<?xml version="1.0" encoding="UTF-8" ?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" href="http://comunidade.sol.pt/utility/FeedStylesheets/rss.xsl" media="screen"?><rss version="2.0" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"><channel><title>A Educação do Meu Umbigo ao Sol</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/default.aspx</link><description>Textos, memórias e imagens sobre as maleitas da Educação que nos vão servindo a frio.
Extensão do blogue A Educação do Meu Umbigo</description><dc:language /><generator>CommunityServer 2.1 (Debug Build: 60809.935)</generator><item><title>Mas Porque Somos Obrigados A Pagar Salários a Estes Senhores?</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2008/01/18/Mas-Porque-Somos-Obrigados-A-PAgarSal_E100_rios-a-Estes-Senhores_3F00_.aspx</link><pubDate>Fri, 18 Jan 2008 11:25:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:503908</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>2</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/503908.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=503908</wfw:commentRss><description>&lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;h2&gt;&lt;a href="http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317014&amp;amp;idCanal=57"&gt;&lt;font color="#8a3207"&gt;Opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es suspeitas do BCP acompanhadas desde 2001&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;font color="#8a3207"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Banco de Portugal (BdP) acompanhou opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de compra de ac&amp;ccedil;&amp;otilde;es pr&amp;oacute;prias realizadas pelo Banco Comercial Portugu&amp;ecirc;s (BCP) durante os &amp;uacute;ltimos aumentos de capital mediante o recurso a sociedades sediadas em pra&amp;ccedil;as financeiras &amp;ldquo;off-shore&amp;rdquo; e conhecia os cr&amp;eacute;ditos concedidos a membros dos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os sociais do banco privado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o referidas em cartas trocadas entre o BdP e o BCP entre 2001 e 2004, a que o P&amp;Uacute;BLICO teve acesso, que culminaram com o banco central a ordenar &amp;agrave; administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o liderada por Jardim Gon&amp;ccedil;alves que corrigisse as situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que na altura foram consideradas irregulares. A documenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dirigida pelo BdP &amp;agrave; administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do BCP est&amp;aacute; toda assinada pelo ent&amp;atilde;o vice-governador, Ant&amp;oacute;nio Marta, que tinha o pelouro da supervis&amp;atilde;o, fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es que desempenhou at&amp;eacute; Abril de 2006.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Este epis&amp;oacute;dio BCP tem todos os ingredientes que h&amp;aacute; anos me fazem ser profundamente cr&amp;iacute;tico do simulacro de estado de Direito e de democracia que vivemos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que n&amp;atilde;o significa uma cr&amp;iacute;tica &amp;agrave; Democracia com sistema e de mim um radical defensor do fim do regime.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apenas um c&amp;eacute;ptico profundo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a esta teia de influ&amp;ecirc;ncias, compadrios, rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es estranhas, omiss&amp;otilde;es, inac&amp;ccedil;&amp;otilde;es, etc, etc, etc, que &amp;eacute; a verdadeira raz&amp;atilde;o do subdesenvolvimento nacional. A culpa n&amp;atilde;o &amp;eacute; do tost&amp;atilde;o do mexilh&amp;atilde;o. &amp;Eacute; de um nevoeiro opaco que esconde de todos n&amp;oacute;s o funcionamento das mais altas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Estado, em particular das que t&amp;ecirc;m como &lt;strong&gt;&amp;uacute;nica&lt;/strong&gt; fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscalizar a forma de funcionamento das v&amp;aacute;rias actividades econ&amp;oacute;micas. &lt;a href="http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1317020"&gt;&lt;font color="#8a3207"&gt;E como decidem o que decidem&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem poder&amp;iacute;amos acreditar apenas em incompet&amp;ecirc;ncia. Hoje ultrapass&amp;aacute;mos essa fase.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os &lt;em&gt;const&amp;acirc;ncios cinzent&amp;otilde;es&lt;/em&gt; ou os &lt;em&gt;amarais bonacheir&amp;otilde;es&lt;/em&gt;, entre muitos outros vitais, vitorinos e vitalinos, alegados g&amp;eacute;nios indemonstrados da nossa sociedade, sempre acolchoados em espaldares dourados, num rotativismo carreirista, politica e civicamente obsceno, em que o ministro que atribui concess&amp;otilde;es por parte do Estado &amp;eacute; depois quem vai dirigir a empresa beneficiada e a partir da&amp;iacute; vai renegociar com o Estado ou em que um pol&amp;iacute;tico inepto se mant&amp;eacute;m anos &amp;agrave; frente de uma entidade reguladora central, que v&amp;ecirc; mas n&amp;atilde;o age, l&amp;ecirc; mas omite, esquecendo os seus deveres para com a res publica, s&amp;atilde;o aqueles que afastam o cidad&amp;atilde;o comum do interesse pela pol&amp;iacute;tica e desmobilizando-o de qualquer forma de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por julg&amp;aacute;-la in&amp;uacute;til.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se querem encontrar os verdadeiros anti-democratas procurem-nos nestes lugares de topo, com &amp;laquo;privil&amp;eacute;gios&amp;raquo; a s&amp;eacute;rio e com uma &lt;em&gt;accountability&lt;/em&gt; ris&amp;iacute;vel. Porque estes nem sequer v&amp;atilde;o a votos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E os ruins s&amp;atilde;o os professores?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E o demagogo sou eu?&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=503908" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Inac_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Inac&amp;#231;&amp;#227;o</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Promiscuidade/default.aspx">Promiscuidade</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Pol_26002300_237_3B00_tica/default.aspx">Pol&amp;#237;tica</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Incompet_26002300_234_3B00_ncia/default.aspx">Incompet&amp;#234;ncia</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Nevoeiro/default.aspx">Nevoeiro</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Neg_26002300_243_3B00_cios/default.aspx">Neg&amp;#243;cios</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Portugal/default.aspx">Portugal</category></item><item><title>O Novo Modelo de Gest&#227;o Escolar: Queira Ou N&#227;o a Av&#243;zinha &#201; Obrigada a Atravessar a Estrada</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2008/01/03/O-Novo-Modelo-de-Gest_E300_o-Escolar_3A00_-Queira-Ou-N_E300_o-a-Av_F300_zinha-_C900_-Obrigada-a-Atravessar-a-Estrada.aspx</link><pubDate>Thu, 03 Jan 2008 17:56:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:480995</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>2</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/480995.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=480995</wfw:commentRss><description>&lt;div class="snap_preview"&gt;
&lt;p&gt;&lt;img align="left" height="246" src="http://www.oralchelation.com/calcium/images/prod011.gif" width="107" /&gt;Quando se produz legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o depreende-se com naturalidade 
que isso resulta de uma necessidade sentida pela sociedade ou por um dos seus 
sectores ou ent&amp;atilde;o que existe um problema &amp;oacute;bvio por resolver que o poder pol&amp;iacute;tico 
sente por bem satisfazer e/ou resolver.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De acordo com esta ideia, &lt;strong&gt;seria de esperar que a proposta de novo Regime 
Jur&amp;iacute;dico de Autonomia, Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Gest&amp;atilde;o dos Estabelecimentos P&amp;uacute;blicos, 
etc, et , viesse responder a uma necessidade premente de alterar o anterior 
regime institu&amp;iacute;do pelo &lt;a href="http://www.fenprof.pt/?aba=27&amp;amp;cat=109&amp;amp;doc=156&amp;amp;mid=115"&gt;decreto-lei 
115/98 de 4 de Maio&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ora &amp;eacute; essa parte que n&amp;atilde;o se nota bem. No intr&amp;oacute;ito justificativo do novo 
regime escreve-se que:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;O programa do XVII Governo Constitucional identificou a necessidade de 
revis&amp;atilde;o do Regime Jur&amp;iacute;dico de Autonomia, Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Gest&amp;atilde;o das escolas no 
sentido do refor&amp;ccedil;o da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das fam&amp;iacute;lias e comunidades na direc&amp;ccedil;&amp;atilde;o 
estrat&amp;eacute;gica dos estabelecimentos de ensino e no favorecimento da constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 
lideran&amp;ccedil;as fortes.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O que n&amp;atilde;o se vislumbra com rigor &amp;eacute; &lt;strong&gt;como foi identificada tal necessidade e 
porque &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio refor&amp;ccedil;ar aquilo que j&amp;aacute; existia e que, em boa verdade, foi a 
parte a que os destinat&amp;aacute;rios do RAAG de 1998 menos pareceram sens&amp;iacute;veis&lt;/strong&gt;, 
visto que tanto a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das fam&amp;iacute;lias como dos actores presentes na 
&amp;ldquo;comunidade&amp;rdquo; mantiveram-se, por regra, olimpicamente residuais no funcionamento 
das escolas. Ali&amp;aacute;s, basta conhecer como funciona a larga maioria das Assembleias 
de Escola para perceber isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E o que &lt;strong&gt;o Governo e o ME n&amp;atilde;o explicam &amp;eacute; a raz&amp;atilde;o ou raz&amp;otilde;es que fundamentam 
a necessidade de refor&amp;ccedil;ar o que j&amp;aacute; existe, sendo que o que j&amp;aacute; existe n&amp;atilde;o parece 
