Hoje, a Guiné-Bissau saiu à rua em busca do futuro, votando pela paz, pela esperança, pela estabilidade, pelo progresso e desenvolvimento político, económico, social e cultural, em ordem à recuperação de 36 anos perdidos.
BOM DIA, GUINÉ-BISSAU! BOA SORTE, GUINEENSES!
esde muito jovem, dos tempos em que estudava nas Oficinas de São José – nos Salesianos, em Lisboa (Portugal), habituei-me a ouvir falar da Guiné-Bissau e a conviver com padres e professores que, por essas terra de além-mar, passaram anos de vida em MISSÃO, assim como com companheiros filhos de guineenses. Muitas foram as histórias de vida, comoventes umas, dramáticas outras, que nos foram contadas para satisfazer a nossa ânsia e curiosidade de saber algo de novo, particularmente por se tratar de paragens longínquas… Hoje, mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades. Os tempos são outros… Mas, na minha mente, algo ainda perdura, são os elos e as afinidades, com a irreversibilidade das suas marcas. Algumas bem profundas, no melhor e no pior sentido…
Guiné-Bissau - Onde a esperança se confunde com a barbárie… oje, na Guiné-Bissau, no seguimento dos trágicos acontecimentos, ocorridos no passado mês de Março, em que foram assassinados barbaramente o Presidente da República, João Bernardo Viera, e o Chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas, Major-General Baptista Tagmé Na Waie, o povo é chamado às urnas para eleger, livre e democraticamente, o novo Chefe de Estado. Ao acto eleitoral apresentam-se os candidatos admitidos pelo Supremo Tribunal de Justiça: Malam Bacai Sanhá, Mamadu Iaia Djaló, Henrique Pereira Rosa, João Gomes Cardoso, Kumba Yala, Luís Nancassa, Paulo Mendonça, Aregado Mantenque Té, Serifo Baldé, Zinha Vaz e Ibraima Djaló. Os candidatos Baciro Dabó, foi assassinado, e Pedro Infanda desistiu por razões de segurança, ambos na sequência dos acontecimentos de 4 e 5 deste mês. Entretanto, a acompanhar o desenrolar do acto eleitoral em todo o país, no terreno, estão os observadores internacionais da ONU, da EU e da CPLP. Guiné-Bissau - Um olhar sobre um país paupérrimo… Guiné-Bissau está situada na África Ocidental, é um país multiplamente rico em História, recursos naturais e diversidade étnica. Delimitada pelo Senegal a norte e pela Guiné-Conakry a leste, é caracterizada por uma área total de 36 125 km2, dos quais 22,4% são água. Dividida em oito regiões administrativas: Bafatá, Biombo, Bolama/Bijagós, Cacheu, Gabú, Oio, Quínara e Tombale, e o sector autónomo que é Bissau. A sua população ascende a cerca de 1,5 milhões de habitantes, a que corresponde uma densidade de 44 habitantes/km2, cujo PIB se situa em US$ 736 / per capita, revela ainda os seguintes indicadores sociais: - IDH – Índice de Desenvolvimento Humano: 0,374 - baixo; Esperança de vida: 44,8 anos; Mortalidade infantil: 112,7/mil nascimentos e 44,8% de alfabetização. A distribuição do emprego centra-se substancialmente na agricultura (87%), serviços (11%) e indústria (2%). Apesar de País de Língua Oficial Portuguesa, a Guiné-Bissau regista taxas muito baixas de utilização desse idioma, partilhando com o crioulo, língua franca globalmente dominada pela maior parte da população, e com outras línguas locais como sejam o balanta, o fula, o mandinga, o papel, o manjaco, entre outras. A Guiné-Bissau é membro da CPLP, da UEMOA, da CEDEAO, da Francofonia, da União Africana e da ONU, além dos ACP, do MNA e da OCI. As primeiras eleições multipartidárias realizaram-se em 1994. Desde a proclamação unilateral de independência, a 24 de Setembro de 1973, o país tem sido palco de diversos conflitos militares e políticos, de erupções violentas e sangrentas, da responsabilidade de agentes do Estado desviados para comportamentos criminosos, bárbaros, denunciadores de um poder paralelo arrogante, usurpador, anti-social e contra-natura, que sitia o Estado, as personalidades e as instituições; impõe-se de forma ostensivamente grosseira à Comunidade Internacional; desafia os valores universalmente aceites pela Consciência Humana no século XXI; e favorece o narcotráfico e o terrorismo de Estado. É para banir todo este clima de suspeição permanente de golpe de Estado e atitudes políticas nefastas e condenáveis, de quase quatro décadas de retrocessos, que, hoje, os candidatos presidenciais estão a ser julgados pelos Guineenses. Nas urnas, através do voto secreto e em democracia e liberdade. Faço votos ardentes, para que não falte a paz e a serenidade, tão necessárias, neste momento crucial, da sociedade guineense. Boa Sorte, Guiné-Bissau! v ________________ Paulo M. A. Martins Fortaleza (CE) Brasil
