- Às vezes faço
-
Às vezes faço
Por sentir-me aliviado
Depois de um amasso.
Às vezes faço
Por imbuir palavras fortes
São delas que quero que gostes
Pela acalmia que sopra nos dedos
Quando escritas, defronte aos meu medos.
Às vezes faço
Por acreditar, que este mundo é um sonho
Que respiramos um sinal,
E porquanto, não há igual
Gesto, ou o «acordar» de um sonho!
Cruel.
Pintado pelo pincel,
Que borra os cantos da tela
As lágrimas de um rosto ausente.
Às vezes faço.
Por quebrar o embaraço
Antevejo, um nobre acesso
O qual não tenho ingresso
Fico por cá, obrigado
O material é que ficou estragado!
- Dono de Ti
-
Dono de Ti.
Estremeço com a minha voz
Um pouco ali, ou aqui
Dono de mim atroz
Dos meus sentidos loucos.
E são tão poucos,
Aqueles que me acreditam.
Meditam.
Não correspondem ao termo incerto
Das vagas palavras, o aperto
Que na alma desabrocha
Como uma Tocha
Acesa.
Dono de Ti.
Um pouco ali, ou aqui
Dono das poucas palavras
Verdadeiras.
- O que sobra?
-

Na companhia da memória
Nós humanos, somos uns valentes
Faremos, pois, um pouco de história
Para que sobre, para os nossos discentes.
- O Piano
-
Cada melodia parecia
Um canto do além,
Outros tantos, cantos, porém
Ninguém os conhecia.
Do velho piano soava
Um refrão sonante, airoso
Timbre agudo e brioso
Toda a gente o amava.
As notas eram palavras.
Harmónicos ruídos na minha mente
E que de contente, eu faria
Quem as ouvisse, e ali ficasse
Conhecendo a virtude do tempo
Implorando para que, voltasse!
Nuno Cordas
- Pântano Português
-
Perco-me
no tempo,
Perante
a azáfama do quotidiano.
Caminho
sobre o meridiano,
Ofusco
o meu alento
Diante
de traças de pessoas,
Que
olham um mundo sem tréguas
Não
há regras, nem rédeas
Oh
mundo que me sobrevoas.
Queria
um espaço no tempo
Para
designar um mortal
Que
estivesse sempre atento
À
crueldade, ao mal
Diante
deste desalento
E
Censurável Pantanal.
Nuno
Cordas
- Só um segundo, já volto à Vida!
-
A felicidade onde está?
Alcança-se, ela está dentro de nós
Adormecida.
Ainda que esquecida, e dorida,
sobrevive.
Espera pelo apelo,
pelo som das palavras mágicas,
que dão azo à sua vontade de sair...
De se soltar...
Como quem solta um pássaro de dentro de uma gaiola.
O espaço que pisamos, que olhamos, e onde nos reconhecemos,
faz parte da nossa felicidade.
Lá no fundo... quando inspiramos e reconhecemos o papel da nossa existência neste mundo, lembramos:
- A felicidade deveria ser muito mais do que imaginei!
Vou trabalhar nela
E sobreviverei...
- Troca na Vida
-
Na vida trocamos de tudo.
Trocamos vontade, bondade,
trocamos ainda o que é verdade.
Trocamos, e tudo fica mudo.
Na vida não trocamos nada.
Não trocamos a máscara, o perfil,
não trocamos porque não é gentil,
Não trocamos e a gente fica pasmada.
Na troca daquilo que se quer trocar,
trocamos ainda que não devamos a ninguém,
o orgulho da nossa mente.
Não trocamos para provocar.
Trocamos sim, para ir mais além
Sem olhar os outros, infelizmente!
nunocordas
- Feliz ano de 2010
-
Feliz ano
de
2010
A toda a comunidade Sol!
- Feliz Natal, SOL
-
De hoje, para amanhã
o meu desejo, se reflecte em Vós,
Nas vossas famílias, como um talismã
dentro do coração de todos Nós.
Já se sente, essa mística...
a quadra está à porta.
Por entre o musgo e a palha que estica
Nasce um presépio que muito importa,
no conforto dos nossos lares.
Não há gosto que dê por mal
nem mesmo a gula dos pares
de sabores. E cuidado com o sal,
Vós, os meus amigos leitores
Da comunidade Sol; FELIZ NATAL.