ter sido considerado muito &amp;uacute;til pela generalidade dos destinat&amp;aacute;rios&lt;/strong&gt;. Para 
al&amp;eacute;m de uma inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o program&amp;aacute;tiva voluntarista, o que pressionou ou instou o 
Governo e o ME neste sentido?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;strong&gt;J. Matias Alves&lt;/strong&gt; j&amp;aacute; produziu &lt;a href="http://terrear.blogspot.com/2007/12/descubra-as-diferenas.html"&gt;e 
comentou&lt;/a&gt; uma tabela comparativa dos dois diplomas que incluo em seguida 
(&lt;strong&gt;&lt;a href="http://educar.files.wordpress.com/2008/01/compara.pdf" title="compara.pdf"&gt;compara.pdf&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), 
para quem quiser estabelecer os necess&amp;aacute;rios paralelismos entre o que se prop&amp;otilde;e e 
o que j&amp;aacute; existe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A conclus&amp;atilde;o mais &amp;oacute;bvia &amp;eacute; que, como na anedota, &lt;strong&gt;a velhinha cega &amp;eacute; obrigada 
pelos escuteiros a atravessar a rua, queira ou n&amp;atilde;o, precise disso ou n&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;. Se 
necess&amp;aacute;rio atravessa a rua &amp;agrave; for&amp;ccedil;a e &amp;agrave; paulada. Mas atravessa. Porque os 
escuteiros, muito bem-intencionados, acham que as boas ac&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o para se 
praticar, independentemente da sua real necessidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;N&amp;atilde;o existe nada de francamente inovador neste novo regime para al&amp;eacute;m da 
redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do papel dos professores na administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e gest&amp;atilde;o das escolas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;A possibilidade de se optar por uma Direc&amp;ccedil;&amp;atilde;o Executiva de tipo unipessoal 
j&amp;aacute; existe&lt;/strong&gt; (ver artigo 7&amp;ordm; do decreto-lei 115) emas foi raramente usada, pelo 
que n&amp;atilde;o se percebe a urg&amp;ecirc;ncia em torn&amp;aacute;-la a solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;uacute;nica e obrigat&amp;oacute;ria. As 
lideran&amp;ccedil;as fortes j&amp;aacute; existem, com ou sem Direc&amp;ccedil;&amp;otilde;es Executivas. As fracas 
continuar&amp;atilde;o a existir, mesmo se s&amp;oacute; com a f&amp;oacute;rmula da Direc&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;J&amp;aacute; existe um &amp;oacute;rg&amp;atilde;o fiscalizador da ac&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Conselho Executivo ou 
Direc&amp;ccedil;&amp;atilde;o Executiva, onde tinham assento representantes das fam&amp;iacute;lias e comunidade 
(artigo 9&amp;ordm;). &amp;Eacute; a Assembleia de Escola,&lt;/strong&gt; que &amp;eacute; &lt;em&gt;&amp;laquo;respons&amp;aacute;vel pela defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o 
das linhas orientadoras da actividade da escola&amp;raquo;&lt;/em&gt; (artigo 8&amp;ordm;), De fundamental 
s&amp;oacute; se altera o peso relativo dos actores em presen&amp;ccedil;a no futuro Conselho Geral e 
o equil&amp;iacute;brio das for&amp;ccedil;as em presen&amp;ccedil;a. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;
&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;A quest&amp;atilde;o da autonomia e a possibilidade de se estabelecerem contratos 
ocupa parte importante do diploma ainda em vigor&lt;/strong&gt; (cap. VII, a partir do art&amp;ordm; 
47&amp;ordm;), pelo que n&amp;atilde;o se entende porque, perante a escassez da procura das escolas 
e agrupamento, agora se passou a achar que essa deve ser a via a seguir ou a 
quem serve exactamente esse tipo de contratualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;Ou seja, este novo regime jur&amp;iacute;dico aparenta surgir sem que se perceba que 
lacunas vem colmatar, que anseios vem satisfazer e que fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o usa para 
justificar a op&amp;ccedil;&amp;atilde;o por refor&amp;ccedil;ar aquilo que foi mais rejeitado no regime ainda em 
vigor.&lt;img align="right" height="246" src="http://www.oralchelation.com/calcium/images/prod011.gif" width="107" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que acontece &amp;eacute; que, em termos claros, existe uma mensagem e uma estrat&amp;eacute;gia 
que se pretendem impor: &lt;strong&gt;a mensagem &amp;eacute; a de que menos professores na gest&amp;atilde;o da 
escola e com menos poder &amp;eacute; a solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o certa&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;A estrat&amp;eacute;gia &amp;eacute; que se as 
escolas e as comunidades n&amp;atilde;o querem adoptar o modelo que o Estado central 
pretende, ent&amp;atilde;o o Estado Central obriga&lt;/strong&gt; - em nome da santa descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o 
e da bendita autonomia - &lt;strong&gt;a sua adop&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;nbsp; por decreto&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo em nome das melhores inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Como na hist&amp;oacute;ria dos escuteiros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se a velhinha acabar atropelada ao tentar regressar ao trajecto que desejava 
fazer ser&amp;aacute; apenas um dano colateral ou, na terminologia 
&lt;em&gt;valteriana-rodriguista&lt;/em&gt; (com toques de &lt;em&gt;pedreirismo&lt;/em&gt;) um 
&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;laquo;efeito perverso da legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;raquo;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre este assunto &lt;a href="http://educar.wordpress.com/"&gt;por aqui&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=480995" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Educa_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Educa&amp;#231;&amp;#227;o</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Gest_26002300_227_3B00_o/default.aspx">Gest&amp;#227;o</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Reforma/default.aspx">Reforma</category></item><item><title>A Avaliação É Uma Questão de Curvas?</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2007/12/28/A-Avalia_E700E300_o-_C900_-Uma-Quest_E300_o-de-Curvas.aspx</link><pubDate>Fri, 28 Dec 2007 14:52:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:473673</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>1</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/473673.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=473673</wfw:commentRss><description>&lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Em mat&amp;eacute;ria de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos funcion&amp;aacute;rios
do Estado, este Governo (seguindo nisso as pisadas dos do PSD/CDS)
assume como v&amp;aacute;lido o paradigma da distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o regular da &lt;em&gt;performance &lt;/em&gt;dos indiv&amp;iacute;duos de acordo com &lt;strong&gt;&lt;a href="http://hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/Hbase/math/gaufcn.html"&gt;a chamada curva de Gauss ou curva em sino&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, em mat&amp;eacute;ria de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alunos todo o seu paradigma
&amp;eacute; outro, retomando as cr&amp;iacute;ticas que desde os finais dos anos 60 foram
feitas &amp;agrave; curva de Gauss e em defesa da &lt;a href="http://www.grand-blanc.k12.mi.us/qip/j-curve.htm"&gt;&lt;strong&gt;chamada curva em J&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;,
a qual se considera ser a mais adequada express&amp;atilde;o estat&amp;iacute;stica de
desej&amp;aacute;vel sucesso educativo que acredita que todos (ou quase) os
indiv&amp;iacute;duos podem atingir a excel&amp;ecirc;ncia ou mestria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Entre n&amp;oacute;s as teorias da &amp;ldquo;Pedagogia do Sucesso&amp;rdquo; associadas &amp;agrave;
defesa da curva em J para a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alunos tem
sido um tema recorrente desde os anos 70,&lt;/strong&gt; por vezes em forma de
teoria persuasiva e defensora da igualdade de oportunidades (mas dando
o salto il&amp;oacute;gico para a igualdade de resultados), em outros casos como
imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o quase absoluta a partir do aparato legislativo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Atravessamos neste momento uma das fases em que a tutela quer
impor, em simult&amp;acirc;neo, a curva de Gauss para a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos docentes e
a curva em J para a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alunos&lt;/strong&gt;. O que em termos te&amp;oacute;ricos
n&amp;atilde;o deixa de ser interessante do ponto de vista da absoluta incoer&amp;ecirc;ncia
conceptual, como j&amp;aacute; tentei aqui v&amp;aacute;rias vezes sublinhar. At&amp;eacute; aos 17-18
anos o sucesso e a excel&amp;ecirc;ncia s&amp;atilde;o uma garantia, com cau&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica,
a partir dos 23-24 uma miragem estat&amp;iacute;stica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;No meu caso numa procurei adaptar a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos meus alunos a qualquer tipo de curva, contra-curva, onda, ondinha ou caracol. &lt;/strong&gt;Por
isso nunca me deixei emocionar por nenhuma das teses, que considero
razoavelmente datadas e com graus de validade emp&amp;iacute;rica meramente &amp;agrave;
macro-escala e que se dapta com dificuldade a grupos pequenos formados
de modo n&amp;atilde;o-aleat&amp;oacute;rio (caso da curva de Gauss) ou ent&amp;atilde;o meros
exerc&amp;iacute;cios volitivos teoricamente bem-intencionados (curva em J).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por isso &lt;strong&gt;nunca consegui achar grande gra&amp;ccedil;a &amp;agrave;s teorias de De Landsheere&lt;/strong&gt; - a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da teoria de Gauss seria um m&amp;eacute;todo de selec&amp;ccedil;&amp;atilde;o artificial dos alunos - &lt;strong&gt;que foram servidas &amp;agrave; saciedade  na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de professores nos &amp;uacute;ltimos 20-30 anos entre n&amp;oacute;s&lt;/strong&gt;.
