-eléctrico público.

Partido Político - Sociedade Anónima


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Uma sessão na bolsa de Nova Iorque

O Líder estava desgostoso, frustrado pelas sondagens que não lhe dão a popularidade que ambiciona e distante de qualquer aspiração ao poder e, sobretudo, do mérito que julga possuir.

Também já não se sente estimulado quando o chamam "presidente" ou "secretário-geral", epítetos que de tão gastos já pouco prestígio encerram, sonhando agora com títulos que misturem o prestígio e a actualidade.

Mesmo a sede, onde repousa a história do partido, parece ultrapassada e cheia de fantasmas de um passado com que não se identifica, incapaz de albergar os serviços que imagina para o futuro e, menos ainda, sem possibilidade de albergar os eventos sociais a que almeja.

Talvez o passo seguinte seja converter o vetusto partidos político, cuja estrutura organizacional há muito está ultrapassada, numa sociedade anónima, dirigida por um "chairman" ou por um "Chief Executive Officer" (CEO), que permita afastar-se do abismo em que a impopularidade o faz mergulhar.

Ocorre-lhe que a etapa subsquente será a de cotar um partido na Bolsa de Valores, atribuindo acções aos militantes-accionistas que poderão reforçar o seu peso político adquirindo mais acções, transacionveis ao valor de mercado.

Esta possibilidade poderia parecer chocante aos mais puristas, é bem mais transparente do que pagar quotas a militantes falecidos, que nem depois de partir deste Mundo podem repousar em paz, longe das controvérsias e dos escândalos que o seu voto involuntário apoiou.

E tal como acontece com os clubes de futebol, boa parte do valor das acções depende dos resultados, das sondagens, novas contratações, leia-se adesões, ou outros factores que podem condicionar o valor daquilo que passa a ser muito mais do que um simples capital político.


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O jogo da bolsa em computador

Mais do que simples acções transacionáveis, estas poderão, em determinadas alturas, normalmente coincidentes com vitórias eleitorais, dar um dividendo especial, também conhecido como cargo de nomeação política, a que corresponde, tipicamente, a valorização da carteira de investimentos de cada accionista.

Teremos, portanto, aquisições, fusões, "spin-off's", as inevitáveis OPA's, provavelmente hostís, e toda uma série de operações financeiras taxáveis, tão do agrado do Ministério das Finanças, que assim encontrará uma nova forma de receita, não obstante as isenções fiscais que rodeiam certas actividades especulativas muito especialmente quando esta é de carácter político-partidário.

Temos, portanto, o partido-empresa, uma sociedade anónima de capitais privados que será regido por um conjunto de regras mais exigentes do que as ditadas por um orgão de nomeação política, como o Tribunal Constitucional, passando a ser supervisionado pelos especialistas da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), do que resulta uma maior transparência para todos.

Podem, alguns, criticar esta opção que parece fazer desaparecer qualquer conteúdo programático, mas com a ideologia cada vez mais esquecida e as diferenças entre as várias forças partidárias cada vez mais ténues, tornando-as quase indistintas no conteúdo, será esta uma das formas de atrair novos interessados para a vida política, dando-lhes de forma legítima, clara e transparente o que muitos nem nos seus mais recondidos sonhos confessam.
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Parábola da Escola Primária de Detrás do Sol Posto


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Uma escola primária no Interior do País

A pensar no próximo acto eleitoral, o Primeiro-Ministro chamou os seus dois ministros favoritos para lhes conceder um reforço orçamental.

Ao primeiro, deu-lhe 10.000.000 de euros e ao segundo 1.000.000, salientando que era essencial que estas verbas fossem aplicadas de modo a que as próximas eleições fossem ganhas.

À saida da reunião, o Primeiro-Ministro vê, de passagem outro dos seus ministros e, não tendo nenhuma verba para lhe atribuir, não deixa de lhe recomendar que faça algo para beneficiar o País.

Antes do início da campanha eleitoral, data limite para a conclusão de tão decisiva missão, o Primeiro-Ministro convocou os seus dois colaboradores dilectos para que prestassem contas e apresentassem os resultados.

