Tive a oportunidade de acabar de ver o novo filme de Zack Snyder, outra vez adaptando uma BD de Frank Miller: 300.
A história do filme?
Simples. "Relata" a batalha de Termópilas e a história de Leónidas I, o grande herói Espartano que com apenas 300 dos seus guerreiros (e mais uma "pequena" ajuda de 6 mil e tal homens) fez frente na Grécia Antiga ao exército invasor Persa, liderado por Xerxes I, muito mais numeroso. Isto tudo durante 4 dias do verão de 480 a.C.
Ora bem, uma coisa é a realidade da batalha (ainda hoje discutida pelos historiadores), outra é um filme baseada numa BD baseada num mito que se criou acerca da batalha.
Dito isto, passemos ao filme em si.
Se já em Sin City Zack Snyder nos tinha habituado a efeitos especiais e a uma imagem surrealista, em 300 manteve boa parte disso, mas perdeu a "mística". 300 já não é uma BD em filme (como Sin City) mas sim um filme "real" com cenários falsos e muitos efeitos à mistura.
Por onde posso começar... Ah! Tinha falado da história. Bem, esqueçam para já a História e digam olá ao mito, ao fantástico, ao grotesco, à virilidade e à acção!
No início do filme, narrado por um veterano, somos apresentados à sociedade Espartana, uma sociedade dura e fria que cria os seus filhos para serem máquinas de guerra e seguirem a rígida Lei espartana. É-nos assim contada a história do rei Leónidas e de como ele foi educado em severidade para tornar-se num temerário e viril Rei-Guerreiro espartano.
Passo seguinte: a invasão Persa.
Após uma negociação "falhada" com o mensageiro do Rei Xerxes, Leónidas decide retardar a invasão iminente e combater o exército Persa não obstante estarem a decorrer os Jogos e ser aconselhado em contra pelo oráculo. Ou seja, vai lá contra tudo e todos porque crêe que é o que deve fazer. Pura Honra e Orgulho.
Após delinear o seu plano de "afunilar" o exercito Persa, Leónidas reúne o seu pequeno corpo de elite e, com a ajuda de alguns outros gregos, decide enfrentar o poderoso exercito persa em Termópilas.
O resto? Seria contar o filme. Mas se lerem um pouco de História, hão de saber o final, e a importância desta batalha (e mais, a importância da decisão de Leónidas).
Passando à análise do filme propriamente dita;
Pontos positivos:
É de realçar que surpreendentemente o filme segue bastante bem a História e os pontos fundamentais, viragens nos eventos e até mesmo frases lendárias ("venham cá buscá-las").
As cenas de batalha são intensas q.b. e a acção está bem encadeada. Visualmente o filme é rico e diferente. Em termos de realização tem uns bons pormenores e no final, arremata bem o "conto". Para mim Zack Snyder portou-se bem.
Como nota especial: Meninas, nunca hão de ver abdominais tão bem definidos num quarentão como neste filme. Meninos, usem essa desculpa para levar as miúdas a ver um filme cheio de acção, porrada e sangue.
Pontos negativos:
O exagero para o grotesco algumas personagens (principalmente do lado Persa) e o abuso na testosterona e virilidade dos Espartanos são dois dos pontos negativos mais fortes. A irrealidade de certas personagens torna mais credível os orcos do Senhor dos Anéis do que alguns dos persas.
Depois há a imagem e os fundos produzidos por computador,... São engraçados e dão um certo ambiente, mas cansam rapidamente... E as cenas de batalha com muitos "slow-motions" e toneladas de "ketchup" virtual... Falham também na credibilidade. Mas isso foi a escolha de Snyder. Infelizmente, dentro de uns anos, 300 há de cair no ridículo das técnicas desactualizadas. Não há de ser um filme de culto.
Resumindo e concluindo, 300 é um filme sobre honra, coragem e orgulho com muita testosterona à mistura. É um filme épico sobre homens extraordinários que fizeram algo impossível tendo em conta as suas hipóteses. É sobre lutar contra todas as possibilidades e defender os seus valores acima de quaisquer outros.
300 é o verdadeiro blockbuster épico.
Recomendado!
Nota final: 8.5/10