Ali&amp;aacute;s, se fossem v&amp;aacute;lidas e evidentes, seria estranho que quem foi
(de)formado com base nelas n&amp;atilde;o consiga, posteriormente, encontrar
maneira de as aplicar na realidade que enfrenta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nem aceito que, por n&amp;atilde;o concordar com a tal curva J,  me sejam imputadas malfeitorias intelectuais e elitismos sociais&lt;/strong&gt;
como aqueles que as obras de vulgariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da &amp;laquo;Pedagogia do Sucesso&amp;raquo;
gostaram de lan&amp;ccedil;ar sobre todos os que com elas n&amp;atilde;o concordam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img align="left" height="320" src="http://i30.photobucket.com/albums/c347/PauloG/Hori1.jpg" width="214" /&gt;Neste
caso temos um das mais populares autores desta tend&amp;ecirc;ncia (para al&amp;eacute;m do
pr&amp;oacute;prio Landsheere) com obra publicada entre n&amp;oacute;s ainda na primeira
metade dos anos 80 e que teria forte presen&amp;ccedil;a nas bibliografias
essenciais dos Ramos de Forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o Educacional e afins.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Como no seio de cada grupo de alunos a curva de Gauss &amp;eacute;
reproduzida com exactid&amp;atilde;o, a finalidade dos professores tornou-se mais
uma confronta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cada aluno com este modelo de classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o
interindividual do que o dom&amp;iacute;nio real dos objectivos pedag&amp;oacute;gicos.&lt;br /&gt;
(&amp;hellip;)&lt;br /&gt;
Se, pelo contr&amp;aacute;rio, se renunciasse &amp;agrave; classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e &amp;agrave; competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o
interindividuais, poder-se-ia chegar a uma mestria geral, ou seja, &amp;agrave;
realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela maior parte dos alunos de um m&amp;iacute;nimo de performances
previamente estabelecidas. Este &amp;eacute;, pelo menos, o ponto de vista de
certos autores que falaram de uma pedagogia da mestria (&lt;em&gt;Mastery Learning&lt;/em&gt;), tendo como alvo o dom&amp;iacute;nio geral dos objectivos estabelecidos.&lt;br /&gt;
Estes autores partem da ideia de que a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de insucesso n&amp;atilde;o pode ser
justificada do ponto de vista pedag&amp;oacute;gico. As possibilidades da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o
s&amp;atilde;o realmente ilimitadas e os eventuais insucessos escolares devem ser,
de prefer&amp;ecirc;ncia, explicados pela inefic&amp;aacute;cia dos nossos m&amp;eacute;todos e n&amp;atilde;o
pela incapacidade dos alunos. Se se assegurassem para todos os alunos
as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de aprendizagem apropriadas, a mestria seria generalizada.
(&lt;strong&gt;C&amp;eacute;sar Birzea&lt;/strong&gt;, A Pedagogia do Sucesso, Lisboa, Livros Horizonte, 1984, pp. 12-13)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Claro que actualmente vivemos, pela m&amp;atilde;o de Valter Lemos, ele pr&amp;oacute;prio
um subproduto desta matriz ideol&amp;oacute;gica em virtude do contexto espec&amp;iacute;fico
da sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o amestrada em Boston (como o era para outras paragens
Ana Benavente), um per&amp;iacute;odo em que a imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da curva em J para o
sucesso dos alunos &amp;eacute; baseado em teorias de h&amp;aacute; 40 anos, florescentes h&amp;aacute;
25 anos, mas que a realidade insiste em desconfirmar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ali&amp;aacute;s, &lt;strong&gt;as mesmas pessoas que defendem a possibilidade do sucesso
para todos os alunos, e deslocam para os docentes a culpa pelo
insucesso, s&amp;atilde;o as mesmas que depois justificam a impossibilidade de
todos ou uma parte dos docentes serem excelentes ou muito bons&lt;/strong&gt;. E n&amp;atilde;o percebem que &lt;strong&gt;a
argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da curva em J faz ricochetear a responsabilidade por essa
impossibilidade para os governantes na &amp;aacute;rea educativa que, dessa forma,
ser&amp;atilde;o respons&amp;aacute;veis por n&amp;atilde;o terem criado as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ideais para todos
os docentes poderem alcan&amp;ccedil;ar a mestria nas suas fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E nem &amp;eacute; bom falar na quest&amp;atilde;o de se criticar a concorr&amp;ecirc;ncia como
factor que pode potenciar o insucesso e depois se defender a
concorr&amp;ecirc;ncia como meio de aperfei&amp;ccedil;oam,ento da performance das
organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es escolares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E n&amp;atilde;o me venham com a desculpa de serem n&amp;iacute;veis diferentes de an&amp;aacute;lise
porque a teoria da curva em J &amp;eacute; de tipo totalit&amp;aacute;rio e excludente (como
a da curva de Gauss ou &lt;em&gt;Bell Curve&lt;/em&gt;, na formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o angl&amp;oacute;fona),
pois arrasa as teorias advers&amp;aacute;rias com teorias de tipo &amp;eacute;tico e moral em
cima dos argumentos &amp;ldquo;cient&amp;iacute;ficos&amp;rdquo;. O que &amp;eacute; habitual em todas as teorias
que pretendem a homogeneiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o for&amp;ccedil;ada do comportamento humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No meu caso, j&amp;aacute; afirmei que discordo das tentativas para fazer encaixar a realidade neste tipo de modelos te&amp;oacute;ricos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A principal raz&amp;atilde;o &amp;eacute; improv&amp;aacute;vel, ou talvez n&amp;atilde;o: cada vez mais
acredito que sou um liberal radical nato, crente nas leis da livre
concorr&amp;ecirc;ncia e da express&amp;atilde;o individual das capacidades de cada um, a
partir de uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o b&amp;aacute;sica de igualdade de oportunidades. N&amp;atilde;o gosto
de quotas para nada e muito menos da obedi&amp;ecirc;ncia a grelhas estat&amp;iacute;sticas
ou metateorias n&amp;atilde;o ancoradas devidamente na realidade. &lt;strong&gt;Acho que a concorr&amp;ecirc;ncia deve obedecer a regras, mas estas s&amp;atilde;o linhas condutoras e n&amp;atilde;o espartilhos.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Que depois os pseudo-liberais ou pseudo-igualitaristas s&amp;oacute; o sejam em
parte da sua argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o apenas me incomoda parcialmente, pois em boa
verdade essa forma de argumentarem &amp;eacute; extremamente &amp;uacute;til por lhes deixar
todo um flanco aberto &amp;agrave; cr&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=473673" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Educa_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Educa&amp;#231;&amp;#227;o</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Teorias/default.aspx">Teorias</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Incoer_26002300_234_3B00_ncias/default.aspx">Incoer&amp;#234;ncias</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Avalia_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Avalia&amp;#231;&amp;#227;o</category></item><item><title>Cinco Erros que Pagaremos Caro</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2007/12/28/Cinco-Erros-que-Pagaremos-Caro.aspx</link><pubDate>Fri, 28 Dec 2007 14:48:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:473668</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/473668.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=473668</wfw:commentRss><description>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;

&lt;p&gt;A actual pol&amp;iacute;tica educativa assenta em muitos equ&amp;iacute;vocos, chav&amp;otilde;es mal
demonstrados, fundamenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es erradas e muitos an&amp;uacute;ncios de &amp;ldquo;sucessos&amp;rdquo; que n&amp;atilde;o
passar&amp;atilde;o de falhan&amp;ccedil;os a curto ou m&amp;eacute;dio prazo. &lt;strong&gt;Algumas das medidas
erradas&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;ir&amp;atilde;o demonstrar a sua invalidade daqui por uma
m&amp;atilde;o-cheia de anos, enquanto outras que se anunciam ter&amp;atilde;o efeitos devastadores a
mais longo prazo, para l&amp;aacute; de 2013&lt;/strong&gt;, que &amp;eacute; o horizonte da actual
governan&amp;ccedil;a. Quando se realizarem as provas de um hipot&amp;eacute;tico PISA 2018
perceberemos isso, mas entretanto j&amp;aacute; ter&amp;aacute; sido deitada fora a pouca &amp;aacute;gua que
resta na banheira, o beb&amp;eacute; e tudo o que est&amp;aacute; &amp;agrave; volta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqui vou apenas alinhar aqueles que acho mais calamitosos:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;1. A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;
multiplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cursos que de profissionais ou profissionalizantes s&amp;oacute; t&amp;ecirc;m o
nome: na realidade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;"&gt;muitos CEF (ou EFA) n&amp;atilde;o
passam de uma forma de combater o insucesso escolar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; - e em menor grau o abandono - &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;"&gt;atrav&amp;eacute;s da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de
cursos praticamente sem meios t&amp;eacute;cnicos, com uma capacidade de integrar os alunos
no mercado de trabalho meramente provis&amp;oacute;ria e uma estrat&amp;eacute;gia cosm&amp;eacute;tica para dar
a entender que volt&amp;aacute;mos a ter uma esp&amp;eacute;cie de ensino t&amp;eacute;cnico interm&amp;eacute;dio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.
