terça-feira, 6 de Julho de 2010 13:04
por
OlindaGil
Morreu a escritora Matilde Rosa Araújo
A escritora Matilde Rosa Araújo morreu hoje de madrugada, na sua casa, em Lisboa, aos 89 anos, disse à agência Lusa fonte da família. De acordo com fonte da Editorial Caminho o corpo de Matilde Rosa Araújo será velado hoje na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.
Foi com pesar que vi a notícia da morte de mais uma escritora que fez parte da minha infância através dos seus textos e contos que eram utilizados nos manuais e dos livros que abundam nas bibliotecas escolares. Conheci-a há cerca de 10 anos quando visitou a Escola EB 2,3 Gaspar Frutuoso na Ribeira Grande.

Matilde Rosa Araújo
Escritora e pedagoga portuguesa, de seu nome completo Matilde Rosa Lopes de Araújo, nascida em 1921, em Lisboa. Tendo feito os seus estudos liceais com professores particulares, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa em 1945. Teve ainda uma apurada formação musical, com a frequência do Curso Superior do Conservatório da mesma cidade.
Personalidade sempre ligada à escrita e ao ensino, foi professora do Ensino Técnico-Profissional durante longos anos, encarregando-se também da formação de professores, nomeadamente na Escola do Magistério Primário de Lisboa e no âmbito da literatura para a infância. Enquanto cidadã, tem-se ainda dedicado, no decorrer da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos.
Tendo iniciado a sua vida literária ainda no tempo da frequência universitária, Matilde Rosa Araújo colaborou abundantemente em várias publicações periódicas ao longo das décadas seguintes. Por outro lado, o conjunto dos seus livros (de poesia e narrativa) constitui um dos mais significativos trabalhos de sempre da literatura portuguesa para e sobre a infância e a juventude. De entre as cerca de três dezenas de títulos publicados, merecem destaque, pela fina sensibilidade que revelam à vivência da infância, obras como
O Livro da Tila (1957),
O Palhaço Verde (1962),
História de um Rapaz (1963),
O Reino das Sete Pontas (1974),
A Velha do Bosque (1983) e, de 1994,
As Fadas Verdes e
O Chão e a Estrela.
Matilde Rosa Araújo recebeu vários prémios de relevo no domínio da literatura para a infância. Em 1980, foi-lhe atribuído o Grande Prémio de Literatura para a Infância da Fundação Calouste Gulbenkian (ex aequo). Em 1991 ganhou, no Brasil, um prémio para o melhor livro estrangeiro, atribuído a
O Palhaço Verde pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O seu livro de poemas
As Fadas Verdes recebeu, em 1996, a distinção da Fundação Calouste Gulbenkian para o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-1995.
A autora publicou também textos de ficção para adultos e obras que demonstram as suas qualidades de pedagoga. São de sua autoria alguns volumes sobre a importância da infância na criação literária para adultos e sobre a importância da literatura infanto-juvenil na formação da criança, na educação do sentimento poético como raiz pedagógica de valia.
Em Maio de 2004 foi distinguida com o Prémio Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores.
Faleceu a 6 de Julho de 2010, aos 89 anos, na sua casa, em Lisboa.
Matilde Rosa Araújo - que dizia conhecer dezenas de estabelecimentos de ensino do continente e ilhas - mantém-se viva através da Escola Básica 2,3 de São Domingos de Rana e da Biblioteca Municipal de Alcabideche, em Cascais, que foram baptizadas com o seu nome, tal como sucedeu a um prémio revelação na literatura infantil e juvenil instituído pela autarquia daquela vila em 1998.
Fontes: