Uma ferocidade mansa
Compreende-se a irritação de Sócrates com Louçã, quando este elogiou o primeiro ministro por se estar a tornar mais manso - a pontos de, segundo a imprensa, lhe atirar com irritação: «mansa é a tua tia». Nem todos os elogios são bem aceites pelos elogiados.
Evidentemente que nem Louçã se importa de ter uma tia mansa, nem é de crer que Sócrates realmente conheça o parentesco colateral do líder do BE.
Sócrates simplesmente não aceita que ponham em causa o seu estatuto de animal feroz, que proclamou tão alto nos tempos áureos. Ele pode ser obrigado, pela falta de maioria absoluta parlamentar do PS, a moderar as atitudes mais ásperas. Mas, no seu interior fá-lo-á sempre como um animal feroz. Embora um animal feroz que, em vez de urrar ou uivar, se limita a resmungar para o lado considerações vagas e pouco sustentadas sobre a parentela alheia.