&lt;strong&gt;Na verdade s&amp;atilde;o muitas vezes &amp;ldquo;turmas de n&amp;iacute;vel&amp;rdquo; disfar&amp;ccedil;adas onde se
promete sucesso em troca da presen&amp;ccedil;a na escola ou, se outras asneiras
singrarem, apenas da matr&amp;iacute;cula&lt;/strong&gt;. Entre n&amp;oacute;s &lt;strong&gt;apresenta-se,
portanto, como grande iniciativa o que al&amp;eacute;m-fronteiras j&amp;aacute; come&amp;ccedil;ou a ser
questionado por fornecer uma educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de segunda qualidade&lt;/strong&gt;, sem
verdadeira rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com as necessidades de m&amp;atilde;o-de-obra e apenas iludindo os
formandos com um diploma sem especial valor para os empregadores, conhecedores
de tudo isso e que acabam por preferir trabalhadores formados atrav&amp;eacute;s da
pr&amp;aacute;tica no local de trabalho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;2. A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;
quebra de qualquer la&amp;ccedil;o de confian&amp;ccedil;a entre a maior parte da classe docente e a
tutela&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: o que acabou por acontecer nestes dois &amp;uacute;ltimos anos&lt;strong&gt; foi
a instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um clima de perfeita animosidade, repulsa e des&amp;acirc;nimo entre &lt;/strong&gt;um
n&amp;uacute;mero enorme de professore, em todos os escal&amp;otilde;es da carreira, muitos deles sem
historial de postura muito cr&amp;iacute;tica ou de ades&amp;atilde;o a &amp;ldquo;radicalismos&amp;rdquo; sindicais. &lt;strong&gt;N&amp;atilde;o
s&amp;atilde;o poucos os estudos que demonstram que sem um activo empenho dos docentes,
nenhuma reforma educativa consegue ter sucesso&lt;/strong&gt;, mesmo as que se
baseiam em press&amp;otilde;es directas sobre eles ou em truques legislativos para
&amp;ldquo;inventar sucesso&amp;rdquo;. &lt;strong&gt;Vi&amp;ntilde;ao Frago, David Tyack&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Diane
Ravitch&lt;/strong&gt; e outros t&amp;ecirc;m escrito sobre isso, desmontando os mecanismos que
fazem com que a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o legislativa, mesmo quando &amp;eacute; l&amp;iacute;mpida e transparente,
tem dificuldade em atingir o terreno concreto das realiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Por maioria de
raz&amp;atilde;o, a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o piorar&amp;aacute; quanto mais a tutela desacreditar e amesquinhar
aqueles que quer que lhe obede&amp;ccedil;am. Porque quanto maior a press&amp;atilde;o, mais forte
tende a ser a reac&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a mais curto ou longo prazo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;3. &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;
op&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela monodoc&amp;ecirc;ncia (coadjuvada) para um ciclo de escolaridade de seis anos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;:
os resultados insatisfat&amp;oacute;rios dos v&amp;aacute;rios testes comparativos do PISA demonstram
at&amp;eacute; que ponto &amp;eacute; essencial o aprofundamento das aprendizagens nos primeiros anos
da escolaridade. Ora uma op&amp;ccedil;&amp;atilde;o por um modelo generalista de doc&amp;ecirc;ncia, num pa&amp;iacute;s
onde as bases da literacia (cient&amp;iacute;fica ou outra) s&amp;atilde;o pouco firmes, &amp;eacute; algo profundamente
errado. O que os especialistas e respons&amp;aacute;veis governamentais actuais parecem
n&amp;atilde;o entender &amp;eacute; que &lt;strong&gt;os tempos, sendo de dispers&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas de
conhecimento e de alguma hiper-especializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o necessariamente de molde
a ganhar muito com educadores generalistas&lt;/strong&gt;, quando os alunos cada vez
acedem com maior facilidade a conhecimentos muito espec&amp;iacute;ficos sobre muitos
temas. Quem interpreta a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de forma superficial, considera que s&amp;atilde;o
necess&amp;aacute;rios meros t&amp;eacute;cnicos educativos com um saber pedag&amp;oacute;gico geral,
complementado com uns cr&amp;eacute;ditos disto e daquilo, tudo polvilhado com um mestrado
de pouco mais de seis meses. Quem entende o que se passa, percebe que &amp;eacute;
necess&amp;aacute;rio exactamente o contr&amp;aacute;rio. Que &lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;"&gt;ap&amp;oacute;s uma fase inicial de aprendizagem de h&amp;aacute;bitos de
trabalho, pesquisa, estudo e organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, os alunos de hoje, da
era digital e da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o r&amp;aacute;pida e acess&amp;iacute;vel, &lt;/span&gt;precisam de educadores
que tenham uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;forte&amp;rdquo; nas suas &amp;aacute;reas de especialidade, por
forma&amp;nbsp; conseguirem ajudar os seus alunos a dar sentido ao manancial
informativo dispon&amp;iacute;vel&lt;/strong&gt;. E isso n&amp;atilde;o se consegue com algu&amp;eacute;m &amp;ldquo;com umas
ideias&amp;rdquo; de Matem&amp;aacute;tica, com outras de Hist&amp;oacute;ria e mais algumas de Ci&amp;ecirc;ncias ou
L&amp;iacute;ngua Portuguesa. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;4. A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;
defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de apenas dois ciclos de escolaridade de seis anos com
pretensos&amp;nbsp;fundamentos pedag&amp;oacute;gicos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e alegando que visa reduzir o
choque das transi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para os alunos mais jovens (embora a taxa de reten&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o
confirme esse choque de forma inilud&amp;iacute;vel), quando na realidade a medida tem,
com estes actores pol&amp;iacute;ticos, meros objectivos de mascarar o insucesso escolar,
pois o que se vai pretender &amp;eacute; que s&amp;oacute; no final de cada ciclo possam existir
reten&amp;ccedil;&amp;otilde;es e que cada professor titular de turma seja directamente
responsabilizado &amp;ndash; na sua avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; pelo (in)sucesso dos alunos a seu cargo.
O que, em pa&amp;iacute;ses com uma alfabetiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o consolidada e com meios familiares
capazes de acompanhar e ajudar os alunos nos seus estudos, pode ser uma
vantagem e uma boa medida, entre n&amp;oacute;s dificilmente o ser&amp;aacute;, porque corresponder&amp;aacute;
&amp;agrave; extens&amp;atilde;o do actual modelo do 1&amp;ordm; CEB com o consequente adiamento do
aprofundamento dos conte&amp;uacute;dos abordados, que a pr&amp;oacute;pria forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o generalista dos
docentes impedir&amp;aacute;. Para al&amp;eacute;m disso, &amp;eacute; uma medida que visa reduzir o n&amp;uacute;mero de
professores no activo, sem especiais vantagens para os alunos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;5.
Um modelo errado de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o profissional e certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de compet&amp;ecirc;ncias
assente meramente numa certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o numa aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de compet&amp;ecirc;ncias ou
conhecimentos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, pois o projecto&amp;nbsp;&lt;em&gt;Novas Oportunidades&lt;/em&gt;
baseia-se na seguinte l&amp;oacute;gica: atrair quem &lt;strong&gt;sen&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;"&gt;te falta de uma
&amp;ldquo;certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; para aceder a uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o melhor, entrando num esquema de
forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o que nada de substancial lhes traz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; (e a maioria dos
potenciais empregadores sabem isso) &lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight:normal;"&gt;para al&amp;eacute;m do diploma e eventual participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em
cerim&amp;oacute;nia oficial&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;O culminar de tudo &amp;eacute; a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o
de diplomas em catadupa,&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;preparados em
centenas de centros de valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o de certifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, numa teia burocr&amp;aacute;tica que
absorve boa parte das verbas envolvidas &lt;/strong&gt;(o formador e o certificador,
por regra, ganham mais do que o formando/certificado), que depois se
apresentam, em ac&amp;ccedil;&amp;otilde;es de propaganda, como enormes sucessos de uma pol&amp;iacute;tica de
requalifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o activa com baixos n&amp;iacute;veis pr&amp;eacute;vios de qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;strong&gt;O
problema &amp;eacute; que, nem se estudam a s&amp;eacute;rio as consequ&amp;ecirc;ncias deste &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;tsunami
&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;certificador em termos de ganhos efectivos de rendimentos
pelos&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;nem estes novos diplomados s&amp;atilde;o testados de forma
independente e comparativa nas compet&amp;ecirc;ncias que supostamente adquiriram&lt;/strong&gt;.
&lt;strong&gt;E tudo acabar&amp;aacute; como os cursos do Fundo Social Europeu&lt;/strong&gt;: a m&amp;eacute;dio
prazo, constatar-se-&amp;aacute; que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o activa continua subqualificada em muitas &amp;aacute;reas
do mercado de trabalho. Apesar de dezenas e centenas de milhar de certifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es
e diplomas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas claro que, quando se perceberem os erros, a culpa nunca ser&amp;aacute; de ningu&amp;eacute;m.
