Respingos do Douro - Gloriosos Malucos em Rolamentos

São!
São Gloriosos Malucos de Uma Coisa estranha que faz barulho, muito barulho e anda que se farta… encosta abaixo!
Já muito badalados por aqui e por ali, mas cada vez com maior nomeada e, pelos vistos com seguidores entusiasmados que revelam já “enormes conhecimentos” sobre a matéria e até se constituem como claques de determinados concorrentes!
- Este, vai ser difícil ganhar-lhe!
Conhecendo a pista, é vê-lo descer como um louco…!
É isso!
Para começar, “ descendo a toda a bolina” uma “mosquito barulhento” com uma bandeira Nacional hasteada e uma sirene que berrava bem alto e em bom som, como se fosse o imitar das sirenes do carro da Polícia.
E por falar neles, por onde andam?
Vem gente e corta a estrada, coloca barreiras e até pneus nos pontos julgados mais perigosos! Somos na verdade um povo sui-generis e generoso. Sempre prontos para tudo e “ tudo vai correr bem, se Deus quiser”
Mas, aí deve vir um!
Barulho que se fosse um avião a levantar voo lá ao longe, um carro em boa velocidade mas com as jantes a rasparem o alcatrão por ter havido um furo ou um par de “ recem- casados” com o carro cheio de latas velhas, a arrastar pelo chão!
Povo não falta, espalhado pelas bermas da estrada.
- Chega-lhe.
- Dá-lhe gás!
- Olha este todo deitado! Vai-se espetar.
É claro.
O sucesso das coisas está no aparato, na divulgação do acontecimento e naquilo que eventualmente possa vir a acontecer.
O ideal é que nada aconteça.
Mas se acontecer que seja muito pouquinho, de modo a que não afaste as pessoas e, pelo contrário, as cativa para voltarem.
Lá vem um outro … e outro ainda!
Dez, quinze…ou mais.
Todos com capacete e sempre no mesmo sentido.
Está explicado porque não é preciso a presença da autoridade.
Não havia razão para passar multas, até porque o peso é quase só o do condutor, os “ pneus” são de ferro e os travões estão “afinadinhos”
Acabou a primeira descida!
Rebocados por carrinhas, moto4 ou motorizadas aí vêm eles encosta acima, bem mais devagar.
Num dos mosquitos, obra de arte e imaginação, sem dúvida, imitando um bólide da Fórmula 1 pareceu-me ver Emerson Fittipaldi!
Acena para um lado e para o outro, saudando o povo que o aclama!
Não era.
Era só alguém que aproveitou a boleia para chegar sem esforço ao alto do santuário.
Segunda descida.
Terceira.
Estranho. Já não há Povo. Tudo foi embora, talvez porque tudo está a correr bem e não há acidentes a registar.
Até a Televisão foi embora…!
Olhem, para que é que eu escrevi isto!
Não é que mesmo em frente à minha janela um destemido concorrente acaba de dar uma enorme cambalhota, vai de encontro aos pneus e…nada…retoma o bólido e aí vai ele ao encontro da meta.
Teve sorte.
Não se magoou e os estragos foram diminutos.
Já acabou!
Passaram todos juntos, já mais devagar e em alegre convívio.
Ao contrário do Circuito de Vila Real, não havia povo para os aplaudir.
É pena…
Mas, nem por isso vão deixar de ser “saudáveis loucos” destes andarilhos, penso eu.