SOL

Equinócios e Solstícios - 30 de Julho de 2010

Publicação: 30 Julho 10 01:21

Fingimento

Ninguém sabia?  Ou sabia e não quis dizer?

Onde está a versão final do projecto de revisão constitucional do PSD? Não se sabe. Mas não interessa.

O que mudou no país para agora já ser possível vender a Vivo? A Oi já existia há um mês... E agora não houve Assembleia Geral, porquê? E por que não foi usada a golden share?

Há tempos descobriram que Rui Pedro Soares era administrador da PT e foram colocadas muitas dúvidas sobre o mérito da nomeação. Mas ele tinha sido nomeado em 2005 e na altura ninguém deu por isso. Porquê? Na altura não interessava...

Também há tempos estava a ver José Rodrigues dos Santos a apresentar o Telejornal e Rosa Veloso a falar como correspondente da RTP em Madrid. Já não se lembram, mas no dia seguinte ao Congresso do PSD de 2004 foi noticiada a demissão de Rodrigues dos Santos por causa dessa escolha...

EM 2005 surgiram as primeiras notícias sobre o Freeport. Nestes anos muito se disse sobre as motivações políticas da abertura de um inquérito em 2004. Agora  acabou a investigação. Ora, com tudo o que entretanto se soube – gravações, levantamentos, etc. – havia ou não motivo para as autoridades competentes terem iniciado uma investigação? Parece que sim. Mas alguém se interessa por reparar os danos causados a quem foi na altura caluniado?

AS SCUTS começam a ser conhecidas em todas as suas implicações, nomeadamente no que representam de grave prejuízo para o Estado português. Alguém se preocupa em exigir ao autor do modelo em Portugal, João Cravinho, que se explique? Também não. Não interessa.

Alguém, que seja sério, duvida de que Vítor Constâncio fez um truque ignóbil em 2005, inventando a previsão de um défice imaginário?

A sensação que todos temos, quando lemos ou ouvimos as notícias, é muito desconfortável.

Ninguém deu por nenhum destes assuntos nas secções de Economia dos orgãos de comunicação social?

Ninguém lhes pede que adivinhassem o a crise do subprime. Mas – que diabo – nem os números das SCUTS foram capazes de prever? Não era possível estudarem um pouco?

Claro que era. Mas não interessava. Terá de ser assim a política? ‘Suja e porca’, como diz o povo?

Os jornalistas não sabiam – ou sabiam e não disseram? E porquê?

Esquecimento

Nada interessa em Portugal?

A razão de tudo isto é tão abstracta e indefinida como outra coisa qualquer. É a mesma que leva todos a saberem que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social não serve para nada – e, no entanto, continua a existir. É a mesma que leva a que ninguém entenda a razão pela qual existe uma Sociedade Frente Tejo para fazer obras em Lisboa – e, no entanto, ela continua a fazer o que quer.

Não interessa? Podia interessar, mas agora não. Talvez depois.

Notícia desta semana: Itália empresta dois aviões a Portugal para combater fogos. O país continua sem os aviões de que necessita para combater incêndios, porquê? Estava decidido em 2004. Mas não interessa.

Conhecem a Av. Duque d’Ávila, em Lisboa? Ali, ao pé do Saldanha. Para quem não é de Lisboa, é a avenida que vai do Corte Inglés, num dos extremos, ao Instituto Superior Técnico, no outro extremo. Teve obras durante anos por causa do Metro. As obras acabaram em Setembro de 2009.  Mas passem lá para ver: está tudo igual. Uma vergonha! Um incómodo inconcebível para os comerciantes, para os residentes, para os transeuntes? Interessa? Não! Que diferença faz?

Na Ribeira das Naus as obras continuam, os movimentos de terras continuam, os percalços continuam...

O que se passa com Portugal? O que se passa, que ninguém quer saber de nada?

Continuam também os governadores civis. O PSD agora fala nisso outra vez… Sabem quando propus a extinção do cargo? Em 1980. Ministros da República? Representantes? Também propus a extinção na mesma data.

Outro ‘esquecimento’: as Autoridades Metropolitanas de Transportes. O Público falou delas esta semana… Que sentido faz continuarem sem funcionar? Interessa? Sabe-se lá.

 Mas quantos mais notarão o que eu noto?

Sofrimento

Conduzir ao telemóvel

A PROPÓSITO: já notaram que há cada vez mais pessoas a falar ao telemóvel enquanto conduzem?

É impressionante constatar o número de condutores a circular de dia ou à noite a velocidades muito baixas, mesmo em auto-estradas. E frequentemente ‘encostados’ à esquerda, ou então a meio de duas faixas, quase perdendo a noção de onde estão e do que fazem.

A questão não são só os telemóveis. O modo de conduzir é, no geral, assustador. Qual a razão? Só pode ser a deficiente formação. Faz impressão assistir ao que se passa nas estradas portuguesas e perceber que alguém, um dia, aprovou essas pessoas num exame de condução.

Não gosto de atribuir responsabilidades de modo generalizado. É, certamente, injusto. Há, seguramente, boas escolas de condução. Mas não vale a pena ignorar o que se passa. Pelo contrário, deve ser desencadeado um sério esforço de acompanhamento do modo como são formados os condutores. Há mais sectores com muitas falhas no nosso país? Claro que sim! Mas, se esse argumento nunca deve servir para desculpabilizar, muito menos o deverá ser neste caso que tem a ver com a protecção da vida.

A propósito de quem conduz, pense-se nos pilotos da TAP e no excelente nível profissional que sempre lhes foi reconhecido. É essa exigência e esse rigor que devem caracterizar a formação de quem se conduz a si próprio – e se cruza, segundo a segundo, com outras pessoas por essas estradas.

Em Portugal e no estrangeiro.

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