Pois at&amp;eacute; aposto que os relat&amp;oacute;rios oficiais dificilmente negar&amp;atilde;o adjectiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o
abundante e entusiasmada quanto ao &amp;ldquo;sucesso&amp;rdquo;. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E&lt;em&gt; a vidinha&lt;/em&gt; continuar&amp;aacute; como sempre.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=473668" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Enganos/default.aspx">Enganos</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Educa_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Educa&amp;#231;&amp;#227;o</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Insucesso/default.aspx">Insucesso</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Teorias/default.aspx">Teorias</category></item><item><title>Gente Inteligente com Ideias Fracas</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2006/11/04/Gente-Inteligente-com-Ideias-Fracas.aspx</link><pubDate>Sat, 04 Nov 2006 15:56:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:26745</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>1</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/26745.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=26745</wfw:commentRss><description>N&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o o jornalista e opinador residente do &lt;em&gt;Expresso&lt;/em&gt; que d&amp;aacute; pelo nome de Fernando Madrinha. Pelo que leio &amp;eacute; pessoa bem informada, com opini&amp;otilde;es consensuais q. b.&amp;nbsp;e umas causas pontuais que lhe suscitam maior ades&amp;atilde;o ou avers&amp;atilde;o. &lt;strong&gt;Tudo isso acho leg&amp;iacute;timo e normal, assim como a express&amp;atilde;o de qualquer tipo de opini&amp;atilde;o sobre este ou aquele actor pol&amp;iacute;tico, acontecimento nacional ou o que se&lt;/strong&gt;ja. &lt;p&gt;Mas reservo-me o direito de, perante o que acho ser um rematado disparate em termos de argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, protestar e exercer o meu contradit&amp;oacute;rio, &amp;agrave; minha &amp;iacute;nfima escala.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a cr&amp;oacute;nica desta semana de Fernando Madrinha sobre a quest&amp;atilde;o da avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos professores &lt;strong&gt;enterra-se naquele tipo de argument&amp;aacute;rio que, repetido sem contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, corre o risco de se ir inscrevendo como verdadeiro no esp&amp;iacute;rito das&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;pessoas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Retomando uma linha de racioc&amp;iacute;nio que alguns comentadores que defendem a pol&amp;iacute;tica do Minist&amp;eacute;rio da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o gostam de usar por suporem-na irrefut&amp;aacute;vel, &lt;strong&gt;FM afirma que uma avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o sem quotas &amp;eacute; uma &lt;em&gt;contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos termos&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o percebo bem onde &amp;eacute; que FM (e alguns outros) colheram esta no&amp;ccedil;&amp;atilde;o como indesment&amp;iacute;vel. Suponho que em estudos estat&amp;iacute;sticos sobre a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da intelig&amp;ecirc;ncia humana ou sobre o desempenho dos trabalhadores em algumas organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;strong&gt;S&amp;oacute; que esses estudo&lt;/strong&gt;s - nunca devidamente identificados, mas aludidos vagamente - &lt;strong&gt;dificilmente s&amp;atilde;o generaliz&amp;aacute;veis a todo o fen&amp;oacute;meno social ou a todas as pr&amp;aacute;ticas de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou qualquer tipo de grupos e fen&amp;oacute;menos&amp;nbsp;humanos concretos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vejamos apenas dois aspectos, um de ordem pr&amp;aacute;tica e outro de ordem te&amp;oacute;rica, mas claramente interligados.&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Na pr&amp;aacute;tica&lt;/strong&gt;, n&amp;atilde;o indo mais longe e ficando apenas pela minha pr&amp;oacute;pria profiss&amp;atilde;o, acontece que eu, em quase duas d&amp;eacute;cadas,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;todos os meses, todos os per&amp;iacute;odos e todos os anos, tenho sido obrigado a avaliar mais de uma centena de alunos&lt;/strong&gt; (por vezes menos, por vezes muitos&amp;nbsp;mais). &lt;strong&gt;Quando o fa&amp;ccedil;o, fa&amp;ccedil;o-o de forma estritamente dependente do desempenho demonstrado pelos alunos individualmente e em termos relativos, claro. Mas nunca distribuo as classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es de acordo com f&amp;oacute;rmulas estat&amp;iacute;sticas ou m&amp;aacute;gicas&lt;/strong&gt;, sejam elas a curva de Gauss que fazia um professor meu da Faculdade &amp;ldquo;acertar&amp;rdquo; classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es para que os factos concordassem com a teoria, ou qualquer outro artif&amp;iacute;cio ex&amp;oacute;geno e condicionador da minha avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ali&amp;aacute;s, s&amp;oacute; assim compreendo o meu acto de avaliar como o mais equitativo e neutro poss&amp;iacute;vel. N&amp;atilde;o tenho apenas 5% de Excelentes a dar numa turma, ou 25% de Satisfaz Bastante. H&amp;aacute; turmas em que esses valores s&amp;atilde;o largamente ultrapassados, enquanto em outros s&amp;atilde;o metas demasiados long&amp;iacute;nquas. E tudo varia conforme as disciplinas que lecciono e o mesmo observo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos outros docentes. &lt;strong&gt;Em momento algum me ocorreu que, numa turma ou no conjunto de alunos que tenho, a minha avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o teria de, para ser considerada justa, depender de artif&amp;iacute;cios deste tipo. Isso seria uma limita&amp;ccedil;&amp;atilde;o perfeitamente disparatada, para al&amp;eacute;m de um atestado de menoridade a todos os envolvidos, avaliador e avaliados&lt;/strong&gt;. &lt;/li&gt;&lt;li&gt;E daqui se parte para &lt;strong&gt;a quest&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica&lt;/strong&gt; que &amp;eacute; a seguinte: admitindo que a f&amp;oacute;rmula das &amp;ldquo;quotas&amp;rdquo; &amp;eacute; cientificamente v&amp;aacute;lida (o que duvido at&amp;eacute; demonstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o em contr&amp;aacute;rio, pois h&amp;aacute; distribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es assim&amp;eacute;tricas em todo o tipo de fen&amp;oacute;menos soiciais)&amp;nbsp;&lt;strong&gt;qual a unidade de an&amp;aacute;lise que se deve tomar como base para determinar o valor da distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ldquo;ideal&amp;rdquo; de classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es?&lt;/strong&gt; Voltemos ao meu caso: deverei usar como unidade cada turma por si, o conjunto das minhas turmas ou atender ao conjunto de todos os alunos da Escola? &amp;Eacute; que toda a l&amp;oacute;gica subjacente a este racioc&amp;iacute;nio parece ser a cl&amp;aacute;ssica &amp;ldquo;l&amp;oacute;gica da batata&amp;rdquo; pois, &lt;strong&gt;se fosse real uma distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o previs&amp;iacute;vel das classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, como se justificaria que a distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o das classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es seja t&amp;atilde;o diferente entre Escolas?&lt;/strong&gt; No caso da carreira docente, uma quota geral de 5% para Excelentes e de 30% para classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es superiores a Bom baseia-se exactamente em qu&amp;ecirc;? &lt;strong&gt;Que unidade de an&amp;aacute;lise deve ser usada como padr&amp;atilde;o? Todo o conjunto dos docentes? Apenas os que est&amp;atilde;o integrados nos quadros? Segmenta-se por &amp;aacute;reas currciculares?&lt;/strong&gt; Por escal&amp;otilde;es et&amp;aacute;rios? Por zonas geogr&amp;aacute;ficas? Ou acreditamos que, &amp;agrave; moda do totalitarismo ideol&amp;oacute;gico, tudo se distribui de forma uniforme em todos os lados? &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;O que me parece &amp;eacute; que Fernando Madrinha, como muitos outros arautos deste sistema de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o por quotas, &lt;strong&gt;partilham uma concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade, das organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e dos grupos humanos, como funcionando necessariamente com base em modelos &amp;ldquo;redondinhos&amp;rdquo; e previs&amp;iacute;veis&lt;/strong&gt;. Ora sabemos h&amp;aacute; muito que esse tipo de pensamento, positivista na origem &amp;ldquo;cient&amp;iacute;fica&amp;rdquo;&amp;nbsp;e totalit&amp;aacute;rio na sua &amp;ldquo;engenharia social&amp;rdquo;, &amp;eacute; desajustado &amp;agrave;s realidades humanas que, felizmente, ainda conseguem ter &amp;acirc;nimo para serem singulares e espec&amp;iacute;ficas nas suas manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Claro que, como historiador por forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e voca&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tendo a dar demasiada aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos detalhes das situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es concretas, &amp;agrave;s singularidades,&amp;nbsp;e &lt;strong&gt;s&amp;oacute; gosto de recorrer a modelos como pontos de refer&amp;ecirc;ncia, ao contr&amp;aacute;rio de pessoas de outra forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o como&lt;/strong&gt;, apenas a t&amp;iacute;tulo de exemplo, &lt;strong&gt;economistas e soci&amp;oacute;logos&lt;/strong&gt; que asentam os seus esquemas conceptuais mais em modelos baseados nas regularidades, no c&amp;aacute;lculo das probabilidades e na elimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos elementos &amp;ldquo;estranhos&amp;rdquo; ou irregulares que perturbem a harmonia do conjunto, classificando-os como aspectos marginais e irrelevantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema &amp;eacute; que, dessa forma, e quando aplicadas a grupos humanos, essas concep&amp;ccedil;&amp;otilde;es abstractas traduzem-se em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de injusti&amp;ccedil;a para com os indiv&amp;iacute;duos e, pior do que isso, ao enquadramento for&amp;ccedil;ado da realidade &amp;agrave;s determina&amp;ccedil;&amp;otilde;es da teoria. Mas, ao que parece, &lt;strong&gt;o que est&amp;aacute; em jogo &amp;eacute; mesmo encaixar a realidade nos 3% de d&amp;eacute;fice das contas p&amp;uacute;blicas e as pessoas que se arranjem&lt;/strong&gt;. A conversa em torno do &lt;strong&gt;m&amp;eacute;rito&lt;/strong&gt; &amp;eacute; s&amp;oacute; a poeira que distrai ou perturba a vis&amp;atilde;o de quem quer, ou melhor, de quem n&amp;atilde;o quer ver mais longe. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(&lt;a href="http://educar.wordpress.com/"&gt;http://educar.wordpress.com&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paulo Guinote&lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=26745" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Ideias/default.aspx">Ideias</category></item><item><title>Os Erros da Forma&#231;&#227;o</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2006/10/07/Os-Erros-da-Forma_E700E300_o.aspx</link><pubDate>Sat, 07 Oct 2006 09:21:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:8916</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>3</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/8916.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=8916</wfw:commentRss><description>&lt;p&gt;Uma das teclas mais batidas quanto ao desempenho dos professores relaciona-se com as &lt;strong&gt;eventuais defici&amp;ecirc;ncias na sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o inicial, que estar&amp;aacute; desajustada das necessidades ou desadequada ao que faz mais falta conhecer &lt;/strong&gt;aos futuros docentes, pelo que muita gente chega&amp;nbsp;&amp;agrave; doc&amp;ecirc;ncia mal preparada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a pinguinha de autoridade moral de quem sempre recusou as solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es de avi&amp;aacute;rio, incluindo o n&amp;atilde;o ter aproveitado a entrada directa para a profiss&amp;atilde;o que me teria permitido realizar o Ramo de Forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o Educacional no seu primeiro aninho de vida - os meus colegas de turma que o fizeram est&amp;atilde;o efectivos h&amp;aacute; mais de 15 anos, eu vou no 2&amp;ordm; ano como quadro de Escola - gostaria de aqui deixar bem claro que &lt;strong&gt;a responsabilidade por essa falta de qualidade na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos docentes, se existe e acredito que exista em muitas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es exactamente vocacionadas para o efeito, &amp;eacute; apenas do pr&amp;oacute;prio Minist&amp;eacute;rio da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;, em especial antes desta divis&amp;atilde;o entre os Ensinos Superior e N&amp;atilde;o-Superior.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Recordemos que os professores n&amp;atilde;o se profissionalizam de moto pr&amp;oacute;prio, seguindo f&amp;oacute;rmulas encontradas num v&amp;atilde;o de escada, mas seguindo os tr&amp;acirc;mites e os curr&amp;iacute;culos &lt;strong&gt;aprovados superiormente. Acho especialmente interessante fazer-se um exame de ingresso na profiss&amp;atilde;o a pessoas que fizeram todo um curso vocacionado para o ensino.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ser&amp;aacute; que o Estado n&amp;atilde;o acredita em si mesmo, nas suas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es acad&amp;eacute;micas e/ou naquelas privadas cujo funcionamento autorizou?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;Eacute; verdade que &lt;strong&gt;a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o inicial dos docentes padece de v&amp;aacute;rios males, os menores dos quais n&amp;atilde;o ser&amp;atilde;o a completa desadequa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da maior parte dos curr&amp;iacute;&lt;/strong&gt;culos, enleados em teoriza&amp;ccedil;&amp;otilde;es ultrapassadas pela realidade,&lt;strong&gt; e a&amp;nbsp;falta de qualidade do pessoal docente que os lecciona&lt;/strong&gt;, tanto por desconhecimento da realidade escolar que os seus alunos ir&amp;atilde;o enfrentar quando professores do Ensino B&amp;aacute;sico ou Secund&amp;aacute;rio, como da pura e simples insuficiente capacidade cient&amp;iacute;fica para prover uma adequada forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o em profundidade e amplitude de conhecimentos.&lt;br /&gt;Nesse aspecto, n&amp;atilde;o tenho qualquer problema em afirm&amp;aacute;-lo: &lt;strong&gt;a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de docentes &amp;eacute; em muitas Universidades e ESE&amp;rsquo;s um perfeito logro&lt;/strong&gt;. S&amp;oacute; que &amp;eacute; um logro validado e certificado pelo Estado que, agora, acha ser necess&amp;aacute;rio verificar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o seria mais l&amp;oacute;gico ser fiscalizado o funcionamento dos cursos de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de docentes do que imputar aos licenciados nessa &amp;aacute;rea as insufici&amp;ecirc;ncias pelas quais n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o respons&amp;aacute;veis?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;Eacute; que h&amp;aacute; coisas que dificilmente se podem desmentir quando se fazem estudos comparativos: Portugal &amp;eacute; dos poucos pa&amp;iacute;ses em que &amp;aacute;reas de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o como a &lt;em&gt;Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o Escolar&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;Necessidades Educativas Especiais&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;TIC &lt;/em&gt;(embora estas agora estejam na moda, s&amp;atilde;o muito &amp;ldquo;choque tecnol&amp;oacute;gico&amp;rdquo;), a &lt;em&gt;Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Grupos Multiculturais de Alunos&lt;/em&gt; ou a &lt;em&gt;Gest&amp;atilde;o do Comportamento na Sala de Aula&lt;/em&gt; - &amp;aacute;reas cr&amp;iacute;ticas no nosso pa&amp;iacute;s, em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outras realidades - &lt;strong&gt;s&amp;atilde;o consideradas opcionais&lt;/strong&gt; e deixadas ao crit&amp;eacute;rio das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em nome de uma alegada autonomia universit&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em contrapartida, em pa&amp;iacute;ses como a Alemanha, a Holanda, a Dinamarca, a Su&amp;eacute;cia o Reino Unido, a Noruega, a Gr&amp;eacute;cia, etc, essas s&amp;atilde;o &amp;aacute;reas consideradas obrigat&amp;oacute;rias ou fazendo parte do &lt;strong&gt;n&amp;uacute;cleo duro dos curr&amp;iacute;culos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por c&amp;aacute;, &amp;eacute; s&amp;oacute; passar os olhos pelos curr&amp;iacute;culos aprovados e, em especial, pela pr&amp;aacute;tica corrente das aulas para percebermos que o pouco que &amp;eacute; teoricamente previsto nem sequer &amp;eacute; efectivamente cumprido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando chega a uma Escola um rec&amp;eacute;m-licenciado profissionalizado n&amp;atilde;o faz ideia do funcionamento administrativo da Escola, das compet&amp;ecirc;ncias de um Director de Turma ou&amp;nbsp;da melhor forma de organizar o espa&amp;ccedil;o de uma aula com alunos com Necessidades Educativas Especiais ou dist&amp;uacute;rbios de comportamento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas a culpa ser&amp;aacute; dele(a)?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A quem nunca ensinaram nada disso, muitas vezes porque os seus pr&amp;oacute;prios docentes tamb&amp;eacute;m nunca passaram por essa experi&amp;ecirc;ncia ou, logo que puderam a abandonaram?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda me lembro dos epis&amp;oacute;dios caricatos das aulas te&amp;oacute;ricas da minha pr&amp;oacute;pria profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, leccionada por docentes sem qualquer experi&amp;ecirc;ncia de ensino n&amp;atilde;o-universit&amp;aacute;rio ou ent&amp;atilde;o nost&amp;aacute;lgicos dos del&amp;iacute;rios experimentais de meados dos anos 70, chegando mesmo a, ap&amp;oacute;s meses de aulas, ainda sem sequer saberem que n&amp;iacute;veis de ensino leccion&amp;aacute;vamos, tendo ficado para os anais a aula em que nos foi proposta a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma planifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o na sala de aula do filme &lt;em&gt;Poderosa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Afrodite&lt;/em&gt; do Woody Allen, sendo que se estava perante um grupo de docentes variados do 2&amp;ordm; clclo do Ensino B&amp;aacute;sico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas isto &amp;eacute; tudo poss&amp;iacute;vel, apenas porque o Minist&amp;eacute;rio da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o o permitiu, o validou e o certificou.&lt;/strong&gt; A nenhum&amp;nbsp;docente na posse das suas faculdades mentais ocorreriam tamanhos dislates.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E agora a culpa &amp;eacute; dos docentes ou dos candidatos a&amp;hellip;? Brincamos?&lt;br /&gt;Mas sempre tudo feito em nome da autonomia. &lt;strong&gt;Tivesse o Estado gente com compet&amp;ecirc;ncia e coragem para definir um curr&amp;iacute;culo essencial actualizado, rigoroso e &amp;uacute;til para a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de professores e os exames de ingresso para acesso &amp;aacute; profiss&amp;atilde;o seriam desnecess&amp;aacute;rios, porque esse exame teria durado os 3, 4 ou 5 anos da repectiva licenciatura.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas textos &lt;a href="http://educar.wordpress.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=8916" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Enganos/default.aspx">Enganos</category><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Educa_26002300_231_3B0026002300_227_3B00_o/default.aspx">Educa&amp;#231;&amp;#227;o</category></item><item><title>Uma classe &#224; beira de um ataque de nervos</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2006/09/20/Uma-classe-_E000_-beira-de-um-ataque-de-nervos.aspx</link><pubDate>Wed, 20 Sep 2006 21:26:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:2224</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/2224.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=2224</wfw:commentRss><description>&lt;p&gt;Passei hoje o in&amp;iacute;cio da tarde numa reuni&amp;atilde;o geral de professores para apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e discuss&amp;atilde;o da proposta do Conselho Executivo para a chamada Ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Tempos Escolares dos alunos, vulgo &amp;ldquo;aulas de substitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o vou aqui falar sobre o concreto da discuss&amp;atilde;o, mas mais do que ressalta do estado de esp&amp;iacute;rito da maior parte dos docentes e da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que se encontra toda a classe, excepto alguns &amp;ldquo;eleitos&amp;rdquo; alinhados. Antes de mais sublinhar que &lt;strong&gt;este &amp;eacute; um Conselho Executivo que ainda discute com os docentes estas problem&amp;aacute;ticas, ouve as sugest&amp;otilde;es e adapta as suas propostas iniciais. Isto vai sendo raro ou, pelo menos, muito mais raro do que era.