Aquele que mais recebeu foi o primeiro a falar e anunciou orgulhosamento os frutos resultantes de um investimento de 10.000.000 de euros:

Mandei construir uma ponte com quatro faixas de rodagem para que as crianças possam chegar à escola de Detrás do Sol Posto sem ter que atravessar o rio a vau nem percorrer 50 quilómetros até à travessia mais próxima.

Igualmente feliz, estava o ministro que recebera 1.000.000 euros, incapaz de esconder a excitação que quase o impedia de pronunciar com clareza:

Comprei e equipei uma excelente frota de autocarro escolares e contratei motoristas e assistentes profissionais de modo a que as crianças viagem em conforto e segurança até à escola de Detrás do Sol Posto.

O Primeiro-Ministro sentia-se feliz e confiante quando, subitamente, se lembrou de telefonar ao ministro a quem recomendara que fizesse algo de útil para o País.

Este parecia algo mais calmo do que os seus colegas, mas aparentava a segurança de quem está convicto de que as suas opções foram as mais correctas, pelo que respondeu sem hesitar:

Eu poupei dezenas de milhares de euros quando mandei encerrar a escola primária de Detrás do Sol Posto, que já não tinha nem alunos nem lá colocamos professores.

Quem troca 0.5 % do seu rendimento por um socorro eficaz?


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Linhares da Beira vista do ar

Os recentes incentivos para as empresas localizadas no Interior do País em termos de IRC, com reduções que podem alcançar os 15% no caso de novas iniciativas, bem como a possibilidade, observada por algumas autarquias, de baixar o IRS dos residentes, não pode deixar de merecer um comentário mais em jeito de interrogação.

Relativamente ao IRC, este incentivo será de alguma importância para as empresas que tiverem lucro, tal como a redução de poucos pontos percentuais na taxa de IRS apenas é relevante para quem, pelos rendimentos declarados, paga este imposto.

Quais as empresas aceitam deslocar-se para longe de centros decisionais e logísticos importantes, suportando os custos da interioridade, em troca de uma redução na taxação de lucros que poderão ou não existir nas condições adversas que terão que enfrentar?

Quantos de nós, em troco de um valor que poderá ser de escassas décimas do rendimento total, aceitará deslocar-se com a sua família para um local onde as dificuldades de socorro e assistência médica aumentaram devido ao encerramento de postos de atendimento e de urgências?

Mesmo para quem possua rendimentos acima da média e num concelho que ofereça o máximo de desconto no IRS, estamos a falar de algo que não deverá ultrapassar 0.5% do rendimento total, calculando uma taxa de 25% de IRS e um desconto de 2% por via autárquica, mas que de pouco servirá à maioria dos habitantes destas regiões, cujo rendimento e idade os coloca numa situação de exclusão económica e social.

Esta medida, que será positiva em sí mas que surge desgarrada de toda uma realidade que revela falta de planeamento, poderá ter algum sucesso num País onde o desemprego tem vindo a aumentar, mas dificilmente será o suficiente para deslocar para o Interior quem tenha as qualificações necessárias para se manter nos grandes centros urbanos, onde o acesso à educação, à saúde e a tantos outros bens e serviços necessários é francamente mais fácil do que nas áreas mais remotas.

Será que em vez de oferecer um suposto desconto, essa verba que o Estado está disposta a sacrificar, acreditando na boa fé desta medida, não seria mais útil se utilizada para reforçar os meios de socorro no Interior do País?

Alguém se lembra desta morte à espera de socorro?


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Os acidentes no IC 2 são comuns

O problema da assistência a vítimas de acidentes e o socorro em geral merece mais uma reflexão, na sequência do acidente ocorrido no IC 2 no início de Agosto e do qual resultou a morte da única vítima do camião que caiu de um viaduto com 18 metros de altura.

Estas ocorrências, sobetudo quando se verificam longe das grandes cidades, onde os meios são mais escassos e a coordenação deixa muito a desejar e ocorrem em locais que os utentes da via consideram como particularmente perigoso e com defeitos de concepção a vários níveis, não podem passar em claro e ser tratados como se fossem uma inevitabilidade ou um mero azar.

No entanto, mesmo após a aparatosa queda, o único ocupante do camião estava vivo e consciente e foi socorrido por quem passava no local que, para além do apoio possível, conseguiu dominar os focos de incêndio com recurso a extintores dos seus próprios veículos.