Nuno Cordas
- Somos Poucos
-
Somos cada vez menos.
Os Portugueses de gema,
E há quem não tenha pena,
Somos poucos.
Somos cada vez menos,
No trabalho.
Na hora do Orvalho.
Somos assim,
Um Povo sem fim.
Mas que fim?
O que está Perto?
Que país tão deserto...
De Autóctones!
Óh Brio por onde andas?
Somos poucos.
Para levar adiante...
O projecto de Futuro
Que mais parece um Furo,
Onde quem trabalha,
Trabalha pouco.
E somos poucos...
Muitos são os que querem,
E não têm como!
Neste País Ocidental.
Ancestral.
Vemos camisolas suadas,
As usadas?
São do(s) Povo(s) que nos alimentam.
Porque somos poucos.
E os que são muitos,
Na realidade são mesmo poucos.
Neste País de Guerras e Vitórias
Que virou ângulo raso.
E todos temos a vida a prazo,
Por culpa de gente.
Será gente?
Não será gente, mas sim semente
De Pecado.
Neste mercado,
Que se diz único.
Onde as pessoas, não são
O que são.
E que chatice,
Tanta burrice!
nunocordas
- No vicio da esperança
-
Fácil nesta vida airada,
No vício que nos acompanha
No desgosto. E com tamanha
Vontade, a deixo parada.
Esperando... tempos e Eros.
E onde caminhos estreitos
Nos levam a lugares direitos
Óh vida... cheia de mistérios!
Queira o mar sucumbir-me
Numa onda, e que me leve
Daqui. E para onde for...
Não é tarde, mas caíu-me
Uma espécie de esperança, como neve
Para dar à vida um pouco de côr.
- Levitando com a Alma
-
Por todo o caso estranho
Que me enfeitiça os pensamentos,
São bons os momentos,
Que recordo, que tenho,
Dentro desta caixinha, ao meu peito.
E sem qualquer defeito
Num Mundo ao meu jeito
Renuncio à realidade
Por recear a verdade.
É tarde. Será tarde?
Mas ouso dizer-te…
Sussurrar-te, e ter-te aqui
Porque hoje cresci, ao pé de ti
Nesta noite calma.
Tenho-te como paridade
A ti, minha alma.
- Palavra
-
Por leve Te tomo.
Por Ti, levemente me deixo
Seguir, e não me queixo.
Não tenho como
Julgar-Te, abraçar-Te.
Por isso Te escrevo,
Ressonante trevo,
Sorte em encontrar-Te...
E minha alma por Ti jaz,
Frase ospiciosa...
Em poesia ou em prosa,
Palavra, que aqui se faz
Com caneta, outrora com ardosa,
Para um mundo de gente capaz!
Nuno Cordas
- Revoltado
-
Lá bem no fundo ...
Reconheço esse sentimento
De desalento.
Outrora na vida,
O sentido das palavras fora invertido,
E agora é pervertido.
O jogo que joguei ontem,
Hoje me domina,
Por entre palavras esquecidas,
Muralhas caídas,
Cinzas ... E muitas cinzas,
Do fogo que tinha cá dentro.
Esmorecimento não perdoa,
Aos olhos de quem não entende,
Aos ouvidos de quem anda à toa.
E por aqui, o livro se estende
Por entre rasgos de ideias,
Que prometem andar à solta
Enquanto durar a revolta,
Deste meu espaço inexistente,
Outrora deprimente,
E que hoje me deu a volta.
- A dois
-
Esbaforido este árido vento.
Trata-se do Maior desalento
No meio de tanto calor
De tanto ardor…
Quando aceso.
E por ti estou aqui preso
Nesta aparência de ilha
Que ronda uma milha
Do meu pensamento
Ao teu desalento.
E mostra a tua voz bela…
Do cimo da tua janela
Grita como quem não grita
Mostra a tua face bonita
Declina o teu olhar
Para o mar.
Inspira-te como quem não inspira…
Este vento húmido que suspira
Por nós, os mortais
Que somos os tais
Cuja vida não premeia
Por não estarmos em colmeia.
Ser diferente, pois
É vivermos a vida a dois
Abstermo-nos do que ontem fomos
Erguermo-nos como hoje somos.