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E &amp;eacute; mais raro porque raz&amp;atilde;o? Porque &lt;strong&gt;a estrat&amp;eacute;gia ministerial de cortar a classe docente em duas j&amp;aacute; est&amp;aacute; em decurso h&amp;aacute; muito e com crescente sucesso&lt;/strong&gt;. Ainda antes da formaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma carreira em dois patamares, os que mandam e coordenam e os que executam e d&amp;atilde;o aulas, j&amp;aacute; os ocupantes da 5 de Outubro conseguiram aliciar parte dos docentes para a sua causa. Chamando-os para reuni&amp;otilde;es que, com o pretexto de &amp;ldquo;ouvir as escolas&amp;rdquo;, simplesmente &lt;strong&gt;serviram para aliciar os egos mais suscept&amp;iacute;veis da lisonja e exercer um controle directo sobre as Escolas e&amp;nbsp;foram conseguindo ganhar&amp;nbsp;cada vez mais Conselhos Executivos para o seu lado&lt;/strong&gt; da contenda ao apresentarem-nos como interlocutores privilegiados do &amp;ldquo;di&amp;aacute;logo com os professores&amp;rdquo;, assim&amp;nbsp;fracturando ainda mais a classe docente, j&amp;aacute; tradicionalmente atravessada por diversas divis&amp;otilde;es esp&amp;uacute;rias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o tenhamos ilus&amp;otilde;es acerca da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da classe docente, &lt;strong&gt;v&amp;iacute;tima de si mesma em primeiro lugar, em seguida da estreiteza de vis&amp;atilde;o dos que se foram arrogando do estatuto de seus representantes &amp;uacute;nicos e, agora por &amp;uacute;ltimo, da forma mel&amp;iacute;flua como a tutela acabou um trabalho de paciente desarticula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do maior corpo profissional qualificado do pa&amp;iacute;s&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os m&amp;eacute;dicos, os advogados, os arquitectos, os engenheiros, os ju&amp;iacute;zes, s&amp;atilde;o corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es profissionais fortes porque souberam organizar-se para al&amp;eacute;m das meras associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sindicais. Criaram Ordens profissionais e assim ganharam um poder de auto-regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do exerc&amp;iacute;cio da sua profiss&amp;atilde;o. Ao lado dessas Ordens surgiram sindicatos, mas com uma esfera de ac&amp;ccedil;&amp;atilde;o diversa e muito mais circunscrita que outros sindicatos, como os dos docentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso dos professores&amp;nbsp;este processo&amp;nbsp;nunca aconteceu, &lt;strong&gt;por uma longa ac&amp;ccedil;&amp;atilde;o inibidora do Estado, mas tamb&amp;eacute;m por dem&amp;eacute;rito pr&amp;oacute;prio e porque se foram alimentando as diversas divis&amp;otilde;es internas&lt;/strong&gt;. No rescaldo do 25 de Abril, os sindicatos ocuparam o espa&amp;ccedil;o de uma inexistente Ordem dos Professores e assim fomos ficando at&amp;eacute; a um ponto de n&amp;atilde;o retorno. Neste momento, um movimento a favor de uma Ordem dos Professores, tal como existe, pode ter muita raz&amp;atilde;o mas n&amp;atilde;o tem capacidade de se erguer por si, se n&amp;atilde;o estiver ao lado ou do estado ou dos Sindicatos. E nenhuma dessas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;eacute; boa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas voltando ao que temos. &lt;strong&gt;Na actualidade temos uma mir&amp;iacute;ade de sindicatos-sat&amp;eacute;lites e pouco mais de um par de sindicatos dignos desse nome, sendo que o maior deles levou os &amp;uacute;ltimos tempos em lutas intestinas pelo poder interno&lt;/strong&gt;, resultado do confronto de tend&amp;ecirc;ncias pol&amp;iacute;ticas externas e n&amp;atilde;o de vis&amp;otilde;es alternativas e coerentes para a classe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aproveitando isso e o descr&amp;eacute;dito de certas &amp;ldquo;ac&amp;ccedil;&amp;otilde;es de luta&amp;rdquo; tipo piloto-autom&amp;aacute;tico, o Minist&amp;eacute;rio conseguiu aumentar uma imagem de descr&amp;eacute;dito desses sindicatos, hostilizando-os abertamente e em alguns casos usando estrat&amp;eacute;gias inqualific&amp;aacute;veis de rebaixamento de um parceiro negocial. Em complemento, &lt;strong&gt;deslocou o espa&amp;ccedil;o de di&amp;aacute;logo com os representantes dos professores para os Conselhos Executivos&lt;/strong&gt; das escolas e agrupamentos de escolas, chamando-os para reuni&amp;otilde;es, atribuindo-lhes uma dignidade inusitada - o que em si at&amp;eacute; &amp;eacute; positivo - mas usando isso como uma t&amp;eacute;cnica d&amp;uacute;plice de controle da classe docente pois transferiu para os Conselhos Executivos - que deviam ser os &amp;oacute;rg&amp;atilde;os de coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o da execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos projectos educativos das suas escolas e n&amp;atilde;o meras extens&amp;otilde;es dos normativos&amp;nbsp;ministeriais, quantas vezes de fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o jur&amp;iacute;dica mais do que duvidosa&amp;nbsp;- a responsabilidade pela aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o rigorosa das novas directrizes pol&amp;iacute;ticas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em troca&lt;/strong&gt;, para al&amp;eacute;m do enchimento de alguns egos que andavam perdidos e insatisfeitos com o seu lugar no mundo, o Minist&amp;eacute;rio concedeu-lhes a manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os privil&amp;eacute;gios e, na pr&amp;aacute;tica, o controle efectivo da avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os outros docentes, a sua transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o numa casta vital&amp;iacute;cia e uma certa capacidade de recrutamento discricion&amp;aacute;rio de uma parte do corpo docente. As almas mais cr&amp;eacute;dulas ou&amp;nbsp;carentes de verticalidade - embora conceda que em alguns casos at&amp;eacute; poder&amp;aacute; ter existido convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es - ca&amp;iacute;ram aos p&amp;eacute;s da estrat&amp;eacute;gia e da habilidade da equipa ministerial (e &amp;eacute; importante falar em &amp;ldquo;equipa&amp;rdquo; e n&amp;atilde;o em Ministra).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Aos que resistiram&lt;/strong&gt;, explicita ou implicitamente, &lt;strong&gt;acenou-se com os castigos previstos para este tipo de insubordina&amp;ccedil;&amp;otilde;es: inspec&amp;ccedil;&amp;otilde;es regulares &amp;agrave;s escolas, processos disciplinares e aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de coimas.&lt;/strong&gt; E com redobradas exig&amp;ecirc;ncias de controle da execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das normas a implementar. Qualquer conversa sobre autonomia &amp;eacute; mera ret&amp;oacute;rica, porque quem desobede&amp;ccedil;a ou n&amp;atilde;o responda&amp;nbsp;ao arrazoado de papelada e mails que inundam por estas semanas as escolas, trer&amp;aacute; de imediato uma inspec&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;nbsp;&amp;agrave; porta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E perante isto a resist&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; quase in&amp;uacute;til ou torna-se muito dif&amp;iacute;cil e s&amp;oacute; vi&amp;aacute;vel com muita coragem perante as amea&amp;ccedil;as.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E ent&amp;atilde;o chegamos &amp;agrave;s situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es concretas nas Escolas, de negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o (nos casos mais felizes como meu) ou de mera imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dss medidas determinadas superiormente, com t&amp;eacute;nue cobertura legal, pois assume como legislado efectivamente o que ainda n&amp;atilde;o o foi por completo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E &lt;strong&gt;no micro-cosmo das escolas&lt;/strong&gt;, encontramos&amp;nbsp;&amp;agrave; lupa &lt;strong&gt;a desorienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o individual e o apego &amp;agrave;s pouca prorrogativcas que restam&lt;/strong&gt;. Os professores habituados a leccionar Secund&amp;aacute;rio a n&amp;atilde;o quererem fazer substitui&amp;ccedil;&amp;otilde;es em turmas de 3&amp;ordm; ciclo, os do 3&amp;ordm; ciclo a recusar as do 2&amp;ordm; ciclo, os professores de determinadas disciplinas a n&amp;atilde;o quererem que os seus espa&amp;ccedil;os para sum&amp;aacute;rio sejam assinados por docentes de outras &amp;aacute;reas disciplinares, um amontoado de pequenos nadas, que s&amp;oacute; existem porque as pessoas parecem n&amp;atilde;o querer largar as pequenas migalhas que pensam restar da sua dignidade profissional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um espect&amp;aacute;culo confrangedor &lt;strong&gt;numa classe que devia ser tratada com respeito e dar-se ao respeito, n&amp;atilde;o se perdendo em minud&amp;ecirc;ncias e variantes de solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mas sim procurando gferar consensos que potenciassem a sua for&amp;ccedil;a colectiva&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E isso &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel, h&amp;aacute; formas de o tentar. S&amp;oacute; que agora desculpem l&amp;aacute; mas vou jantar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paulo Guinote&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=2224" width="1" height="1"&gt;</description></item><item><title>A T&#233;cnica do Downsizing</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2006/09/18/A-T_E900_cnica-do-_3C00_em_3E00_Downsizing_3C002F00_em_3E00_.aspx</link><pubDate>Mon, 18 Sep 2006 22:09:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:1423</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/1423.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=1423</wfw:commentRss><description>&lt;p&gt;Muito tem falado a Ministra em tratar as Escolas como &amp;ldquo;organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;rdquo; e que sem isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel que elas funcionem melhor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu at&amp;eacute; acreditaria se o n&amp;atilde;o visse que na pr&amp;aacute;tica aquilo que &amp;eacute; feito mais n&amp;atilde;o passa do que a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das t&amp;eacute;cnicas do &lt;em&gt;downsizing&lt;/em&gt; empresariais quando os tempos est&amp;atilde;o dif&amp;iacute;ceis e as estrat&amp;eacute;gias deixam de resultar. &lt;strong&gt;Consiste essa t&amp;eacute;cnica em, perante sucessivos erros de gest&amp;atilde;o e acumula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de preju&amp;iacute;zos, utilizar o emagrecimento dos custos com o pessoal a principal estrat&amp;eacute;gia de &amp;ldquo;recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos resultados&amp;rdquo;.