É por demais evidente de que, em Portugal, sob o ponto de vista exclusivamente político, as coisas não andam melhores do que económica e financeiramente.
Posto isto, parece-me que surge perante nós a necessidade de lançarmos a crucial questão: até que ponto o Povo se identifica com a fórmula política do Partido Socialista e se preocupa com a intenção dos partidos da direita desejarem a modificação dos mecanismos governamentais?
Será a Constituição uma mera ficção?
Será a soberania do povo uma mera ficção?
Será a maioria parlamentar (quando existe) uma mera ficção, sendo por isso a representação do povo, uma ficção ainda mais congruente?
Tudo questões a ser reflectidas por todos, e com grande profundidade.
Agora existe algo que sem me parecer, dou como certo, que é consubstanciado pelo facto de que, ao lado da enorme maioria que pelo trabalho ainda vai tratando da vida, as camarilhas políticas também na política tratam da sua, sendo bem provável, de que os interesses dos partidos se distingam vincada e grosseiramente dos interesses do País.
E, se atentarem bem nas promessas dos programas e nos actos do governo, comparando discursos e factos, conhecendo o bota abaixismo, o tal “dessous” da política de muitas campanhas políticas que ostentando a pretensão de moralizadoras (encetadas pelos “adversários” das facções a derrubar), visam unicamente a apropriação do poder, será caso para podermos afirmar que; causa espanto o facto do povo não se revoltar, pois bem o poderia fazer, tal o estado em que as coisas chegaram.
Mas se o povo não se revoltou, separou-se pelo menos da crosta putrefacta da política. Tornou-se céptico na sua natureza. A grande maioria das pessoas vai levando a vida à “parte”, mostrando-se insensível aos sucessivos pedidos de reforma do processo do governo público. Desdenham do sufrágio e medem-nos a todos, os políticos, pela baixa craveira do seu completo desprezo,
Talvez seja ingénuo da minha parte querer que a moral norteie a política.
Se porém ingénuo, existe algo que se constata, é que a desordem e a imoralidade políticas têm tido um efeito corrosivo neste povo e neste País. E o abastardamento do carácter nacional (por vezes coadjuvado por supostas “éticas de responsabilidade” por parte de entes políticos irresponsáveis), não pode deixar de influir no desenvolvimento e evolução de um povo, sob quaisquer aspectos que queiramos ter em conta nos nossos juízos.