SOL

Portugalidades...

Um dos maiores vícios que está constitucionalmente previsto designa-se por "Mandato Representativo". Este atribui os nossos políticos a capacidade jurídica para nos representar mas exclui-os da "obrigação" de executar a vontade daqueles considerados como a base da soberania, de acordo com a mesma constituição. Penso que a alteração mais racional seria converter esses mandatos em Mandatos Imperativos e, deste modo, seria possível lançar as bases para uma cultura centrada na ética e no respeito pelos eleitores, pois afinal são eles os destinatários finais de tudo o que de menos bom seja projectado pelos sucessivos governos.

O caso de Sócrates configura aquilo que se designa pela "outra face da moeda" relativamente à sua actuação desde que foi eleito.
Desenganem-se quem pensa que esta onda de mau estar social geral tem como causa única o aumento dos preços do petróleo. Os altos preços do crude apenas potenciaram revoltas e sentimentos de injustiça motivados pela acção de Sócrates, a partir do momento que traçou a sua estratégia de actuação baseada no pressuposto que, para não ser surpreendido, deveria reclassificar o País como o seu feudo privado, passando por cima de tudo e de todos.

No entanto, passados estes três anos de governação os resultados dessa actuação estão a mostrar-se contrários ao pretendido pelo Primeiro-Ministro. Neste âmbito constatamos que uma substancial fatia da nossa população activa está descontente, mais pobre e constantemente ameaçada por um Estado que não se coibe do uso do seu ius imperii contra qualquer cidadão e em qualquer circunstância, algo apenas visto em períodos de ditadura que, infelizmente, parecem regressados pela capa da democracia. É que, mantendo as devidas distâncias, Adolf Hitler foi eleito Chanceler da Alemanha antes de de tornar naquilo que o mundo viveu.
Sócrates está a implementar o neoliberalismo puro e duro, sem que o Estado tenha qualquer acção sobre o mercado, o que é bastante discutivel e não está suficientemente provado que essa seja a melhor solução.

Creio mesmo que o combate ao déficit serviu de panaceia à falta de capacidade para unir os portugueses em torno de um novo paradigma para o país, que nos indique o que queremos e como o faremos, sob um desígnio nacional, da mesma forma que Scolari o conseguiu em termos de orgulho nacional e apoio à nossa Selecção Nacional de Futebol. .
Mas esta é uma matéria reservada apenas a "Políticos, com formação e visão política" e não a qualquer um que concorra a um cargo político.
Infelizmente a contestação irá continuar, o que significa que os problemas não serão solucionados e até se agravarão, tendencialmente.

Saudações a todos.
 

Publicação: quinta-feira, 19 de Junho de 2008 12:29 por onlyghost

Comentários

Sem Comentários

Para comentar necessita de estar registado