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Quem, curiosamente, nunca &amp;eacute; colocado em causa s&amp;atilde;o os respons&amp;aacute;veis por essas mesmas estrat&amp;eacute;gias erradas de gest&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &lt;strong&gt;desde o minist&amp;eacute;rio de Couto dos Santos sucedem-se erros sobre erros, dos mais variados tipos&lt;/strong&gt;, desde o errado planemento da rede escolar no caso das antigas C+S (actuais EB2+3)&amp;nbsp;e Secund&amp;aacute;rias que parece ter sido feito com desconhecimento das tend&amp;ecirc;ncias demogr&amp;aacute;ficas (na &amp;aacute;rea que melhor conhe&amp;ccedil;o&amp;nbsp;h&amp;aacute; casos de Secund&amp;aacute;rias em excesso em concelhos como o Barreiro que experimentaram uma estagna&amp;ccedil;&amp;atilde;o populacional desde os anos 80, enquanto existem sobrecargas brutais em zonas como a Quinta do Conde, por exemplo, que viveu uma explos&amp;atilde;o demogr&amp;aacute;fica no mesmo per&amp;iacute;odo), at&amp;eacute; a concep&amp;ccedil;&amp;otilde;es profundamente erradas do que deve ser o relacionamento entre os diversos agentes de ensino (neste caso, a l&amp;aacute;stima maior ter&amp;aacute; sido a passagem de Ana Benavente pela Secretaria de Estado da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o), n&amp;atilde;o esquecendo ainda a tentativa de aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o generalizada de modelos experimentais que, em nome da diversidade das experi&amp;ecirc;ncias pedag&amp;oacute;gicas, a eliminam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas perante tudo isto, &lt;strong&gt;com a evid&amp;ecirc;ncia do mau resultado das pol&amp;iacute;ticas educativas delineadas em gabinetes e remendadas a cada par de anos, opta-se por apontar o dedo aos docentes, meros pe&amp;otilde;es em tudo isto&lt;/strong&gt;, amea&amp;ccedil;ados de cima pelo Minist&amp;eacute;rio de ser absentistas, incapazes e bem pagos, e de baixo por Confap&amp;rsquo;s sempre prontas a acicatar os Encarregados e Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o contra os docentes, amea&amp;ccedil;ando-os com recursos e participa&amp;ccedil;&amp;otilde;es para Inspec&amp;ccedil;&amp;atilde;o Geral do Ensino por motivos ris&amp;iacute;veis, que seria aned&amp;oacute;tico (mas esclarecedor) enumerar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A culpa &amp;eacute; dos executores, que s&amp;atilde;o maus. Os gestores tinham excelentes ideias, os subordinados &amp;eacute; que n&amp;atilde;o as entenderam.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;J&amp;aacute; alguma vez se procurou inverter esta l&amp;oacute;gica asinina e procurar detectar nas inflex&amp;otilde;es e incoer&amp;ecirc;ncias sucessivas das pol&amp;iacute;ticas educativas, a raz&amp;atilde;o para o insucesso?&lt;/strong&gt; Haveria muito por onde come&amp;ccedil;ar, como por exemplo, e nos &amp;uacute;ltimos anos para n&amp;atilde;o ir mais longe, pela altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o das aulas que era para ser aplicada no Secund&amp;aacute;rio e come&amp;ccedil;ou pelo B&amp;aacute;sico, ou pelo perfil das &amp;aacute;reas disciplinares novas como e Estudo Acompanhado e &amp;Aacute;rea de Projecto que eram para ser uma coisa, mas depois j&amp;aacute; eram outra, acabando apenas por ser uma excresc&amp;ecirc;ncia quase in&amp;uacute;til?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E o que interessa mandar refor&amp;ccedil;ar o ensino da L&amp;iacute;ngua Portuguesa e da Matem&amp;aacute;tica, se a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de docentes nestas &amp;aacute;reas para os 1&amp;ordm; e 2&amp;ordm; ciclos tem sido feita com uma diminuta componente cient&amp;iacute;fica no curr&amp;iacute;culo acad&amp;eacute;mico dos futuros docentes, em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es dominadas por algumas das mais ineficazes concep&amp;ccedil;&amp;otilde;es pedag&amp;oacute;gicas herdadas dos anos 60 e 70, em nome de teses cr&amp;iacute;ticas e pseudo-emancipat&amp;oacute;rias?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas tudo bem. Cortem nas regalias do pessoal. Os pol&amp;iacute;ticos n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m responsabilidade alguma em tudo isto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ali&amp;aacute;s, em boa verdade, &lt;strong&gt;basta analisar o pensamento de muitos deles sobre estas mat&amp;eacute;rias para rapidamente os aceitarmos como inimput&amp;aacute;veis.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paulo Guinote&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=1423" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/tags/Des_26002300_226_3B00_nimos/default.aspx">Des&amp;#226;nimos</category></item><item><title>Sigam o Exemplo</title><link>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/archive/2006/09/16/Sigam-o-Exemplo.aspx</link><pubDate>Sat, 16 Sep 2006 15:52:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">a9b931f1-92f6-472b-bd17-d661f2473e9f:431</guid><dc:creator>paulog</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><comments>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/comments/431.aspx</comments><wfw:commentRss>http://comunidade.sol.pt/blogs/paulog/commentrss.aspx?PostID=431</wfw:commentRss><description>&lt;p&gt;Outrora, o Estado j&amp;aacute; funcionou (entre n&amp;oacute;s, durante um par de d&amp;eacute;cadas apenas) como a alavanca para a concess&amp;atilde;o de maiores direitos sociais aos trabalhadores, nomeadamente aos que no exerc&amp;iacute;cio das suas fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es contra&amp;iacute;am doen&amp;ccedil;as profissionais ou mesmo garantiundo o acesso a pessoas portadores de problemas de sa&amp;uacute;de cr&amp;oacute;nicos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora &lt;strong&gt;o Minist&amp;eacute;rio da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o inverte toda a l&amp;oacute;gica e decidiu livrar-se dos docentes indesej&amp;aacute;veis, porque portadores de problemas de sa&amp;uacute;de que os tornam incapacitados para a doc&amp;ecirc;ncia&lt;/strong&gt;. Repare-se que o Minist&amp;eacute;rio poderia at&amp;eacute; afirmar que suspeitaria que algumas incapacidades n&amp;atilde;o seria assim muito &amp;ldquo;transparentes&amp;rdquo; que as h&amp;aacute; e n&amp;oacute;s sabemos. S&amp;oacute; que isso implicaria que o Estado exercesse a sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscalizadora sobre as Juntas M&amp;eacute;dicas ou que as extens&amp;otilde;es ministeriais nas Escolas, em que se tornaram os actuais Conselhos Executivos com menos verticalidade e maior docilidade, reportassem os casos de manifesto abuso da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas n&amp;atilde;o. O Minist&amp;eacute;rio pretende apenas despejar estes docentes para outro lado qualquer, e no menor espa&amp;ccedil;o de tempo poss&amp;iacute;vel. N&amp;atilde;o interessa que, em muitas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, estas incapacidades resultem de estados psicol&amp;oacute;gicos de debilidade causados pelo exerc&amp;iacute;cio da doc&amp;ecirc;ncia em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de risco f&amp;iacute;sico e emocional. N&amp;atilde;o interessa que quem tenha doen&amp;ccedil;as de tipo profissional tenha direito a uma protec&amp;ccedil;&amp;atilde;o especial. N&amp;atilde;o. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O interesse &amp;eacute; cortar os gastos com este pessoal que, por ser &amp;ldquo;defeituoso&amp;rdquo;, deve ser lan&amp;ccedil;ado fora.&lt;/strong&gt; O que &amp;eacute; uma atitude profundamente vergonhosa. Estes docentes t&amp;ecirc;m lugar nas Escolas em outras fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es, porque se uma escola n&amp;atilde;o &amp;eacute; apenas dar aulas - como o pr&amp;oacute;prio Minist&amp;eacute;rio afirma - h&amp;aacute; muito mais que estas pessoas podem l&amp;aacute; fazer em prol da comunidade educativa. E o mais curioso &amp;eacute; que, caso se acautelem situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es em que os Conselhos Executivos possam seleccionar que fica e quem vai, eu aposto que quem fica, na generalidade das situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ser&amp;atilde;o exactamente aqueles que s&amp;atilde;o &amp;ldquo;protegidos&amp;rdquo; e que, de algum modo, fazem parte das clientelas que mant&amp;eacute;m no poder muitos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os de gest&amp;atilde;o, d&amp;eacute;cada ap&amp;oacute;s d&amp;eacute;cada. Porque h&amp;aacute; quem n&amp;atilde;o d&amp;ecirc; aulas, mas tenha outros neg&amp;oacute;cios florescentes e cujos proventos permitem recompensar quem&amp;hellip; aquela hist&amp;oacute;ria da m&amp;atilde;o que lava a outra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas o Minist&amp;eacute;rio da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o isso n&amp;atilde;o investiga, n&amp;atilde;o fiscaliza, n&amp;atilde;o detecta&lt;/strong&gt;, porque muitas inspec&amp;ccedil;&amp;otilde;es imberbes que envie para certos estabelecimentos de ensino. Prefere fazer pagar os inocentes e os inocentes mais vulner&amp;aacute;veis e fragilizados, pelos abusos de alguns, vis&amp;iacute;veis a olho nu para quem queira ver, menos para quem prefira optar pelos m&amp;eacute;todos do f&amp;aacute;cil descarte de seres humanos. Confesso que se muito me &amp;ldquo;anoja&amp;rdquo; em certas medidas ministeriais, esta &amp;eacute; daquelas para as quais considero que qualquer ced&amp;ecirc;ncia sindical, individual, &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel. Que ao menos isto seja objecto de veto pelo Presidente da Rep&amp;uacute;blica ou que seja pedida a an&amp;aacute;lise da sua constitucionalidade (sucessiva ou outra). Porque h&amp;aacute; limites para o desrespeito pelas pessoas, docentes ou outros. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paulo Guinote&lt;/strong&gt;, a partir de not&amp;iacute;cia que anuncia a prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um diploma legal do Governo que d&amp;aacute; 145 dias para os docentes incapacitados para a doc&amp;ecirc;ncia serem reconvertidos para outras fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es que, se n&amp;atilde;o aceitarem, poder&amp;atilde;o levar a aposenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o compulsiva ou licen&amp;ccedil;a sem vencimento. &lt;/p&gt;&lt;img src="http://comunidade.sol.pt/aggbug.aspx?PostID=431" width="1" height="1"&gt;</description></item></channel></rss>