Infelizmente, os meios de socorro não cumpriram a sua missão em tempo útil, com o desencareceramento da vítima a demorar mais de três horas, um helicóptero de evacuação que não chegou apesar dos pedidos dos elementos do INEM e, finalmente, com a vítima a morrer por falta de assistência, a qual só podia ser dada caso tivesse sido transportada atempadamente para um hospital com as valências necessárias para o seu tratamento.

Supostamente, haverá um inquérito que esclareça o que correu mal e que explique quais as razões pelas quais um suposto conflito de jurisdição impediu a corporação de bombeiros mais próxima e com o equipamento necessário de actuar ou porque motivo não foi disponibilizado um meio aéreo para evacuar o sinistrado.

Muitas são as dúvidas que subsistem, mas no meio existe a triste certeza de que a vítima deste acidente não sobreviveu, tendo falecido horas após o sinistro e sem que tivesse sido devidamente socorrida.

Este é mais um caso a juntar a tantos outros que tem que nos deve fazer pensar e, caso necessário, introduzir as necessárias alterações no sistema de coordenação e de socorro, de modo a que mortes como estas não se repitam, mas que, passado mais de um mês e meio, parece ter sido esquecido.

Não basta aos orgãos de comunicação social passarem repetidamente uma notícia, explorando-a até ao limite quando esta parece mais mediática, e esquecendo-a quando o interesse da audiência diminui, deixando apenas à família e aos amigos o ónus de tentar manter em andamento um processo de averiguações cujas conclusões ainda se desconhecem.

Neste caso, optamos pode deixar passar algumas semanas para verificar se haveria algum seguimento informativo, confirmando as suspeitas de que, tal como em tantas outras situações, nunca mais voltariamos a ouvir falar deste acidente.

O escrutínio da opinião pública, que depende em muito dos media, é essencial para que exista um controle democrático sobre os serviços e entidades públicas, sem o que, numa próxima situação idêntica, a vítima pode ser um de nós.

Profissão: "famosinho"


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Uma festa: um meio de ascensão

Muitos se interrogam por que tantas pessoas aspiram à condição de "famosinhos", ou seja, querem ser conhecidos por motivos que em nada têm a ver com méritos ou qualidades próprias, mas tão somente por uma fama oca que resulta da presença em jornais e revistas sociais.

Podemos questionar-nos acerca de eventuais vantagens que pudessem resultar da perda de privacidade e de todos os inúmeros inconvenientes que disso resulta, mas, analisando friamente a realidade nacional, pode-se encontrar resposta para esta questão.

Se nos lembrarmos que existe uma esmagadora maioria de portugueses que, independentemente dos seus méritos, das suas capacidades ou do seu trabalho se vê ultrapassada por quem tem aquilo que chamamos, de forma eufemística, "conhecimentos no meio", facilmente podemos imaginar que um pouco de fama, mesmo que sem motivo válido, acaba por ser uma ajuda decisiva.

Infelizmente, as preferências vão no sentido de quem é conhecido, mesmo que por razões que em nada têm a ver com a situação em causa, pelo que o sacrifício de perder a privacidade bem pode ser compensado pela inegável vantagem que é dada pelo conhecimento, mesmo que este seja meramente mediático e não pessoal.

Para os que não pertencem aos 30% que, em virtude de conhecimentos, obtém um emprego acima das suas capacidades, empurrando todos os demais na escala profissional, resta, pois uma última hipóteses de uma carreira de sucesso, a de ingressar, mesmo que à força, no universo alternativo dos "famosinhos", passando a viver numa permanente fantasia de consequências imprevisíveis para os próprios e para a sociedade.

Assim, para quem nasceu sem os conhecimentos certos e, por qualquer razão, não consegue aspirar a obter os relacionamento que necessita para prosperar, resta, como uma última esperança, a inclusão entre aquilo que, para muitos, parece ser uma espécie de estranha elite nacional, cujos favores tantos disputam como forma de, também eles, serem incluidos entre a mais estranha casta do Mundo.

Publicado por nmcabecadas | 0 Comentário(s)
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