Com a devida vénia, se transcreve, abaixo, o Comunicado da Direcção do Sindicato dos Jornalistas alusivo às comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala amanhã, domingo, dia 3 de Maio de 2009. Dada a oportunidade e a sua relevância, bem como a preocupante situação que se vive no mundo da Comunicação Social, face à actual situação em Portugal, se sugere uma leitura atenta e reflexão séria e profunda. Paulo M. A. Martins 2009/MAI/02 Desemprego e precariedade ameaçam liberdade de imprensa | “Na sua habitual mensagem alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala amanhã, 3 de Maio, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) destaca, este ano, o desemprego e a precariedade entre as ameaças a este direito fundamental. | "O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa não é uma efeméride corporativa, pois destina-se, justamente, a promover junto dos cidadãos e dos povos o valor da liberdade de expressão e do direito à participação", observa a Direcção do SJ na mensagem, explicando que a concretização destes depende muito das condições em que os jornalistas exercem a sua profissão. Desemprego e precariedade ameaçam liberdade de Imprensa Mensagem do Sindicato dos Jornalistas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa – 2009 Dezasseis anos depois de ter sido proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas (1993), na sequência de uma recomendação da 25.ª Conferência Geral da UNESCO, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa continua a justificar-se como momento de reflexão dos jornalistas sobre as suas condições de trabalho e de alerta aos cidadãos sobre os atentados ao direito a uma informação livre de constrangimentos, de censura e de ameaças. Ao dedicar o Dia deste ano ao papel dos meios de informação no diálogo, compreensão mútua e reconciliação, a UNESCO, cujas celebrações oficiais no Qatar são justamente contestadas pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), por se realizarem num país onde os jornalistas não são livres de se associarem, não deixa de enfatizar a importância e a actualidade do Artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão. Este direito inclui o de não ser inquietado por causa das suas ideias; o de procurar e receber e difundir, sem limitação de fronteiras, informações e ideias por qualquer modo de expressão. “Só uma imprensa dinâmica, independente, pluralista, aberta e equitativa, livre de toda a pressão editorial mas também da censura e da influência dos seus proprietários ou de grupos de interesses, pode contribuir para o diálogo e a reconciliação”, lê-se na mensagem do director-geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura, alusiva à jornada. Dedicada aos problemas da mundialização acelerada, das dificuldades do diálogo intercultural e dos obstáculos ao entendimento entre povos, à paz e ao aprofundamento da democracia, a jornada deste ano sublinha a função dos Média como vectores do pluralismo que contribuem decisivamente para o exercício da cidadania para a participação e para a participação dos cidadãos na vida cultural, política e económica. Ao celebrar, mais uma vez, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas portugueses recorda que, não obstante a consagração formal deste direito fundamental na Constituição da República Portuguesa e nas leis ordinárias, persistem e agravam-se mesmo obstáculos concretos ao exercício pleno desse direito. Face às condições actuais, o SJ destaca os seguintes constrangimentos: • Desemprego – A pretexto da crise ou da mera racionalização de custos, sempre com sacrifício do direito ao trabalho, despedimentos em várias empresas continuaram a lançar muitas dezenas de jornalistas no desemprego nos últimos meses. Muitos outros, de entre as centenas de dispensados nos últimos anos, continuam sem trabalho. Todos estão privados de exercer a sua missão de contribuir para uma informação diversificada e pluralista: por cada jornalista silenciado, é menos uma testemunha profissional do quotidiano em condições de poder contar o que observou, é menos um ângulo de visão dos problemas, é menos um ponto de vista. E cada vez maior o risco de uma informação uniformizada. • Precariedade – Ao mesmo tempo, muitos outros jornalistas temem o surgimento de novas operações de emagrecimento dos quadros redactoriais. Acontece mesmo com aqueles que estão vinculados com contratos de trabalho permanentes, mas cuja percepção do risco de virem a ser escolhidos para um novo despedimento funciona tantas vezes como um constrangimento da consciência e neutraliza o exercício dos seus direitos. A seu lado, trabalham, por vezes, dezenas de outros profissionais, em completa precariedade – sem qualquer vínculo, trabalhando à peça, em falso regime de prestação de serviços, com contratos a termo. Nestas condições, é necessária uma coragem extraordinária para cumprir a sua missão profissional com independência e cumprimento integral dos preceitos éticos do jornalismo. O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa não é uma efeméride corporativa, pois destina-se, justamente, a promover junto dos cidadãos e dos povos o valor da liberdade de expressão e do direito à participação. Mas, precisamente porque a fruição plena do direito à livre expressão do pensamento e ao acesso à informação depende das condições em que os Média são produzidos todos os dias, é justo que convoquemos a atenção dos cidadãos para a violação constante de direitos dos profissionais que neles trabalham. Lisboa, 3 de Maio de 2009 A Direcção" |
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